TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quarta-feira, 27 de maio de 2026

 A “MAGIA” DO FUTEBOL - José Nilton Mariano Saraiva 

Sob um mesmo teto, dentro de um mesmo evento, só que em duas frentes distintas, acontece a “magia” do futebol: coletivamente, nas arquibancadas das arenas da vida, através do outrora impensável e democrático congraçamento dos mais distintos e díspares atores sociais (do médico ao engraxate, do biscateiro ao industrial, da empregada doméstica à deslumbrada socialite, e outros tantos) que, deixando de lado temporariamente suas idiossincrasias, problemas, soberbas e frustrações, em uníssono e irmanados põem-se a roer unhas, vibrar com o desempenho do time do coração, vaiar, aplaudir, premiar a senhora mãe do árbitro com adjetivos os mais “carinhosos”, “paparem” o mesmo anti-higiênico e gostosíssimo “cai-duro” ou mesmo a macaxeira cozida, preparados ali mesmo, na hora, sem importar-se de que venham acompanhados daquele maravilhoso suco repleto de coliformes fecais, antes de, até que enfim – momento supremo e apoteótico – se enroscarem na comemoração do gol tão esperado. 

Ali, não tem essa de seletividade, de um ser maior que o outro, de alguém se afirmar e se impor em razão de ostentar um anel de “doutor” ou um vistoso cordão de ouro no pescoço; não, ali não tem essa de autoridade, de excelência, de rei do gado e outras frescuras mais. 

A “magia” do futebol os faz, mesmo que momentaneamente, iguais, unos, irmãos, complementares, até. Ou, como diria Nelson Rodrigues, um dos nossos grandes dramaturgos e apaixonado por futebol: “todos os torcedores de futebol se parecem entre si como soldadinhos de chumbo; têm o mesmo comportamento e xingam com a mesma exuberância e os mesmos nomes feios, os juizes, os bandeirinhas, os adversários e os jogadores do próprio time” (pelo menos até a saída do estádio, acrescentaríamos). 

Já lá embaixo, entre as quatro linhas do “tapete verde” de um Maracanã ou Castelão da vida, ou mesmo no campo de terra batida dos “estádios” interioranos, a “magia” do futebol se nos apresenta solo, individualizada, personalista, de um só e único dono: o craque, o fora-de-série, aquele que faz a diferença, que desequilibra, magnetiza e é capaz de, numa fração de segundo, deixar o adversário esparramado de quatro no chão, após um drible desmoralizante, ou aplicar-lhe um “banho-de-cuia” magistral, deixando-o a ver navios, antes de aninhar a bola no fundo da rede. 

E ninguém mais emblemático para representar tão esfuziante personagem que o nosso saudoso Mané Garrincha, titular absoluto do time do Botafogo e na seleção brasileira em duas Copas do Mundo. 

Recorramos, novamente, ao que escreveu Nelson Rodrigues, ao final da batalha decisiva da Copa do Mundo de 1962, Brasil 3 x 1 Tcheco-Eslováquia, realizada no Chile, quando nos sagramos bicampeões: 

(aspas) “Amigos, a bola foi atirada no fogo como uma Joana D’Arc. Garrincha apanha e dispara. Já em plena corrida vai driblando o inimigo. São cortes límpidos, exatos, fatais. E, de repente, estaca. Soa o riso da multidão - riso aberto, escancarado, quase ginecológico. Há, de novo, em torno de Mané, um batalhão de tchecos. Novamente, ele começa a cortar um, outro, mais outro. Iluminado de molecagem. 

Garrincha tem nos pés uma bola encantada, ou melhor, uma bola amestrada. O adversário pára também. O Mané, com quarenta graus de febre, prende ainda o couro. A partida está no fim. O juiz russo espia o relógio. E o Brasil não precisa vencer um vencido. A Tcheco-Eslováquia está derrotada, de alto a baixo, da cabeça aos sapatos. 

Mas Garrincha levou até a última gota o seu olé solitário e formidável.  Para o adversário, pior e mais humilhante que a derrota, é a batalha desigual de um só contra onze. A derrota deixa de ser sóbria, severa, dura como um claustro. 

Garrincha ateava gargalhada por todo o estádio. E, então, os tchecos não perseguiam mais a bola. Na sua desesperadora impotência, estão quietos, imóveis. Tão imóveis que pareciam empalhados. Garrincha também não se mexe. É de arrepiar a cena. De um lado, uns quatro ou cinco europeus, de pele rósea como nádega de anjo; do outro lado, feio e torto, o nosso Mané. 

Por fim, o marcador do brasileiro, como única reação, põe as mãos nos quadris como uma briosa lavadeira. O jogo acabava ali. Garrincha arrasara a Tcheco-Eslováquia, não deixando pedra sobre pedra. Se aparecesse, na hora, um grande poeta, havia de se arremessar, gritando: O homem só é verdadeiramente homem quando brinca. E não houve, em toda a Copa, um momento tão lírico e tão doce. Aqueles quatro ou cinco tchecos, parados diante de Mané, magnetizados, representavam a Europa. Diante de um valor humano insuspeitado e deslumbrante, a Europa emudecia, com os seus túmulos, as suas torres, os seus claustros, os seus rios.  

A última jogada de Mané, no adeus aos Andes, foi uma piada linda e plástica. No mais patético das batalhas, a seleção brasileira soube brincar. E esse toque de molecagem brasileira é que deu à vitória uma inconcebível luz (aspas)”. 

Taí, a essência da “magia” do futebol.

terça-feira, 26 de maio de 2026


O GIGANTE "DESPERTOU" - José Nílton Mariano Saraiva


Inserta no meio dos versos de Joaquim Osorio Duque Estrada, que, alfim, compõe o Hino Nacional Brasileiro, a frase aparentemente inocente e comodista, “deitado eternamente em berço esplendido” durante muito tempo serviu para que os pessimistas de plantão tratassem de afinar o discurso negativista, tentando ridicularizar e até achincalhar o próprio país, porquanto retrataria com fidelidade uma espécie de “estado de espirito” omisso e acomodado dos seus dirigentes e do seu povo. Daí a perspectiva de um futuro desalentador e sombrio, profetizavam. 


Só que, ao longo do período 2003/2016 (quando começou a era lulista), trabalhando com denodo e em silencio, nos bastidores o Governo Federal paulatinamente conseguiu inserir o país no tabuleiro desenvolvimentista, via projetos bem estruturados, criteriosos e consistentes, daí o Brasil ter conseguido figurar (a partir de então) como um dos emergentes que no futuro (logo ali na esquina) se firmará, sim, como uma potência mundial. 


Pois bem, nessa bendita arrancada que iniciamos rumo ao primeiro mundo (houve uma momentânea interrupção pela assunção de um beócio à presidência) um dos insumos basilares que faz a “roda girar” é, sem sombra de dúvida, o petróleo (apropriadamente cognominado de “ouro negro) em razão da miscelânea de utilidades que incorpora, daí sua consequente e necessária presença em tudo que represente alavancagem, progresso, desenvolvimento. Em qualquer idioma, e em qualquer rincão do planeta Terra (qualquer dúvida sobre, é só atentar para a sujeira e o jogo sujo patrocinada pelo maior país do mundo, os Estados Unidos, que, vendo suas reservas paulatinamente se exaurirem, sem nenhum escrúpulo já invadiu o Iraque, a Venezuela - o maior produtor do mundo - e, agora, o Iran, a fim de se apossar do seu petróleo). 


Mas, voltando ao Brasil, deu-se o “fiat-lux”, por obra da descoberta do pre-sal (no governo Lula da Silva), e houve como que um despertar repentino, de sorte que o “deitado eternamente em berço esplendido”, tão criticado e achincalhado pelos negativistas, se transfigura e nos apresenta uma outra conotação, um outro horizonte, uma outra faceta. Sim, senhores, nosso país repousa, literalmente, desde tempos imemoriais, num portentoso reservatório de petróleo, que poderá transformá-lo num dos maiores produtores /exportadores do produto, com tudo de bom que isso representa. 


É que, a competente estatal brasileira Petrobras, “expertise” na exploração em águas profundas, depois da descoberta de imensas reservas petrolíferas nas profundezas oceânicas do pre-sal (Bacia de Campos) anunciou, após, um outro feito capaz de nos catapultar rumo ao primeiro mundo, verdadeira passaporte para se adentrar no seleto grupos de países preferenciais: a descoberta do campo de Libra, que guarda algo em torno de 15 bilhões de barris de petróleo (como se não bastasse, logo após a descoberta de Libra, aquela estatal e o governo de Sergipe anunciaram a descoberta de uma monumental nova reserva mineral, no litoral de Sergipe/Alagoas, ainda maior em termos de área do que a de Libra (e nos dias atuais, descobriu-se que a bacia litorânea do Amapá também possui portentosas reservas petrolíferas, talvez até maior que o pre-sal). 


Claro que a extração de toda essa riqueza do fundo do oceano é por demais complicada e onerosa, mas não faltarão parceiros dispostos a alocarem os recursos necessários, via aceitação da “partilha” proposta pelo governo brasileiro (que ficará com 75% do que for extraído) daí a tendencia que nos tornemos um dos maiores produtores/exportadores de petróleo, E inquestionáveis serão os reflexos na alavancagem desenvolvimentista e sustentável daí propiciada. 


Fato é que, se vivíamos “deitado eternamente em berço esplendido”, (mesmo tendo como colchão um mar de petróleo), agora o gigante não só despertou, mas levantou, e tende a ocupar lugar de destaque no conceito das nações (PARA TANTO, NO ENTANTO, NECESSARIO SERIA EXORCIZAR DE BRASILIA, E NÃO MAIS DEIXAR QUE VOLTEM, A CAMBADA DE MILICIANOS QUE SE APOSSOU DO PODER). E isso já foi feito. 


Evidentemente que nossa geração não alcançará o clímax, o apogeu disso tudo, mas, olhando em termos macros nos conforta saber que nossos descendentes (filhos, netos e até bisnetos) hão de usufruiu das benesses de um país que o mundo há de respeitar. 


Alguma dúvida ???

domingo, 24 de maio de 2026

 DOMINÓ DOS BOLSONARO (por MÁRCIA TIBURI)

Vorcaro é o novo filho de Bolsonaro

Nunca é hora de cantar vitória em se tratando de eleições. E, de fato, a corrida eleitoral está apenas começando no Brasil ainda politicamente bipolar. A prudência avisa que tudo pode acontecer quando se está sob ameaça de fascismo e a égide do Centrão não sinaliza para seu fim.

Apesar da prudência, não precisamos ter medo ao analisar o cenário envolvendo os Bolsonaro em queda. A lama envolvendo o nome está tão densa que vai ser difícil limpar no tempo de disputar eleições. A onda bolsonarista está passando já faz um tempo. De fato, os candidatos da extrema direita sempre podem usar as velhas tática de fake news e desinformação, que os trouxe e manteve no poder por décadas. Mas, agora, os Bolsonaro estão por demais ocupados em tentar salvar o mais importante deles no momento. A coisa está tão feia que nem mesmo a imprensa corporativa passadora de pano, apoiadora de personagens abjetos, que sempre ajudou na produção de desinformação e fake news ao longo dos anos, está conseguindo manter a pose.

Para quem amargou a escalada dos Bolsonaro desde 2016 e a ascensão do fascismo à sua imagem e semelhança, o que levou Jair à Presidência da República de 2018 a 2022, é hora de admirar o castelo bolsonarista ruindo.

Os ventos que insuflaram o vírus do fascismo à brasileira, que leva o nome de bolsonarismo, já não sopram a favor de nenhum dos seus integrantes. No tabuleiro de dominó, o pai caiu primeiro, como não poderia deixar de ser, depois de ter sido julgado como líder de organização criminosa que projetou o golpe inacabado de 2023, além de outros crimes e diversas abjeções morais das quais foi protagonista, sobretudo, na época da pandemia da covid-19.
As peças da escadinha começam a oscilar com o desabamento do segundo membro, o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair. Já o chamado número 2, Eduardo, alcunhado como “bananinha” por uma ex-namorada, vive hoje nos EUA, provavelmente com dinheiro ilícito roubado do ladrão master que é Daniel Vorcaro. Acusado de coação e pressão internacional para interferir nas investigações do STF sobre o golpe, a cassação do seu mandato foi o de menos perto do que está por vir.

Não sobrará nenhum deles a depender das investigações e da seriedade da Justiça. Carlos, por exemplo, segue quieto, mas assim como o irmão, ele também é acusado de rachadinha. Além disso, está sendo odiado até pela direita de Santa Catarina, onde pretende se eleger como senador roubando os votos dos fascistas nativos. Jair Renan, vereador em Balneário Camboriú, é acusado de vários crimes, entre eles, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documento falso. Nem Michelle, esposa e madrasta da malta Bolsonaro, sairá ilesa porque também ela depende que esse nome possa ser limpo.

Para os que especulam sobre a candidatura da esposa de Bolsonaro, é bom lembrar o óbvio, a saber, que ela é politicamente frágil. Não tem nem conhecimento, nem o apelo emocional de Bolsonaro. O discurso de ódio de Bolsonaro o liberava da necessidade de ter conhecimento sobre o Estado, a economia e a política. O carisma de Michelle termina, rapidamente, sem a presença do marido. Ela tinha uma função na divisão do trabalho do casal, o de ser a mulher auxiliar e cuidadora, mas não tem nem de longe a força do discurso fascista que a seguraria no lugar de substituta do marido preso e moribundo.

Além de tudo, ela é mulher, ou seja, na política, como na vida geral do patriarcado, isso é um desabono. Os bolsonaristas raiz, por sua vez, não a respeitam, seja pelo seu passado, seja pelo seu presente. E os evangélicos, que gostam dela porque ela é elegante no púlpito e fala como uma pastora, precisariam de um investimento incomum para superar o machismo e acreditar que ela pode governar um país.

sábado, 23 de maio de 2026

  

O PREÇO DE FLAVIO 2026: Como os novos escândalos do senador assombram a direita – por João Filho (jornalista)

De repasses aos mandantes do caso Marielle a esquemas bilionários de sonegação, a avalanche de denúncias cria um oceano de lama que ameaça afundar o projeto nacional do clã.

“O Ministério Público tá com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente", disse Fabrício Queiroz em um áudio de 2019, quando ele e Flávio Bolsonaro eram investigados por lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa. Mal sabia que essa seria a menor das “picas” a serem enfrentadas por Flávio Bolsonaro no decorrer da sua carreira política. 

 

Sete anos depois, o senador é pré-candidato à presidência e está enfrentando uma série de graves acusações. Além das negociações milionárias suspeitíssimas com o maior ladrão do Brasil, Flávio terá que passar o ano eleitoral explicando os escândalos de corrupção em que está envolvido. Não estamos falando de um caso ou outro, mas de muitos. A relação obscura com Vorcaro é só uma gota no oceano de lama no qual o senador está atolado.

 

Flávio terá que explicar por que enviou uma emenda parlamentar de R$199 mil para uma ONG suspeita de integrar um esquema de desvio de verbas públicas, comandado pelos irmãos Brazão — os mandantes do assassinato de Mariele Franco. Segundo a Polícia Federal, o envio foi intermediado por um policial militar conhecido como "Peixe", que também foi condenado pelo assassinato da vereadora. O senador terá que esclarecer os motivos que o levaram a manter negócios com a quadrilha que matou a vereadora do PSOL. 

 

Operação ‘Sem Refino’


Há um outro caso que está prestes a explodir no colo de Flávio. A operação “Sem Refino” da Polícia Federal investiga um esquema bilionário de sonegação envolvendo a Refit, uma empresa do setor de combustíveis.

As investigações estão chegando cada vez mais perto de Flávio Bolsonaro, que viu seu aliado Cláudio Castro ser alvo de busca e apreensão na semana passada. O caso tem grande potencial para arrastar Flávio para o olho do furacão. Um relatório da PF enviado ao Supremo Tribunal Federal destaca que a “a leniência e a criação de um ambiente propício para a propagação da atividade espúria desenvolvida pela organização criminosa (...) retratam o amálgama do crime organizado com agentes públicos influentes na política fluminense, a começar pelo então chefe do Poder Executivo”. 

 

Não é possível falar em “agentes públicos influentes na política fluminense” sem falar na família Bolsonaro, especialmente Flávio. Até os paralelepípedos da Rua do Ouvidor conhecem a influência do senador na política fluminense. Um esquema dessa grandiosidade, considerado o maior caso de sonegação do país, dificilmente seria ignorado pelo filho mais velho de Jair Bolsonaro. Ainda mais um caso envolvendo dois parças tão próximos como Cláudio Castro, do PL do Rio de Janeiro, e o senador Ciro Nogueira, do Progressistas do Piauí, a quem foi entregue a “alma do governo” Bolsonaro. Aliados mais próximos a Flávio sabem disso e estão desesperados com a possibilidade real do caso respingar nele. 

 

Ninguém confia no Flávio

 

Flávio Bolsonaro é um mentiroso contumaz, como ficou evidente depois das reportagens do Intercept. Não que isso seja novidade, mas descobrimos que ele mente até mesmo para os seus aliados. No início da pré-campanha, os dirigentes do PL questionaram o senador sobre suas relações com Vorcaro. Ele negou. Meses depois, Flávio mudou a história, mas continuou mentindo. Disse que foi procurado pelo banqueiro, mas recusou o encontro. Hoje, sabe-se que ele não só o encontrou como pediu milhões para financiar o filme panfletário sobre seu pai. Ninguém confia em Flávio, nem mesmo os seus companheiros.

 

O desespero para encontrar uma narrativa que salve o candidato é grande. Cavaram até um encontro com Trump nos EUA para tentar virar o jogo no noticiário. É uma tentativa de mostrar credibilidade junto ao presidente americano, já que aqui no Brasil nem a confiança de Valdemar da Costa Neto ele tem mais.

As chances do encontro ser um mico são grandes. Primeiro porque o presidente americano já não é mais visto como um bom cabo eleitoral. Uma fotinho ao lado dele não rende votos, apenas serve para deixar sua base eleitoral excitada. Segundo porque a imprevisibilidade de Trump pode até melar o encontro, ainda mais em meio a uma guerra. Viajar até os EUA e voltar sem o encontro seria vergonhoso e aumentaria as manchetes negativas. No fim das contas, a reunião com Trump é só um ato de desespero.

 

São muitos os esqueletos no armário do Flávio mas, pelo menos por enquanto, nada indica que ele desistirá da candidatura. Em condições normais de pressão e temperatura, um candidato que não inspira confiança já teria sido rifado pelos aliados. Ocorre que toda a direita brasileira está sequestrada pelos Bolsonaros. 

 

Afinal de contas, quem tem votos é a família e, para ela, não interessa vencer a eleição sem um parente à frente da candidatura. É melhor perder e manter a família com controle político da direita do que ganhar e entregar todo o capital eleitoral de bandeja para alguém de fora do clã. 

 

A direita hoje está refém de uma família cujo patriarca está preso, um dos filhos está foragido e o mais velho está escalado para a disputa presidencial mesmo atolado por escândalos de corrupção. Outros candidatos de direita, como Zema e Caiado, até tentam se diferenciar, mas não podem romper de uma vez com o bolsonarismo. Seria um suicídio eleitoral.

 

Além disso, seria incoerente largar o osso depois de terem sido cúmplices dos maiores absurdos protagonizados pelo clã Bolsonaro, desde a roubalheira generalizada até a tentativa de golpe de estado. Vejam só onde a direita brasileira foi amarrar seu burro. Agora é tarde demais. Vão ter que segurar essa pica do tamanho de 10 cometas até o final da eleição. 


  DO EDITORIAL DO ESTADÃO, DE 21 de maio de 2026


Em novo editorial publicado nesta quinta-feira (21), o Estadão afirma que o escândalo de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro (Banco Master) não muda “uma vírgula” de sua biografia, já marcada por milícias, rachadinha e negócios obscuros. Flávio sempre foi honesto sobre seu único objetivo (livrar o pai da cadeia), e governar não está em seus planos. O texto critica aliados que ainda o apoiam porque o veem como única alternativa a Lula, ignorando que a candidatura de Flávio foi imposta pelo “dedazo” de Jair para sabotar a direita democrática. Leia trechos:

Desde que estourou o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, os integrantes da equipe de campanha do filho de Jair Bolsonaro saíram por aí a dizer que foram surpreendidos com a revelação de que o candidato a presidente tinha relações fraternas (e transacionais) com o protagonista do maior crime financeiro da história brasileira. […]

Ora, francamente: esse escândalo não muda uma vírgula da biografia de Flávio, na qual já figuram com destaque suas relações com milicianos, a prática de rachadinha em seu gabinete e estranhos negócios imobiliários em dinheiro vivo. Trata-se, portanto, de um candidato com longa ficha corrida, que nunca foi segredo para ninguém. O caso do Banco Master não torna Flávio pior do que ele já era. […]

Mas é preciso reconhecer que Flávio sempre foi absolutamente honesto a respeito do espírito de sua candidatura à Presidência: ele nunca escondeu que seu único objetivo, ao chegar ao poder, é livrar o pai da cadeia. Governar o Brasil não está nos seus planos, como não estava nos planos do patriarca – que terceirizou a administração do governo por sua absoluta inaptidão ao trabalho e que vivia a lamentar o fardo de estar na Presidência. […]

Portanto, segundo esse raciocínio, pouco importa se Flávio envolveu-se com o protagonista do maior escândalo financeiro da história brasileira, se tem ligação com milicianos, se tomou dinheiro de funcionários de seu gabinete e se fez negócios obscuros em dinheiro vivo. Também não interessa se o tal filme feito com dinheiro de Daniel Vorcaro é tão ruim que não se pode condenar quem o considere apenas um meio de lavar dinheiro, fazer caixa de campanha e sustentar o irmão de Flávio, o deputado cassado Eduardo, na sua dolce vita nos EUA. O que interessa é impedir um novo mandato de Lula, retratado pelos bolsonaristas como o diabo em pessoa. […]

Bolsonaro e sua grei não geraram nada de bom para o País, só ressentimentos e destruição de consensos mínimos entre concidadãos.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Coletivo Camarada se prepara para organizar a XII Pipada no Gesso e convoca comunidade para reunião de planejament

O tradicional encontro que une gerações em torno da arte de soltar pipas está de volta. O Coletivo Camarada realiza no próximo dia 7 de maio a reunião de planejamento da XII Edição da Pipada no Gesso, um dos eventos mais aguardados do Território Criativo do Gesso. O encontro acontece às 17h, na sede do coletivo, localizada na Rua Monsenhor Juviniano Barreto, 350 – Centro, e é aberto a organizações, coletivos, artistas, moradores e moradoras da região, com o objetivo de construir, de forma coletiva e participativa, os últimos preparativos para a pipada.

A Pipada no Gesso vai muito além de soltar pipas. É uma brincadeira que reúne crianças, adultos, idosos, mulheres e homens – todos participam ativamente da atividade. A maioria das pipas é confeccionada pelos próprios moradores, e o Coletivo Camarada fornece o papel seda para a produção. Na edição deste ano, são esperadas cerca de 100 pipas nos céus do Gesso. Os participantes podem levar pipas prontas para doar ou vender, ou ainda confeccionar suas próprias pipas durante o evento. É importante destacar que fica proibido o uso de linhas com cerol ou linhas cortantes, reforçando o compromisso com uma brincadeira segura para todos.

A cultura periférica se faz com participação popular, e a Pipada é um símbolo disso: a comunidade se reunindo, ensinando os mais novos, valorizando o fazer manual e ocupando o território com alegria e autonomia. Convidamos todas as organizações, coletivos, artistas, moradores e moradoras do Território Criativo do Gesso para planejarmos juntos a XII edição da Pipada no Gesso. A reunião de planejamento será no dia 7 de maio de 2026, às 17h, na sede do Coletivo Camaradas, na Rua Monsenhor Juviniano Barreto, 350 – Centro. Compartilhe com sua rede e confirme presença pelo WhatsApp (88) 999273176.

Prefeitura do Crato e Coletivo Camaradas assinam Acordo de Cooperação para Sítio Urbano do Gesso

 




​A Prefeitura do Crato, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudança do Clima, e o Coletivo Camaradas oficializaram o Acordo de Cooperação nº 03/2026 para o desenvolvimento de ações socioambientais no município. O objetivo central da parceria é o apoio ao projeto "Agentes do Sítio Urbano do Gesso", uma iniciativa que busca consolidar o território como referência em sustentabilidade, justiça socioambiental e gestão participativa. O acordo, assinado pelo secretário George Érico de Alencar Braga Borges e pelo representante do coletivo, Fidel Barbosa Fernandes, possui vigência inicial de 12 meses.  


​O projeto foca no fortalecimento comunitário através de práticas de agroecologia, agricultura urbana e educação ambiental. Entre as ações previstas pelo Coletivo Camaradas estão a implantação de um viveiro comunitário, a criação de um banco de sementes e a realização de oficinas e atividades formativas voltadas à preservação do meio ambiente. Para viabilizar essas metas, a Secretaria oferecerá suporte institucional, podendo disponibilizar mudas de espécies vegetais, além de fornecer orientações técnicas e realizar o acompanhamento simplificado das atividades desenvolvidas.  


​Um ponto fundamental do ajuste é a sua natureza estritamente não lucrativa e a ausência de transferência de recursos financeiros entre as partes. A cooperação baseia-se na conjugação de esforços para a promoção do interesse público, com o Coletivo Camaradas responsabilizando-se pela execução das atividades de forma participativa e sustentável. Como contrapartida institucional, o município do Crato será mencionado como parceiro em todas as publicações e produtos técnico-científicos que resultarem desta iniciativa.

terça-feira, 5 de maio de 2026

MAM realiza em Fortaleza ato político cultural de inauguração de secretaria



Após 7 meses do II Encontro Nacional do MAM,  o movimento inaugura a secretaria estadual na capital cearense


O Movimento pela Soberania Popular na Mineração - MAM, realiza em Fortaleza, dia 09 de maio o Ato Político Cultural de Inauguração da Secretaria Estadual do MAM Ceará. O evento tem o objetivo de reunir a militância, parceiros políticos e aliados na capital cearense para comemorar e debater esse passo tão importante na construção do movimento no estado do Ceará. 


Com a crescente expansão da mineração predatória no estado do Ceará e no Nordeste, firmar um espaço físico em uma capital, apresenta-se como um passo estratégico de ampliação de articulações políticas, visando amadurecer o debate em torno de um problema que atravessa a sociedade brasileira. 


O evento contará com militantes de cerca de 12 municípios do Estado do Ceará, sendo eles, Independência, Santa Quitéria, Itatira, Monsenhor Tabosa, Crateús, Redenção, Novo Oriente, Crato, Tauá, Madalena, Quiterianópolis e Fortaleza. Estarão presentes representantes de organizações diversas da sociedade civil, incluindo ONG’s, movimentos sociais, sindicalistas e organizações sociais da igreja católica. É esperado a presença de parlamentares municipais de Fortaleza, representantes de secretarias do Governo do Estado do Ceará, secretarias municipais, deputados estaduais, acessórias parlamentares e representantes de partidos políticos. 


A animação cultural será por conta de Edilson Barros, de Nova Russas, nos Sertões de Crateús, trazendo a força cantada das Comunidades Eclesiais de Base e da Música Popular Brasileira, para encantar o público na inauguração, somando-se a potentes místicas e apresentações que ocorrerão no decorrer do evento. 


A expansão do setor mineral do Nordeste e a massificação da luta na capital cearense

Após o ano de 2025, recheado de muitas lutas e articulações direcionadas ao estado do Ceará, entre elas a I Escola Nacional de Arte e Cultura Patativa do Assaré e o II Encontro Nacional do MAM, em Fortaleza, intensifica-se a necessidade de pensarmos um projeto popular de mineração na Região Nordeste, haja vista a intensidade e o foco que o setor mineral está empregando na região e as particularidades que o território apresenta frente as questões hídricas e sociais. 


A secretaria do MAM Ceará, firma-se como espaço de apoio e articulação de toda a região, pois entende-se que o Ceará será um dos estados expoentes da especulação do capital mineral nos próximos anos e, destacando-se como principal rota de exportação internacional de minerais de toda a região nordeste, como indica por exemplo, a intensificação nas obras da ferrovia Transnordestina, que interliga os portos cearenses ao litoral pernambucano. 


Programação: 

16h: Abertura, animação/ acolhimentos dos participantes

17h: Jornada socialista e mística

18h: Apresentação sobre a construção e desafios da secretaria estadual do MAM

18:30: Diálogo com os/as parceiros/as do MAM

19h: Forró com Edilson Barros


Serviço: 

Atividade: Ato Político Cultural de Inauguração da Secretaria Estadual do MAM Ceará

Quando: 09 de maio de 2026

Onde: Rua Napoleão Laureano, 485, Bairro de Fátima

Horário: a partir das 16:00 

Para mais informações: João Victor - (88) 981942254