TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE
domingo, 22 de abril de 2012
BNB - Começo do Fim - José Nilton Mariano Saraiva
E agora, meninos ?
Datafolha envia oposição da enfermaria para UTI
Saiu mais uma pesquisa do Datafolha. Tomada pela fachada, faz reluzir o já sabido: a popularidade do governo Dilma sobe. Foi de 59% em janeiro para 64% agora. Tomada pelo miolo, acende uma luz no fim do túnel da oposição. Luz vermelha. São três os dados que piscam para os antagonistas do petismo:
1. Perguntou-se ao meio-fio quem deve disputar a Presidência em 2014: Dilma ou Lula? A maioria (57%) prefere Lula a Dilma (32%). Para 6%, nenhum dos dois deveria disputar. Outros 5% não souberam responder. Ficou entendido que, se quiser e a laringe deixar, o ex-soberano continua na pista.
2. Indagou-se ao asfalto como votaria se o segundo turno de 2010 se repetisse hoje. Descobriu-se que os 56,05% amealhados por Dilma há um ano e cinco meses viraram 69%. E os 43,95% obtidos por Serra murcharam para 21%. Quer dizer: se Lula não quiser ou não puder, a pista é de Dilma.
3. Entre os eleitores que dizem ter votado em Serra, 52% avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa. Entre os que se apresentam como simpatizantes do PSDB, a taxa de aprovação da presidente do PT vai a 60%. Ou seja: no pedaço do eleitorado mais afeito ao tucanato, a maioria caiu de amores por Dilma.
Nos últimos tempos, a oposição mata o tempo perguntando a si mesma –e não respondendo— que diabo, afinal, está fazendo neste mundo. Considerando-se os dados da sondagem, a resposta é nada. Frequenta a cena como visita. Quem tenta dar-lhe ouvidos ou escuta o silêncio ou não entende o que ouve.
Já se sabia que falta discurso à oposição. Descobriu-se que não será fácil arranjar um. A idéia segundo a qual um candidato como Aécio Neves pode apresentar-se como melhor alternativa “a tudo isso que está aí” demanda uma pré-condição: a pregação não pode agredir a agredir a realidade.
Por exemplo: o Datafolha informa que 49% dos eleitores acham que a situação econômica do país vai melhorar. Outros 39% avaliam que a coisa ficará como está. Apenas 13% apostam que o cenário vai degringolar. Em junho do ano passado, 51% imaginavam que os preços subiriam. Hoje, esse contingente caiu para 41%.
Primeiro da fila do PSDB, Aécio prevê que a crise internacional reserva dias piores para o Brasil. Ainda que o tempo lhe dê razão, se disser em público o que rumina em privado será visto não como alternativa, mas como mais um membro do clube do ‘quanto pior melhor’.
Por ora, o que a maioria vê nas gôndolas é a carestia contida. No Banco Central, vê-se a faca dos juros. No Planalto, desponta uma presidente que ordena às casas bancárias estatais que ofereçam taxas menores à clientela e abre guerra contra a banca privada para forçá-la a fazer o mesmo.
Como se fosse pouco, o discurso da moralidade, que já fazia água, acaba de ser engolfado pelo Cachoeira. Demóstenes Torres, que se imaginava nascido para nadador, revelou-se um afogado. Há Agnelos com água pelo nariz. Mas também há Marconis. De uma correnteza assim, tão plural, pode emergir muita coisa, menos um discurso.
Em 2010, a oposição compensava a falta do que dizer superstimando a “ausência de candidato” do PT. Lula elegeu sua poste. A dois anos e meio de 2014, o tucanato e Cia. continuam sem saber o que dizer. A diferença é que o petismo agora tem dois candidatos: a pupila e seu patrono.
O Datafolha informa que a oposição brasileira foi transferida da enfermaria para a UTI. Vale repetir o velho bordão: pesquisa não é senão o retrato de um momento. Significa dizer que seria uma imprudência decretar em 2012 o resultado de 2014.
Algo, porém, é inegável: a oposição está diante de uma encrenca que lhe nega o papel que julga desempenhar melhor. O tucanato pode continuar dizendo que veio ao mundo como exemplo. Falta descobrir de quê.
O Plano Real é sonho velho. A estabilidade econômica foi como que apropriada por Lula. Ou a oposição coloca de pé uma utopia nova ou vai continuar arrastando a bola de ferro que torna os seus candidatos os mais cotados para fazer de um petista o próximo presidente da República.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
"Consignados" ( III ) - José Nilton Mariano Saraiva
Hugo Linard, o maestro dos teclados e acordeon, no Cariri Encantado desta quarta-feira, dia 20 de abril.
"Consignados" (II) - José Nilton Mariano Saraiva
Pois é, a denúncia foi corroborada ontem, em plena Assembléia Legislativa Estadual, pelo Deputado Roberto Mesquita, do PV (vide reportagem abaixo, divulgada hoje no jornal O POVO), que acrescentou, ainda, detalhes outros.
Convém observar, também, o corporativismo exacerbado (ou seria puxasaquismo em estado pleno ???), de alguns deputados da base aliada, já que conhecem a história e não têm como refutá-la.
No mais, parece que a tendência é pela manutenção do senhor Arialdo Pinho à frente da Casa Civil, já que a demissão implicaria no reconhecimento explítico de tudo o que foi afirmado pelo Deputado "verde" (Roberto Mesquita).
E o Secretário do Planejamento (senhor Diogo), que teve a "ousadia" de divulgar para a imprensa a "mutreta", que se cuide, porque a sua cama provavelmente já esta sendo preparada (ou se cala ou cai fora). Alguém duvida ???
Aos fatos.
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Roberto Mesquita chama Ciro de "desocupado" e é repreendido por base aliada (O deputado pelo PV reagiu a declarações do ex-governador e disse ainda que Ciro precisa ser internado).
O deputado estadual Roberto Mesquita (PV) utilizou seu pronunciamento na sessão de hoje da Assembléia para atacar duramente o ex-governador Ciro Gomes (PSB). Entre as muitas críticas, o parlamentar o classificou de "desocupado" e lembrou que Ciro foi o deputado federal mais faltoso, não apresentando nenhum projeto sequer durante os quatro anos de mandato.
A postura de Mesquita foi uma reação às últimas declarações do irmão do mais velho do governador Cid Gomes (PSB), que teria dito a blogs que “(a prefeita) Luizianne está bancando o PV na oposição ao governo Cid”.
Durante sua fala, Mesquita chegou a dizer que Ciro foi, POR MUITO TEMPO, SUSTENTADO PELO EMPRESÁRIO E ATUAL SECRETÁRIO-CHEFE DA CASA CIVIL, ARIALDO PINHO. POR CONTA DISSO É QUE CIRO NÃO TERIA PERMITIDO A DEMISSÃO DE ARIALDO DO GOVERNO, ENVOLVIDO EM DENÚNCIAS DE TRÁFICO DE INFLUÊNCIA NO CASO DOS EMPRÉSTIMOS CONSIGNADOS (grifo nosso).
“Todas as paredes dos mais remotos cantos do Estado sabem que o secretário (Arialdo Pinho) só não caiu porque o Ciro não permite, porque o Ciro não deixa”, complementou o parlamentar. O deputado disse ainda que se for para impedir que um nome apoiado por Ciro chegue ao comando da Prefeitura de Fortaleza, ele irá apoiar com empenho o candidato da prefeita Luizianne Lins.
Por último, Mesquita bateu também no governador Cid Gomes: “O seu irmão (Ciro), que é seu grande inspirador, como o senhor tem dito nas suas falas, está precisando de internação para se desintoxicar de tanta ruindade, de tanta presunção, de tanta vontade de achincalhar todos que pensam diferente dele”.
Logo em seguida, parlamentares saíram em bloco na defesa de Ciro Gomes. O deputado Manoel Duca (PRB) afirmou que a personalidade do ex-governador é admirada, apesar de ser, às vezes, "barulhento, pavio curto". "Isso é da natureza da pessoa, da índole, e a pessoa expressa aquilo que ela sente. Ninguém pode negar as virtudes do grande Ciro, um homem com honestidade a toda prova".
O deputado Zezinho Albuquerque (PSB), político da maior confiança dos Ferreira Gomes, disse que Ciro é uma personalidade "que todo cearense tem orgulho". Acrescentou que ele sobrevive hoje graças às palestras que dá Brasil afora. Já Welington Landim (PSB) afirmou que esse tipo de discussão não leva a nada. "Ciro ainda é a maior esperança para o Estado do Ceará, é o homem que fala mais alto pelos interesses do nosso Estado", ressaltou.
Roberto Mesquita reagiu às defesas e disse que a "metralhadora usada por Ciro para humilhar e oprimir as pessoas precisa sim ser diminuída".
quinta-feira, 19 de abril de 2012
AGENDE-SE: O Violonista NONATO LUIZ está no Cariri!
Nestes próximos dias 20 e 21 de abril, sexta-feira e sábado, no Auditório da Rádio Educadora, em Crato, e no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, respectivamente, às 20h, dar-se-ão shows comemorativos aos 35 anos de carreira do artista cearense Nonato Luiz, consagrado no mundo inteiro, e que agora vem ao Cariri para reencontrar seu público em noitadas musicais do mais alto nível, como avaliaram noutros lugares os melhores críticos.Emerson Monteiro
“Excelências” – José Nilton Mariano Saraiva
Trancafiado há pouco mais de um mês no presídio federal de segurança máxima daquela cidade potiguar (onde não podia receber visitas íntimas, o advogado precisava agendar visitas e até o banho de sol tinha tempo limitado) em razão das suas muitas e graves estripulias à margem da lei, “Sua Excelência” Carlos Cachoeira estaria com depressão profunda e altamente “fastioso” (dizem que chegou a perder 15 quilos), além de não ter se dado com a temperatura um tanto quanto elevada daquela cidade.
Em razão disso e apesar de altamente periculoso (mantém relações ultra-suspeitas com o senador Demóstenes Torres, o governador goiano Marconi Perilo e provavelmente muitos outros políticos, do alto e baixo clero, além de comandar uma quadrilha de marginais outros) o “coitadinho” tanto reclamou que sensibilizou o desembargador federal Tourinho Neto, do Tribunal Federal da 1ª Região, que resolveu acomoda-lo num ambiente menos rigoroso (uma prisão normal, o presídio da Papuda, em Brasília) onde certamente dará um jeito de lhe disponibilizarem celular e outros artefatos que o viabilizem voltar a comandar sua quadrilha (e, se brincar, até escolherá o cardápio que lhe aprouver); o perigo é o tal desembargador, em conluio com algum médico famoso (indicado pelo bandido) lhe “arranjar” alguma doença que o obrigue a transferir-se para algum hospital da capital federal, de onde, dia seguinte, “baterá asas” rumo ao outro lado do mundo. Alguém duvida ???
A propósito, já não estaria na hora de se arranjar um jeito de investigar as decisões emanadas e subscritas pelos ilustres desembargadores brasileiros, com assento nos muitos tribunais superiores espalhados por esse nosso imenso país ???
Afinal, não é nenhuma novidade que quando se trata de “livrar a cara” de ricos e poderosos bandidos, “Suas Excelências” sempre se prontificam e são expeditos em descobrir alguma brecha na lei, normalmente favorecendo-os.
Ou alguém já esqueceu: 1) que, o então Desembargador Carlos Veloso resolveu libertar o ex-governador paulista Paulo Maluf da prisão por “sentir pena” de vê-lo trancafiado junto com o próprio filho (Flávio Maluf), mesmo que comprovadamente envolvidos na malversação do dinheiro público; 2) que, o Ministro Marcos Aurélio Melo concedeu um habeas-corpus ao banqueiro italiano Salvattori Cacciola (que houvera se beneficiado de uma informação privilegiada do Banco Central, numa dessas intervenções na área de câmbio) ao tempo em que sugeriu que o próprio, por ter dupla cidadania, bem que poderia evadir-se para a Itália (no que foi prontamente atendido); 3) que, no exercício do cargo de Presidente do STF, o Ministro Gilmar Mendes foi de uma agilidade a toda prova quando, atropelando ritos processuais, concedeu, em um só dia, dois habeas-corpus a outro banqueiro-bandido, Daniel Dantas, beneficiário-mór (fraudulentamente) das privatizações comandadas pelo tucano Fernando Henrique Cardoso; 4) que, mesmo depois de condenado pela Justiça Federal, do Ceará, em três oportunidades (a quatorze anos de prisão, cada uma delas), em razão do rombo estratosférico de R$ 7,5 bilhões, no BNB, o também tucano Byron Queiroz valeu-se do padrinho político poderoso e, depois de recorrer, foi absolvido, por unanimidade, pelos senhores Desembargadores do Tribunal Regional Federal, do Recife (sem dúvida, uma desmoralização pública para a Justiça Federal, do Ceará).
Enfim, são tantas, tão suspeitas e tão recorrentes as intervenções das “Excelências” com assento nos diversos tribunais superiores, beneficiando preferencialmente (ou quase que unicamente) aqueles que “têm bala na agulha” (mesmo que bandidos comprovadamente periculosos), que não há como deixar de se pensar que existe alguma “recompensa”, algum “esquema”, alguma espécie de “agrado”, por baixo dos panos (provavelmente numa conta bancário no exterior).
Daí, certamente, o incômodo provocado ultimamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cuja presidenta, Eliana Calmon, contundentemente referiu-se à existência de “bandidos de toga”, no seio do Judiciário brasileiro.
Você, aí do outro lado da telinha, o que acha ???
Carta aos pretensos candidatos à Prefeitura do Crato
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Faleceu o advogado e bancário aposentado Hélio Teles Pinheiro
Jaquelina Rolim – Uma visão além dos olhos


Manel d´Jardim, A lenda, no Cariri Encantado desta Quarta-feira!
Você também pode sintonizar o nosso Cariri Encantado pela internet: www.radioeducadora1020.com.br.
terça-feira, 17 de abril de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
A Carroça de Mamulengos - Emerson Monteiro

Um clã organizado que viaja o Brasil produzindo arte popular através de espetáculos circenses, eis o retrato resumido dessa trupe de artistas formada de irmãos da mesma família para festas de intensa alegria, músicas e cores, mostradas em praça pública, revivendo no palco das ruas e praças do Cariri as boas noites do que oferece silenciosa felicidade, aos olhos brilhantes de crianças atenciosas ao novo que recebem.
O prenúncio desse grupo de artistas remonta 1975, em Brasília, quando seu idealizador, Carlos Gomide, trabalhava de junto do diretor de teatro Humberto Pedrancini, em outro grupo chamado Carroça. Ano seguinte e conheceria o espetáculo Festança no reino da mata verde, do Mamulengo Só Riso, assim reforçando o gosto pelo teatro de bonecos.
Em 1978, Carlos conheceu Antônio Alves Pequeno (Antônio do Babau), mestre brincante paraibano da cidade de Mari, buscando-o em 1979 para desenvolver o aprendizado nos espetáculos dos bonecos. Um ano e meio de convivência seria o suficiente para o discípulo estruturar o conjunto de bonecos da mesma brincadeira e receber permissão do mestre para levar adiante a tradição milenar em viagens pelo País, isto que vem informado no site do grupo na Internet.
Em 1982, ainda no Distrito Federal, se incorporou ao elenco das peças a teatróloga Schirley França, futura esposa de Carlos Gomide, de cuja relação nasceriam os oitos filhos do casal que compõem a base atual da caravana artística que nos visita: Maria, Antonio, Francisco, João, Pedro, Mateus, Luzia e Isabel.
Na melhor qualidade desses espetáculos, em turnê patrocinada dentre outros pela Petrobras, a Carroça de Mamulengos alimenta o encanto da arte espontânea dos terreiros, feiras e festivais, essência natural das manifestações coletivas de cunho popular, o que traduze em termos presentes os primórdios da Grécia mais antiga, naquilo que chamaram ditirambo, fonte arcaica do teatro moderno e do cinema industrial.
Desta maneira, revivem sonhos e vivências comunitárias em ações plenas de música, dança, jogos, diversões, folguedos, confraternização, força pulsante dos universos da beleza inesperada, isso diante da tecnologia artificiosa destes dias massificados da artificialidade vendida aos borbotões nos vídeos distanciados da gente.
Nossos votos de boas vindas e sucesso à Cia. Carroça de Mamulengos nas cidades do Cariri que desfrutam a luminosidade dos instantes mágicos que traz ao povo.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
"A Bíblia do Diabo"
Ontem, me surpreendi com um documentário sobre esta bíblia satânica (canal NatGeo, via sky) e trouxe pro Cariricult as informações que seguem, já pescadas aqui na internet.
Criado no início do século 13, este manuscrito em pergaminho era considerado na época a "oitava maravilha do mundo", devido ao seu impressionante tamanho (92cm x 50,5cm x 22cm), à espessura de suas 624 páginas e ao seu peso de 75 kg.
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A obra nasceu das mãos de um único monge, que também era copista e grafista, no mosteiro de Podlazice (centro da atual República Tcheca), destruído durante as guerras religiosas no século 15.
A Biblioteca Real de Estocolmo aceitou emprestar a obra em caráter excepcional para uma exposição prevista para o início de 2007 na sala do "Clementinum", o antigo colégio jesuíta construído entre 1653 e 1726 no centro velho e Praga.
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O manuscrito inclui o Velho e o Novo será estamento, bem como outros textos de grande valor histórico, como a "Chronica Boemorum" ("Crônica dos Tchecos"), redigida em latim no século 12, ou os escritos do historiador Flavius Josephus (por volta do ano 37-100).
Em Praga, o manuscrito, protegido por um tampo de madeira, ficará exposto com outros documentos relacionados à Idade Média.
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"Levaram o que havia de mais valioso", disse Hejnova. Os soldados também levaram o "Codex Argenteus", composto de letras de ouro e prata, criado por volta do ano 750, e que atualmente se encontra em Uppsala (região central da Suécia).
Desde o século 17, o "Codex Gigas" saiu do território sueco em duas ocasiões. Foi enviado a Nova York em 1970, para uma exposição no Metropolitan Museum, e a Berlim, oito anos atrás.
Gêtsemani

Não, não transparecia cansaço nem fastio, embora a cena se repetisse há tantos e tantos anos. Apenas uma leve asa de indignação ruflava ao seu derredor. Como um moderno Prometeu acorrentado, fazia-se eterno pasto à águia do cristianismo. Parece até que ganhara a maldição da imortalidade. Ressuscitavam-no todo ano, em meio às velas, ao vinho e ao roxo da Semana Santa. No seu curto e sub-reptício reinado, fazia-se, rapidamente, senhor de uma quinta , ganhava roupas esfarrapadas, mas modernas, metia-se a cavaleiro. Metamorfoseava-se de uma personalidade qualquer escolhida entre os sempre novos e fartos Judas da humanidade e partia, no Domingo da Ressurreição, para o seu calvário particular.Até um testamento lhe seria providenciado, ele que não deixara sobre a terra nenhum legado que fosse além da pura e cristalina infâmia. Até os 30 dinheiros, levara ao santuário antes do pêndulo do corpo e do final balanço da corda.
Suas memórias, se escritas, seriam um farto material para o estudo do inconsciente coletivo. Havia, com certeza, algo de sanguinário, de sádico e tribal naquela malhação.A simples encenação daquela selvageria, no fundo, contradizia-se frontalmente com as lições de amor, de solidariedade e compreensão que terminaram por permear todo o Novo Testamento. A primeira pedra que ninguém ousara lançar sobre Madalena , agora fariseus multiplicados aos montes atiravam nele com sanha animalesca, sem nenhum remorso, sem nenhum pejo.
Neste ano, ali estava novamente no cadafalso, aguardando o desenlace tão previsível. Enquanto observava a faísca zigzagueante do estopim, teve , por fim uma clara visão do mundo que um dia abandonara pensando em se livrar dos seus demônios e fantasmas. Na verdade a turba não malhava ao Judas, mas tentava destruir as imperfeições pessoais que via nele refletidas. É como se diante do espelho, o quebrassem, por temerem a imagem horrorosa mas verdadeira que se revelaria na superfície cristalina. Nada mudara em tantos anos! Bastava fitar a multidão para ver claramente presente e cristalizado em todos os corações o veneno um dia inoculado no Gêtsemani: a indecisão de Pilatos, a tríplice negação de Pedro, a parcialidade de julgamento de Caifás, a eterna opção dos eleitores por Barrabás. Parecia claro para ele agora que não foram os filhos do Pai que povoaram o mundo, mas sim a raça de Judas. Sim, seus filhos tinham prosperado como nunca sobre a face da terra . Estavam muitos ali familiarmente reunidos, com suas fraquezas, suas indecisões e seus vícios bem à mostra : lábios preparados para o beijo fatídico, mãos entreabertas esperando, sofregamente, os trinta dinheiros...
J. Flávio Vieira








