Partindo-se
do pressuposto de que o Jornal do Cariri não cometeria a irresponsabilidade de
trazer a público algo tão grave sem que seus responsáveis detenham em mãos os competentes
documentos comprobatórios (e se não tiverem, que sejam sumariamente processados)
afigura-se-nos por demais sérias e passíveis de rigorosa apuração as denúncias
de que a Diocese do Crato se acha envolvida em atos de corrupção e malfeitos e
o seu líder maior, Vossa Excelência Reverendíssima, Bispo Diocesano Dom
Fernando Panico, acusado de estelionato e formação de quadrilha.
Afinal
(segundo o jornal), quando nada menos que 52 (cinqüenta e dois) dos 54
(cinqüenta e quatro) padres vinculados à Diocese se reúnem com pauta definida e
elaboram um abaixo-assinado (que já estaria circulando nas paróquias) pedindo a
saída do “chefe”, é porque algo de muito sério ocorreu.
Assim
é que, nos últimos 24 meses a Diocese teria emitido 35 cheques sem fundo, passado
pelo vexame de enfrentar protestos de uma dezena de títulos, além do que
existiria uma ordem judicial de busca e apreensão do carro em que o senhor Bispo
circula.
Pra
completar, o senhor Bispo estaria construindo uma mansão orçada em R$ 1,5
milhão, erigida num imenso terreno que teria sido adquirido à Diocese por um
membro da própria Igreja Católica (monsenhor Dermival), por irrisórios R$
60.000,00.
Ao
comparecer à Delegacia de Polícia a fim de prestar esclarecimentos sobre (uma imagem
constrangedoramente lamentável até para ateus, agnósticos e por aí vai), o
senhor Bispo alegou “falha administrativa”, limitando-se a informar que a venda
das casas já foi cancelada (como se isso o eximisse de culpa e apagasse o crime
perpetrado) e que a tal mansão de R$ 1,5 milhão lhe teria sido “DOADA” pelo
monsenhor Dermival (ainda segundo o jornal).
Agora,
cá entre nós, vejam vocês o “efeito pedagógico” de atos e atitudes praticados
por determinados líderes: a) uma das desculpas usadas pelos fiéis de Cícero
Romão Batista a fim de justificar o extraordinário patrimônio por ele amealhado
(sem que tivesse renda compatível ou herdado alguma riqueza), foi a de que tudo
seria oriundo de “DOAÇÕES” (como se vê, o mesmo argumento de agora); e, b) como
estratégia para tirar o Bispo do foco dos holofotes, uma das sugestões seria
convencê-lo a requerer sua aposentadoria de imediato (método usado pelos maus políticos
e integrantes do nosso Judiciário, depois de “aprontarem”).
Alfim:
se há consistência (veracidade) no que foi divulgado - que a corrupção fez
moradia na Diocese do Crato - nada como uma auditoria rigorosa para por os
pingos nos devidos “is”; no entanto, se as denúncias são inconsistentes
(inverídicas), está a Diocese do Crato na obrigação moral de processar seus detratores,
exigindo-lhes retratação pública (a omissão seria desastrosa).
No
mais, a divulgação de uma “requentada” reportagem sobre o esforço do Bispo em
conseguir a “reabilitação” de Cícero Romão Batista mais atrapalha que ajuda,
porquanto ficaria explicitada a tentativa de “desviar o foco” da questão
substantiva: há ou não corrupção na Diocese do Crato ???
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