Não escrevo sem antes
sentir o corpo e os seus abismos.
A alma é um entrelaço de sentidos.
Os sonhos as unhas.
Se sujas e crescidas -
os dedos acompanham.
Quanto ao suspiro profundo
é um amigável apelo
à maternidade.
TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE
domingo, 25 de janeiro de 2009
A Gordura da Sobriedade
Quando sóbrio engordo.
A pança enorme -
tireoide ofegante
de sapo invernoso.
Quando sóbrio urro cavernoso.
Até a esposa silencia-se -
e suspira: "esse é meu homem".
A pança enorme -
tireoide ofegante
de sapo invernoso.
Quando sóbrio urro cavernoso.
Até a esposa silencia-se -
e suspira: "esse é meu homem".
Dom Fernando Panico, 35 anos de Brasil - por Armando Lopes Rafael
Padre Fernando Panico

O próximo dia 13 de dezembro de 2009 registrará os 35 anos do desembarque (acontecido em 1974), em São Luís do Maranhão, de um jovem sacerdote italiano, com 28 anos de idade. A partir daquela data ele faria do Nordeste brasileiro o seu campo de apostolado. Seu nome? Padre Fernando Panico, missionários do Sagrado Coração de Jesus.
Fernando Panico é o quinto e o mais novo filho de uma família simples e laboriosa, sendo seus pais Vito Antonio Panico e Luzia Maria Piri Panico, ambos militantes da Ação Católica. Seu pai era agricultor e participava ativamente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tricase, cidade localizada no extremo Sul da Itália, berço natal da família Panico, que entre seus membros conta com um Cardeal da Igreja Católica, Dom Giovanni Panico, já falecido, tio de Dom Fernando.
Aos doze anos de idade, em 1958, o menino Fernando Panico ingressou no Pontifício Seminário Romano Menor, ali permanecendo até 1962. Entre 1966 e 1967 estudou Filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana. O curso de Teologia foi feito no Pontifício Ateneo Santo Anselmo, em Roma, e o mestrado em Liturgia foi feito de 1972 a 1974 no Pontifício Instituto Litúrgico, da capital italiana. Logo em seguida o padre Fernando Panico transferiu-se para o Brasil onde permanece até hoje.
No Maranhão o padre Fernando Panico foi vigário e reitor do Seminário Diocesano da cidade de Pinheiro. Transferido em 1982 para São Luís, a capital do estado, exerceu relevantes cargos dentre os quais: vigário paroquial, reitor do Seminário Maior, Juiz Auditor no Tribunal Arquidiocesano e Superior da Região da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração.
Em 1993 o padre Fernando Panico foi nomeado pelo Papa João Paulo II como bispo da diocese de Oeiras-Floriano, no Piauí. Ali recebeu sua Ordenação Episcopal no dia 14 de agosto daquele ano. E lá permaneceu até 28 de junho de 2001, pois no dia seguinte assumiria a diocese do Crato, como seu quinto bispo, transferido que foi, em 02 de maio daquele ano, para ser o pastor do Sul do Ceará, pelo mesmo Papa João Paulo II.
É o próprio Dom Fernando quem diz: “Deixei a diocese de Oeiras-Floriano, com muito sofrimento interior devido a laços profundos ali construídos com tantas pessoas na caminhada de vários anos a serviço do povo...”
Uma vez na diocese do Crato o dinâmico e simpático bispo conquistou o afeto de todos. Com pouco mais de sete anos entre nós – descontado um ano que padeceu de problemas de saúde – Dom Fernando já recebeu diversos reconhecimentos ao seu trabalho, valendo destacar: a Medalha da Abolição, a mais alta comenda do Ceará; a Medalha Bárbara de Alencar e os títulos de Cidadão Cratense, Juazeirense, Barbalhense, Mauritiense, o diploma como Professor Honoris Causa da Universidade Regional do Cariri. É membro do Instituto Cultural do Cariri (ocupa a cadeira Dom Francisco de Assis Pires) e tantas e tantas outras homenagens...
A maior delas, entretanto, é o afeito que lhe devota seus diocesanos – em todas as cidades do Cariri – que vêem nele um pastor simples, sereno, franco, equilibrado, aberto e cordial, um verdadeiro presente vindo do extremo sul da Itália, para pastorear o rebanho de Cristo no extremo sul do Ceará.
Fernando Panico é o quinto e o mais novo filho de uma família simples e laboriosa, sendo seus pais Vito Antonio Panico e Luzia Maria Piri Panico, ambos militantes da Ação Católica. Seu pai era agricultor e participava ativamente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tricase, cidade localizada no extremo Sul da Itália, berço natal da família Panico, que entre seus membros conta com um Cardeal da Igreja Católica, Dom Giovanni Panico, já falecido, tio de Dom Fernando.
Aos doze anos de idade, em 1958, o menino Fernando Panico ingressou no Pontifício Seminário Romano Menor, ali permanecendo até 1962. Entre 1966 e 1967 estudou Filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana. O curso de Teologia foi feito no Pontifício Ateneo Santo Anselmo, em Roma, e o mestrado em Liturgia foi feito de 1972 a 1974 no Pontifício Instituto Litúrgico, da capital italiana. Logo em seguida o padre Fernando Panico transferiu-se para o Brasil onde permanece até hoje.
No Maranhão o padre Fernando Panico foi vigário e reitor do Seminário Diocesano da cidade de Pinheiro. Transferido em 1982 para São Luís, a capital do estado, exerceu relevantes cargos dentre os quais: vigário paroquial, reitor do Seminário Maior, Juiz Auditor no Tribunal Arquidiocesano e Superior da Região da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração.
Em 1993 o padre Fernando Panico foi nomeado pelo Papa João Paulo II como bispo da diocese de Oeiras-Floriano, no Piauí. Ali recebeu sua Ordenação Episcopal no dia 14 de agosto daquele ano. E lá permaneceu até 28 de junho de 2001, pois no dia seguinte assumiria a diocese do Crato, como seu quinto bispo, transferido que foi, em 02 de maio daquele ano, para ser o pastor do Sul do Ceará, pelo mesmo Papa João Paulo II.É o próprio Dom Fernando quem diz: “Deixei a diocese de Oeiras-Floriano, com muito sofrimento interior devido a laços profundos ali construídos com tantas pessoas na caminhada de vários anos a serviço do povo...”
Uma vez na diocese do Crato o dinâmico e simpático bispo conquistou o afeto de todos. Com pouco mais de sete anos entre nós – descontado um ano que padeceu de problemas de saúde – Dom Fernando já recebeu diversos reconhecimentos ao seu trabalho, valendo destacar: a Medalha da Abolição, a mais alta comenda do Ceará; a Medalha Bárbara de Alencar e os títulos de Cidadão Cratense, Juazeirense, Barbalhense, Mauritiense, o diploma como Professor Honoris Causa da Universidade Regional do Cariri. É membro do Instituto Cultural do Cariri (ocupa a cadeira Dom Francisco de Assis Pires) e tantas e tantas outras homenagens...
A maior delas, entretanto, é o afeito que lhe devota seus diocesanos – em todas as cidades do Cariri – que vêem nele um pastor simples, sereno, franco, equilibrado, aberto e cordial, um verdadeiro presente vindo do extremo sul da Itália, para pastorear o rebanho de Cristo no extremo sul do Ceará.
MINHA HOMENAGEM À BEATA MARIA DE ARAUJO
Já se passaram 95 anos (14 de Janeiro de 1914) da morte da famosa beata Maria de Araujo. Hoje, após assistir o filme “Milagre em Juazeiro do Norte” fiquei comovido pela sua história de fé e transcendência. Eu não nasci aqui, e por isso pouco sabia de sua história. Hoje, tenho que reconhecer quanto essa mulher participou efetivamente do fenômeno religioso de Juazeiro do Norte. O interessante que muitos daqui mesmo duvidam do milagre ocorrido nessa bela região de muita fé e religiosidade. Mas, eu não sou daqui e muito menos vivi na sua época. E apesar disso, sinto uma alegria imensa em reconhecer a santidade nessa mulher que por suas características teve o seu nome quase que riscado da história religiosa pela própria igreja. E ao ver o filme me senti profundamente tocado pelo sobrenatural e “vi” na sua trajetória as marcas inconfundíveis da santidade. O mais interessante no fenômeno da santidade é que o divino não escolhe cor, raça, região, religião, posição social, econômica ou política etc., para se manifestar. E por eu saber disso, que acredito ser muito provável que a hóstia tenha sangrado de sua boca pobre, humilde, sertaneja, negra e santa. Quem já viveu pessoalmente um milagre sabe como é ser canal do divino. Por isso, me dirijo a senhora – Maria de Araujo – dizendo que também tive essa graça do milagre em 1988 quando manifestei o poder divino em meu peito e em minhas mãos, e poucos foram aqueles que conseguiram acreditar na minha história. Hoje, a única coisa que gostaria de fazer antes de deixar esse mundo, é escrever um livro para os homens de fé que continuarem vivendo nesse mundo dessacralizado e dominado pela “fé na matéria”. Pois, a tua fé não foi na matéria – com certeza! – mas no(e com o) Espírito.
A senhora pertenceu ao hemisfério de baixo (sul) talvez por isso que o seu milagre não foi de pronto reconhecido. Isto porque fomos educados a sempre acreditar, sem questionar, que os santos e santas do hemisfério de cima (norte) eram perfeitos (as) e cheios (as) de graça. Mas, a senhora quebrou esse paradigma religioso: hemisfério do sul, pobre, negra, sertaneja, brasileira, cearense, e ainda mais de uma pequena cidade escondida e naquela época bastante “atrasada” (no sentido material) – Juazeiro do Norte! Eu sinto da minha intuição que a sua história é verdadeira. E terei em minha memória a sua imagem santa representando os excluídos, os humilhados e todos aqueles que tiveram sua fé duvidada por mentes cheias de razão, mas vazia de sensibilidade e amor.
Assim, aonde a senhora estiver – com certeza no Céu! – que receba desse humilde cientista e religioso o reconhecimento de sua façanha espetacular. O seu exemplo de fé e santidade jamais poderá ser esquecido. Nasci no Rio de Janeiro e lá vivi até 2002 e por isso pouco sabia de sua história. Agora sei que nessa terra onde moro agora existiu uma santa: Maria de Araujo. E não preciso de nenhum reconhecimento ou fundamentação teológica para fazer esse gesto de reconhecimento, pois a minha intuição sagrada me diz agora: Tu és Santa!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – (88)92019234
A senhora pertenceu ao hemisfério de baixo (sul) talvez por isso que o seu milagre não foi de pronto reconhecido. Isto porque fomos educados a sempre acreditar, sem questionar, que os santos e santas do hemisfério de cima (norte) eram perfeitos (as) e cheios (as) de graça. Mas, a senhora quebrou esse paradigma religioso: hemisfério do sul, pobre, negra, sertaneja, brasileira, cearense, e ainda mais de uma pequena cidade escondida e naquela época bastante “atrasada” (no sentido material) – Juazeiro do Norte! Eu sinto da minha intuição que a sua história é verdadeira. E terei em minha memória a sua imagem santa representando os excluídos, os humilhados e todos aqueles que tiveram sua fé duvidada por mentes cheias de razão, mas vazia de sensibilidade e amor.
Assim, aonde a senhora estiver – com certeza no Céu! – que receba desse humilde cientista e religioso o reconhecimento de sua façanha espetacular. O seu exemplo de fé e santidade jamais poderá ser esquecido. Nasci no Rio de Janeiro e lá vivi até 2002 e por isso pouco sabia de sua história. Agora sei que nessa terra onde moro agora existiu uma santa: Maria de Araujo. E não preciso de nenhum reconhecimento ou fundamentação teológica para fazer esse gesto de reconhecimento, pois a minha intuição sagrada me diz agora: Tu és Santa!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – (88)92019234
sábado, 24 de janeiro de 2009
Livros
Nunca consegui guardar um livro especial.
Vendia-o no sebo mais próximo -
ou distante.
E com a grana ia beber e fumar.
A relíquia sempre foi o impalpável.
As ideias, as imagens, os sentimentos -
e hoje que não me suicido
para onde foram todos os livros.
Sinto falta de Fernando Pessoa,
Neruda e Baudelaire.
Engraçado -
não me lembro agora
deles nenhum poema.
Vendia-o no sebo mais próximo -
ou distante.
E com a grana ia beber e fumar.
A relíquia sempre foi o impalpável.
As ideias, as imagens, os sentimentos -
e hoje que não me suicido
para onde foram todos os livros.
Sinto falta de Fernando Pessoa,
Neruda e Baudelaire.
Engraçado -
não me lembro agora
deles nenhum poema.
Sete Anos
A pasta dental espremida
à toa desfigurada
revela a verdadeira
infância.
Acompanhe-me de olhos fechados.
Prometo-lhe que o abismo é raso -
e mesmo que caiamos juntos
ninguém se perderá.
Já falei um dia
que lá embaixo
só sente frio
quem na alma
não faz fogueira.
Dê-me as mãos sem medo.
Juro-lhe que sua cabeça
não baterá contra a parede.
Se em mim não confia,
tenha fé no seu guia
e no seu anjinho da guarda.
Já disse um dia
que lá embaixo
tem cascas de tangerina
palitos de picolé
e tampinhas de refrigerante.
Aproveite,
será divertido -
se faltar oxigênio
os meus pulmões lhe empresto.
Coragem,
mergulhemos -
filho de poeta
pelo menos tem de aprender
afogar-se de vez em quando.
Veja,
são eles
os golfinhos brincalhões
destemidos e felizes
prontos para nos salvar.
à toa desfigurada
revela a verdadeira
infância.
Acompanhe-me de olhos fechados.
Prometo-lhe que o abismo é raso -
e mesmo que caiamos juntos
ninguém se perderá.
Já falei um dia
que lá embaixo
só sente frio
quem na alma
não faz fogueira.
Dê-me as mãos sem medo.
Juro-lhe que sua cabeça
não baterá contra a parede.
Se em mim não confia,
tenha fé no seu guia
e no seu anjinho da guarda.
Já disse um dia
que lá embaixo
tem cascas de tangerina
palitos de picolé
e tampinhas de refrigerante.
Aproveite,
será divertido -
se faltar oxigênio
os meus pulmões lhe empresto.
Coragem,
mergulhemos -
filho de poeta
pelo menos tem de aprender
afogar-se de vez em quando.
Veja,
são eles
os golfinhos brincalhões
destemidos e felizes
prontos para nos salvar.
Miguel Arraes - por Luiz Otavio Cavalcanti (*)

O Jornal do Commercio de hoje publica este artigo sobre Dr. Arraes. O autor era de partido contrário. Luiz Otávio Cavalcanti é ex-secretário da Fazenda de Pernambuco, na gestão de Roberto Magalhães. Mas gostei do que ele escreveu, me pareceu isento.
Joaquim PinheiroPernambuco é politicamente pendular. De um lado, escola de exaltação, discurso de confronto, revolta: Frei Caneca e Agamenon. De outro lado, escola de moderação, acordo e conciliação: Marquês de Olinda e Marco Maciel. Mas, não só. A constelação tem uma terceira estrela, real, mítica: Miguel Arraes.Dr. Arraes ocupou espaço político importante durante mais de 30 anos, entre os anos 60 e 90. Foi deputado estadual, secretário da Fazenda, governador três vezes, deputado federal, presidente de partido. Patrocinou diálogo entre camponeses e usineiros na sala principal do Palácio da Campo das Princesas, em 1963, identificou-se com pobres e humildes ao longo de sua carreira. Autêntico, como o sol do Nordeste, terminou mitificado.
Norberto Bobbio ensina que o mito apresenta três elementos: crise, emoção e símbolo. Arraes foi envolvido, em 1964, pela crise institucional que atingiu o País na qual foi relevante protagonista. Cercou-se de emoção política ao ser deposto pelos militares e recusar a renúncia ao cargo de governador. Tornou-se símbolo político ao ser exilado e ficar fora do Brasil mais de 15 anos. Estava construída no imaginário popular a figura do mito.
Além da prática política, tornou-se emblema de resistência pessoal e de apoio à pobreza.A propósito, Antônio Callado, em Tempo de Arraes, (página 20), escreveu: "Nos anos 60, Pernambuco era o maior produtor de idéias do Brasil". Essa condição, Pernambuco a adquiriu "em decorrência de movimento de massa e da eleição para o governo estadual de homem ligado ao povo". E acrescentou: "À época, Pernambuco, na verdade, tomou nojo da timidez do Brasil".
A escolha do destino, no exílio, não foi aleatória. Em entrevista dada a Cristina Tavares e Fernando Mendonça Filho, publicada em Conversações com Arraes, (página 101), Arraes ressaltou que a opção pela Argélia resultou de conjunto de fatores. Entre os quais, o fato de que foi a África que recebeu os inconfidentes mineiros e empreendeu notável luta anticolonial dos argelinos contra o domínio da França. Ele soube produzir, sempre que possível, adequada moldura para suas decisões.
É curioso ler as considerações que ele fez sobre o então líder metalúrgico, Luis Inácio da Silva (página 52): "A criação do Partido dos Trabalhadores é reação natural contra os que manipulam os operários". E, mais adiante: "É importante que esse movimento ocorra dentro de uma grande força nacional e popular". Como se observa, ele mantinha presente o senso de reunião de forças para garantir densidade política e eleitoral ao conjunto de representação nacionalista e popular. A íntegra das citações está em Certezas provisórias (Edições Bagaço, 2009).
Mesmo excedendo limites formais de Partido Político, a ação de Arraes foi também institucionalizadora. Ao inaugurar participação do governo na crise envolvendo trabalhadores da cana e usinas de açúcar. Na educação, ao convidar Paulo Freire a desenvolver método de alfabetização em escolas públicas estaduais. Concepção que foi adotada em muitos países e premiada pela Unesco.Na trilogia política de Pernambuco há insubmissão, conciliação e cartilha social. Arraes a escreveu com horizonte histórico de sentido popular e nacionalista.
(*) Luiz Otavio Cavalcanti é membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano
O Outro
O outro,
sempre o outro -
as unhas do outro, as indecisões do outro,
os descuidos e os zelos prematuros do outro,
a loucura do outro, a rabugice do outro,
as inconfidências e a crueldade do outro,
o pavor do outro, o ódio do outro, a ausência do outro.
Sempre é o outro a forma anterior ao propósito.
A dor e o fingimento do outro, a chuva do outro,
a queda vertiginosa do outro, a quietude do outro,
a santidade e o menosprezo do outro, o olhar do outro,
os cílios levados pela ventania do outro, o doce do outro,
a colher de xarope do outro, a tosse e o escarro do outro.
Nunca muda o calafrio - sintoma agudo da virose do outro.
O outro -
preciso esganar o outro.
Deixar as marcas dos meus dedos
no pescoço do outro.
Mas virá a assombração do outro.
Um cochilo, uma trégua -
será tarde,
repentino o golpe.
sempre o outro -
as unhas do outro, as indecisões do outro,
os descuidos e os zelos prematuros do outro,
a loucura do outro, a rabugice do outro,
as inconfidências e a crueldade do outro,
o pavor do outro, o ódio do outro, a ausência do outro.
Sempre é o outro a forma anterior ao propósito.
A dor e o fingimento do outro, a chuva do outro,
a queda vertiginosa do outro, a quietude do outro,
a santidade e o menosprezo do outro, o olhar do outro,
os cílios levados pela ventania do outro, o doce do outro,
a colher de xarope do outro, a tosse e o escarro do outro.
Nunca muda o calafrio - sintoma agudo da virose do outro.
O outro -
preciso esganar o outro.
Deixar as marcas dos meus dedos
no pescoço do outro.
Mas virá a assombração do outro.
Um cochilo, uma trégua -
será tarde,
repentino o golpe.
Êta república pai-dégua...

Graças ao jornal "Folha de S.Paulo" sabemos que em 119 anos de República, o Brasil teve 43 presidentes e mais de 50 períodos presidenciais. Dos 43 presidentes (destes, somente 11 eleitos pelo sufrágio popular terminaram seus mandatos), tudo foi alternado por decretação de Estado de Sítio, duas longas ditaduras e outros instrumentos de excessão, 6 fechamentos do Congresso, censura à imprensa, cassações, banimentos, "inpeachment "e re-eleições - o que dá uma média de 2 anos e 7 meses para cada administração repulicana...
Confira abaixo:
da Folha Online
Veja abaixo a galeria dos presidentes do Brasil desde a proclamação da República, em 1889
Marechal Deodoro da Fonseca
Veja abaixo a galeria dos presidentes do Brasil desde a proclamação da República, em 1889
Marechal Deodoro da Fonseca
Período: 15 de novembro de 1889 a 25 de fevereiro de 1891Perfil: Durante a Guerra do Paraguai, serviu como capitão. Foi comandante de armas do Rio Grande do Sul. Proclamou a República em 15 de novembro de 1889. Em 25 de fevereiro de 1891, foi eleito Presidente. Renunciou em novembro do mesmo ano, e morreu um ano mais tarde, em 23 de agosto de 1892.
Marechal Deodoro da FonsecaPeríodo: 25 de fevereiro de 1891 a 23 de novembro de 1891
Marechal Deodoro da FonsecaPeríodo: 25 de fevereiro de 1891 a 23 de novembro de 1891
Marechal Floriano Peixoto
Período: 23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894Perfil: O chamado "Marechal de Ferro" entrou para a Escola Militar em 1861 e participou de muitos combates, inclusive na Guerra do Paraguai. Em 1891, assumiu a vice-presidência. Assumiu o cargo de presidente com a renúncia do Marechal Deodoro.
Prudente de Moraes
Período: 15 de novembro de 1894 a 15 de novembro de 1898Perfil: Dirigiu o Estado de São Paulo e a Assembleia Constituinte. Foi o primeiro presidente a ser eleito pelo voto popular.
Campos Salles
Período: 15 de novembro de 1898 a 15 de novembro de 1902Perfil: O principal destaque do mandato de Campos Sales foi o saneamento das finanças do país. Em 1902, ao término de seu mandato, ele se retirou da vida pública. Voltou à cena política em 1909, como senador.
Rodrigues Alves
Período: 15 de novembro de 1902 a 15 de novembro de 1906Perfil: Rodrigues Alves governou a província de São Paulo entre 1887 e 1888. Foi ministro da Fazenda de Floriano Peixoto e Prudente de Morais. Ao término de seu mandato na Presidência, voltou a ocupar o governo de São Paulo.
Affonso Penna
Período: 15 de novembro de 1906 a 14 de junho de 1909Perfil: Na continuidade das obras públicas de Rodrigues Alves, modernizou capitais e portos brasileiros, além de ampliar as redes ferroviária e telegráfica. Faleceu em 1909, 17 meses antes do término previsto de seu mandato. Assumiu, então, o vice-presidente Nilo Peçanha.
Nilo Peçanha
Período: 14 de junho de 1909 a 15 de novembro de 1910Perfil: Durante o curto período de seu mandato, foi criado o Serviço Nacional de Proteção ao Índio, núcleo da atual Funai. Desencadeou-se a primeira crise da política do "café-com-leite" --São Paulo e Minas Gerais não entraram em consenso quanto ao sucessor de Peçanha.
Hermes Fonseca
Período: 15 de novembro de 1910 a 15 de novembro de 1914Perfil: Enfrentou Rui Barbosa na eleição, sendo eleito depois da primeira crise da política do "café-com-leite". Foi o Marechal Hermes da Fonseca que promulgou a lei do serviço militar obrigatório.
Wenceslau Braz
Período: 15 de novembro de 1914 a 15 de novembro de 1918Perfil: Era o vice-presidente de Hermes da Fonseca e foi candidato único à eleição. Retomou a política dos governadores e esteve no poder durante toda a Primeira Guerra Mundial, momento de grande crescimento da indústria nacional.
Rodrigues Alves
Período: 15 de novembro de 1918 a 15 de novembro de 1918Perfil: Apesar de eleito pelo voto direto, não assumiu o segundo mandato devido ao seu estado de saúde. Em seu lugar, assumiu o vice Delfim Moreira. Rodrigues Alves morreu no dia 16 de janeiro de 1919.
Delfim Moreira
Período: 15 de novembro de 1918 a 28 de julho de 1919Perfil: Delfim Moreira assumiu o cargo interinamente. Porém, pelas regras constitucionais, foi realizada nova eleição, da qual saiu vitorioso Epitácio Pessoa.
Epitácio Pessoa
Período: 28 de julho de 1919 a 15 de novembro de 1922Perfil: De fora do trio São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, Epitácio Pessoa tentou assegurar o apoio dos três Estados de maior peso político da época. Ainda levado por interesses rurais, o país começou a sentir o peso do urbanismo, em especial do Rio e de SP, fruto do crescimento econômico do pós-guerra.
Arthur Bernardes
Período: 15 de novembro de 1922 a 15 de novembro de 1926Perfil: Foi deputado estadual, deputado federal, secretário de finanças e governador de Minas Gerais. Durante seu mandato no Rio de Janeiro, ocorreu o levante do Forte de Copacabana e a Semana de Arte Moderna.
Washington Luís
Período: 15 de novembro de 1926 a 24 de outubro de 1930Perfil: Único candidato à presidência, governou sob os efeitos da crise da Bolsa de Nova York, em 1929, que gerou pressões ainda mais fortes sobre o preço do café, e a ascensão de movimentos contrários à política do "café-com-leite", que tem seu ciclo encerrado com a Revolução de 1930 e a subida de Getúlio Vargas ao poder.
Júlio Prestes
Perfil: Eleito, proclamado mas não empossado devido ao movimento revolucionário de 24 de outubro de 1930, quando a Junta Governativa assume o poder.
Menna Barreto
Período: 24 de outubro de 1930 a 03 de novembro de 1930Perfil: Assume o poder quando da eclosão do movimento revolucionário de 24 de outubro de 1930, quando Washington Luís foi deposto e Júlio Prestes foi impedido de tomar posse como Presidente da República.
Almirante Isaías de Noronha
Período: 24 de outubro de 1930 a 03 de novembro de 1930Perfil: Assumiu o poder e governou com a Junta Governativa.
General Augusto Fragoso
Período: 24 de outubro de 1930 a 03 de novembro de 1930Perfil: Assumiu o poder e governou com a Junta Governativa.
Getúlio Vargas
Período: 3 de novembro de 1930 a 20 de julho de 1934
Getúlio Vargas
Período: 20 de julho de 1934 a 10 de novembro de 1937Perfil: Chegou à presidência com a crise da economia cafeeira e da política do "café-com-leite". Manteve-se no poder depois de 1934, eleito pela Assembleia Constituinte, até 1945, com a instituição do Estado Novo, de influência nítida do fascismo. Criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Deposto em 1945, com a vitória do eixo aliado contra os regimes totalitários da Europa, continuou na política, sendo eleito senador. Em 1950, foi eleito novamente presidente.
Getúlio Vargas
Período: 10 de novembro de 1937 a 29 de outubro de 1945
José Linhares
Período: 29 de outubro de 1945 a 31 de janeiro de 1946Perfil: Com a deposição de Vargas em 1945, Linhares, então Presidente do Supremo Tribunal Federal, assumiu o cargo até que um novo presidente fosse eleito. Deu lugar ao general Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro da Guerra de Getúlio.
General Eurico Gaspar Dutra
Período: 31 de janeiro de 1946 a 31 de janeiro de 1951Perfil: Como militar, liderou a repressão ao movimento comunista no Rio de Janeiro. Durante seu governo, foi promulgada a Constituição de 1946, que devolveu a democracia ao país, depois do Estado Novo e a "constituição polaca" de Getúlio Vargas. O período também marca o alinhamento do Brasil aos EUA na Guerra Fria.
Getúlio Vargas
Período: 31 de janeiro de 1951 a 24 de agosto de 1954Perfil: Candidato pelo PTB, Getúlio Vargas voltou à Presidência ao vencer Eduardo Gomes (UDN) em 1950. Com a campanha "O petróleo é nosso", Getúlio criou a Petrobrás, que garantiu o monopólio nacional sobre a prospecção, a lavra, o refino e o transporte do produto.
Café Filho
Período: 24 de agosto de 1954 a 11 de novembro de 1955Perfil: Foi deputado federal e vice-presidente. Com a morte de Getúlio Vargas, assumiu o governo. Em 1955, devido a problemas de saúde, foi substituído por Carlos Luz, então presidente da Câmara.
Carlos Luz
Período: 8 de novembro de 1955 a 11 de novembro de 1955Perfil: Presidente da Câmara, assumiu interinamente a Presidência da República por causa de uma doença de Café Filho. Dias depois também adoeceu e renunciou.
Nereu Ramos
Período: 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956Perfil: Foi deputado federal, governador de Santa Catarina, interventor e também presidente da Assembleia Constituinte. Exerceu a Presidência da República por menos de dois meses e entregou o cargo a Juscelino Kubitschek, em 1956.
Juscelino Kubitschek
Período: 31 de janeiro de 1956 a 31 de janeiro de 1961Perfil: Foi prefeito de Belo Horizonte e governador de Minas Gerais. Trouxe a indústria automobilística ao status que ocupa hoje no país, dando privilégio ao sistema rodoviário em detrimento do transporte ferroviário e hidroviário. Construiu Brasília. Foi senador por Goiás depois de deixar a Presidência. Teve os direitos políticos cassados em 1964.
Jânio Quadros
Período: 31 de janeiro de 1961 a 25 de agosto de 1961Perfil: Foi vereador em São Paulo, deputado estadual, prefeito de São Paulo, governador do Estado e deputado federal pelo Paraná. Em 25 de agosto de 1961, renunciou. A tradicional postura populista de Jânio, apartidário, acima dos partidos, justiceiro e adversário da corrupção, comprometido apenas com o povo fez dele o presidente com o maior número de votos até então.
Paschoal R. Mazzilli
Período: 25 de agosto de 1961 a 8 de setembro de 1961Perfil: Presidente da Câmara dos Deputados, assumiu interinamente quando Jânio Quadros renunciou, pois seu vice, João Goulart, estava em visita à China.
João Goulart
Período: 8 de setembro de 1961 a 24 de janeiro de 1963Perfil: Foi deputado federal e eleito vice-presidente em dois mandatos consecutivos, com Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros. Nesse período, o país passou por uma turbulência política, inclusive com a instituição temporária do parlamentarismo. Deixou o cargo em 1º de abril de 1964 sob a pressão de um golpe militar.
João Goulart
Período: 24 de janeiro de 1963 a 31 de março de 1964Perfil: A segunda fase do governo Goulart que se estendeu até março de 1964. O movimento militar vitorioso de 31 de março de 1964 depôs o presidente João Goulart, que deixou imediatamente o país. No dia 02 de abril de 1964, o Congresso Nacional declarou a vacância da Presidência da República, assumindo-a o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli.
Ranieri Mazzilli
Período: 2 de abril de 1964 a 15 de abril de 1964Perfil: Como Presidente da Câmara dos Deputados, assumiu interinamente a Presidência da República em virtude da saída de Goulart e ausência do vice-presidente, em viagem à República Popular da China, até que se resolvesse a crise política gerada pela renúncia do presidente Jânio Quadros.
Marechal Castello Branco
Período: 15 de abril de 1964 a 15 de março de 1967Perfil: Chegou ao governo com a deposição de João Goulart e o golpe que deu início à ditadura militar no Brasil. Editou o primeiro Ato Institucional e também a Lei de Segurança Nacional.
Marechal Costa e Silva
Período: 15 de março de 1967 a 31 de agosto de 1969Perfil: Foi Ministro da Guerra no governo de Castello Branco. Na crescente linha dura, continuou a editar Atos Institucionais para fortalecer o Executivo, inclusive o enfadonho AI-5, em 1968. Afastou-se do cargo devido a uma doença.
General Aurélio Lyra
Período: 31 de agosto de 1969 a 30 de outubro de 1969Perfil: Como ministro do Exército, assumiu o governo com a Junta Militar por força do Ato Institucional nº 12, de 1969, durante o impedimento temporário do presidente da República.
Almirante Augusto Rademaker
Período: 31 de agosto de 1969 a 30 de outubro de 1969Perfil: Como ministro da Marinha, assumiu o governo com a Junta Militar por força do Ato Institucional nº 12, de 1969, durante o impedimento temporário do presidente da República.
Brigadeiro Márcio Mello
Período: 31 de agosto de 1969 a 30 de outubro de 1969Perfil: Como ministro da Aeronáutica, assumiu o governo com a Junta Militar por força do Ato Institucional nº 12, de 1969, durante o impedimento temporário do presidente da República.
General Emílio Garrastazu Médici
Período: 30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974Perfil: O período de seu governo ficou conhecido como "os anos negros da ditadura", subseqüentes ao AI-5. O tricampeonato mundial de futebol marcou o governo do "milagre econômico" de Médici, cujos índices econômicos começaram a declinar em 1973 com a crise do petróleo. A repressão endureceu, e foi criado o slogan: "Brasil, ame-o ou deixe-o".
General Ernesto Geisel
Período: 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979Perfil: Criou o ministério da Previdência Social, a Secretaria de Planejamento e o Estado de Mato Grosso do Sul. Revogou o AI-5. Deu início ao processo de reabertura política "lenta, segura e gradual". Lançou o Pacote de abril, fechou o Congresso e criou o chamado "senador biônico".
General João Baptista Figueiredo
Período: 15 de março de 1979 a 15 de março de 1985Perfil: Preferido do general Ernesto Geisel (1974-1979), Figueiredo era chefe do SNI (Serviço Nacional de Inteligência) quando foi indicado pela Arena para a Presidência. Enfrentou o movimento das Diretas Já.
Tancredo Neves
Perfil: Eleito pelo colégio eleitoral, adoeceu na véspera de sua posse, marcada para o dia 15 de fevereiro de 1985. Morreu no dia 21 de abril de 1985.
José Sarney
Período: 15 de março de 1985 a 15 de março de 1990Perfil: Formado em Direito. Em 1958, ingressou na UDN (União Democracia Nacional). Foi eleito governador do Maranhão em 1965. Com a extinção dos partidos pelo AI-5, ingressou na Arena, partido do governo militar. Em 1970, publicou seu primeiro livro de contos, "Norte das Águas". Assumiu a presidência da República com a morte de Tancredo, em 21 de abril de 1985.
Fernando Collor
Período: 15 de março de 1990 a 2 de outubro de 1992Perfil: Primeiro presidente civil eleito por voto direto desde 1960 no Brasil. Carioca, fez carreira política em Alagoas. Elegeu-se deputado federal pelo PDS (Partido Democrático Social), em 1982. Pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), foi eleito governador de Alagoas em 1986. Renunciou à Presidência da República em 2 de outubro de 1992 em meio a denúncias de esquemas de corrupção.
Itamar Franco
Período: 2 de outubro de 1992 a 1º de janeiro de 1995Perfil: Vice-presidente eleito 1989, assumiu a Presidência depois da renúncia forçada de Fernando Collor. Formou-se engenheiro e foi duas vezes prefeito de Juiz de Fora (MG) pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Também foi senador por Minas Gerais em 1974 e em 1982 e governador deste Estado em 1998.
Fernando Henrique Cardoso
Período: 1º de janeiro de 1995 a 1º de janeiro de 1999Perfil: Nasceu no Rio de Janeiro e mudou-se para São Paulo aos 8 anos. Formou-se em Ciências Sociais na USP (Universidade de São Paulo) e fez pós-graduação na Sorbone (França). Tem 24 livros publicados. Exilado durante a primeira fase do golpe militar, retornou ao Brasil em 1968. Foi senador em 1983, no lugar de Franco Montoro (PMDB) e em 1986. Participou da fundação do PSDB. E assumiu o ministério das Relações Exteriores e da Fazenda durante o governo de Itamar Franco.
Fernando Henrique Cardoso
Período: 1º de janeiro de 1999 a 1º de janeiro de 2003Perfil: Sem adversários fortes --enfrentou Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PPS) e Enéas (Prona)--, FHC contou em sua reeleição ainda com reflexos do Plano Real e da crise econômica na Rússia, que repercutiu nas economias de países em desenvolvimento e alçou-o à condição de alternativa mais segura.
Luiz Inácio Lula da Silva
Período: 1º de janeiro de 2003 a 1º de janeiro de 2007Perfil: Lula começou sua trajetória como líder sindical em 1972, quando foi eleito primeiro secretário do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Apenas três anos depois de tornou presidente da entidade e ganhou projeção nacional ao comandar gigantescas greves e ser preso. Participou da fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e do PT (partido dos Trabalhadores). Antes de vencer as eleições presidenciais de 2002, foi derrotado em três ocasiões: em 1989 perdeu para Fernando Collor de Mello e, em 1994 e 1998, para FHC.
Luiz Inácio Lula da Silva
Período: 1º de janeiro de 2007 - atualPerfil: Enfrentou o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno e foi reeleito com 60,8% dos votos válidos.
Tempo Nublado
Esse tempo nublado
conhece meu ventre:
a dor de barriga -
da alma.
O cafezinho agora
um tablete de gelo.
Penso no quintal
do casarão da minha vó.
Cá não têm embuás -
nem os esdrúxulos parentes.
Cá não pesco peixes -
as folhas da mangueira.
Cá apenas um quarto úmido
de gordurosas traças.
Sempre soube do risco iminente.
O solo era uma imensa fossa -
como explicar tão viçosos frutos?
Esse tempo nublado
sabe da minha mente:
um doce vácuo adormecido.
Lembro-me do fantástico quintal
do casarão da minha vó.
A pedra enorme
de bater e secar roupas -
do meu pai única herança.
Até o fim dos meus dias
sonharei que dentro daquela pedra
esconde-se um inacreditável tesouro.
Esse tempo nublado é foda.
E sequer passa um cremezinho balsâmico.
conhece meu ventre:
a dor de barriga -
da alma.
O cafezinho agora
um tablete de gelo.
Penso no quintal
do casarão da minha vó.
Cá não têm embuás -
nem os esdrúxulos parentes.
Cá não pesco peixes -
as folhas da mangueira.
Cá apenas um quarto úmido
de gordurosas traças.
Sempre soube do risco iminente.
O solo era uma imensa fossa -
como explicar tão viçosos frutos?
Esse tempo nublado
sabe da minha mente:
um doce vácuo adormecido.
Lembro-me do fantástico quintal
do casarão da minha vó.
A pedra enorme
de bater e secar roupas -
do meu pai única herança.
Até o fim dos meus dias
sonharei que dentro daquela pedra
esconde-se um inacreditável tesouro.
Esse tempo nublado é foda.
E sequer passa um cremezinho balsâmico.
O que resta do patrimônio arquitetônico de Crato

A capela de Santa Teresa de Jesus
por Armando Lopes Rafael
No dia 31 de outubro de 1923, há mais de 85 anos, era inaugurada na cidade do Crato a capela de Santa Teresa de Jesus, felizmente conservada, até hoje, como originalmente foi entregue ao povo católico da “Cidade de Frei Carlos”. A data da inauguração - 31 de outubro - foi escolhida por ser o aniversário de nascimento e de sagração episcopal de dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro bispo do Crato e idealizador da edificação da mencionada capela.
Devemos a construção dessa capela à Cruzada Carmelitana, uma associação religiosa existente no Crato, fundada que fora em 1914, pelo então vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, padre Quintino, um ano depois eleito primeiro bispo da nossa diocese.
A Cruzada Carmelitana era formada por senhoras e jovens da sociedade cratense. Além da parte religiosa, seus membros desenvolviam uma grande ação social na comunidade. Na prática religiosa, basta destacar que as festas de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho) e Santa Teresa d’Ávila (15 de outubro) eram comemoradas com grande pompa, precedidas de Tríduo Festivo e encerradas com uma missa solene. Tudo acompanhado pelo Coral das Teresinas, onde se sobressaía a maravilhosa voz de Iraídes Gonçalves. De tudo isso só nos restam as gratas lembranças e os registros históricos...
Foi notável o empenho da Cruzada Carmelitana na construção da sua capela. As ricas obras talhadas em madeira de lei (altar-mor, quatro nichos laterais, confessionário, sólio episcopal, bancada e grade do altar) foram esculpidas por Mestre José Lucas, conhecido artista cratense. Tão bonito é o sólio episcopal que, posteriormente, ele foi cedido à Sé Catedral, onde ainda hoje está, tendo servido aos cinco bispos da diocese do Crato.
As imagens da capela foram adquiridas na Itália. No altar-mor está o “Trio Carmelitano”: Santa Teresa d’Ávila pontifica como padroeira, tendo ao seu lado Nossa Senhora do Carmo e São José. Os quatro nichos laterais abrigam as estátuas de São João da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Geraldo e São Quintino.
Toda a construção e acervo da capela de Santa Teresa foram viabilizados no primeiro quartel do século passado, quando o Crato vivia longe (quase isolado) dos grandes centros do Brasil. Naqueles tempos, as estradas e os meios de comunicação eram precários e a nossa economia dependia unicamente do produzido nas fainas agrícolas e na incipiente pecuária da época. Mas o importante é que o povo tinha fé!
Tanta, que este pequeno templo aí está, para atestar essa fé...
A capelinha - talvez por desígnio da Divina Providência - resistiu às más administrações públicas do Crato, responsáveis pela destruição de prédios históricos, a exemplo de todo o quarteirão da rua Miguel Limaverde. Resistiu às falsas idéias de modernismo, que tiveram como auge a medíocre década 60 e a construção de Brasília. Resistiu até aos tempos confusos pós Concílio Ecumênico Vaticano II, tempos esses felizmente encerrados com a eleição do Papa João Paulo II, para a Cátedra de São Pedro, em 1978.
Pouca gente sabe: essa capela é propriedade da diocese do Crato, e está, há longos anos, sob a custódia da Congregação das Filhas de Santa Teresa, que souberam conserva-la em toda a sua originalidade. Que ela permaneça, neste novo século há pouco iniciado, do jeito que está. Sacral! Altaneira! Digna! Plena de Imponderáveis...
Devemos a construção dessa capela à Cruzada Carmelitana, uma associação religiosa existente no Crato, fundada que fora em 1914, pelo então vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, padre Quintino, um ano depois eleito primeiro bispo da nossa diocese.
A Cruzada Carmelitana era formada por senhoras e jovens da sociedade cratense. Além da parte religiosa, seus membros desenvolviam uma grande ação social na comunidade. Na prática religiosa, basta destacar que as festas de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho) e Santa Teresa d’Ávila (15 de outubro) eram comemoradas com grande pompa, precedidas de Tríduo Festivo e encerradas com uma missa solene. Tudo acompanhado pelo Coral das Teresinas, onde se sobressaía a maravilhosa voz de Iraídes Gonçalves. De tudo isso só nos restam as gratas lembranças e os registros históricos...
Foi notável o empenho da Cruzada Carmelitana na construção da sua capela. As ricas obras talhadas em madeira de lei (altar-mor, quatro nichos laterais, confessionário, sólio episcopal, bancada e grade do altar) foram esculpidas por Mestre José Lucas, conhecido artista cratense. Tão bonito é o sólio episcopal que, posteriormente, ele foi cedido à Sé Catedral, onde ainda hoje está, tendo servido aos cinco bispos da diocese do Crato.
As imagens da capela foram adquiridas na Itália. No altar-mor está o “Trio Carmelitano”: Santa Teresa d’Ávila pontifica como padroeira, tendo ao seu lado Nossa Senhora do Carmo e São José. Os quatro nichos laterais abrigam as estátuas de São João da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Geraldo e São Quintino.
Toda a construção e acervo da capela de Santa Teresa foram viabilizados no primeiro quartel do século passado, quando o Crato vivia longe (quase isolado) dos grandes centros do Brasil. Naqueles tempos, as estradas e os meios de comunicação eram precários e a nossa economia dependia unicamente do produzido nas fainas agrícolas e na incipiente pecuária da época. Mas o importante é que o povo tinha fé!
Tanta, que este pequeno templo aí está, para atestar essa fé...
A capelinha - talvez por desígnio da Divina Providência - resistiu às más administrações públicas do Crato, responsáveis pela destruição de prédios históricos, a exemplo de todo o quarteirão da rua Miguel Limaverde. Resistiu às falsas idéias de modernismo, que tiveram como auge a medíocre década 60 e a construção de Brasília. Resistiu até aos tempos confusos pós Concílio Ecumênico Vaticano II, tempos esses felizmente encerrados com a eleição do Papa João Paulo II, para a Cátedra de São Pedro, em 1978.
Pouca gente sabe: essa capela é propriedade da diocese do Crato, e está, há longos anos, sob a custódia da Congregação das Filhas de Santa Teresa, que souberam conserva-la em toda a sua originalidade. Que ela permaneça, neste novo século há pouco iniciado, do jeito que está. Sacral! Altaneira! Digna! Plena de Imponderáveis...
No cenário do nosso maltratado patrimônio arquitetônico a capela de Santa Teresa de Jesus é “um edifício que conta o passado ao presente...”.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Inveja
O meu séquito
de nuvens e vazio
visita minha alma
com frequência.
Não há propósito -
apenas vigilância.
Multidões de vozes
passam por minha sombra.
Uma vela acesa
corroída pelo vento.
E quando o quarto escurece
pela fresta do basculante
vejo com maior nitidez
nossa escuridão.
de nuvens e vazio
visita minha alma
com frequência.
Não há propósito -
apenas vigilância.
Multidões de vozes
passam por minha sombra.
Uma vela acesa
corroída pelo vento.
E quando o quarto escurece
pela fresta do basculante
vejo com maior nitidez
nossa escuridão.
Erótico
Não se aproxime,
meus olhos queimam.
Até Sátiro se afugenta floresta adentro
com medo do meu febril silêncio -
levando nos braços suas donzelas enfeitiçadas.
Sóbrio, com alma de cavalo -
tenho muita febre
e um ferro de engomar
debaixo da minha bermuda
de branco e gasto linho.
meus olhos queimam.
Até Sátiro se afugenta floresta adentro
com medo do meu febril silêncio -
levando nos braços suas donzelas enfeitiçadas.
Sóbrio, com alma de cavalo -
tenho muita febre
e um ferro de engomar
debaixo da minha bermuda
de branco e gasto linho.
Malabares
Talvez por isto mesmo Alcebíades tivesse sempre se mostrado tão resistente ao matrimônio: um bicho que rima com demônio. O tempo passara e fora se convertendo num solteirão convicto. Preferia comprar o amor a prestação nas esquinas da vida a pagar a vista no fórum da cidade. Mas quem lá entende os ínvios caminhos do coração? Já coroa, goiabão, conheceu Gisa. Viera trabalhar como garçonete no bar que ele , na companhia dos amigos , freqüentava quase que diariamente. A relação meramente comercial progrediu para uma amizade mais chegada e terminou em namoro. Os amigos , a princípio, botaram lenha na fogueira, só depois, ao perceber a gravidade do incêndio, começaram a chamar o Corpo de Bombeiros. Um pouco por acreditarem que não era a pessoa mais adequada para ele -- ela já andara esquentando os lençóis de vários da galera , antes do namoro se firmar – e muito pelo temor de perderem o companheiro de noitadas e madrugadas. Os extintores de incêndio, no entanto, chegaram tarde demais. Alcy, como o chamavam os amigos, resolvera definitivamente juntar as escovas de dentes com Gisa, um mês depois de se conhecerem. Afinal, como agora já racionalizava, casamento é como circo ruim, os que estão fora querem entrar para ver o espetáculo e os que estão dentro querem sair. Ele resolvera entupigaitar e subir no picadeiro, afinal, o palhaço, o que é ? O único empecilho agora eram os sinais premonitórios desfavoráveis.
Primeiro sua mãe não engoliu a nora, achou-a vulgar e parecer de mãe soa pior que praga de urubu. No dia do casamento a costureira não entregou o vestido de Gisa a tempo e ela, aos prantos, teve que ir à igreja com uma saia plissada e uma blusinha comum. O padre fez a cerimônia às carreiras e untou os noivos com água benta lançada de um vidro velho de Leite de Rosas. Quase não conseguem, num sábado, encontrar o juiz para proceder ao casamento civil. O meritíssimo estava numa carraspana danada , falava engrolado de não se compreender e junto a cada palavra que emitia aspergia farofa pelos cantos da boca. A noite de núpcias foi transferida praticamente para o banheiro da casinha de Alcy, acredita-se que os salgadinhos de D. Lúcia estavam quiabados, havendo necessidade de uma mudança total na área de serviços de Gisa & Alcy.
Hoje, já velhinhos, Alcy & Gisa contemplam os filhos e netos que se espraiam no quintal de casa e não compreendem como, com tantos sinais premonitórios contrários, estejam juntos por mais de trinta anos. Mesmo depois de alguns arranca-rabos, um sem-número de caras feias e outros tantos pega-prá-capar. Ali estão, próximos, respeitáveis, felizes. Como pôde tudo aquilo acontecer, quando o que se previa era o incêndio vertiginoso do circo ? Inescrutáveis veredas da vida ! Ao invés da catástrofe assistiu-se ao justíssimo equilíbrio dos pés no balanço da corda bamba; às circunvoluções aéreas quase que matemáticas dos malabares e ao encaixe perfeito dos braços no salto de trapézio sem rede de proteção .
J. Flávio Vieira
Dom Expedito Lopes, o santo - por Armando Lopes Rafael

A Diocese de Garanhuns (PE) reabriu, há algum tempo, o processo de canonização de Dom Expedito Lopes, assassinado, a 1º de julho de 1957, como bispo daquela diocese, com três tiros à queima roupa, disparados por um sacerdote a ele subordinado. O motivo de tão bárbaro crime foi o fato de Dom Expedito Lopes ter destituído o padre homicida de suas funções paroquiais, em face do infeliz sacerdote levar uma vida dissoluta, causando escândalo aos seus paroquianos.
A rapidez que se espera no processo de beatificação de Dom Expedito se justifica pelo fato desse bispo ter sido considerado um mártir do dever, o que, pelas normas do Direito Canônico, tem tanto valor quanto os milagres exigidos para comprovar a santidade de um candidato a santo da Igreja Católica.
Quem foi
Dom Francisco Expedito Lopes nasceu na vila de Meruoca, município de Sobral, no Ceará, no dia 8 de julho de 1914. Foi aluno do Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde foi colega e contemporâneo dos monsenhores Pedro Rocha e Francisco Holanda Montenegro, ambos integrantes da diocese de Crato. Quando era bispo de Oeiras (PI), dom Expedito gostava de viajar para o Crato, onde possuía alguns amigos no clero de nossa cidade, e se hospedava no Seminário São José. Tinha particular afeição por Monsenhor Ágio Augusto Moreira, a quem levou, em diversas ocasiões durante as férias escolares do Seminário São José, para auxiliá-lo tanto na Diocese de Oeiras, como na Diocese de Garanhuns.
O então jovem Padre Expedito Lopes ordenou-se em Roma, no dia 30 de outubro de 1938 e, exatos dez anos depois, em 30 de outubro de 1948, era nomeado bispo de Oeiras (Piauí), onde foi, durante seis anos, grande servidor dos pobres, com profundo ardor missionário comprovado no seu ministério pastoral. Em 10 de fevereiro de 1955 foi transferido para a Diocese de Garanhuns. Ali fundou o Instituto das Missionárias de Nossa Senhora de Fátima no Brasil.
Ali, Dom Expedito Lopes foi :
“ o bispo dos Pobres
o bispo do coração mariano
o bispo do perdão"
Exerceu com sabedoria e amor o ministério de Pastor da Diocese de Garanhuns durante dois anos. Viveu a solicitude do Bom Pastor do seu povo, dedicado missionário. Homem de oração. Iluminou sua vida com uma profunda devoção a Nossa Senhora. Destacou-se pela Oração e Penitencia, simplicidade, recolhimento, austeridade consigo mesmo, forte zelo pela Igreja, confirmado pela firmeza de fé e amor em plenitude.
As últimas horas de sua vida foram de oração intensa e testemunho de fé. Rezando profundamente enfrentou com coragem a morte, momentos que revelaram uma vida toda fundamentada na Palavra do Senhor. Dom Expedito experimentou a alegria de perdoar a pessoa que o feriu e ofereceu sua vida pela conversão do sacerdote que o assassinou”.
Dom Expedito Lopes deixou escrito no seu testamento: “Nasci pobre, vivi sempre pobremente e na esperança de vir a morrer sem dinheiro, sem dívidas e sem pecados nada mais tenho a pedir senão que rezem muito para que Nosso Senhor nos conceda SANTOS SACERDOTES”.
Parecia até a premonição do seu martírio, pelas mãos de um padre, seu subordinado...
Para o Brasil, para o Ceará e também para a Diocese do Crato, a quem visitou muitas vezes, é gratificante saber que um Santo viveu em nosso meio. Um santo que soube morrer bem porque viveu bem, e que exalou seu último suspiro, repetindo a frase de São Paulo na Segunda Epístola a Timóteo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé...”
A rapidez que se espera no processo de beatificação de Dom Expedito se justifica pelo fato desse bispo ter sido considerado um mártir do dever, o que, pelas normas do Direito Canônico, tem tanto valor quanto os milagres exigidos para comprovar a santidade de um candidato a santo da Igreja Católica.
Quem foi
Dom Francisco Expedito Lopes nasceu na vila de Meruoca, município de Sobral, no Ceará, no dia 8 de julho de 1914. Foi aluno do Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde foi colega e contemporâneo dos monsenhores Pedro Rocha e Francisco Holanda Montenegro, ambos integrantes da diocese de Crato. Quando era bispo de Oeiras (PI), dom Expedito gostava de viajar para o Crato, onde possuía alguns amigos no clero de nossa cidade, e se hospedava no Seminário São José. Tinha particular afeição por Monsenhor Ágio Augusto Moreira, a quem levou, em diversas ocasiões durante as férias escolares do Seminário São José, para auxiliá-lo tanto na Diocese de Oeiras, como na Diocese de Garanhuns.
O então jovem Padre Expedito Lopes ordenou-se em Roma, no dia 30 de outubro de 1938 e, exatos dez anos depois, em 30 de outubro de 1948, era nomeado bispo de Oeiras (Piauí), onde foi, durante seis anos, grande servidor dos pobres, com profundo ardor missionário comprovado no seu ministério pastoral. Em 10 de fevereiro de 1955 foi transferido para a Diocese de Garanhuns. Ali fundou o Instituto das Missionárias de Nossa Senhora de Fátima no Brasil.
Ali, Dom Expedito Lopes foi :
“ o bispo dos Pobres
o bispo do coração mariano
o bispo do perdão"
Exerceu com sabedoria e amor o ministério de Pastor da Diocese de Garanhuns durante dois anos. Viveu a solicitude do Bom Pastor do seu povo, dedicado missionário. Homem de oração. Iluminou sua vida com uma profunda devoção a Nossa Senhora. Destacou-se pela Oração e Penitencia, simplicidade, recolhimento, austeridade consigo mesmo, forte zelo pela Igreja, confirmado pela firmeza de fé e amor em plenitude.
As últimas horas de sua vida foram de oração intensa e testemunho de fé. Rezando profundamente enfrentou com coragem a morte, momentos que revelaram uma vida toda fundamentada na Palavra do Senhor. Dom Expedito experimentou a alegria de perdoar a pessoa que o feriu e ofereceu sua vida pela conversão do sacerdote que o assassinou”.
Dom Expedito Lopes deixou escrito no seu testamento: “Nasci pobre, vivi sempre pobremente e na esperança de vir a morrer sem dinheiro, sem dívidas e sem pecados nada mais tenho a pedir senão que rezem muito para que Nosso Senhor nos conceda SANTOS SACERDOTES”.
Parecia até a premonição do seu martírio, pelas mãos de um padre, seu subordinado...
Para o Brasil, para o Ceará e também para a Diocese do Crato, a quem visitou muitas vezes, é gratificante saber que um Santo viveu em nosso meio. Um santo que soube morrer bem porque viveu bem, e que exalou seu último suspiro, repetindo a frase de São Paulo na Segunda Epístola a Timóteo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé...”
ATENÇÃO: QUESTÕES DA URCA POSSÍVEIS DE SEREM NULAS
FIGURA DA QUESTÃO 44
5.18. Os candidatos inscritos no Processo Seletivo Unificado 2009.1, poderão recorrer quanto àelaboração/gabarito das provas, mediante preenchimento de requerimento padronizado da CEV, no qual o recorrente especificará o número de inscrição, curso e RG, e indicará claramente a(s) questão(ões) para a(s) qual(ais) solicita revisão, no prazo máximo, de 24 (vinte e quatro) horas após a realização da respectiva prova e da divulgação do respectivo gabarito.5.18.1. O requerimento deverá ser preenchido e entregue na sede da CEV, à Rua Teófilo Siqueira, 684, Crato/Ceará, no horário de 08h00min às 17h00min horas. A CEV não acatará reclamações feitas por terceiros, somente pelos candidatos e/ou entregues em data, local e/ou fora do prazo estabelecido.5.19. Se da análise dos recursos resultar anulação de questão(ões), a pontuação correspondente a essa(s) questão(ões) será atribuída a todos os candidatos, independentemente de terem recorrido.
AS QUESTÕES ABAIXO FORAM ANALISADAS PELO PROFESSOR, JOÃO LUDGERO, ONDE O MESMO AUTORIZA QUE QUALQUER CANDIDATO POSSA FAZER USO DAS MESMAS PARA REQUERER POSSÍVEL ANULAÇÃO.
43. URCA/CE (2009.1). Analise as proposições sobre a formação do pensamento e da ciência geográfica.
44.URCA/CE (2009.1).Observando a seqüência de figuras, é correto afirmar que:
FIGURA NO INÍCIO
a)Representa os dobramentos modernos onde os terrenos são soerguidos pelos movimentos das placas tectônicas.
57. URCA/CE (2009.1) Sobre a chapada do Araripe marque a alternativa INCORRETA:
Façam uso dos seus direitos, reinvidiquem pois assim estaremos melhorando cada vez mais nossa tão estimada Universidade.
Saudações Geográficas!
João Ludgero
Vestibulandos disponibilizo para vocês questões de geografia que podem ser nulas, basta vocês seguirem o que rege os pontos do Edital abaixo e pedir apreciação.
5.18. Os candidatos inscritos no Processo Seletivo Unificado 2009.1, poderão recorrer quanto àelaboração/gabarito das provas, mediante preenchimento de requerimento padronizado da CEV, no qual o recorrente especificará o número de inscrição, curso e RG, e indicará claramente a(s) questão(ões) para a(s) qual(ais) solicita revisão, no prazo máximo, de 24 (vinte e quatro) horas após a realização da respectiva prova e da divulgação do respectivo gabarito.5.18.1. O requerimento deverá ser preenchido e entregue na sede da CEV, à Rua Teófilo Siqueira, 684, Crato/Ceará, no horário de 08h00min às 17h00min horas. A CEV não acatará reclamações feitas por terceiros, somente pelos candidatos e/ou entregues em data, local e/ou fora do prazo estabelecido.5.19. Se da análise dos recursos resultar anulação de questão(ões), a pontuação correspondente a essa(s) questão(ões) será atribuída a todos os candidatos, independentemente de terem recorrido.
AS QUESTÕES ABAIXO FORAM ANALISADAS PELO PROFESSOR, JOÃO LUDGERO, ONDE O MESMO AUTORIZA QUE QUALQUER CANDIDATO POSSA FAZER USO DAS MESMAS PARA REQUERER POSSÍVEL ANULAÇÃO.
43. URCA/CE (2009.1). Analise as proposições sobre a formação do pensamento e da ciência geográfica.
(1) Na Idade Média, na Grécia Antiga; Heródoto, Hipocrates e Aristóteles, entre outros analisaram a dinâmica dos fenômenos naturais, elaboraram descrições de paisagens e estudaram a relação homem natureza.
(2) Foi em meados do século XIX, graças aos trabalhos de dois pesquisadores franceses, Humboldt e Ritter, que a geografia foi fundada como ciência, com a gradativa sistematização do seu arcabouço teórico metodológico.
(3) Apesar de ter tido um importante papel no desenvolvimento da ciência geográfica, a geografia tradicional nos legou um ensino escolar centrado na memorização de mapas e dados estatísticos sobre população e economia, juntamente com as características físicas de clima, relevo, vegetação e hidrografia.
(4) Com o fim do socialismo real, houve uma redução da influência do marxismo nas ciências humanas, o que possibilitou a difusão de outras correntes teórico-metodológicas na geografia critica, como a fenomenologia e o existencialismo, ao mesmo tempo em que as correntes criticas passaram a valorizar as novas tecnologias – computadores, satélites etc. – na interpretação do espaço geográfico.
(5) Após três décadas de renovação e com o avanço da globalização, o crescimento de problemas como os conflitos étnicos, a questão ambiental, os movimentos terroristas, as crises financeiras etc, consolida-se a certeza de que a geografia é uma disciplina fundamental para a compreensão do mundo contemporâneo nas escalas local, nacional e mundial.Marque a alternativa correta:
a) Todas as alternativas estão corretas
b) As alternativas 1 e 2 estão erradas e 3, 4 e 5 estão corretas.
c) As alternativas 1,3,4 e 5 estão corretas, e 2 está errada.
d) As alternativas 2, 3,4 e 5 estão corretas e 1 está errada.
e) As alternativas 1, 2, 3 e 5 estão erradas e 4 está correta.
COMENTÁRIO – GABARITO – B
O tópico 01 é incorreeto pois todos os pensadores citados não vivenciaram a idade média como se pode constatar, e o mais ridículo é que todos eles não desenvolveram trabalho ligados diretamente ao conheciemtno geográfico, também como pode-se contatar, pois, Heródoto foi um historiador grego, continuador de Hecateu de Mileto, nascido no século V a.C. (485?–420 a.C.), Hipócrates(Cós, 460–Tessália, 377 a.C.) é considerado por muitos uma das figuras mais importantes da história da saúde, frequentemente considerado "pai da medicina", e Aristóteles nasceu em Estagira, na Calcídica (384 a.C. - 322 a.C.). Filósofo grego e criador do pensamento lógico.
O tópico 02 por sua vez se torna incorreto porque Friedrich Heinrich Alexander, Barão de Humboldt (14 de setembro de 1769, Berlim — 6 de maio de 1859, Berlim), mais conhecido como Alexander von Humboldt, foi um naturalista e explorador alemão, tendo lançado as bases de ciências como a Geografia, Geologia, Climatologia e Oceanografia, e Karl Ritter (7 de agosto de 1779, Quedlinburg – 28 de setembro de 1859, Berlim) foi um geógrafo alemão de gande importância para a geografia humana. Sendo não são Franceses. É isso mesmo tópico tipicamente decorebae de uma fase positivista da geogafia, onde valorizou onde eles nasceram, do que eles representaram para ciência geográfica.
O tópico 03 está correto, lembrando que a Geografia tradicional a qual se refere, é a Geografia do século XIX, representada pelas escolas Determinista, Possibilista e o Método Regional, que tinha em comum o Positivismo “comtiano”.
O tópico 04 – Não concordamos plenamente com o tópico, concordamos quando o elaborador diz que junto a corrente da Geografia Nova ou Geografia Crítica, houve uma difusão de outras correntes teórico-metodológicas como a fenomenologia e o existencialismo entendo que a existência e a experiência são complexas e abordá-las pela Fenomenologia significa uma busca “das coisas mesmas”, no sentido de apreender a existência antes do mundo. Já atribuir a valorização de nova tecnologias por parte da corrente crítica é um equívoco primário, pois sabemos quem valorizar o uso de dados estatísticos, imagens de satélite, ou seja a quantificação da Geografia é marca e valorização da Nova Geografia, que continua com a fundamentação filosófica da Geografia Tradicional mascarada por um Neopositivismo, sendo assim não tem Ada haver com a Geografia Nova, também denominada de Crítica, Marxista e Radical, pois essa traz consigo alguns marcos históricos destacam-se como emblemáticos e precursores da Geografia Crítica no Brasil. O principal deles; o Encontro Nacional de Geógrafos Brasileiros, em 1978, promovido pela AGB-Fortaleza, teve como principal tema de discussão a Geografia Crítica, baseada na publicação do livro de Yves Lacoste, “A Geografia: Isso serve antes de mais nada para fazer a guerra”, livro este considerado um marco para a Geografia Crítica mundial.Esse movimento adotou o método do materialismo histórico dialético para os estudos geográficos e para a abordagem dos conteúdos de ensino da Geografia. A chamada Geografia Crítica, como linha teórico-metodológica do pensamento geográfico, deu novas interpretações aos conceitos geográficos e ao objeto de estudo da Geografia, trazendo as questões econômicas, sociais e políticas como fundamentais para a compreensão do espaço geográfico. Não se trata de valorizar e sim fazer uso quando necessário, como já foi dito quem valorizou tal recursos foi a Geografia Nova, denominada também de Teorética ou pragmática.O tópico 05 está correto, pois a Ciência que se propõe compreender o Espaço Geográfico a partir das relações da sociedade com a natureza, mediatizada pelo trabalho, deixa claro a importância dos pensadores do Espaço.OBS: O item 04 torna-se incorreto por falta de clareza, ou no mínimo ele se encontra confuso, confundindo assim o vestibulando, cabendo pedido de análise e possível anulação. Pois o mesmo sendo incorreto não temos opção.
44.URCA/CE (2009.1).Observando a seqüência de figuras, é correto afirmar que:
FIGURA NO INÍCIO
a)Representa os dobramentos modernos onde os terrenos são soerguidos pelos movimentos das placas tectônicas.
b)Constituem, respectivamente, 1ª) planície, 2ª) falha e 3ª) dobramento.
c)Representa a evolução de um relevo dobrado, com grande deformação.
d)São manifestações típicas de um movimento tectônico que ocorre somente em áreas de rochas sedimentares areníticas.
e)Apresentam o resultado de forças centrais que podem ocorrer em uma estrutura rochosa sedimentar que possui grande plasticidade.
COMENTÁRIO – GABARITO – C
Questão passiva de ser NULA, pois o bloco diagrama deixa claro que se trata de um movimento vertical denominado de Epirogênese, pois na figura 2 esta mostrando claramente uma Diáclase ou Fratura, originando assim respectivamente um HORST(território elevado em relação ao território vizinho por ação de movimentos tectónicos) e um GRABEN (fossa tectônica).
OBS: Questão incorreta pois o bloco diagrama não corresponde ao conceito proposto na alternativa C, cabendo assim pedido de análise e possível anulação. Pois não temos opção correta.
OBS: Questão incorreta pois o bloco diagrama não corresponde ao conceito proposto na alternativa C, cabendo assim pedido de análise e possível anulação. Pois não temos opção correta.
53. URCA/CE (2009.1) Leia o trecho da musica de Vital Farias.
“Num lugar que havia mata
hoje há perseguição
só pra roubar seu chão
castanheiro, seringueiro
já viraram até peão.
[...]
Pois mataram o índio que
matou primeiro
que matou o posseiro
disse o castanheiro
para o seringueiro
que o estrangeiro
roubou seu lugar”
(Vital Faria, Saga da Amazônia).
I.O trecho da música retrata um aspecto do conflito pela terra típicos das áreas de fronteira agrícola do território brasileiro entre os grandes latifundiários que usam a terra para reproduzir seu capital; os trabalhadores agrícolas que tiram da terra as condições mínimas de sobrevivências e os índios que a usam para o fornecimento da caça, pesca e produtos agrícolas.
II.A ampliação das áreas apropriadas por estabelecimentos agrícolas não implica na redução das áreas de sobrevivência das tribos indígenas. Portanto tal ampliação pode ser feita sem conflitos.
III.Entre o latifundiário e o indígena, temos a figura do posseiro, geralmente expulso de seu lugar de origem pela fome, pelo desemprego ou pela invasão de suas terras por latifundiários, que buscam as terras livres; as terras sem donos.
IV.A terra sem dono, entretanto é a terra indígena. O conflito se estabelece: os posseiros matam os índios, derrubam as matas, incorporam novas terras ao mercado. Nesse momento vêm os latifundiários, armados com jagunços e títulos legais que comprovam serem os posseiros meros invasores. Esse é o segundo momento do conflito. Espremido entre jagunços e ordens judiciais, por um lado, e índios por outro, o posseiro geralmente prefere enfrentar os índios, abre novas frente de trabalho, coloca fronteiras em movimentos para ser expulso alguns anos depois.
Após análise do enunciado da questão marque a opção correta:
a) A alternativa I está correta, a II esta errada e III e IV estão corretas e não se completam.
b) As alternativas I e II estão corretas e III e IV se completam
c) As alternativas I, II, III e IV estão corretas e se completam.
d) A alternativa I está correta, a II está errada e III e IV estão corretas e se completam.
e) As alternativas I e II estão erradas e III e IV estão corretas e se completam.
COMENTÁRIO – GABARITO – D
Não concordamos quando o elaborador considera no tópico IV que os títulos apresentados pelos latifundiários após invasão dos posseiros seja legais, pois sabemos que os mesmo são frutos de um esquema ilegal que envolve os grileiros e donos de cartórios que falsificam escrituras de terras devolutas, sendo assim estes títulos não são legais. Diante do exposto não existe alternativa, sendo assim a questão é merecedora de análise e possível anulação.
a) O desmatamento e as queimadas estão alterando o equilíbrio do ciclo hidrológico local, fazendo com que um elevado número de fontes hídricas subterrâneas localizadas no borde da chapada sequem.
b) A especulação imobiliária que leva a uma expansão residencial, aliada a uma urbanização desorganizada em direção a chapada do Araripe no Estado do Ceará, principalmente na zona do cariri (Crato e Barbalha), se constitui, sem dúvidas, num dos maiores problemas ambientais dessa sub-região.
c) Apesar da sua riqueza paisagística natural, a chapada do Araripe é uma das sub-regiões que não tem sofrido impactos ambientais, principalmente em função de forte consciência ecológica e uma eficiente fiscalização ambiental.
d) Muitos sítios, clubes e mansões de particulares têm represado águas originadas das fontes da chapada, modificando assim o escoamento hídrico superficial.
e) A mineração no alto da chapada (Nova Olinda e Santana do Cariri) através da exploração e beneficiamento do calcário laminado, além de alterar a paisagem, causa profunda poluição atmosférica e hídrica.
COMENTÁRIO – GABARITO – C
Não concordamos com a afirmação da alternativa (e) quando coloca os municípios de Santana do Cariri e Nova Olinda no Alto (topo), que na verdade se encontra na Depressão Sertaneja da Chapada do Araripe a 475 m de altitude, como também o município de Nova Olinda esta a 445 m de altitude e também se encontra na Depressão Sertaneja da Chapada do Araripe. Fonte - GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ - SECRETARIA DO PLANEJAMENTO E GESTÃO (SEPLAG) - Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE). Diante do exposto pedimos análise e possível anulação da questão pois a mesma encontra-se com duas alternativas incorretas.
Façam uso dos seus direitos, reinvidiquem pois assim estaremos melhorando cada vez mais nossa tão estimada Universidade.
Saudações Geográficas!
João Ludgero
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Prestação de Serviço
O impossível acontece: Lula consegue unir "esquerda" e "direita" na Itália
ManifestaçãoPolíticos italianos protestam em frente à embaixada do Brasil por caso Battisti
Com uma série de atos simbólicos diante das sedes diplomáticas do Brasil na Itália, vários políticos italianos protestaram nesta quinta-feira contra a decisão de Brasília, que decidiu conceder asilo ao ex-ativista Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália.
Reunidos em frente à elegante sede da embaixada brasileira em Roma, quatro manifestantes deitaram no chão e se cobriram com lençóis manchados de vermelho, representando os quatro assassinatos pelos quais Battisti foi condenado na Itália, informou a rede de notícias Sky TG24. O ato foi organizado por dois pequenos partidos de tendências opostas: o Itália dos Valores, de esquerda, fundado pelo ex-juiz anticorrupção Antonio di Pietro, e o Movimento pela Itália, de extrema direita, criado pela ex-deputada Daniela Santanché, que liderou o protesto de Milão, no norte do país. Os manifestantes de Roma carregavam cartazes com dizeres como "Battisti assassino" e "Lula defende os terroristas".
"Continuaremos protestando até que ele seja extraditado", declarou Stefano Pedica, senador do Itália dos Valores, que acusou o chanceler italiano, Franco Frattini, de "titubear" diante da firme resposta brasileira ao defender a decisão de seu ministro da Justiça ao conceder status de refugiado político a Battisti. A ex-deputada Santanché se manifestou ao lado de Alberto Torregiani, que ficou tetraplégico aos 15 anos de idade em um atentado, atribuido a Battisti, que matou seu pai, Pierluigi Torregiani, em fevereiro de 1979. "Pedimos justiça para nós e para todos os italianos", disse Torregiani. "Estamos orgulhosos deste protesto transversal, que une representantes de setores políticos completamente diferentes", comentou, por sua vez, Fabio Sabbatani Schiuma, do partido de Santaché.
AFP
AFP
(Fonte: "O Povo", Fortaleza, 23-01-2009)
Gesto Obsceno

Rejane Gonçalves
Não preciso dizer o que foi feito de minha vida sem Quasímodo. Todas as manhãs eu me lembro dos sonhos que à noite não me deixam dormir; o repetitivo sopro da boca de velhos, jovens, crianças, bebês e até mesmo fetos, a me assanhar os cabelos, a abrir caminhos nos meus ouvidos, a voz lamuriosa a me dizer com a boca emprestada de Quasímodo, as palavras num cata-vento, numa dança, num rodopio: escrevo como quem morre em casa, a vida teimando em não sair do quarto, a mãe aos prantos à cabeceira, o zelo dos amigos sentado no sofá da sala, o desespero dos que saem para fumar lá fora e deixam recomendado, qualquer coisa avisem.
Quasímodo sentou-se ao meu lado, mostrou as costas das mãos uma vez aos céus, uma vez à terra. Queria sentir a água que deveria aparecer num fino chuvisco, o suficiente para afastar as pessoas da praça, deixando-a só. Para nós. Somente ele e eu.
Batia-me nos braços quando os agitava um pouco e me chutava os pés se não os mantivesse cruzados. Tempos vão chegar em que dois pedaços de corda, retirados de um dos seus múltiplos bolsos, me imobilizariam pés e mãos e uma mordaça feita com o cachecol enrolado em sua cintura me vedaria a boca. Quasímodo, não se enganem, é a encarnação da delicadeza; apenas não suporta a atenção dos outros debruçada sobre ele ou sobre mim. Fiz o possível para matar, em Quasímodo, esses costumes, e por não conseguir, deixava que os soltassem e me prendesse. Só me rebelei no dia em que ele retirou a faixa que lhe prendia as pontas da trança e quis me vendar com o pano sujo de marrom. Não que eu tivesse medo de me ver cega, ou nojo do tecido quase petrificado de poeira, ou pavor das duas serpentes entrelaçadas, meio adormecidas na grande curvatura de suas costas, ou pesar de expor meu olfato, tão sensível, ao mau cheiro; o que me mortifica mesmo, não se enganem, é não ver Quasímodo; a única criatura que silenciosamente ouve e só depois pensa e passado muito tempo decide: eu falo. Eu não falo.
Na tarde enoitecida, senti na ponta do queixo o toque das mãos chuviscadas. Vejam, no deserto, Quasímodo senta-se ao meu lado e elas erguem meu rosto, obrigam-me a olhar para ele. Posso ter me enganado. Isto me acontece com freqüência, já a vocês, não. Ouçam, a voz me invadindo, há pouco, pertence a ele? O odor, eu sei, é o dele, e a hora de me chegar, também. Descubro alucinada que nunca o ouvi falar. Não conheço a voz de Quasímodo. Acabo de me dar conta de que não sei se ela é aguda ou grave, indiferente ou afetuosa. Vocês sabem, não me enganem. O que ele disse, as perguntas que, me asseguram, ele fez, e todos, sem exceção, tratam de repetir, poderiam ter sido estas, embora o tom não possua nenhuma parecença com a voz de Quasímodo, a qual, eu afirmo, nunca ouvi: não te perdes nos atalhos de minha escrita curvilínea, não tombas ao peso da pena que se entorta, não te cortas, de vez em quando, na aspereza dos traços, não manchas os dedos de sangue nos inúmeros ferimentos do papel, não percebes o ímã a me puxar a cabeça para baixo, a curvar meu pescoço, envergando-me o tronco, eu, Quasímodo, um arco, cuja corda posta ao rés do chão dificulta, ou mesmo subtrai para todo o sempre a oportunidade do arremesso; mesmo os menos ousados. Afirma, ainda, a boca de todos vocês num movimento uníssono que Quasímodo escreve como quem morre em casa. Eu que vivo sentada ao lado dele, confesso desconhecer por completo sua escrita. Nunca li Quasímodo. Ele nunca nada me mostrou.
Ainda conservo posto em minhas mãos o rosto dele nessa tarde de não mordaça. Antes de falar penso, por um longo tempo, se não deveria ter pousado meus cinco sentidos nas janelas e portas onde vocês habitam. Calculei mal a passagem das horas; vendadas estariam portas e janelas e meus olhos abertos não veriam ninguém. De qualquer maneira, fiz uso desnecessário de um pensamento quase matemático, pois múltiplas são as portas e as janelas, até mais que os bolsos de Quasímodo. Daí, consternada, eu lhe disse por trás da porta de um sorriso fechado: se te mortifica tanto escrever como quem morre em casa, se a pena, no percurso entre o tinteiro e o papel, sob tal peso, entorta, posso te livrar da casa.
Quasímodo puxou-me a corda das mãos e dos pés, olhou-me demoradamente a boca, como a certificar-se se ela estava ou não amordaçada e colocou nos bolsos, um muito distante do outro, os dois pedaços de corda. Levantou-se, antes que no relógio o tempo ditasse a hora, e com ele foi arremetida toda a sinuosidade de sua figura oblonga. Eu quis falar que não fizera por mal, fora apenas uma idéia absurda, tentativa desesperada de descobrir que poesia há em não ser Quasímodo, engano inocente em noite de pouca lua e muita ou nenhuma mordaça; eu quis dizer, eu quis muito dizer: teria sido na verdade a maior prova do meu amor por ti.
A última vez em que vi Quasímodo foi por partes. Metade e meia de sua figura já haviam dobrado a esquina; o pouco que sobrara ergueu um dos braços, lançou-o rápido e com desenvoltura para trás; pensei se não queria se desfazer dele, do braço, ou livrá-lo da manga suja do casaco encardido, ou deixá-lo ali para que eu o recolhesse, ou se não poderia ser apenas o gesto corriqueiro da cobra que some e larga a pele. Naquele mesmo braço, a mão estirou os cinco dedos, logo depois quatro deles desapareceram feito tivessem sido decepados e o dedo médio elevou-se em riste, esticou-se até que de todo fosse esgotada a capacidade de sua compridez.
Outubro/2008
Não preciso dizer o que foi feito de minha vida sem Quasímodo. Todas as manhãs eu me lembro dos sonhos que à noite não me deixam dormir; o repetitivo sopro da boca de velhos, jovens, crianças, bebês e até mesmo fetos, a me assanhar os cabelos, a abrir caminhos nos meus ouvidos, a voz lamuriosa a me dizer com a boca emprestada de Quasímodo, as palavras num cata-vento, numa dança, num rodopio: escrevo como quem morre em casa, a vida teimando em não sair do quarto, a mãe aos prantos à cabeceira, o zelo dos amigos sentado no sofá da sala, o desespero dos que saem para fumar lá fora e deixam recomendado, qualquer coisa avisem.
Quasímodo sentou-se ao meu lado, mostrou as costas das mãos uma vez aos céus, uma vez à terra. Queria sentir a água que deveria aparecer num fino chuvisco, o suficiente para afastar as pessoas da praça, deixando-a só. Para nós. Somente ele e eu.
Batia-me nos braços quando os agitava um pouco e me chutava os pés se não os mantivesse cruzados. Tempos vão chegar em que dois pedaços de corda, retirados de um dos seus múltiplos bolsos, me imobilizariam pés e mãos e uma mordaça feita com o cachecol enrolado em sua cintura me vedaria a boca. Quasímodo, não se enganem, é a encarnação da delicadeza; apenas não suporta a atenção dos outros debruçada sobre ele ou sobre mim. Fiz o possível para matar, em Quasímodo, esses costumes, e por não conseguir, deixava que os soltassem e me prendesse. Só me rebelei no dia em que ele retirou a faixa que lhe prendia as pontas da trança e quis me vendar com o pano sujo de marrom. Não que eu tivesse medo de me ver cega, ou nojo do tecido quase petrificado de poeira, ou pavor das duas serpentes entrelaçadas, meio adormecidas na grande curvatura de suas costas, ou pesar de expor meu olfato, tão sensível, ao mau cheiro; o que me mortifica mesmo, não se enganem, é não ver Quasímodo; a única criatura que silenciosamente ouve e só depois pensa e passado muito tempo decide: eu falo. Eu não falo.
Na tarde enoitecida, senti na ponta do queixo o toque das mãos chuviscadas. Vejam, no deserto, Quasímodo senta-se ao meu lado e elas erguem meu rosto, obrigam-me a olhar para ele. Posso ter me enganado. Isto me acontece com freqüência, já a vocês, não. Ouçam, a voz me invadindo, há pouco, pertence a ele? O odor, eu sei, é o dele, e a hora de me chegar, também. Descubro alucinada que nunca o ouvi falar. Não conheço a voz de Quasímodo. Acabo de me dar conta de que não sei se ela é aguda ou grave, indiferente ou afetuosa. Vocês sabem, não me enganem. O que ele disse, as perguntas que, me asseguram, ele fez, e todos, sem exceção, tratam de repetir, poderiam ter sido estas, embora o tom não possua nenhuma parecença com a voz de Quasímodo, a qual, eu afirmo, nunca ouvi: não te perdes nos atalhos de minha escrita curvilínea, não tombas ao peso da pena que se entorta, não te cortas, de vez em quando, na aspereza dos traços, não manchas os dedos de sangue nos inúmeros ferimentos do papel, não percebes o ímã a me puxar a cabeça para baixo, a curvar meu pescoço, envergando-me o tronco, eu, Quasímodo, um arco, cuja corda posta ao rés do chão dificulta, ou mesmo subtrai para todo o sempre a oportunidade do arremesso; mesmo os menos ousados. Afirma, ainda, a boca de todos vocês num movimento uníssono que Quasímodo escreve como quem morre em casa. Eu que vivo sentada ao lado dele, confesso desconhecer por completo sua escrita. Nunca li Quasímodo. Ele nunca nada me mostrou.
Ainda conservo posto em minhas mãos o rosto dele nessa tarde de não mordaça. Antes de falar penso, por um longo tempo, se não deveria ter pousado meus cinco sentidos nas janelas e portas onde vocês habitam. Calculei mal a passagem das horas; vendadas estariam portas e janelas e meus olhos abertos não veriam ninguém. De qualquer maneira, fiz uso desnecessário de um pensamento quase matemático, pois múltiplas são as portas e as janelas, até mais que os bolsos de Quasímodo. Daí, consternada, eu lhe disse por trás da porta de um sorriso fechado: se te mortifica tanto escrever como quem morre em casa, se a pena, no percurso entre o tinteiro e o papel, sob tal peso, entorta, posso te livrar da casa.
Quasímodo puxou-me a corda das mãos e dos pés, olhou-me demoradamente a boca, como a certificar-se se ela estava ou não amordaçada e colocou nos bolsos, um muito distante do outro, os dois pedaços de corda. Levantou-se, antes que no relógio o tempo ditasse a hora, e com ele foi arremetida toda a sinuosidade de sua figura oblonga. Eu quis falar que não fizera por mal, fora apenas uma idéia absurda, tentativa desesperada de descobrir que poesia há em não ser Quasímodo, engano inocente em noite de pouca lua e muita ou nenhuma mordaça; eu quis dizer, eu quis muito dizer: teria sido na verdade a maior prova do meu amor por ti.
A última vez em que vi Quasímodo foi por partes. Metade e meia de sua figura já haviam dobrado a esquina; o pouco que sobrara ergueu um dos braços, lançou-o rápido e com desenvoltura para trás; pensei se não queria se desfazer dele, do braço, ou livrá-lo da manga suja do casaco encardido, ou deixá-lo ali para que eu o recolhesse, ou se não poderia ser apenas o gesto corriqueiro da cobra que some e larga a pele. Naquele mesmo braço, a mão estirou os cinco dedos, logo depois quatro deles desapareceram feito tivessem sido decepados e o dedo médio elevou-se em riste, esticou-se até que de todo fosse esgotada a capacidade de sua compridez.
Outubro/2008
REJANE é amiga e desde os tempos de Recife tenho uma admiração pelo que escreve e pelo que não escreve ainda.
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