TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Só dói quando rio

"A seriedade é uma doença e o mais sério dos animais é o burro".
Camilo Castelo Branco

Dr. Raiz no Ceará em Agosto!


Oi Galera!

Em Agosto!

Dr. Raiz em Fortaleza CE

Dia 05 às 20h no SESC/SENAC Iracema, e dia 06 (em dois horários) às 12h e às 18:30h no CCBNB Fortaleza!

Músicas inéditas que integrarão o nosso novo álbum e canções do 1º disco da banda!

Dudé Casado - Guitarra, violão e voz
Geraldo Junior - Voz, flauta e percussão
Pantera - Percussão e voz
Junior Casado - Percussão
Antônio Queiroz - Baixo e voz
Evaldo Rodrigues - Percussão
Ramon Oliveira - Guitarra, violão e voz

Abraços,

Dr. Raiz.

terça-feira, 28 de julho de 2009

tranquilidade

para Marta F.

nem tudo o que me oferecem me fere
por que eu deveria inibir o meu sorriso?
por que deveria esconder meu rosto
se por trás da cortina os olhos
que me buscam confundem-se
em suas sombras?

uma mão ergue-se: faltam dedos
nem tudo é perfeição
o pé que se apressa no rumo do meu nome
logo tropeça nem tudo é perfeição
gestos aliciados pelo prazer da luta
esfumam-se em sua fome de vingança

homens estúpidos de fato
estupefatos com os próprios dejetos
deglutem seu ódio
cavoucam o dia em que serão enredados
sem que nenhuma fenda se lhes abra
e possam se libertar do que supõem ser a beleza

por que eu deveria inibir o meu sorriso?
por que deveria esconder meu rosto?
a fúria de um touro não é suficiente
para perturbar a paz dos peixes no meu aquário

Mais Tarde

É engano a fumaça
que maltrata os pulmões
e some pela janela.

É uma tristeza
a felicidade monótona
que alegra o peito.

Não trago pólvora
nos cílios

mas a cada piscadela
faz-se um estrondo.

Caem as últimas paredes do quarto.

Prato do dia:
Porradas ao molho de terça
Acorde cedo. Facilita. Abra os olhos, olhe pros pés, pras mãos e levante. Tem sempre alguma coisa pra fazer antes que você possa saber bem o que ta acontecendo. Então? Sentiu? É só um gostinho da porrada que vai alimentar o dia, o dial, o dedo duro. O espelho do banheiro não está louco. Nada de drogas de manhã – por favor. É você sim. Olhou pros dentes? Estão necessariamente limpos? Saia. Tem alguém do lado de fora esperando a vez. Ou você acha que tem todo o tempo do mundo? Roupa no ponto. Sapatos? Sandálias? Prossiga, sem elucubrações, por favor. Tem uma filha dizendo que está faltando alguma coisa pra ela. A outra também sabe que tinha que dizer alguma coisa, mas esqueceu. Depois diz. Vem porrada, pode acreditar. Se ligou no relógio? Então meu camarada. Caia fora. Puta que pariu! Esqueceu de tomar o remédio? Dançou compadre. O estômago vai tocar um hardcore detonado. E então vento no rosto. A pequena motoneta anda a sessenta na estrada fodida. Reza cara. Reza. Senão o carro em frente freia de vez e tu ta na merda. Reza. Senão o escroto do caminhoneiro cheio de arrebite te usa como rampa. Porrada feia meu irmão. Anda. Rápido. Tem de carregar primeiro o que vai pra mais longe. Se liga na peãozada. Tem dois malocados no banheiro. Maconha na certa, ou crack. Porrada no quengo. Vambora caralho! Se ligou na hora? O telefone ta tocando. O cara não veio. O cara não pagou. O cara diz que a mercadoria não chegou. E você? Lendo um livro? E você recebe salário pra ler? Levanta porra. Olha a porrada. Olha o jacaré de olho na tua bunda. Olha o relógio. Cadê a porra das cordas? E as cantoneiras? Desligue o som dos ouvidos porra! Tem alguém gritando o teu nome. Não resmungue. Preste atenção. Olhe pra frente. Se ligou no relógio? Vontade de cheirar uma né? Nem tente. Vão notar. Toma um arrebite. Dois. Bebe um conhaque. Acorda cara! Viu o relógio? Desliga a máquina. Presta atenção, deixaram as luzes acesas. Então? Vai lá, apaga. Porrada meu nêgo, porrada. Suba na motoneta, lembra de levar a encomenda. Chegou? Bom, tuas filhas aprontaram. Tem de ser mais rígido. Mas nem tanto. Tem de falar com calma, mas nem tanto. Misture. Engula. Melhor não deitar. E o remédio do estômago, tomou? Agora não adianta né? Pelo menos deita. A porrada vai continuar. Quinze pras duas seu otário! Vai perder a hora. Vai perder o bonde da história. Vai perder a vida se não ficar ligado no sinal. Desliga os pensamentos. Vontade de escutar uma música? Vontade de conversar fiado? Vontade de viajar só de ida? Cala a boca. Cola a boca. Sem rir sem falar sem rir sem falar. Faltaram dois peões? Te vira. O serviço não faltou. Então? Ta esperando o que? Se liga no caminhão que chegou. Vai pro rio. É carga de horário. Puta que pariu! Choveu? O caminhão quebrou? A fiscalização embaçou? Te vira malandro! Pra que tem internet nessa merda? Faz contato. Resolve. Se vira. Olha a hora. Uma briga no meio da máquina. Se mete. Interfere. Resolve. Babão! Filho da puta! Ladrão! E o caminhão? Ta carregando? Ratos de porão, só um refrão na cabeça. Esqueça. Fume um. Mais um. Mais um. Olha a hora. Sentado? Isso é que é vida. Piada de patrão é ordem sinistra. Então meu amor, levante. Quem ta preocupado com o que você pensa? Ou quer? Olha a hora. Carregou tudo? Fez tudo? Deu certo? Nada de mais. É teu papel fazer dar certo. Queria o quê? Um elogio? Faz-me rir! Faz-me rir. Noite já? Noite já. Nunca há tempo. Viu o por do sol? Que sol? Roubaram a máquina fotográfica? Dane-se. Ria de si mesmo. Faça uma piada, agora pode. Mas não exagere. Senão vomita. Porrada sempre, vossa excelência. Lar doce lar? Um caralho! Então? Pagou água? Luz? Plano de saúde das filhas? Tomou o remédio? Você fuma demais. Vai morrer de câncer. Porrada por dentro seu acéfalo de merda. Então? Preparado? Aqueça o dia em mágoa materna. Escute. Olhe pros lados. Acenda o cigarro. Mexa um pouco, senão engrossa. Fale, mesmo sabendo que não está sendo escutado. Um pouco mais de mágoa? Coisas do arco da velha então. Sem abstrações, por favor. Elas engrossam o caldo, fica ruim de engolir. Já tinha botado as abstrações? Tempere um pouco com sonhos na realizados. Com viagens nunca feitas. Com projetos engavetados. Mais um pouco de mágoa matriarcal. Forte. Vigorosa. Acenda mais um. Suspiros? Que bobagem. Você não é Ginsberg seu fodido. Ta pronto. Engula e corra pro banheiro. Olha no espelho. Treina um sorriso. Sai. Senta. Espera. Amanhã? Qual o cardápio? Você é incorrigível meu caro. Nesse bistrô onde você é sócio, o prato é sempre o mesmo.

Eu Vi

Os sonhos são migalhas
do trapo humano que somos

mas é a vida que temos
e devemos louvá-la

soltando uivos
debaixo da lua minguante

os pés pelados
em água quente

as mãos postas
os dedos entrelaçados
o ventilador limpo.

Filho, não pule do abismo
com medo de bicho peçonhento.

Esmague,
esmague a cauda
e ponha guizos.

ARTE POSTAL por LUPIN


NA COMPLETUDE DO SER A DUVIDA...Para Marta & Mauricio.

Somos todos produtos de uma Isca,subestimar a fome
dos peixes é negar a morte pela propia boca...
Satisfaçõessssssssssssssssssssssssss na fome.


SIM & NÃO!
Sic et non
sic
non sic
sic
sic
sic non
non et...
sic non
et
sic
non non non non non non non non
sic
et et et et et et et et et et et et et
sic sic sic sic sic sic sic sic sic sic
sic sic sic sic sic
non et sic
Homo febo
Lesbo Safo
sic non et Feme
Eros
sic et non
sex sic et non
sex
sic et non
Moisés Cristus Maomé
Buda Chishina
Hare
Tora sic et non
Sex...Fé.
WILSON BERNARDO(Fotografia & Poema)

fuga

quanto mais fujo do olho do inimigo
com suas espadas mais me persigo
com espadas de silêncio sugando
meu bolso as moedas eis que estou duro

por que me permito bater em fuga
quando o inimigo poderia ter
seu olho afastado do meu olho
se o brilho que ele julgava ser
de esmeralda paraguaia fosse
um brilho de pedra toda polida?

é melhor que eu volte e esqueça os votos
e encare o inimigo e a derrota
e se derrota houver recolherei
os pedaços e reconstruirei
a coisa enquanto me for possível

Pontiac



"Eles vieram com uma Bíblia e sua religião – roubaram nossa terra, esmagaram nosso espírito… e agora nos dizem que devemos ser agradecidos ao “Senhor” por sermos salvos."


Chefe Pontiac

Chefe Pontiac ou Obwandiyag (nasceu entre 1712 e 1725 – faleceu dia 20 de abril de 1769), foi um índio que liderou a guerra de Ottawa, sendo recordado por sua participação de resistência à ocupação britânica da região dos grandes lagos, e que ficou conhecida como Rebelião de Pontiac.


Citar me excita

Li no Twitter do Citador essa frase Zen. Demais.

"Quem não aspira a ser alguma coisa, já é tudo" Campoamor y Campoosorio .

Arte, que arte?

Qual a finalidade da arte? Entretenimento? Transformação social? Satisfação do ego do artista? Imitação da vida? A arte serve a quem? A arte serve a que? A arte pela arte ou a arte engajada? Tudo é arte? A arte é tudo? Arte é inspiração ou transpiração? Arte é uma forma de expressão humana? Ou a arte é um ofício de sobrevivência? A arte deve servir a uma ideologia? E se a arte deve servir a uma ideologia, que ideologia serve a arte? E a arte de partido, hem? E o partido da arte? Arte de resistência ou arte alienada? Arte fragmentada ou arte inteira? Arte popular ou a arte erudita? Arte individual ou arte coletiva. Tradição ou vanguarda? Permanência ou mudança? A arte pode ser vendida? A arte pode ser comprada. Artesanato ou arte industrializada? E a indústria da arte?

BANALIDADE DO BEM E DO MAL

Os puristas preferem os termos comum e trivial, entre outros, pois consideram banal um galicismo. A verdade é que para o que desejo aqui o principal significado de banalidade me é útil: “utilização, livre ou forçada, pelos vassalos de coisas pertencentes ao senhor feudal, mediante pagamento”. Não sendo essencial aos vassalos, no entanto utilizam atrelados a uma fonte de renda para o senhor.

Hoje em setores da classe média, pelo menos aqui no Rio, não é incomum se ouvir dizer: fulano é do bem e beltrano do mal. Usado como regra classificatória das pessoas com que se relacionam. A literatura e os meios de comunicação têm uma carga importante da expressão “banalidade do mal”.

Acontece que o “mal” sequer é um antônimo perfeito para o vocábulo “bem”. Nem no sentido substantivo da palavra: mesmo que se refira à desaprovação ou censura de atos, o vocábulo mal tem a noção de ação como oposição e modificação embutidas no termo, pois é tudo aquilo que a vontade tem o direito de assim agir (opor e modificar).

Além do mais ao se referir à “banalidade do mal”, estamos generalizando o que em regra já é em si particular: são conhecidos, filosoficamente, três males, o metafísico, o físico e moral. No primeiro sentido na imperfeição, o segundo no sofrimento e o terceiro no pecado. Acontece que é no sentido moral que se utiliza com mais clareza quando o identificamos ao comum nos tempos de hoje: fazer o mal.

Quanto ao bem o que mais temos como significado universal do termo é sua natureza laudativa como juízo de apreciação. Aplica-se ao passado e ao futuro, ao consciente e ao inconsciente, ao voluntário e ao involuntário. Então como natureza adjetiva, o bem é um objeto de satisfação e aprovação em qualquer ordem de finalidade.

Já como natureza substantiva, tomando como continente o sentido de bem-estar, das três acepções possíveis, o que é útil para dado fim; bem-estar propriamente dito e normativo de ordem ética é neste último sentido que se encontra a discussão da banalidade. Pois estamos falando de valor moral tanto categórico (o bem) quanto derivado (um bem). Ele se refere ao ato e não à intenção: o que se aprova dos atos executados ou em relação ao futuro o que se deve fazer.

Estamos falando de regras, históricas, em sociedades de classes, em instituições assimétricas e desiguais. Em instituições que servem à ordem das classes. Portanto não se pode simplesmente parar a compreensão na enunciação da banalidade do bem e do mal. Em termos humanos muito mais tem que se dizer. Nem mesmo no sentido filosófico mais geral, se consegue extrair o senso da particularidade, pois o homem não é literalmente o mesmo em todas as classes e culturas.

Quando os gregos pensavam no bem como aquele que é bom em si mesmo não conseguia eximir o regime de cidadãos e escravos. Igualmente Kant na filosofia moderna com um bem tal que satisfaça o homem inteiramente tanto em razão, sensibilidade e atividade.

Mesmo quando na ética tomista se falava em Bem Comum como meio de “avaliar a justiça das organizações sociais, legais e políticas em relação ao crescimento de todos na comunidade”, estava-se particularizando dois ou mais indivíduos. A questão mesmo é que o bem é aquilo que temos necessidade, aquilo que nos satisfaz. O bem por excelência é a terra e depois uma posse qualquer.

Num mundo de propriedade privada, de acumulação de satisfações em classes sociais e numa pluralidade a toda prova não é possível restringir-se a compreensão social à mera questão do bem e do mal. A questão continua na política. E o que é política?

Em Hannah Arendt: “A política se baseia na pluralidade humana”. Não é, portanto, uma substância humana em si, ela apenas “surge entre os homens; portanto, absolutamente fora do homem.” Também os homens não são produtos de Deus (com regras morais atemporais e universais) mas “produto humano, terreno, um produto da natureza humana”. E a escritora completa: “Política diz respeito à coexistência e associação de homens diferentes. Os homens se organizam politicamente segundo certos atributos comuns essenciais existentes em, ou abstraídos de, um absoluto caos de diferenças.

Por isso a simplificação classificatória apenas tolhe a compreensão.

AGENDE-SE!




Caro Dihelson


Você, a exemplo do Maurício Tavares, Armando e Carlos Rafael; Claude Bloc, José Flávio, Emerson, José do Vale, Luiz Carlos Salatiel, Luiz José (Jornal Gazeta), Carlos Eduardo Esmeraldo, Bernardo, entre tantos outros expoentes, é um dois maiores ícones da nossa Literatura que ora me presenteia e enriquece com seus argumentos originais e atilados, o que, cada vez mais, tem denotado a grandeza do artista que você é.
Peço sua permissão para apresentar, no embalo da sua briosa circunspeção (que veio munida de exame precioso, demorado e visto por todos os lados), um melhor esclarecimento a todos os leitores sobre a filosofia do texto “O Crítico”, postado por mim recentemente neste blog.
Acrescento, inicialmente, que ele se divide em três partes, a saber:

- Na primeira, há uma espécie de repulsa aos que usam do instrumento da crítica apenas para crescer, perversamente em cima do lapso alheio. E que, num paralelismo doentio, nada acrescentam, nada constroem vivendo tão somente da crítica pela crítica, às vezes até reinventando a idéia do autor para, nesse artifício, mostrar que são eles, e somente eles, os donos absolutos da verdade e do bom senso.

- Na segunda (já no meio do texto), o autor reconhece, líquido e certo, que o posicionamento crítico e o próprio crítico são, além de vitais e bem-vindos, os nossos anjos da guarda, as nossas bússolas, os nossos pontos de consulta e referência sem os quais é humanamente impossível sabermos para aonde estamos indo ou o que estamos fazendo.
São mais: imprescindíveis ao norteamento das concepções, e, acima de tudo, defensores do próprio leitor que espera dos conceptores qualidade, inteligência, altivez e que não os subestime com posicionamentos pobres e inconsequentes. Sem eles - os Críticos – acrescento: a própria criação não se reconhece pois teme ser viciosa no seu ego superestimado e cego. Em suma, sem ele, nada merece tanto crédito... Desde que, sua participação seja munida de argumentos arguciosos, inteligentes, sugestivos e respeitosos, dignos de um real participador.

- Por último, a terceira!
Nesse desfecho, no qual ele sugere ao crítico manter-se fiel à sua arte inteligente, há, claramente, um enaltecimento não só a este mas também com resvalos à cultura como um todo para que, no final de tudo, o apreciador (neste caso o leitor) não seja, de forma poluída, vítima de idéias outras senão daquelas recheadas de sublimidades artísticas.

Portando, se for dada outra interpretação ao que foi sugestivamente escrito, necessariamente não foi essa a minha idéia, isto também pelo fato de eu mesmo costumar fazer a minha autocrítica.
Tanto o criador como o crítico, deverão sentir e experimentar, nas suas versões, doces e amargas, os sabores e as vertentes do que sejam as artes de criar e receber crítica e a sublimidade de criticar e receber a crítica da crítica.
Agora, lanço um apelo a todos que fazem à arte caririense: não vos dispersem por vaidades fúteis e vãns... Sem vocês e o brilhantismo de suas idéias, que será da nossa cultura? Para onde iremos? Com quem conversaremos? A quem amaremos? Para onde irão nossos devaneios? Somos o que somos e o que queremos ser? Sobreviveremos...?
A relatividade de um olhar para uma obra de arte nos diz que nada é absolutamente tão feio e nem tão exageradamente lindo. Tudo gira em torno da ótica subjetiva das nossas íris e mentes sanas, portanto dignas de respeitos.

Roberto Jamacaru

(a pedido do autor)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Retrato - Por Claude Bloc

Para Salatiel
...
Está em mim seu retrato
circunscrito
na retina – câmera da minha objetiva.
Capto seu gesto
A forma e o momento
que se insere para sempre
em meu álbum de imagens.

Está em mim o registro,
A lembrança
que folheio com a alma
em todas as tardes,
nas manhãs de julho,
nas noites febris.

Está em mim
O espaço em branco
Onde vivo o texto.
Buscando a hora noturna.
Urgentemente.
.
Por Claude Bloc

Segredos

I
Agora o fetiche
não é mais sonho -

vejo lagartas de fogo
traçando minha borboleta
dos olhos de mel.

II
Minha língua tem um sinal
na bifurcação da serpente -

ao mesmo tempo
sente o cheiro da presa
faz cócegas na maçã

e ao solitário promete
um adocicado inferno.

O Cariricult morreu. Viva o Cariricult!

Recebi um comentário no post sobre Twitter e blogs dizendo que o "Cariricult morreu. Os queridos amigos agora se reunem no Cariricaturas". Será que pra o Cariricaturas viver o Cariricult tem que morrer? Bastante mesquinho o comentário da "anônima" Ana Virgínia. Pelo que pude ver o Carircaturas é um encontro de amigos que matam saudades recordando da infância querida na nossa cidade natal. E todos os posts são sempre respondidos pela proprietária do blog que acolhe a todos com muito carinho e uma palavra de incentivo. Sinto falta de outros comentários. O estoque de elogios tende a acabar ou a se tornar repetitivo, previsível. Mas tudo bem. Nem por isso acho que o Cariricaturas deva morrer. A especialização é uma das saídas para a sobrevivência dos blogs.O Cariricult além da publicação de textos poéticos é um espaço de discussão da esfera pública. E pra isso não precisa ser uma reunião de queridos amigos. Precisa ter textos de qualidade, como acho que todo blog deva ter. Da parte deste mero colaborador do Cariricult desejo vida longa ao Cariricaturas (bom trocadilho!). Afinal de contas recordar é viver!

Os indiferentes.

Os indiferentes - Por Antonio Gramsci, em 11 de fevereiro de 1917.

"Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade.
Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história.
É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.
A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua.
É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca.
O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar.
A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.
A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.
Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram.
E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir.
Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos.
Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.
Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes."

Fatinha Gomes apresenta novo trabalho no Sesc Juazeiro


Integrante do Coletivo Camaradas, pesquisadora e uma artistas que vem ganhando espaço no cenário musical da Região. Fatinha Gomes já participou de shows em Fortaleza, Paraíba e em São Paulo.

“Fatinha Gomes” brota naturalmente do Sopé da Serra do Araripe e traz consigo a garra e a essência do povo negro e indígena. Nascida nas frias casas de taipa, dormindo a luz de Candeeiro e aspirando cheiro da terra molhada desse Sopé, se vislumbra a cada momento de sua vida com a produção poética do Cariri que enriquece e facilita seu trabalho como intérprete de tal produção.



O show "As mulheres que comiam Flores" reforça as canções que já fazem parte do repertorio de Fatinha e traz canções inéditas de sua autoria e da autoria de Manuca Almeida e Alexandre Leão.



O Show contará com os músicos:



Violão:Lifanco

Sanfona:Ibertson Nobre

Voz:Fatinha Gomes

Percussão:Flauberto e Alany Morais