TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

domingo, 22 de abril de 2012

BNB - Começo do Fim - José Nilton Mariano Saraiva

Para os que desconhecem (ou não guardam qualquer preocupação com o desenvolvimento regional), a aprovação do FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste) foi resultado do esforço conjunto da então bancada federal nordestina (Deputados e Senadores) e o Governo Federal, numa tentativa de estimular o desenvolvimento dessa carente Região do Brasil.
Criado em 1988 (vide artigo 159, inciso I, alínea “c”, da Constituição Federal e regulamentado em 1989, via Lei nº 7.827, de 27/09/89), o FNE tem como objetivo maior o financiamento dos setores produtivos (com a conseqüente criação de emprego e redistribuição de renda) visando, assim, debelar a desigualdade e a pobreza na região que lhe empresta o nome.
Para assegurar que não houvesse solução de continuidade na administração e aplicação dos seus recursos, o Banco do Nordeste do Brasil S/A-BNB, na condição de instituição eminentemente regional, já que criada com a nobre missão de fazer do Nordeste uma região auto-sustentável, foi nomeado seu agente exclusivo (assim como o Banco da Amazônia-BASA, na Região Norte do país).
Tal decisão do “poder central” findou por gerar certo mal-estar por parte de outras instituições de crédito do Governo Federal, já que pretendiam “beliscar” o apetitoso patrimônio do novo Fundo, deveras atraente; tal manobra, no entanto, não se configurou em razão da elogiável conduta dos parlamentares nordestinos e da então Diretoria do BNB que, num raro momento de união, cerraram fileiras e conseguiram com que o BNB detivesse a exclusividade para administrar o FNE, ao tempo em que o fortalecia como agência bancária de desenvolvimento regional.
De lá para cá, sempre sob a batuta da seriedade e criteriosidade administrativa do Banco do Nordeste do Brasil S/A-BNB (salvo durante a caótica administração Byron Queiroz), o que se constatou é que os recursos (bilhões de reais) do FNE mudaram a face da Região Nordeste, já que tanto fortaleceu a agricultura e lavoura, o mini, médio e pequeno produtor, como foi decisivo na alavancagem e consolidação do nosso hoje eclético parque industrial. Pode-se afirmar, sem medo de cair em nenhuma esparrela, que a Região Nordeste experimentou nos últimos 20 anos dois momentos distintos: antes e depois do FNE.
Mas eis que agora o BNB sofre um duro revés, um golpe por demais contundente, uma espécie de “esvaziamento-progressivo”, capaz até de desestabilizá-lo de vez (ou simplesmente extingui-lo), porquanto, de tanto insistir, persistir e nunca desistir, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal foram distinguidos com 2/3 (dois terços) dos recursos do FNE, ficando o BNB com o 1/3 (um terço) restante; muito pouco, para quem, mesmo quando detinha a exclusividade, nunca conseguiu atender à demanda, já que centenas e centenas de projetos ficaram à espera dos recursos necessários à sua implementação.
O lamentável nisso tudo é que ninguém até aqui veio a público para questionar tão estapafúrdia decisão do governo federal (certamente que por pressão das bancadas do sul-sudeste), ou mostrar o relevante papel que o BNB desempenhou ao longo dos anos como administrador do Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste (FNE).
Pelo contrário, entre os políticos da Região Nordeste, as diversas universidades, os formadores de opinião, parlamentares, mídia em geral, religiosos, intelectuais ou membros das associações representativas (Capef, Camed, Sindicato dos Bancários, etc), reina um absoluto e incompreensível sepulcral silêncio, como se estivessem pouco ligando para o destino de uma instituição da tradição, honradez e respeitabilidade como o é o BNB (e seus milhares de funcionários ativos e aposentados).
Lamentável, imperdoável e injustificável.
Acordem, senhores, antes que a tragédia se consume.

E agora, meninos ?


Datafolha envia oposição da enfermaria para UTI


Saiu mais uma pesquisa do Datafolha. Tomada pela fachada, faz reluzir o já sabido: a popularidade do governo Dilma sobe. Foi de 59% em janeiro para 64% agora. Tomada pelo miolo, acende uma luz no fim do túnel da oposição. Luz vermelha. São três os dados que piscam para os antagonistas do petismo:

1. Perguntou-se ao meio-fio quem deve disputar a Presidência em 2014: Dilma ou Lula? A maioria (57%) prefere Lula a Dilma (32%). Para 6%, nenhum dos dois deveria disputar. Outros 5% não souberam responder. Ficou entendido que, se quiser e a laringe deixar, o ex-soberano continua na pista.

2. Indagou-se ao asfalto como votaria se o segundo turno de 2010 se repetisse hoje. Descobriu-se que os 56,05% amealhados por Dilma há um ano e cinco meses viraram 69%. E os 43,95% obtidos por Serra murcharam para 21%. Quer dizer: se Lula não quiser ou não puder, a pista é de Dilma.

3. Entre os eleitores que dizem ter votado em Serra, 52% avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. Entre os que se apresentam como simpatizantes do PSDB, a taxa de aprovação da presidente do PT vai a 60%. Ou seja: no pedaço do eleitorado mais afeito ao tucanato, a maioria caiu de amores por Dilma.

Nos últimos tempos, a oposição mata o tempo perguntando a si mesma –e não respondendo— que diabo, afinal, está fazendo neste mundo. Considerando-se os dados da sondagem, a resposta é nada. Frequenta a cena como visita. Quem tenta dar-lhe ouvidos ou escuta o silêncio ou não entende o que ouve.

Já se sabia que falta discurso à oposição. Descobriu-se que não será fácil arranjar um. A idéia segundo a qual um candidato como Aécio Neves pode apresentar-se como melhor alternativa “a tudo isso que está aí” demanda uma pré-condição: a pregação não pode agredir a agredir a realidade.

Por exemplo: o Datafolha informa que 49% dos eleitores acham que a situação econômica do país vai melhorar. Outros 39% avaliam que a coisa ficará como está. Apenas 13% apostam que o cenário vai degringolar. Em junho do ano passado, 51% imaginavam que os preços subiriam. Hoje, esse contingente caiu para 41%.

Primeiro da fila do PSDB, Aécio prevê que a crise internacional reserva dias piores para o Brasil. Ainda que o tempo lhe dê razão, se disser em público o que rumina em privado será visto não como alternativa, mas como mais um membro do clube do ‘quanto pior melhor’.

Por ora, o que a maioria vê nas gôndolas é a carestia contida. No Banco Central, vê-se a faca dos juros. No Planalto, desponta uma presidente que ordena às casas bancárias estatais que ofereçam taxas menores à clientela e abre guerra contra a banca privada para forçá-la a fazer o mesmo.

Como se fosse pouco, o discurso da moralidade, que já fazia água, acaba de ser engolfado pelo Cachoeira. Demóstenes Torres, que se imaginava nascido para nadador, revelou-se um afogado. Há Agnelos com água pelo nariz. Mas também há Marconis. De uma correnteza assim, tão plural, pode emergir muita coisa, menos um discurso.

Em 2010, a oposição compensava a falta do que dizer superstimando a “ausência de candidato” do PT. Lula elegeu sua poste. A dois anos e meio de 2014, o tucanato e Cia. continuam sem saber o que dizer. A diferença é que o petismo agora tem dois candidatos: a pupila e seu patrono.

O Datafolha informa que a oposição brasileira foi transferida da enfermaria para a UTI. Vale repetir o velho bordão: pesquisa não é senão o retrato de um momento. Significa dizer que seria uma imprudência decretar em 2012 o resultado de 2014.

Algo, porém, é inegável: a oposição está diante de uma encrenca que lhe nega o papel que julga desempenhar melhor. O tucanato pode continuar dizendo que veio ao mundo como exemplo. Falta descobrir de quê.

O Plano Real é sonho velho. A estabilidade econômica foi como que apropriada por Lula. Ou a oposição coloca de pé uma utopia nova ou vai continuar arrastando a bola de ferro que torna os seus candidatos os mais cotados para fazer de um petista o próximo presidente da República.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

"Consignados" ( III ) - José Nilton Mariano Saraiva

Um ex-empregado, hoje na privilegiada condição de patrão, teria a coragem de demitir um ex-patrão, hoje seu empregado ??? Para o governador do Ceará, Cid Gomes, que já afirmou peremptoriamente que nas decisões importantes sempre consulta o irmão Ciro Gomes (um ex-empregado do senhor Arialdo Pinho, o hoje todo poderoso Chefe da Casa Civil do Governo do Estado), parece faltar a dita-cuja (coragem). Pelo menos é o que se pode depreender da sua afirmação de que não encontrou “tráfico de influência” na oferta do crédito consignado por parte de uma empresa (Promus) de propriedade do genro do senhor Arialdo Pinho (Luis Antonio Valadares), que o assunto está encerrado e que não se fala mais sobre isso (em português objetivo e cristalino: o senhor Arialdo Pinho vai continuar, sim, merecedor da confiança e mandando e desmandando no Governo do Estado e não será convocado ou obrigado a prestar quaisquer esclarecimentos). Mas... e o Secretário do Planejamento (senhor Diogo), a quem Cid Gomes houvera dado “carta-branca” pra ir fundo na averiguação do que se desenrolava, como irá se apresentar ante o público cearense, daqui por diante ??? Com cara de bundão, desmoralizado ??? E os nobres Deputados Estaduais, à frente o diligente Heitor Ferrer, vão se contentar com tal destempero do Governador, já que foi apurado que a empresa (Promus) do genro (Luis Antonio Valadares) do senhor Ariando Pinho movimentou, no período de novembro de 2009 ao inicio de 2012, mais de R$ 101.000.000,00 (cento e hum milhões de reais) ??? Veja, abaixo, a matéria veiculada hoje no site do jornal O POVO. ****************************** HEITOR DIZ QUE PROMUS RECEBEU R$ 101,5 MILHÕES POR INTERMEDIAR CONSIGNADOS (o deputado expôs a planilha de repasses do Bradesco para a Promus, pertencente a Luis Antonio Valadares, genro do secretário da casa civil, Arialdo Pinho. Valor se refere aos anos de 2009 a 2012). O deputado estadual Heitor Férrer (PDT) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa, nesta manhã, e apresentou documentos do Ministério Público Estadual relacionados ao caso dos consignados no Estado. Ele expôs a planilha de repasses do Bradesco para a Promus, pertencente a Luis Antonio Valadares, genro do secretário da Casa Civil, Arialdo Pinho, e afirmou que, no período de novembro de 2009 ao início de 2012, essa empresa recebeu de comissão por intermediar empréstimos o valor de R$ 101 milhões 582 mil. O pedetista também apresentou o depoimento do senhor Anderson Nogueira Borges, representante do Bradesco, no qual ele afirma “que as comissões para a Promus variam de 15 a 19 por cento”. Para Heitor, está “mais do que explícito que criou-se no governo do Estado um esquema de enriquecimento de um cidadão que vem do nada”. Considerou escárnio o que está sendo feito com cerca de 62 mil servidores públicos que tomaram empréstimos consignados. Em aparte, o líder do PSDB na Casa, Fernando Hugo, disse que isso mostra tráfico de influência da Casa Civil.

Hugo Linard, o maestro dos teclados e acordeon, no Cariri Encantado desta quarta-feira, dia 20 de abril.

Até que enfim! O Cariri Encantado recebe hoje, a partir das 14 horas pelas ondas sonoras da Rádio Educadora do Cariri, 1020 khz, o maestro Hugo Linard já de brincadeira com seu novo acordeon ROLAND digital. Na conversa, com uma trilha sonora ao vivo, vamos ouvir estórias e conferir o caminho que percorreu o menino Hugo que desde os 5 anos de idade já empunhava uma sanfona como gente grande. Hugo, recentemente, completou 65 anos de idade e comemorou, em grande estilo com uma festa no Crato Tenis Clube, os 60 anos dedicados à musica. Pela internet, você pode sintonizar o Cariri Encantado - Protagonistas! no endereço: www.radioeducadoradocariri.com.br.

"Consignados" (II) - José Nilton Mariano Saraiva

Lembram de uma nossa recente postagem ("Consignados") onde aludimos a respeito do possível tráfico de influência no Governo Cid Gomes, por parte do seu poderoso Chefe da Casa Civil, senhor Arialdo Pinho, em razão deste ter abrigado (dado emprego) em seu famoso empreendimento (Beach Park) ao senhor Ciro Gomes, que à época se achava desempregado ???
Pois é, a denúncia foi corroborada ontem, em plena Assembléia Legislativa Estadual, pelo Deputado Roberto Mesquita, do PV (vide reportagem abaixo, divulgada hoje no jornal O POVO), que acrescentou, ainda, detalhes outros.
Convém observar, também, o corporativismo exacerbado (ou seria puxasaquismo em estado pleno ???), de alguns deputados da base aliada, já que conhecem a história e não têm como refutá-la.
No mais, parece que a tendência é pela manutenção do senhor Arialdo Pinho à frente da Casa Civil, já que a demissão implicaria no reconhecimento explítico de tudo o que foi afirmado pelo Deputado "verde" (Roberto Mesquita).
E o Secretário do Planejamento (senhor Diogo), que teve a "ousadia" de divulgar para a imprensa a "mutreta", que se cuide, porque a sua cama provavelmente já esta sendo preparada (ou se cala ou cai fora). Alguém duvida ???
Aos fatos.

*******************

Roberto Mesquita chama Ciro de "desocupado" e é repreendido por base aliada (O deputado pelo PV reagiu a declarações do ex-governador e disse ainda que Ciro precisa ser internado).

O deputado estadual Roberto Mesquita (PV) utilizou seu pronunciamento na sessão de hoje da Assembléia para atacar duramente o ex-governador Ciro Gomes (PSB). Entre as muitas críticas, o parlamentar o classificou de "desocupado" e lembrou que Ciro foi o deputado federal mais faltoso, não apresentando nenhum projeto sequer durante os quatro anos de mandato.
A postura de Mesquita foi uma reação às últimas declarações do irmão do mais velho do governador Cid Gomes (PSB), que teria dito a blogs que “(a prefeita) Luizianne está bancando o PV na oposição ao governo Cid”.
Durante sua fala, Mesquita chegou a dizer que Ciro foi, POR MUITO TEMPO, SUSTENTADO PELO EMPRESÁRIO E ATUAL SECRETÁRIO-CHEFE DA CASA CIVIL, ARIALDO PINHO. POR CONTA DISSO É QUE CIRO NÃO TERIA PERMITIDO A DEMISSÃO DE ARIALDO DO GOVERNO, ENVOLVIDO EM DENÚNCIAS DE TRÁFICO DE INFLUÊNCIA NO CASO DOS EMPRÉSTIMOS CONSIGNADOS (grifo nosso).
“Todas as paredes dos mais remotos cantos do Estado sabem que o secretário (Arialdo Pinho) só não caiu porque o Ciro não permite, porque o Ciro não deixa”, complementou o parlamentar. O deputado disse ainda que se for para impedir que um nome apoiado por Ciro chegue ao comando da Prefeitura de Fortaleza, ele irá apoiar com empenho o candidato da prefeita Luizianne Lins.
Por último, Mesquita bateu também no governador Cid Gomes: “O seu irmão (Ciro), que é seu grande inspirador, como o senhor tem dito nas suas falas, está precisando de internação para se desintoxicar de tanta ruindade, de tanta presunção, de tanta vontade de achincalhar todos que pensam diferente dele”.
Logo em seguida, parlamentares saíram em bloco na defesa de Ciro Gomes. O deputado Manoel Duca (PRB) afirmou que a personalidade do ex-governador é admirada, apesar de ser, às vezes, "barulhento, pavio curto". "Isso é da natureza da pessoa, da índole, e a pessoa expressa aquilo que ela sente. Ninguém pode negar as virtudes do grande Ciro, um homem com honestidade a toda prova".
O deputado Zezinho Albuquerque (PSB), político da maior confiança dos Ferreira Gomes, disse que Ciro é uma personalidade "que todo cearense tem orgulho". Acrescentou que ele sobrevive hoje graças às palestras que dá Brasil afora. Já Welington Landim (PSB) afirmou que esse tipo de discussão não leva a nada. "Ciro ainda é a maior esperança para o Estado do Ceará, é o homem que fala mais alto pelos interesses do nosso Estado", ressaltou.
Roberto Mesquita reagiu às defesas e disse que a "metralhadora usada por Ciro para humilhar e oprimir as pessoas precisa sim ser diminuída".

quinta-feira, 19 de abril de 2012

AGENDE-SE: O Violonista NONATO LUIZ está no Cariri!

Nestes próximos dias 20 e 21 de abril, sexta-feira e sábado, no Auditório da Rádio Educadora, em Crato, e no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, respectivamente, às 20h, dar-se-ão shows comemorativos aos 35 anos de carreira do artista cearense Nonato Luiz, consagrado no mundo inteiro, e que agora vem ao Cariri para reencontrar seu público em noitadas musicais do mais alto nível, como avaliaram noutros lugares os melhores críticos.

Um dos onze filhos de Pedro Luiz, agricultor, violeiro e repentista, Raimundo Nonato de Oliveira nasceu em 1953, no vilarejo de Aroeiras, município de Lavras da Mangabeira, sul do Ceará. Ainda na infância, ganharia um cavaquinho e descobriria a música através do rádio e das apresentações dos tocadores do sertão, músicos que marcariam sua vida, sanfoneiros que animavam as festas do lugar onde vivia. Aos 11 anos mudou-se com a fimília para Fortaleza. Dois anos depois, começaria estudos de violino junto ao Conservatório Alberto Nepomuceno, da Universidade Federal do Ceará, quando se desenvolveu na técnica, sendo, então, convidado pelo maestro Orlando Leite para a Orquestra Sinfônica Henrique Jorge, na qual permaneceria por dois anos. Observou, nesta fase, sua indentificação instrumental com o violão. Aprofundou conhecimentos musicais por meio dos autores clássicos, dentre eles, com destaque, Mozart e Beethoven, distinguindo sua intuição voltada também para as origens populares da nossa música, escutando Valdir Azevedo, Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Luiz Gonzaga e outros intérpretes.

- Numa fase mais madura, interessei-me pelo trabalho de Baden Powell, no campo do violão popular, e Andrés Segóvia, na área erudita.

Também foi importante meu convívio com o violonista clássico Darcy Villaverde, amigo e parceiro carioca, com quem percorri grande parte do Brasil, em inesquecível turnê – afirma Nonato Luiz.

No ano de 1977, iniciou o Curso de Licenciatura em Música, também na Universidade Federal cearense, que interrompeu dois anos depois, ao se transferir para o Rio de Janeiro e iniciar carreira profissional como violonista. Das aulas, no entanto, obteve muitas informações sobre teoria musical, harmonia, arranjos e sobre outros instrumentos. Como autodidata, estudou intensamente a obra dos compositores brasileiros.

- Assim os adaptei para o violão e executei, como o faço até hoje, as maravilhosas composições desses mestres. Ao mesmo tempo, recebi deles a influência que dá alicerce às minhas composições – assegura o artista.

Nonato Luiz é ocupante da cadeira n.º 18 da Academia Lavrense de Letras, possui mais de 500 composições musicais e de 30 discos gravados e viaja noutros países a propagar o tesouro musical brasileiro, a demonstrar a qualidade do talento por todos respeitado.

Emerson Monteiro 

“Excelências” – José Nilton Mariano Saraiva

Procedente de Mossoró/RN, com destino a Brasília/DF, transitou pelo aeroporto de Fortaleza o “ínclito” e “ilustríssimo” cidadão brasileiro, senhor Carlos Augusto Ramos, “carinhosamente” conhecido pela alcunha de Carlinhos Cachoeira.
Trancafiado há pouco mais de um mês no presídio federal de segurança máxima daquela cidade potiguar (onde não podia receber visitas íntimas, o advogado precisava agendar visitas e até o banho de sol tinha tempo limitado) em razão das suas muitas e graves estripulias à margem da lei, “Sua Excelência” Carlos Cachoeira estaria com depressão profunda e altamente “fastioso” (dizem que chegou a perder 15 quilos), além de não ter se dado com a temperatura um tanto quanto elevada daquela cidade.
Em razão disso e apesar de altamente periculoso (mantém relações ultra-suspeitas com o senador Demóstenes Torres, o governador goiano Marconi Perilo e provavelmente muitos outros políticos, do alto e baixo clero, além de comandar uma quadrilha de marginais outros) o “coitadinho” tanto reclamou que sensibilizou o desembargador federal Tourinho Neto, do Tribunal Federal da 1ª Região, que resolveu acomoda-lo num ambiente menos rigoroso (uma prisão normal, o presídio da Papuda, em Brasília) onde certamente dará um jeito de lhe disponibilizarem celular e outros artefatos que o viabilizem voltar a comandar sua quadrilha (e, se brincar, até escolherá o cardápio que lhe aprouver); o perigo é o tal desembargador, em conluio com algum médico famoso (indicado pelo bandido) lhe “arranjar” alguma doença que o obrigue a transferir-se para algum hospital da capital federal, de onde, dia seguinte, “baterá asas” rumo ao outro lado do mundo. Alguém duvida ???
A propósito, já não estaria na hora de se arranjar um jeito de investigar as decisões emanadas e subscritas pelos ilustres desembargadores brasileiros, com assento nos muitos tribunais superiores espalhados por esse nosso imenso país ???
Afinal, não é nenhuma novidade que quando se trata de “livrar a cara” de ricos e poderosos bandidos, “Suas Excelências” sempre se prontificam e são expeditos em descobrir alguma brecha na lei, normalmente favorecendo-os.
Ou alguém já esqueceu: 1) que, o então Desembargador Carlos Veloso resolveu libertar o ex-governador paulista Paulo Maluf da prisão por “sentir pena” de vê-lo trancafiado junto com o próprio filho (Flávio Maluf), mesmo que comprovadamente envolvidos na malversação do dinheiro público; 2) que, o Ministro Marcos Aurélio Melo concedeu um habeas-corpus ao banqueiro italiano Salvattori Cacciola (que houvera se beneficiado de uma informação privilegiada do Banco Central, numa dessas intervenções na área de câmbio) ao tempo em que sugeriu que o próprio, por ter dupla cidadania, bem que poderia evadir-se para a Itália (no que foi prontamente atendido); 3) que, no exercício do cargo de Presidente do STF, o Ministro Gilmar Mendes foi de uma agilidade a toda prova quando, atropelando ritos processuais, concedeu, em um só dia, dois habeas-corpus a outro banqueiro-bandido, Daniel Dantas, beneficiário-mór (fraudulentamente) das privatizações comandadas pelo tucano Fernando Henrique Cardoso; 4) que, mesmo depois de condenado pela Justiça Federal, do Ceará, em três oportunidades (a quatorze anos de prisão, cada uma delas), em razão do rombo estratosférico de R$ 7,5 bilhões, no BNB, o também tucano Byron Queiroz valeu-se do padrinho político poderoso e, depois de recorrer, foi absolvido, por unanimidade, pelos senhores Desembargadores do Tribunal Regional Federal, do Recife (sem dúvida, uma desmoralização pública para a Justiça Federal, do Ceará).
Enfim, são tantas, tão suspeitas e tão recorrentes as intervenções das “Excelências” com assento nos diversos tribunais superiores, beneficiando preferencialmente (ou quase que unicamente) aqueles que “têm bala na agulha” (mesmo que bandidos comprovadamente periculosos), que não há como deixar de se pensar que existe alguma “recompensa”, algum “esquema”, alguma espécie de “agrado”, por baixo dos panos (provavelmente numa conta bancário no exterior).
Daí, certamente, o incômodo provocado ultimamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cuja presidenta, Eliana Calmon, contundentemente referiu-se à existência de “bandidos de toga”, no seio do Judiciário brasileiro.
Você, aí do outro lado da telinha, o que acha ???

Carta aos pretensos candidatos à Prefeitura do Crato


Outro olhar para políticas públicas para cultura

Pensar numa “Cidade da Cultura” no Crato pressupõe existirem cidades sem cultura. Logo essa indagação nos faz pensar sobre que conceito de cultura nos referimos e o que essa afirmação provoca no âmbito das discussões das políticas públicas para a cultura.

Podemos afirmar que o termo “Crato: Cidade da Cultura” é uma invenção das elites econômicas e intelectuais conservadoras da década de 50 do século passado, para se contrapor ao crescimento urbano, estético, econômico e social de Juazeiro do Norte, numa disputa que ainda hoje ronda as visões barristas que nos separam e nos atrofiam. Essa afirmação teve a serventia de colocar os cratenses num falso patamar de superioridade cultural e artística.

Apesar de este conceito ter permanecido, ele foi reinventado, negado e hibridizado ao longo dos anos, a partir de concepções diversas e divergentes, mas que comungam com a ideia de defesa do território simbólico e espacial.

A região do Cariri, notadamente as cidades de Crato e Juazeiro do Norte tem uma produção estética e artística efervescente, criativa e misturada em que o tradicional se mescla do contemporâneo, em que o popular e o erudito se hibridam fazendo frente à hegemonia da cultura de massa. Em que a tradição e os novos tradutores da cultura, arte e estética se brindam nos terreiros e nas conexões cibernéticas.

O discurso sobre o “artista da terra” e da “cultura de raiz” deve ser substituído por uma compreensão mais ampla e consistente, que considere os agentes da produção simbólica (artistas), como seres dotados de identidade e história, que dialogam constantemente com o seu umbigo social e o mundo e que não rastejam em terras úmidas, como as minhocas. Mas que são voadores e andarilhos, dóceis e bravos, resistentes e frágeis. Trabalhadores que trocam a sua mão de obra manual/intelectual pela sua subsistência. A produção intelectual e artística não deve ser vista com um hobby ou uma vitrine gratuita de apresentações. Por lado a cultura não é vegetal e por isso não pode ter raízes. A cultura é viva, é dinâmica, se reinventa, se hibrida, criar teias, se modifica constantemente e não se enclausura em padrões fixos ou determinações institucionais.

Essas colocações desapontam as concepções de gestão cultural ou de políticas públicas para a cultura que assinalam como caminhos visões que privilegiem determinadas produções simbólicas em detrimentos de outras perfazendo muitas vezes o percurso ilusório do discurso da “Cidade da Cultura”. Por lado, é inviável pensar que a gestão da cultura é um banco de financiamento público para todos e tudo.

Para pensar a gestão da cultura e das políticas para cultura no Crato se deve considerar as conquistas alcançadas, visando consolidar-las e aprofundar-las para evitar retrocessos e atropelos pelas gestões posteriores.

Outro fator, importante neste aspecto é que o Crato não ficou a margem dos processos de discussões da conjuntura nacional no tocante a políticas públicas para cultura e deu inicio a alguns aspectos jurídicos que devem ser reforçados e tornados triviais para a população e o poder público.
Diante do exposto, apresento algumas questões que são essenciais para refletir sobre as políticas públicas e a gestão da cultura na cidade do Crato. Para facilitar o entendimento se compreende como políticas publicas, ações que tem caráter “permanente” e são amparadas por aspectos jurídicos e gestão da cultura como formas organizacionais de gerir o setor e normalmente tem um caráter efêmero e se modificada de gestor para gestor.

A intenção não é recriar a roda, mas reforçar concepções que vem sendo defendidas pelos diversos agentes da produção simbólica e intelectual do campo progressista no país e que ganhou conteúdo e forma mais encorpada a partir do governo Lula, tendo como referencial dessas concepções figuras como Celio Turino, Juca Ferreira, TT Catalão, Gilberto Gil, Sergio Mamberti, Américo Córdula e Marilena Chaui, dentre outros e que teve como caixa de ressonância e empoderamento os diversos segmentos organizados do povo brasileiro que cotidianamente se reinventam, se pluralizam, se diversificam e se hibridizam, em cada ponto vivo das culturas do Brasil.

Quais são, portanto esses norteadores para se pensar as políticas e a gestão da cultura no Crato?
É preciso ter um norte que não seja fechado, mas que carregue um direcionamento que compreenda a cultura e a produção simbólica como direitos humanos, capaz de possibilitar que as pessoas possam se desenvolver e participar plenamente da vida.

Portanto é imprescindível que as políticas públicas para cultura sejam refletidas de forma intersetorial, pois ela deve ter ligação com o desenvolvimento econômico, social, educacional, turístico, comunitário, agrário e desportivo da cidade e da população.

Outra questão fundamental é garantir a acessibilidade da população as diversidades de linguagens estéticas e artísticas e as manifestações culturais de caráter tradicional e contemporâneo visando o entrelaçamento do popular e do erudito, do regional e do universal, sem hierarquias ou segmentações.

O patrimônio histórico, cultural, arquitetônico e artístico da cidade deve se tornar patrimônio vivo da população, o que só possível com a interação e processos educativos baseados em relações de identidade e pertencimento.

É necessário criar mecanismos de consulta permanente com os diversos segmentos para vislumbrar e efetivar políticas públicas, bem como possibilitar a criação de uma rede formada a partir do reconhecimento dos trabalhos de grupos e artistas nas comunidades rurais e urbanas como elemento de potencializar a troca de saberes e fazeres e o empoderamento político dos agentes culturais numa tentativa de redescobrir a produção simbólica do nosso povo.

Outra questão fundamental é agilizar o funcionamento do Fundo Municipal de Cultura e uma política de edital que incentive a produção artística de forma desburocratizada.

Criação de uma política de ocupação dos equipamentos culturais de forma permanente e adequação das necessidades técnicas.

Continuidade e consolidação dos eventos que vem sendo desenvolvido no Município pelo Poder Público Municipal, em especial o Festival Cariri da Canção, Abril prá Juventude e o Festival de Quadrilhas Juninas e incentivo aos demais eventos que já fazem parte do calendário turístico da cidade.

Revisão, discussão e aplicabilidade das resoluções da Conferência Municipal da Cultura.

Reconhecer as escolas como centros privilegiados de fruição e disseminação da cultura, da estética e das artes no sentido de transformar/adaptar esses equipamentos em espaços vivos de estudos, vivências, experimentações e circulação dos saberes e fazeres tradicionais e contemporâneos, regionais e universais, eruditos e populares. É primordial que as escolas possam atender as determinações da resolução estadual 411/2006 que fixa normas para o componente curricular Artes, no âmbito do Sistema de Ensino do Estado do Ceará, que vem sendo severamente descumprido pelo Governo Estadual e pelos Governos Municipais.

Esse é um ensaio para esboçar uma perspectiva mais abrangente que possa perpassar gestões e entregar ao povo o legitimo direito de protagonizar suas escolhas estéticas, artísticas e culturais de forma ativa e permanente.



Alexandre Lucas
Coordenador do Coletivo Camaradas, integrante do Coletivo Nacional Programa de Interferência Ambiental – PIA, pedagogo e artista/educador.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Faleceu o advogado e bancário aposentado Hélio Teles Pinheiro


Faleceu o bancário aposentado do Banco do Brasil e advogado cratense Hélio Teles Pinheiro, filho Dona Ester e de Gilberto Dummar, saudoso radialista, que se notabilizou como um dos apresentadores do programa Juca e Jeremias, pela Rádio Araripe do Crato.

Hélio cresceu sob as sombras dos oitizeiros do antigo Parque Municipal, hoje Praça Alexandre Arraes, no bairro do Pimenta, em Crato, quando, na adolescência, integrou os movimentos artísticos cratenses e participou dos lendários festivais da canção que ocorreram em Crato na década de 1970.  

Funcionário aposentado do Banco do Brasil e advogado militante, também conhecido, entre os amigos mais próximos, pelo carinhoso apelido de “Manga Rosa”, devido à cor de sua face, - era uma pessoa que amava a vida em toda sua plenitude. Violonista, era um boêmio que alegrava os ambientes que frequentava, como o Restaurante Guanabara (O Neném) e, ultimamente, o Cantinho do Pimenta.

Pessoa amiga e amável, caridosa e prestativa, sempre tinha uma palavra de apoio e de carinho para com os seus interlocutores. Nos últimos anos, passou a frequentar assiduamente o Terço dos Homens, que acontece todas as quintas-feiras na Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

O seu exemplo de pessoa íntegra, honrada e ética foi motivador da construção de um enorme leque  de amizades sinceras e perenes. Portanto, sua partida desta dimensão física, deixa uma profunda tristeza e uma imensa saudade em todos aqueles que tiveram o privilégio do seu convívio.

Jaquelina Rolim – Uma visão além dos olhos



Deficiente visual, massoterapeuta, fotografa e presidenta do Centro Educativo do Cariri de Apoio as Pessoas com Deficiência Visual - CEC, Jaquelina Rolim de Oliveira consegue enxergar além do seu umbigo e diz que qualquer deficiência só tem dificuldade quando não existe acessibilidade e acrescenta que não se admite a inclusão social sem o acesso à formação pessoal e profissional.

Alexandre Lucas – Quem é Jaquelina Rolim de Oliveira?

Jaquelina Rolim - Sonhadora com um mundo igualitário onde “ser diferente é normal”. Com baixa visão decorrente da perda gradual da visão na área central da retina, luto por uma sociedade justa e inclusiva, sem indiferença e com melhorias de vidas. Humilde serva de Deus com fé para enfrentar os desafios do dia a dia crendo na vitória.

Alexandre Lucas – Como teve inicio seu contato com a fotografia?

Jaquelina Rolim - Lendo alguns livros do fotógrafo cego EvgenBavcar despertou em mim o interesse pela fotografia.Espelhada no seu exemplo de superação decidi ir além dos meus limites e entrar no universo da arte.O primeiro contato foi no curso de fotografia ministrado pela professora Nívea Uchôa no SENAC Crato-CE.

Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória:

Jaquelina Rolim - Comecei a fotografar a partir das experiências adquiridas no curso básico de Fotografia Digital, promovido pelo SENAC do Crato – CE e após fazer o curso de aperfeiçoamento, ministrado pelo renomado professor e profissional de fotografia, Dimang Kon Beu, radicado em Minas Gerais.

Alexandre Lucas - O que você gosta de fotografar?

Jaquelina Rolim - Prefiro registrar imagens do dia a dia que muitas vezes passam despercebidas para a maioria das pessoas. Imagens de lugares, pessoas e situações que nos remetem a sensações de tranquilidade, quietude e vida.

Alexandre Lucas - Você acha que a fotografia é um instrumento político?

Jaquelina Rolim - Com certeza. A fotografia apresenta e denuncia situações de lugares e pessoas no seu cotidiano.

Alexandre Lucas – Você tem deficiência visual e é fotografa. Quais as dificuldades?

Jaquelina Rolim – Qualquer deficiência só tem dificuldade quando não existe acessibilidade. As melhores câmaras digitais ainda não oferecem acessibilidade completa, sendo a principal dificuldade encontrada.

Alexandre Lucas – Os deficientes visuais criaram o Centro Educativo do Cariri de Apoio as Pessoas com Deficiência Visual e você é a presidenta. Qual a função desse Centro?

Jaquelina Rolim - O CEC é uma Associação de Utilidade Pública, sem fins lucrativos.
Objetiva se estabelecer na região do Cariri, como referência na prestação de serviços de apoio para pessoas com deficiência visual. Através da educação, cultura e lazer oferece atendimentos de formação com reforço escolar, atendimentos psicológicos, oficinas de música, teatro, dança, gastronomia, esporte, cursos de braille, informática, esculturas em argila, fotografia entre outros.
Não se admite a inclusão social sem o acesso à formação pessoal e profissional. Esse é o caminho para alcançar o sucesso.

Alexandre Lucas – Quais as principais bandeiras de lutas dos deficientes visuais do Cariri?

Jaquelina Rolim - Inclusão no mercado de trabalho, acessibilidade na educação e em ambientes culturais com a presença de um profissional audiodescritor.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

Jaquelina Rolim - Continuarei com a Exposição Fotográfica Olhar do Coração. Em parceria com o CEC lutando pela inclusão. Estaremos na Expocrato 2012 com stand mostrando nossa proposta e acolhendo os deficientes.

Contatos:

Jaquelina Caldas Rolim de Oliveira
E-mail: jmjkea1@gmail.com

Exposição Fotográfica Olhar do Coração
www.olhardocoracao.com
E-mail: olhardocoracao@gmail.com

CEC
www.cecariri.com
E-mail: ceccariri@gmail.com

Manel d´Jardim, A lenda, no Cariri Encantado desta Quarta-feira!

De violão afinado e língua afiada, o genial Manel conversa com a gente nesta quarta-feira, dia 18, pelas ondas sonoras da Rádio Educadora do Cariri, 1020 khz, a partir das 14 horas. Quem vai perder?
Você também pode sintonizar o nosso Cariri Encantado pela internet: www.radioeducadora1020.com.br.

terça-feira, 17 de abril de 2012

domingo, 15 de abril de 2012

A Carroça de Mamulengos - Emerson Monteiro

Um clã organizado que viaja o Brasil produzindo arte popular através de espetáculos circenses, eis o retrato resumido dessa trupe de artistas formada de irmãos da mesma família para festas de intensa alegria, músicas e cores, mostradas em praça pública, revivendo no palco das ruas e praças do Cariri as boas noites do que oferece silenciosa felicidade, aos olhos brilhantes de crianças atenciosas ao novo que recebem.

O prenúncio desse grupo de artistas remonta 1975, em Brasília, quando seu idealizador, Carlos Gomide, trabalhava de junto do diretor de teatro Humberto Pedrancini, em outro grupo chamado Carroça. Ano seguinte e conheceria o espetáculo Festança no reino da mata verde, do Mamulengo Só Riso, assim reforçando o gosto pelo teatro de bonecos.

Em 1978, Carlos conheceu Antônio Alves Pequeno (Antônio do Babau), mestre brincante paraibano da cidade de Mari, buscando-o em 1979 para desenvolver o aprendizado nos espetáculos dos bonecos. Um ano e meio de convivência seria o suficiente para o discípulo estruturar o conjunto de bonecos da mesma brincadeira e receber permissão do mestre para levar adiante a tradição milenar em viagens pelo País, isto que vem informado no site do grupo na Internet.

Em 1982, ainda no Distrito Federal, se incorporou ao elenco das peças a teatróloga Schirley França, futura esposa de Carlos Gomide, de cuja relação nasceriam os oitos filhos do casal que compõem a base atual da caravana artística que nos visita: Maria, Antonio, Francisco, João, Pedro, Mateus, Luzia e Isabel.

Na melhor qualidade desses espetáculos, em turnê patrocinada dentre outros pela Petrobras, a Carroça de Mamulengos alimenta o encanto da arte espontânea dos terreiros, feiras e festivais, essência natural das manifestações coletivas de cunho popular, o que traduze em termos presentes os primórdios da Grécia mais antiga, naquilo que chamaram ditirambo, fonte arcaica do teatro moderno e do cinema industrial.

Desta maneira, revivem sonhos e vivências comunitárias em ações plenas de música, dança, jogos, diversões, folguedos, confraternização, força pulsante dos universos da beleza inesperada, isso diante da tecnologia artificiosa destes dias massificados da artificialidade vendida aos borbotões nos vídeos distanciados da gente.

Nossos votos de boas vindas e sucesso à Cia. Carroça de Mamulengos nas cidades do Cariri que desfrutam a luminosidade dos instantes mágicos que traz ao povo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"A Bíblia do Diabo"

Ontem, me surpreendi com um documentário sobre esta bíblia satânica (canal NatGeo,  via sky) e trouxe pro Cariricult as informações que seguem, já pescadas aqui na internet. 


O maior manuscrito medieval do mundo, o "Codex Gigas" ("O livro gigante"), também conhecido como a "Bíblia do Diabo", voltará a Praga para uma exposição, mais de 350 anos depois de ter sido levado pelas tropas suecas como despojo de guerra.

Criado no início do século 13, este manuscrito em pergaminho era considerado na época a "oitava maravilha do mundo", devido ao seu impressionante tamanho (92cm x 50,5cm x 22cm), à espessura de suas 624 páginas e ao seu peso de 75 kg.

"Bíblia do Diabo" foi escrita no século 13

"Cento e sessenta [peles de] asnos foram empregados na confecção do livro", conta Miroslava Hejnova, encarregada do fundo histórico da Biblioteca Nacional de Praga.

A obra nasceu das mãos de um único monge, que também era copista e grafista, no mosteiro de Podlazice (centro da atual República Tcheca), destruído durante as guerras religiosas no século 15.

A Biblioteca Real de Estocolmo aceitou emprestar a obra em caráter excepcional para uma exposição prevista para o início de 2007 na sala do "Clementinum", o antigo colégio jesuíta construído entre 1653 e 1726 no centro velho e Praga.


"Bíblia do Diabo" foi escrita por um monge




O manuscrito inclui o Velho e o Novo  será estamento, bem como outros textos de grande valor histórico, como a "Chronica Boemorum" ("Crônica dos Tchecos"), redigida em latim no século 12, ou os escritos do historiador Flavius Josephus (por volta do ano 37-100).

Em Praga, o manuscrito, protegido por um tampo de madeira, ficará exposto com outros documentos relacionados à Idade Média.


"Bíblia do Diabo" foi escrita por um monge

Ao fim da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), a "Bíblia do Diabo" foi tomada como despojo de guerra pelas tropas do general sueco Konigsmark, junto com outros objetos de arte da famosa "Kunstkammer de Prague", do imperador Rodolfo 2º de Habsburgo (1552-1612).

"Levaram o que havia de mais valioso", disse Hejnova. Os soldados também levaram o "Codex Argenteus", composto de letras de ouro e prata, criado por volta do ano 750, e que atualmente se encontra em Uppsala (região central da Suécia).

Desde o século 17, o "Codex Gigas" saiu do território sueco em duas ocasiões. Foi enviado a Nova York em 1970, para uma exposição no Metropolitan Museum, e a Berlim, oito anos atrás.

Gêtsemani


Não, não transparecia cansaço nem fastio, embora a cena se repetisse há tantos e tantos anos. Apenas uma leve asa de indignação ruflava ao seu derredor. Como um moderno Prometeu acorrentado, fazia-se eterno pasto à águia do cristianismo. Parece até que ganhara a maldição da imortalidade. Ressuscitavam-no todo ano, em meio às velas, ao vinho e ao roxo da Semana Santa. No seu curto e sub-reptício reinado, fazia-se, rapidamente, senhor de uma quinta , ganhava roupas esfarrapadas, mas modernas, metia-se a cavaleiro. Metamorfoseava-se de uma personalidade qualquer escolhida entre os sempre novos e fartos Judas da humanidade e partia, no Domingo da Ressurreição, para o seu calvário particular.Até um testamento lhe seria providenciado, ele que não deixara sobre a terra nenhum legado que fosse além da pura e cristalina infâmia. Até os 30 dinheiros, levara ao santuário antes do pêndulo do corpo e do final balanço da corda.

Suas memórias, se escritas, seriam um farto material para o estudo do inconsciente coletivo. Havia, com certeza, algo de sanguinário, de sádico e tribal naquela malhação.A simples encenação daquela selvageria, no fundo, contradizia-se frontalmente com as lições de amor, de solidariedade e compreensão que terminaram por permear todo o Novo Testamento. A primeira pedra que ninguém ousara lançar sobre Madalena , agora fariseus multiplicados aos montes atiravam nele com sanha animalesca, sem nenhum remorso, sem nenhum pejo.

Neste ano, ali estava novamente no cadafalso, aguardando o desenlace tão previsível. Enquanto observava a faísca zigzagueante do estopim, teve , por fim uma clara visão do mundo que um dia abandonara pensando em se livrar dos seus demônios e fantasmas. Na verdade a turba não malhava ao Judas, mas tentava destruir as imperfeições pessoais que via nele refletidas. É como se diante do espelho, o quebrassem, por temerem a imagem horrorosa mas verdadeira que se revelaria na superfície cristalina. Nada mudara em tantos anos! Bastava fitar a multidão para ver claramente presente e cristalizado em todos os corações o veneno um dia inoculado no Gêtsemani: a indecisão de Pilatos, a tríplice negação de Pedro, a parcialidade de julgamento de Caifás, a eterna opção dos eleitores por Barrabás. Parecia claro para ele agora que não foram os filhos do Pai que povoaram o mundo, mas sim a raça de Judas. Sim, seus filhos tinham prosperado como nunca sobre a face da terra . Estavam muitos ali familiarmente reunidos, com suas fraquezas, suas indecisões e seus vícios bem à mostra : lábios preparados para o beijo fatídico, mãos entreabertas esperando, sofregamente, os trinta dinheiros...

J. Flávio Vieira