TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 26 de junho de 2026



NA ARTE DA “PINTURA”, O REDESCOBRIR DA VIDA - José Nilton Mariano Saraiva 

Pintor famoso, sessentão, aposentado, família constituída, estabilizado na vida, eis que, de repente, se vê tomado por um profundo desejo de “sumir do mapa”, dar um basta naquele vazio imenso e doído que, sem mais nem menos, dele se apoderou. 

“Depressão” e depressão da braba, que o leva até a adquirir uma arma visando acabar logo com aquilo – para, quem sabe ? - encontrar um pouco de sossego, paz. Na hora de apertar o gatilho, no entanto, reflui, não tem coragem de fazê-lo; e aí, resolve sair pelo mundo no rumo que a “venta” (nariz) apontar. Logo se põe na estrada, sem qualquer compromisso com horário ou destino, se dia ou noite. 

Numa parada momentânea, em meio a uma chuva torrencial, batidas no vidro do carro lhe revelam o rosto apreensivo de uma jovem, encharcada pela tempestade. Mesmo a contragosto, aceita dar-lhe carona, “pra qualquer lugar”, conforme lhe determina a nova companhia. 

De pronto, à sisudez do sessentão deprimido, contrapõe-se o comportamento irrequieto e questionador daquela adolescente que poderia ser sua filha e que, aos poucos, paulatinamente, consegue fazê-lo “se abrir”. Contribui para tanto, o fato de também ela ter saído de casa, expulsa pela mãe e padrasto, e não saber (ou não ter) pra onde ir. 

Ao contrário do que normalmente acontece em dramas análogos, aqui o “velho” não tenta aproveitar-se da “jovem” de 17 anos, belíssima, escultural e desamparada. Pelo contrário, aos poucos cria uma afeição paternal tão grande por ela, de tal forma que chega a enfrentar alguns marginais (de rifle em punho) que tentavam abusá-la. 

No dia a dia, Marylou (esse o nome da jovem) inocentemente se sente à vontade para chamá-lo de “velho”, reclamar da “cafonice” das suas roupas e conceitos, e por aí vai. E ele, que ultimamente não suportava nem ouvir a voz da própria esposa, passivamente aceita tudo no maior bom humor, numa boa. Chega, até, a sorrir das trapalhadas em que ela se envolve (principalmente no quesito comida).

O divisor de água, no entanto, se dá quando ela (que pensava ser ele um “pintor de paredes”) vê alguns de seus trabalhos e, de tão impressionada, o estimula a “fazer mais”. Ela mesma, na praia, serve de modelo (bem comportada). E aí ele redescobre, na pintura, o prazer pela vida, sente que “está vivo”. 

De repente, a notícia estampada no jornal, de que a mãe se encontra à beira da morte em razão das agressões do padrasto, leva a “jovem” a fazer o caminho de volta, na companhia, é claro, do “velho”. Que aproveita para reatar com a esposa. 

Durante a longa permanência da mãe na UTI, pra não deixar Marylou desamparada, de comum acordo com a “revigorada” esposa, ele consegue na Justiça a “guarda” daquela menina que praticamente lhe trouxe de volta à vida. 

No final, com a mãe restabelecida e o padrasto preso, os dois retornam às origens: numa despedida pra lá de dolorosa para os dois, tão grande a afeição nascida, Marylou volta pra casa da mãe; o “velho” (Taillandier é o seu nome) pra sua casa, sua família. Renascido, por uma menina que lhe trouxe de volta à vida e que, a partir de então, considerará sua filha. 

Sem dúvida, “SEJAM MUITO BEM-VINDOS” é um cativante filme e digno de se ver.

sábado, 6 de junho de 2026

 

TÁ CHEGANDO A HORA – José Nílton Mariano Saraiva

Ao exercitar sua reconhecida porção magnânima e, sensível às recorrentes declarações e apelos dos partidários do presidiário Jair Bolsonaro, que alegavam sua saúde debilitada, traduzida em soluços, suores, calafrios e outras supostas mazelas, o Ministro Alexandre de Moraes houve por bem transferi-lo, POR 90 DIAS, do presídio da Papuda para uma prisão domiciliar humanitária, no recinto da sua mansão em Brasília. ISSO A PARTIR DE 24.03.2026.

Foi o suficiente e preciso para que Bolsonaro de repente deixasse de soluçar, de suar frio, de ter tremores e por aí vai, e se tornasse, a partir de então, no conspirador-mor da República que todos tomamos conhecimento.  

Tanto é que, hoje, de dentro (será ???) dessa prisão domiciliar humanitária, é ELE quem comanda toda a programação do seu partido, a partir até da escolha daqueles que serão candidatos na eleição de outubro próximo. E a desfaçatez é tanta, a febre bovina tão arraigada, que impôs ao partido, na marra, o nome do filho Flávio “Rachadinha” Bolsonaro para concorrer à Presidência da República.

Mas, como o prazo da prisão domiciliar humanitária SE ESGOTA NO DIA 21,06.26,  (aleluia, aleluia, aleluia) o Brasil das pessoas de bom senso espera que o ministro Alexandre de Moraes não se deixe levar por uma quase que provável nova crise de soluços (a mídia já começa a divulgar sobre), suores e tremores, e cumpra com o seu dever constitucional: realoque ou recoloque Jair Bolsonaro no lugar de onde nunca deveria ter saído, a prisão da Papuda, a fim de cumprir os suaves 27 anos que lhe restam cumprir. 

Afinal, não podemos deixar que o clima festivo de Copa do Mundo passe pano para as penalidades que conspiradores chulos merecem.