TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 5 de janeiro de 2013

VERÍSSIMO - José do Vale Pinheiro Feitosa


O Pavilhão Carlos Chagas, localizado no Hospital São Francisco, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, era onde todos os estudantes politizados e preocupados com os problemas de saúde pública iam terminar o curso, se especializar e até fazer mestrado ou doutorado. Foi ali que reencontrei o nosso Patativa do Assaré. Vi em detalhes o Metrô rasgar o chão atrás do Pavilhão e rapidamente começar a transformação da região da chamada Cidade Nova com a destruição do famoso Mangue, que foi um verdadeiro bairro dedicado somente à prostituição e as casas de show. Luiz Gonzaga andou nos começos por lá.

O nosso centro de estudos era diferente de tudo o mais da UFRJ. Além de discussões científicas, convidávamos personalidades que tinham uma visão de mundo diferente do regime político de então. Foi assim que tivemos o Ziraldo, o Paulinho da Viola e o cronista Carlos Eduardo Novaes, que naquela época fazia um grande sucesso no Jornal do Brasil.

Nesta ocasião o Carlos Eduardo criticou um jornalista que se iniciava na crônica montado no sucesso do pai. Era o protótipo daquele nepotismo que ergue méritos por afinidade dos antepassados. De qualquer modo estávamos todos equivocados, pois cada história é a que se conta e não apenas a crítica do presente que pode ser um alerta, mas não a sentença definitiva. Com o tempo saberemos quem tem, de fato, fôlego suficiente para o que se propõe.

E esse novo cronista teve história de sobra, chamava-se Luiz Fernando Veríssimo. Um dos bons escritores do nosso tempo. Um excelente contador de casos. Inteligente, bem informado e, sobretudo, alegre e otimista, mesmo quando faz severas e terminais críticas a certa canalhice humana. Ele é tão presente na vida das pessoas que alguns, se achando geniais, escrevem e dão o nome de Veríssimo à autoria do seu texto só para sentir o sucesso da leitura através do sistema de busca.

Pois nas proximidades de final de ano Veríssimo esteve à beira da morte. Fui informado de que se tratou de uma infecção pelo vírus da Influenza e que é objeto de vacinação especialmente na população idosa. Felizmente se restabeleceu e se encontra em atividade novamente. O jornal o Estado de São Paulo acaba de publicar uma crônica dele falando de como ele se encontrou no elevador da morte. Quem puder, procure no Google que achará a referência.

O talento que sobreviveu não ao inexorável fim de todos, mas à morte prévia no pódio da escala social. Veríssimo vivo é uma grande notícia. Mas ter ele tomado o caminho que tomou é ainda maior.

E assim deixo um abraço em todos. Na primeira quinzena de abril estaremos em contato novamente. Salvo alguns estímulos maiores e eventuais. 

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