TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Pré-temporada


Charge de Duke para o Super Notícia (MG)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Hamurábi Batista – Um artista ponteiro




Os pontos de cultura é uma invenção que deu certo. Um dos exemplos vem de Juazeiro do Norte trata-se do Ponto de Cultura Mestre Noza que é gerido pelo ponteiro Hamurábi Batista. Neste Ponto de Cultura, os artistas agora tem a possibilidade de ter acesso gratuito a rede mundial de computadores, além de puderem fazer o registro dos seus trabalhos e isso é conseqüência do trabalho dedicado que vem sendo desenvolvido pelo artista visual e poeta Hamurábi, que recentemente ingressou no Partido Comunista do Brasil – PCdoB.


Alexandre Lucas - Quem é Hamurabi Batista?


Hamurábi Batista - Poeta, xilógrafo, bicho do mato, fruto da década mentirosa, pós ditadura, punk da década de 80 em Juazeiro do Norte.


Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?


Hamurábi Batista - 1980, imprimindo as xilos gravadas pelo pai, em seu ateliê no fundo do quintal. No mesmo ano passou a escrever poesias nas capas dos cadernos, motivado pelas aulas de português e literatura do ginásio. Também passou a modelar com argila.


Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?


Hamurábi Batista - O dia-a-dia, o rock’n roll, o jazz, o blues, os telejornais, a cultura popular, Augusto dos Anjos, Drummond, Bandeira, Abraão Batista, Mestre Noza, Chico Buarque de Holanda... Tom Zé, revolução.

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?


Hamurábi Batista - A arte é livre, e penetra como o vento em todos os lugares que dêem passagem. Todas as coisas são boas, ruim é quem usa. A arte como instrumento formador de opinião, gerador da revolução. Tudo é política, a arte está em tudo. Reprovável podem ser as atitudes das pessoas, sejam na política, na arte, no convívio, no trabalho...

Alexandre Lucas - Seu trabalho é uma mistura do contemporâneo com o popular?


Hamurábi Batista - Exatamente, tudo que faço é resultado disso. Nasci em 1971, um dos piores anos da ditadura, fui adolescente na transição pra a “democracia”, então, acho estar ali o início da fusão. Não posso deixar de lado a tradição popular. Aquilo que mais quis provar era a liberdade de ser uma pessoa íntegra sem a necessidade de seguir padrão forjado pela ditadura, ou por preconceitos. As pessoas mais legais, são as mais simples... não dá para largar isso: o simples e o complexo, o antigo e o moderno. Uma coisa só existe em oposição a outra. Só existe o “sim” por causa da existência do “não”...


Alexandre Lucas - O que representa para você estar no comando do Centro de Cultura Mestre Noza?


Hamurábi Batista - Poxa, muito massa, sou um cara que dá maior valor para as coisas feitas das formas mais rudimentares, sem obrigação de utilizar os recursos modernos. A Associação dos Artesãos de Juazeiro do Norte, da qual sou presidente eleito pela assembléia geral, é exatamente isso, a auto gestão. Procuro integrar meu conhecimento, e minha escolaridade ao movimento, posso ajudar bastante, já conquistamos boas coisas juntos. O Centro Cultural Mestre Noza, gerido pela associação é esplêndido, magnífico, pua que palavras quando podemos constatar pessoalmente? Visite-nos: rua s. Luis, 96 (antigo quartel) centro.

Alexandre Lucas - Quais os desafios do Centro de Cultura Mestre Noza?

Hamurábi Batista - Todos os desafios estão ligados a um: o escoamento da produção. Este é o foco. Não adianta nada se não superarmos a dificuldade de comercialização dos nossos produtos, não dá nem pra pensar com fome, com dívidas, com planos adiados, frustrações...

Alexandre Lucas - Qual a importância do Centro de Cultura Mestre Noza ser Ponto de Cultura?

Hamurábi Batista - INTEGRAÇÃO, E INTERAÇÃO COM OS DIVERSOS SETORES, LINGUAGENS, E TIPOLOGIAS DA CULTURA E DA ARTE, POR MEIO DA REDE ESTADUAL E/OU NACIONAL DOS PONTOS DE CULTURA, O RECONHECIMENTO POR PARTE DOS GOVERNOS ESTADUAL E FEDERAL, AS OPORTUNIDADES E PERSPECTIVAS QUE SURGIRAM, E PODERÃO SURGIR A CURTO E MÉDIO PRAZOS, INCLUSÃO SOCIAL.


Alexandre Lucas - O Brasil vive um novo momento de caráter progressista na área das políticas públicas para a cultura. Como você percebe essa nova conjuntura?


Hamurábi Batista - Importante demais o fato dos recursos públicos para a cultura estarem passando pelas mãos das comunidades culturais, e dos artistas, através dos editais. Há muitas críticas sobre essa política. Vamos avançar sim, lógico. Vejo que antes não tínhamos nada além do abandono e da indiferença. Vamos em frente aprimorar isso conquistado. Buscar formas mais viáveis, eficazes, inclusivas. Há muita gente ainda sem saber escrever projetos, há muitos compatriotas ainda movidos pelo rancor, pelas seqüelas, vamos incluí-los, vamos libertá-los, já!...


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho, enquanto artista?


Hamurábi Batista - Procuro fazer com que as pessoas tenham a liberdade de utilizar o recurso proibido à minha geração: o pensamento, a libertação do preconceito, o rompimento das amarras. Busco a pitada, apimentada, o tempero para tornar mais quente, mais penetrante, mais perigoso aos decreptos.


Alexandre Lucas - Você agora é comunista?


Hamurábi Batista - Vou responder com uma poesia:

O QUAISQUERES

Qualquer coisa eu sou um monossílabo

Dividido em qualquer rima

Desigual

Qualquer ISTA que eu não seja

Natural

Sou um EIRO

Qualquer e impossível

Um talvez

Um tampouco

Ou um total

Numa medida qualquer

Que for possível.

Hamurábi

O velho punk com tendências anarquistas dos anos 80, recém filiado ao PC do B, simpatizante de Trotsky, puto da vida com Stalin, apaixonado por Dilma.

É isso aí, é isto aqui: artesanato é meio comunista, é auto gestão, é Canudos, é Caldeirão.


Alexandre Lucas - Como você ver a atuação do Coletivo Camaradas?


Hamurábi Batista - Poxa, tenho o Coletivo Camaradas como referência. Adquiri quando estudava na Urca, Letras. Do pouco que se salva naquela bodega. Com todo respeito aos colegas professores, e aos companheiros estudantes. O Coletivo Camaradas sempre será pra mim uma grande referência daquilo que há de bom.

Belas tardes chuvosas de domingo, pra fotografar!

Do barro Deus fez as crianças e a bola para elas brincarem!

E tá "nebrinando" ?!

Bola dentro na Cultura!

A ministra da Cultura Anna Holanda acerta o passo quando chama para a assessoria do ministério que conduz, duas pessoas cultas, lúcidas, criativas e honestas que conhecemos de perto e já deram provas do seu valor pelas bandas de cá: Claudia Leitão e Henilton Menezes serão grandes aliados, também, do Cariri nos projetos que poderemos propor.

Cláudia Leitão - Ex - Sec. Cultura do Ceará

Secretária da Economia Criativa: Cláudia Leitão, doutora em Sociologia pela Université de Paris V, é professora do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Sociedade da Universidade Estadual do Ceará (UECE), onde lidera o Grupo de Pesquisa sobre Políticas Públicas e Indústrias Criativas. Foi Secretária da Cultura do Estado do Ceará no período de 2003 a 2006.




Henilton Menezes - Ex Gerente Cultura BNB

Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura: Henilton Menezes, produtor cultural e consultor para elaboração de projetos. Foi gerente da área de cultura do Banco do Nordeste, sendo responsável pela criação e desenvolvimento do Programa BNB de Cultura, edital de patrocínios culturais e pela instalação da rede de centros culturais da estatal. É secretário de Fomento e Incentivo à Cultura desde o início de 2010.

ções:

A Língua e o Tempo.

Diz-se que "a língua é viva", observando-se que, com o passar do tempo o idioma sofre mutações inevitáveis. O Latim que conhecemos e que uma geração anterior à minha estudou, era um Latim popular que teria sobrevivido à derrocada do Império Romano.
Nossa língua brasileira, filha da Portuguesa e neta daquele Latim, sofreu recentemente mais uma modificação ortográfica.
Infelizmente aprovada uma simplificação e adaptação para unificá-la a todos os países lusófonos.
Sempre que ocorre uma mudança dessas, fico triste ao perceber que é promovido um empobrecimento da língua, no que diz respeito à sua grande capacidade expressiva.
Gosto de nossa língua. Com ela aprendi e aprendo a expressar e conhecer o mundo. E, enquanto poeta, percebo e utilizo sua potencialidade de expressão.
Notem meu esforço no poema abaixo para indicar a acentuação das palavras, para que tenham a leitura desejada.

Forma & Forma

Abobrinha, macaxeira, açafrão,

Cebolinha, manjerona e jerimum,

Berinjela com alface e almeirão,

Alcachofra com farofa e guaiamum


Escarola, mandioca e pimentão

Batatinha, rabanete com ervilha

Beterraba, acelga, manjericão

Couveflor cambuquira com lentilha


Na forma de pão faço tijolo (^)

Na forma de tijolo faço pão (^)

Se na forma sem beleza, sem consolo (´)


Faço tudo que quiser minha intenção

Pois na forma e na forma cabe tudo (^), (´)

Mas nem sempre sentimento e emoção.

E-mail recebido de Brandão, que tomei licença para publicar.

BÁRBARA DE ALENCAR, A PRIMEIRA PRESIDENTE NO BRASIL

Em 2009, visitei o cárcere de Bárbara de Alencar, no centro histórico da cidade de Fortaleza. Em casa, vendo as fotos do lugar, não pude me furtar a lhe dedicar um poema. Há uma força estranha que se emana dali, um grito da história e da dor humana. Muitas vezes, lembrando-me do cárcere, incomum, à flor da terra, mas de pedra, pesado, vi-me murmurando: “O túmulo de Bárbara...” Logo em seguida corrigia-me, mas pensava primeiro em túmulo.

Eis o poema “O cárcere de Bárbara de Alencar”, eis como retratei aquele ambiente de sofrimento e de frieza, porque a história é fria, como as pedras que a conservam:

Eu vi o cárcere de Bárbara de Alencar.

No subsolo, a pequena cela de tortura:

Atrás das grades, pedras, paredes de pedras,

A cela onde um homem não cabe em pé.

Bárbara recebia uma só refeição por dia,

Mas era muito: alimentava-se de pedras

E de orgulho ferido e erguido como bandeira.

As pedras eram cabras mansas para Bárbara

Ordenhar: Bárbara tirava leite das pedras.

“Quem me pedirá contas de meus atos?

Meu marido, meus filhos, o meu Ceará?

Quem combate o bom combate não sucumbe.

Eu colho na derrota toda a minha vitória.”

Ouvi a voz de Bárbara, viva, nas pedras.

Esse poema está no meu livro “O sangue da terra”, publicado pela Secretaria de Cultura do Ceará em 2010. Saiu também em um blog do Cariri, onde amigos que o leram logo me disseram: “Mas você é daqui!” Sabiam que eu era paulista de Bauru, mas o orgulho nacional falava mais alto – o orgulho da nação do Cariri (grande região ao sul do Ceará, onde há um conjunto de onze cidades, sobressaindo o Crato e Juazeiro do Norte).

Quando estourou a Revolução Pernambucana de 1817, Bárbara liderou o movimento no Cariri e proclamou a República do Crato, sendo designada presidente. Assim, Bárbara de Alencar tornou-se, senão a primeira presidente do Brasil, a primeira presidente de uma república brasileira. Os cearenses têm muito do que se orgulhar.

Num tempo em que as mulheres dedicavam-se às famosas prendas domésticas (prendas que as prendiam, restringiam, totalmente), Bárbara não apenas aderiu, mas pôs-se à frente da Revolução Pernambucana em seu estado de adoção, o Ceará. É o pioneirismo de uma mulher tomando as rédeas da história.

A Revolução Pernambucana durou menos de três meses. Bárbara foi presidente por apenas oito dias. Mas foi o bastante para marcar a sua presença na história.

Quando o romancista José de Alencar foi eleito Senador do Império, D. Pedro II vetou o seu nome. Apesar de já ter sido ministro da justiça, o imperador temia que trouxesse em seu DNA os genes revolucionários e republicanos de seu pai José Martiniano, de seu tio Tristão e de sua avó Bárbara de Alencar.

O Centro Cultural Bárbara de Alencar agracia todos os anos três mulheres, com a “Medalha Bárbara de Alencar. O centro administrativo do Governo do Ceará chama-se “Centro Administrativo Bárbara de Alencar”.

Luiz Gonzaga sempre saudava "dona Bárbara de Alencar", nos seus shows no Cariri, onde sabia que a reverenciavam. No dizer do etnólogo potiguar Luís da Câmara Cascudo, a revolução de 1817 foi a mais linda, inesquecível, arrebatadora e inútil das revoluções brasileiras.

Os cearenses têm muito do que se orgulhar. Agora temos uma primeira presidente do Brasil, Dilma Rousseff, revolucionária brasileira e presa política como Bárbara de Alencar. Esperamos que seja motivo de orgulho para os brasileiros, como Bárbara de Alencar é para os cearenses.

José Carlos Mendes Brandão

http://www.poesiacronica.blogspot.com/
http://passaroimpossivel.blogspot.com/

domingo, 23 de janeiro de 2011

POR UMA POLÍTICA CULTURAL IDÔNEA

Texto de Luiz Monteiro

Joseany Oliveira, Carla Hemanuela, Cacá Araújo e Luiz Monteiro, em 20 de setembro de 2010, quando de uma das apresentações do espetáculo A COMÉDIA DA MALDIÇÃO, da Cia. Cearense de Teatro Brincante, no Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)


Dias atrás, chegou ao meu conhecimento a insatisfação dos artistas teatrais do Ceará, para com o ilustríssimo governador do Estado, alegando que ele destinou uma verba de um milhão e oitocentos mil reais, para o pagamento de um cachê para as "Dionisíacas", espetáculos do Teatro Oficina, de São Paulo, concebidos pelo diretor José Celso Martinez Correa.

Em princípio, ameacei ficar indignado. Porém, antes, me passou pela cabeça a possibilidade da notícia não ser verdadeira. Acalmei a indignação e consultei um amigo do Crato, que é um daqueles guerrilheiros, entrincheirado na luta pela cultura e pelo teatro do seu estado. E ele me confirmou: a tal verba fora sim destinada para tal finalidade, em comemoração ao centenário do Teatro José de Alencar.

Já ia me indignando novamente, quando parei para pensar na tremenda ironia do destino: em vida, o nosso querido e cearense José de Alencar, que foi também um aguerrido defensor do nosso teatro, lutando, na época, não somente pela criação de uma escola de artes dramáticas, pelo poder público, como também para que o nosso imperador voltasse os olhos e apoiasse o teatro nacional; no que não foi atendido. Morreu, sem ver seus anseios realizados e não levou um centavo dos cofres públicos, sendo o seu teatro menosprezado na época e desqualificado contemporaneamente por alguns de nossos prestigiados acadêmicos, defensores intransigentes de nossa colonização teatral. E, no entanto, hoje, em homenagem ao teatro que leva o seu nome, parece que o senhor governador resolveu reparar a injustiça cometida no passado, destinando tamanha verba para as comemorações.

Assim sendo, pela terceira vez, ameacei indignar-me, mas constatei que já estava esgotada a minha cota de indignação, pois já me indignei outras tantas vezes com notícias deste tipo, e também com relação às leis de incentivos fiscais à Cultura e ao Teatro, em nosso país.

Devo dizer que não tenho nada contra o Zé Celso e muito menos contra o seu teatro. No entanto, pudera todos os artistas teatrais cearenses desfrutarem do mesmo benefício, e porque não dizer, do mesmo privilégio, sobretudo, em se tratando de um país como o nosso, tendo em vista os míseros recursos destinados ao teatro! Mas, sei que vivemos num tempo estranho, onde já não se abrem mais conflitos, onde não se promovem mais os diálogos acerca de certas questões e onde os inimigos são tantos e nenhum, dependendo apenas "do lugar de onde se vê".

No entanto, não posso deixar de falar da falta de contrapartida social no uso do dinheiro público e das leis de incentivo à Cultutra. Como bem questiona um dos artistas cearenses: "quantas montagens poderiam ser realizadas no Ceará com esta verba?" "Quantos grupos seriam favorecidos, se esta verba fosse dividida?" Quantas pessoas teriam acesso ao teatro, com o bom senso e uso equilibrado deste dinheiro?" E pergunto ainda mais: estas apresentações foram oferecidas gratuitamente à população? Quem estava dentro do teatro e quem assistiu a estes espetáculos? Qual a contrapartida social que ofereceu este dinheiro, que saiu do bolso de cada cidadão cearense? E me lembrando de Brecht... "Para tantas perguntas... tão poucas respostas!"

Mas, parece que tudo faz parte de um chamado "processo democrático". Eu diria que isso tem outro nome: democraritarismo! Ou, a ditadura de uma elite cultural, eurocêntrica, que nega ou não reconhece os valores locais e também aqueles que lutam, dia-a-dia, para construir e reafirmar a identidade um teatro regional de qualidade. É como diz o ditado: "santo de casa não faz milagres!" E eu diria: "Não faz milagres... e ainda incomoda!"

Entretanto, gostaria de dizer aos artistas e irmãos cearenses que o que acontece por aí, não é diferente do que acontece por aqui, uma vez que a perversidade por aqui é ainda maior. Por aqui, o dinheiro vai pra mais gente, com verba igual ou superior, passando por uma verdadeira "indústria da lei", em cujas panelas são triturados e consumidos milhões de reais, saídos dos suados bolsos dos cidadãos contribuintes. E aqui não vai nenhum ressentimento de quem nunca recebeu nada do poder público, pois acredito que, uma vez que este dinheiro existe para tal finalidade, ele deve ser destinado àqueles cujos projetos, ao passar pelo crivo da avaliação pública, tenha o maior alcance social possível.

Mas, que isso não deva servir de consolo, nem a vocês e nem a ninguém com um mínimo senso de justiça e brasilidade. Pode-se dizer que, num passado recente, assistimos ao surgimento de um grande monstro que se apossou, usufruiu e continua usufruindo do dinheiro público destinado à Cultura. E como diz a canção: "O monstro é grande e pisa forte!"

Diante disso, resta a todos nós, artistas de todo o Brasil, comprometidos com o nosso povo, com o nosso teatro e com a nossa Cultura, lutarmos, tornando pública a precária política cultural que rege todas as instâncias de poder em nosso país. E esta luta se traduz num ato de resistência pela preservação de nossa identidade cultural e de nossos valores artísticos, bem como pela criação de uma política cultural idônea, que leve em consideração o direito de toda a população, ao acesso aos bens culturais, preservando, estimulando e valorizando a produção cultural regional e de todo o nosso país.

Luiz de Assis Monteiro
Confraria da Paixão
Teatro de Raízes Populares
São Paulo

Huberto Cabral - Emerson Monteiro


Desde que me entendo de gente que, atento, observo a participação constante de Huberto Cabral nas movimentações sociais, culturais e patrióticas do Crato. Possuidor de um civismo a toda prova, Cabral faz do rádio sua praia de predileção, sem, no entanto, esquecer permanências pelos jornais, revistas, livros, cerimônias coletivas, etc. Organiza com maestria eventos públicos, dentro da absoluta correção. Incentiva e participa de reuniões destinadas aos interesses da municipalidade, em todos os âmbitos possíveis e imagináveis, sempre visando ampliação dos recursos progressistas e abertura das vias de transformação comunitária. Presta homenagens a personalidades destacadas do lugar e evidencia datas memoráveis deste núcleo urbano. Recebe visitantes ilustres, orienta pesquisas de estudiosos, repassa informações do seu rico acervo e de suas vivências; enfim, um homem talhado a preservar valores históricos e a memória social do Crato e de todo o Cariri como raros outros. Alimenta um acervo de gama incalculável no que tange aos dados relativos a esta parte de mundo e é considerado por muitos um testemunho vivo dos acontecimentos principais caririenses desde o início da segunda metade do século que passou.
Nas minhas primeiras incursões a eventos públicos, recém chegado ao Crato, avistava a presença de Huberto Cabral, o que se seguiu todo tempo até hoje. Radialista emérito, lançado ainda nos primórdios da radiofonia caririense, nas primitivas amplificadoras, associa-se à evolução desse meio de comunicação, exercendo funções de liderança em programas esportivos, noticiosos, reportagens inolvidáveis e solenidades importantes para o desenvolvimento econômico regional. Assessor do Executivo cratense em repetidas administrações, vem, à frente da sua época, convocando os cidadãos a segui-lo na altiva caminhada que exercita como rotina de existência. Nas campanhas fundamentais para a construção do Cariri nos moldes contemporâneos, ali está Huberto Cabral; desde a vinda triunfal da energia de Paulo Afonso à instalação definitiva da Universidade Regional do Cariri, por exemplo. Lembro das suas participações nas transmissões radiofônicas dos jogos do antigo campo do Sport, através da Rádio Educadora; depois, na quadra Bicentenário, em noites esportivas magnânimas; vejo suas ações audaciosas e vanguardeiras na cobertura jornalística da visita do presidente Castelo Branco, aos idos de 1964; sua determinação para, juntos, continuarmos a publicação do jornal A Ação, também na década de 60; suas providências na continuidade do Instituto Cultural do Cariri, inclusive na construção da sede própria; seu denodo para trazer valiosas instituições que ora estabelecem as características da nossa Região, em todo tempo de sua história; seu ativismo nas manutenções benfazejas desta civilização caririense, sendo ele também um descendente direto dos primeiros colonizadores aqui instados nas primeiras expedições.
O acendrado zelo que Huberto Cabral manifesta na profícua missão de ativador social ultrapassa as raias da paixão, digo sem arriscar uso de termos excessivos, porquanto os resultados das suas atitudes falam dos frutos essenciais no que desempenha e promove ao ímpeto do seu amor vocacional às nossas queridas tradições.

sábado, 22 de janeiro de 2011


CAMPEONATO REGIONAL

Pedro Esmeraldo

Com muita energia e animação, o time do Crato participa mais uma vez do campeonato regional de futebol cearense.

Por isso, enaltecemos, principalmente, o mais humilde torcedor, estimulando-o para que acompanhe a prática esportiva com muita popularidade nessa área, torcendo para que o time saia vitorioso, conquistando com louvor, às vezes enfrentando dificuldades, atacando de frente as provocações provenientes das torcidas adversárias, que estão propensas a cometer as maldades que sempre vêm atormentar o espírito do cidadão correto. Por essa razão, temos de adquirir alegria com esforço e desejo de encontrar meios para poder alcançar o nosso objetivo.

Ficamos um pouco desconfiados e ao mesmo tempo, preocupados quando observamos a falta de interesse de alguns cratenses em não querer contribuir com um pouco de acréscimo na conta de água da SAAEC, que serviria de ajuda na formação estrutural do time cratense para sobressair-me na prática do futebol.

Se formarmos um bloco unido e com força de vontade dedicando à equipe, formaríamos um grupo de estrutura sólida, adquirindo grandes jogadores dedicados, conquistando práticas e desempenhando uma formação de equipe que jamais seria esquecida na história futebolística do Crato.

Após a realização de algumas mudanças estruturais na equipe, com certeza o nosso esporte favorito das multidões, ganharia novos métodos, tornando-se uma equipe compacta; sairíamos do campo com muita alegria, vibrando, após comemorar os grandes lances que nos deixaram embevecidos com as jogadas espetaculares, na hora do impulso técnico, deixando todos envaidecidos, vibrantes pelo bom desempenho do time.

Por outro lado, a formação da equipe deve ser mobilizada pelo seu treinador, tendo cuidado de escalar o time no momento exato, e cada um deles ser colocado no lugar certo. Lembramos a esse pessoal que, para o time sobreviver, em qualquer ocasião, é necessário organizá-lo com cautela, elevando os seus bens patrimoniais para que, no futuro, o time tenha respaldo para que possa continuar por vários anos e jamais seja subestimado pelos adversários inimigos e que não visem degradar o seu patrimônio adquirido com o esforço do seu trabalho.

Pedimos também que façam imposição, não entreguem os pontos facilmente, mas lutem unidos, que temos certeza, futuramente, seremos reconhecidos como favoritos pela crônica esportiva regional. Nesse caso, o time deve ser estimulado, fiscalizado e amparado quando for preciso.

Acontece, porém, que o povo tem de evitar o descaso administrativo no time-empresa, criando infra-estrutura, resguardando “a rigor” o patrimônio do time, estimulando-o a exercer os direitos às várias modalidades esportivas como: vôlei, basquetebol, futebol, etc.

Acrescentamos dizer que é preciso apoio das torcidas amantes a fim de estimular a juventude com formação moral e com intuito de apreciar as artes esportivas, enquadrando-a na sua parte filosófica que trata dos costumes e desejos de homens. Também temos o pensamento da formação moral, mas deve ser com lutas e adquirindo mais objetividade, comportamento digno, que são saúde e força para reparar as consequências negativas que poderão surgir.

Por fim, rogamos ao céu, pedindo força, coragem para que com elegância mostremos que também merecemos um lugar ao sol, confirmamos, o sol nasce para todos.

Se tivermos coragem, organização, “muita raça”, certamente o Crato irá para frente com êxito, conquistaremos um lugar especial, igualando às demais equipes por mais influentes que sejam.


Crato-CE, 19/01/2011

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

assim caminha a humanidade


Sonhos possíveis, sonhos bons - Emerson Monteiro


Quando veremos o mundo de olhos abertos aos bons sentimentos que passeiam faceiros nas trilhas molhadas de impactos, os quais que apenas nós indivíduos um dia conheceremos de água na boca. Viver com prazer os momentos uniformes da harmonia sem culpa ou ressentimentos, e acatar as decisões do destino de espírito desarmado; aquiescer, nos gestos imprevistos das marés, as tais criaturas obedientes a um Criador que move as parelhas dos cavalos à frente do Sol, nas charretes aceleradas das horas incansáveis, dentro da natureza mãe dadivosa. Aceitar, enfim, os balanços dos barcos enquanto o rio segue nas suas águas impetuosas, filhas equilibradas da feliz companhia dos outros irmãos, no bojo de naves luminosas que afeitas riscam os céus, nas madrugadas frias.
Porquanto pretendam discordar, os protagonistas do drama questionam os roteiros apresentados dos operários na peça. Erguem assustadas vozes de protesto, perante, no entanto, o desfilar das conveniências mais pessoais. Reclamam de barriga cheia, às vezes de mágoa, de fastio, ou pressa, mas reclamam de barriga cheia disso tão só. Levantam os braços num sinal de descaso face as contradições aparentes do sistema que eles, nós, vós, mesmos criaram nos instantes de dúvidas atrozes, no fingimento da espécie insatisfeita com o itinerário do vôo em velocidades extremas. Querem, a qualquer preço, impor condições aos limites imprevistos, desde o começo, postulando propósitos de causas iniciais perdidas, alarmistas repórteres policiais.
Andar nesse ritmo alimenta de pânico o gosto de tantos que a visão conturbada mistura, entre o desejo e o desespero, impetuosa estupidez de eras atrozes. Marcam, assim, aonde querem chegar multidões famintas, caravanas sequiosas de empedernidos seres, afoitos pássaros noctívagos.
Todavia acontecem os quadros seguintes e o palco estremece no pulo dos atores, impulsos febris de cores e formas, providências inevitáveis que persistem ao infinito da fé, em corredores escuros dos paranóicos filmes, até surgir para sempre. Valentes cavaleiros calmos tangem os seus rebanhos pacíficos nas caladas da noite, forças operantes apesar das dores que invadiram o instinto explosivo de todas as pessoas, fase de crescimento que atravessam de águas no peito.
Vislumbrar, pois, novos meios de construir as igrejas dos corações impacientes significa mistérios, doces aspectos das provas do período nefasto que lá abandonou suas vítimas aos portões da alvorada em festa que já se aproximava, e morrem nas praias, o que representa a correta imagem do que quiseram dizer os livros fechados nas bancas.

Capitalistas não brincam



Insensibilidade ou ingenuidade de quem acha que para o Capitalismo existem soluções que pensem nas pessoas.  Não se pode confundir as propagandas que as empresas fazem de si com o que realmente praticam. No mundo das propagandas, os bancos pensam nas pessoas, as empresas se preocupam com o meio ambiente e agradar os clientes é o objetivo da vida deles... E no mundo fora da propaganda, no mundo do dia-a-dia do trabalho?
Na guerra do capital sempre sobra para os trabalhadores. Exemplos não faltam. O último é o "acordo" que transcrevo aqui embaixo. Perceba como fica a condição dos trabalhadores italianos de uma fábrica de automóveis. 


 "Fiat: empregados de Turim aprovam acordo que endurece condições de trabalho"
"TURIM, Itália, 15 Jan 2011 (AFP) -Os operários da histórica fábrica Mirafiori da Fiat, em Turim (norte), aprovaram acordo que endurece suas condições de trabalho, e do qual dependia a sobrevivência da unidade, segundo resultado praticamente definitivo apresentado pela imprensa italiana.
O acordo prevê um contrato específico para Mirafiori, independentemente do convênio coletivo do setor metalúrgico, e representa uma virada sem precedentes no sistema sindical e empresarial da Itália. Introduz a possibilidade de a fábrica funcionar 24 horas por dia, com a semana de seis dias e redução das pausas entre as horas trabalhadas, além de triplicar o número máximo de horas extras a 120 por ano. Estabelece, além disso, sanções, no caso de ausência "anormal" ou greve; proíbe a presença de delegados na fábrica, o que é considerado o ponto mais polêmico. Mas os salários terão um aumento de até 3.700 euros brutos anuais, em decorrência do trabalho noturno e das horas extras.
Um referendo sobre um acordo semelhante, na fábrica de Pomigliano (sul), em junho, teve adesão de 62%, mas a votação em Turim despertou mais interesse, uma vez que Mirafiori representa o coração industrial da cidade de Turim e da Fiat, em particular. "O acordo foi aprovado", declarou na manhã de sábado à AFP uma fonte sindical. Ainda falta incluir a apuração em uma urna mas, matematicamente, ganhou o sim.
Depois de contabilizados mais de 90% das urnas, o sim se impunha com 54,3% dos votos, segundo os meios de comunicação locais. A votação realizada pelos 5.431 assalariados da fábrica começou na quinta-feira, às 19H00, hora de Brasília, e foi concluída às 16H30 de sexta-feira. Com exceção da FIOM - braço metalúrgico da CGIL (esquerda), primeiro sindicato do país, que denunciava uma "chantagem", todos os sindicatos assinaram o acordo em 23 de dezembro e estavam a favor do sim.
"Foram antes de mais nada os trabalhadores da Mirafiori que ganharam (...) Sua maturidade e seu sentido de responsabilidade salvaram dezenas de milhares de empregos", congratulou-se Giovanni Centrella, do sindicato UGL. Em contrapartida à aprovação do plano, a Fiat comprometeu-se a investir mais de um bilhão de euros com seu sócio americano Chrysler para produzir até 280.000 carros por ano, dos modelos Jeep e Alfa Romeo.
Se o NÃO tivesse ganhado, a fábrica poderia caminhar para um fechamento e os novos modelos de veículos passariam a ser fabricados nos Estados Unidos ou no Canadá. Apoiado pelo governo, o empresariado e uma parte da esquerda, o acordo de Mirafiori dividiu profundamente a Itália. Sinal disso foi o aparecimento de estrelas vermelhas, símbolo das Brigadas Vermelhas, nos muros de várias cidades italianas nos últimos dias.
O chefe de governo, Silvio Berlusconi, defendeu pessoalmente o SIM. Para o presidente da Fiat, Sergio Marchionne, que pretende transformar a Fiat-Chrysler num gigante mundial do setor automotivo, este tipo de acordo é indispensável para que as empresas italianas sejam mais produtivas e deixem de perder dinheiro."
    Fonte: Luis Nassif Online