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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mandaram o FMI intervir no Palocci, detonar o Garrincha e algemar o gerente - José do Vale Pinheiro Feitosa

Taturana é um misto de mendigo e catador de papelão da esquina da rua Jardim Botânico. Pela conversa vê-se que é observador, letrado, lê toda a traquitana de jornais e revistas que junta para ganhar o pão. Tem uma dignidade que, infelizmente, não se adere à ética vigente. De vez em quando me recebe, na sombra úmida da árvore sob a qual se abriga e me dá o direito de ouvir suas observações essenciais. Hoje me deu três parágrafos de conversa.

O ex-ministro do supremo, de sobrenome Pertence, nos diz que passa uma vista de olhos e que não existem razões para julgar a fortuna de ministros pobres e ricos do governo. Em primeiro lugar é uma ironia: não tem fortuna de pobre, a não ser a sarna da necessidade. Segundo: o Ministro Palocci é do Partido dos Trabalhadores e com os milhões declarados passou à condição de infiltração dos patrões. Terceiro para crescer o patrimônio numa velocidade como esta que teve o ex-médico, ex-prefeito, ex-ministro da fazenda e atual da casa civil só existem duas explicações. Ou foi sorteado na improvável Megasena ou é um atestado que o capitalismo é de fato o ambiente de mega-acumulações.

E a esperança da esquerda francesa nas próximas eleições? A esperança da Europa em salvar o Euro com a ajuda do FMI? Tudo caiu no Canal da Mancha. O Dominique Strauss-Khan, francês, do partido socialista e diretor gerente do FMI está sendo acusado de assustar uma camareira com aquele corpo nu em fase avançada de decrepitude senil. Os americanos passaram as algemas no velhote: pegaram o safado querendo passar o dinheiro do FMI para as economias falidas do Euro. Como dizem do batido de asas das borboletas que causam terremotos na Costa Rica, quem está com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando as eleições chegarem, é o Sarkozy.

Agora o show máximo das palhaçadas políticas e da engenharia nacional, que tanto gosto em financiar políticos aconteceu na nossa famigerada Brasília. O povo vadio das tardes de domingo, esperando o espetáculo da detonação do estádio de futebol. O vice-governador mais ridículo que penteadeira de cabaret, acionou o botão da detonação, subiu a fumaça e o espírito do Mané Garrincha ficou intacto. Os assessores, com aqueles chapéus que protegem a ossatura febril do crânio acobertado na cenografia televisiva, prometendo o segundo tempo. Que veio e nada. A noite veio, o povo foi e com ele os carrões das autoridades.

Terminada a conversa eu estava confuso: tentaram detonar o Palocci e ele é mais forte que o Mané Garrincha, que não mandava no FMI, gostava de cantoras, mas nem tanto das camareiras.

Um comentário:

Darlan Reis Jr. disse...

Consultoria boa essa do Palocci...