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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O CRATO NA TV, EM HORÁRIO NOBRE E PARA TODO O MUNDO - José Nilton Mariano Saraiva

Meses atrás, em uma das nossas postagens, mostramos que uma determinada microempresa, do Crato, embora tendo por objeto a comercialização de “HORTIFRUTIGRANJEIROS”, fornecia à prefeitura da cidade... “material de construção-merenda escolar” fugindo léguas da finalidade constante do edital respectivo.

Eis que agora, alertado por denúncias de moradores da própria urbe, o “repórter secreto” do programa Fantástico, da Globo (exibido em todo o mundo), foi investigar o desvio de R$ 1,2 milhão, da MERENDA ESCOLAR, de empresas que venceram licitações e assinaram contrato com a prefeitura de Crato.

É que, em 2012, a empresa “Cícera da Silva” era fornecedora de sete (07) municípios, incluindo Crato. Valor total dos contratos nessas cidades: pouco mais de R$ 724 mil. Quase metade do dinheiro era da prefeitura de Crato. Cícera da Silva é a dona da empresa que recebeu o dinheiro. Mas que firma é essa? (atentem para o diálogo): Fantástico: A senhora tem uma PAPELARIA ? Cícera da Silva: Tenho. Fantástico: A senhora era merendeira? Cícera da Silva: Não. Eu vendia merenda. A gente vendia uma merendinha aqui e acolá. Quando dava para vender a gente vendia (Um dos contratos que a PAPELARIA de Cícera venceu, no valor de R$ 343 mil, era para fornecer MERENDA às escolas de Crato: ovo tipo marrom, sal iodado, rapaduras e  mistura para mingau). Cícera da Silva: Eu não tenho estoque, né? Então, a gente comprava e entregava.

Pois bem. A cidade de Crato foi fiscalizada, no ano passado, pela Controladoria-Geral da União (CGU). Ela investigou a movimentação do dinheiro público na PAPELARIA. Conclusão da CGU: o relatório da Controladoria diz que a PAPELARIA Cícera tem "características de empresa de fachada". Ou seja, características de uma empresa usada para encobrir o desvio de dinheiro público.

O marido dela, Eduardo Ferreira, também tem uma empresa, a “E. V. Ferreira”. Em 2012, a “E. V. Ferreira” também teve um contrato para fornecer MERENDA à prefeitura de Crato. Valor: R$ 866 mil. É a mesma história. A sede da firma não se parece com uma empresa de varejo de alimentos. Como Eduardo Ferreira é casado com a Cícera da PAPELARIA, e cada um tem uma empresa, e cada empresa tem ou teve contratos com a prefeitura, a conclusão é: o casal mexeu com muito dinheiro público da cidade de Crato. “E. V. Ferreira”: contrato de R$ 866 mil. “Cícera da Silva”: contrato de R$ 343 mil. Total: R$ 1,2 milhão. “A GENTE GANHA QUE DÁ PARA SOBREVIVER, NÉ ???”.  diz Cícera da Silva. Quando perguntamos a Eduardo Ferreira o que ele tem a dizer sobre essa “dobradinha marido-mulher”, empresa com empresa, como é que pode o marido ser concorrente da mulher, veja o que ele diz: “Uma está no nome dela, e outra, no meu nome. Eu achava melhor agente manter só no nível da EV mesmo”, diz Eduardo. Para Controladoria-Geral da União, a empresa dele tem mais uma coisa em comum com a empresa dela: no relatório da fiscalização, a firma dele também tem "características de empresas de fachada".

Samuel Araripe, que era o prefeito de Crato quando a “E. V. Ferreira” e a “Cícera da Silva” foram contratadas pelo município, afirmou na televisão que todo o processo de licitação e de fornecimento de MERENDA escolar se deu dentro da lei. “Esse fato de ser fachada ou deixar de ter fachada, eu entendo que isso não é competência do prefeito. Toda a parte legal, ela foi fiscalizada e foi exigida na minha gestão à frente da prefeitura do Crato”, afirma o ex-prefeito da cidade.

Perguntas que se impõem: 

1) será que o ex-prefeito do Crato ignora (a ponto de pouco se importar com isso) que “empresas de fachada” têm por finalidade precípua encobrir o “desvio de dinheiro público”???  

2) como explicar que marido e mulher sejam contemplados para prestar um mesmo tipo de serviço à prefeitura, através de empresas de araque, no exorbitante valor de R$ 1.200.000,00 ??? 




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