LEMBRANÇA “IMORREDOURA” E AGRADABILÍSSIMA – José Nílton Mariano Saraiva
Um dos grandes sucessos do cantor-brega Odair José é, ainda hoje, a antiga
canção "EU VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR", ainda hoje teimosamente
presente nos mais diversos ambientes, onde grandes amores são lembrados.
E, como "recordar é viver", à época colocamos no papel o que
foi o nosso encontro com uma dessas “mulheres da vida” numa das
"zonas/puteiros/cabarés" da vida, e pela qual "arriamos" os
quatro pneus, literalmente.
A lamentar, não termos tido a oportunidade de cumprir o que a ela
prometemos com toda a sinceridade e convicção: "EU VOU TIRAR VOCÊ
DESSE LUGAR" (chegamos mesmo a pensar em assumi-la, para o bem ou para
o mal).
Ficou a saudade imorredoura (ou seria a famosa "dor de
corno" ???) que, surpreendentemente, o Facebook vem de nos lembrar, agora.
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EU VOU TIRAR VOCE DESSE LUGAR (Odair
José)
Olha, a primeira vez que eu estive aqui
Foi só pra me distrair
Eu vim em busca do amor
Olha, foi então que eu lhe conheci
Naquela noite fria, em seus braços
Meus problemas esqueci
Olha, a segunda vez que eu estive aqui
Já não foi pra distrair
Eu senti saudades de você
Olha, eu precisei do seu carinho
Pois eu me sentia tão sozinho
E já não podia mais lhe esquecer
Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não me interessa o que os outros vão pensar
Eu sei que você tem medo de não dar certo
Pensa que o passado vai estar sempre perto
E que um dia eu posso me arrepender
Eu quero que você não pense em nada triste
Pois quando o amor existe
Não existe tempo pra sofrer
Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não me interessa o que os outros vão pensar
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"ONDE ANDA VOCÊ, MARIA DE FÁTIMA ??? - José Nilton Mariano
Saraiva
Em Fortaleza, num
desses ambientes onde se reúnem mulheres a serem cortejadas, ela era
unanimidade e, compreensivelmente, para ela convergiam os olhares, as fantasias
e os apressados corações daqueles alegres e falantes marmanjos, todos já
“encharcados” de álcool até o gogó.
Assim, presumindo
que com o nosso estilo discreto e reflexivo dificilmente conseguiríamos algo
ante tantas feras de porte atlético privilegiado e verborragia (teoricamente)
envolvente, preferimos ficar na nossa, observando o ambiente, curtindo o som e
“deglutindo” uma geladinha.
De repente, às
nossas costas, aquele toque suave e quase imperceptível no ombro; e, ao
virarmos pra conferir, deparamo-nos com o mais belo (embora discreto) sorriso
que alguém possa imaginar, seguido da sussurrada, calorosa e inolvidável
indagação: “E você, não quer ficar comigo ???”.
Foi assim que conhecemos
a meiga Maria de Fátima.
Altura mediana, clara, cabelos castanhos, olhos discretamente ao estilo
japonês, nariz perfeito, dentes impecavelmente alvos, lábios carnudos e...
“cheinha” (ao contrário das magrelas ossudas, de hoje).
Já no quarto, ao
desnudar-se, uma arrebatadora e deslumbrante visão, digna de ser retratada por
um desses pintores clássicos e posta num pedestal pra ser admirada por gregos e
troianos: seios medianos e rijos, cintura fina, bunda belíssima, coxas firmes e
pra lá de torneadas. Enfim, tudo no lugar. Uma deusa da perfeição. Carinhosa, fala
mansa e envolvente, conversa aprumada, de pronto bateu aquela sinergia entre
nós. A ponto de, ainda na cama, lhe indagarmos (com sinceridade d’alma) a
“razão” ou o “por que” de uma mulher tão bela e educada frequentar um local
daqueles; de onde ela era; de qual família e por aí vai. Surpresa, ela
afirmou que era a primeira vez que alguém fazia tais tipos de perguntas pra
ela, que nunca alguém procurara saber da sua intimidade, que, enfim, encontrara
alguém “diferente” (e a prova disso é que não aceitou receber nada, ao final,
como era praxe naqueles idos tempos).
Pra encurtar a
conversa: na segunda vez que a procuramos ela simplesmente largou tudo, sob
protestos da cafetina, e fomos curtir a vida em pleno dia, terminando por
encontrar abrigo em nosso apartamento de solteiro (onde ela aprendeu, a partir
de então e durante meses, a dormir “empacotada” em nossas camisas de seda, de
mangas longas, que achava... ”gostosas”).
Em represália,
fomos proibidos pela "alcoviteira" de adentrar o tal ambiente, já que
os “seguranças” tinham ordem expressa de “baixar a cacete”, se se tornasse
necessário; então, conjuntamente, arquitetamos que bastariam dois toques na
buzina pra que ela “se mandasse” dali. E assim foi feito, a partir de então.
Foram meses de felicidade plena, durante os quais frequentávamos, de mãos dadas
e sorriso no rosto, qualquer lugar que “desse na telha”, sem nenhum
constrangimento de encontrar algum desses barões que com ela houvesse se
relacionado naquele ambiente ("seleto" e frequentado por “barões”, homens
de realce da sociedade).
Mas...
De repente, a meiga Maria de Fátima sumiu, evaporou-se, tomou Doril,
escafedeu-se, literalmente deixando-nos na mais completa, sofrida e dolorosa orfandade
(deve ter havido algo de sério e grave, que jamais saberemos).
Hoje, apesar de
casado (em processo de separação) e com dois belos filhos já adultos, tal qual
os William Bonner da vida não cansamos de (mentalmente) perguntar: onde anda
você, Maria de Fátima ???
Quantas saudades...
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