TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Geraldo Gonçalves de Alencar - O poeta de todo o dia

Se todo dia é dia de poesia, Geraldo Gonçalves de Alencar é um dos poetas de todo o dia. Desde a infância se impregna com palavras poéticas. Com uma poesia que versa sobre vários temas, seu Geraldo mergulha do religioso ao erotismo. Rejeitado por Patativa do Assaré torna-se depois seu parceiro. Co-autor do do Livro Ao Pé da Mesa com o seu tio Patativa do Assaré.


Alexandre Lucas – Quem é Geraldo Gonçalves de Alencar?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Sou Geraldo Gonçalves de Alencar, nasci no Sítio Serra de Santana município de Assaré – CE, segundo filho de José Gonçalves de Alencar e Maria Risalva e Silva. Poeta.

Alexandre Lucas - Quando ocorreram os seus primeiros contatos com a poesia?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Quando criança lia apaixonadamente tudo quanto era cordel,a minha infância foi toda voltada para os folhetos, em 1956 Patativa publicou o seu primeiro livro ( Inspiração Nordestina ).
Passei a ler avidamente os poetas da Poesia Matuta: Patativa,Catulo, Zé da luz e os românticos brasileiros.

Alexandre Lucas – Quais suas influências na Poesia?

Geraldo Gonçalves de Alencar - Os grandes sonetistas me influenciaram bastante, é uma das poesias que mais cultivo, os poetas matutos e os líricos também.

Alexandre Lucas – Geraldo você tem algum tema mais recorrente nas suas poesias?

Geraldo Gonçalves de Alencar – O tema que mais abordo tanto nas poesias sertanejas como no sonetos é o amor, embora me estenda ao religioso, o social, o erótico e outros.

Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória:

Geraldo Gonçalves de Alencar – Fui uma criança estudiosa mas como até hoje já adulto, escravo do pânico, um adolescente boêmio talvez até por conta da minha fobia social. Na minha infância e adolescência Patativa sempre me repudiou como poeta, até que com minha poesia (Pergunta de Moradô), pediu-me a permissão para dar a resposta, consenti tranquilamente só que houve a tréplica, Patativa não gostou. Deixei a bebida depois de 30 anos, 4 anos depois passei a ser escravo da máquina de hemodiálise, fiz o transplante renal, houve a rejeição, continuo no tratamento. Mas nunca deixei de cultivar a minha grande paixão, a poesia.

Alexandre Lucas - Como foi o seu contato com Patativa do Assaré?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Depois de muitas recusas Patativa me aceitou como poeta e até o fim de sua vida passei a ser seu parceiro constante.

Alexandre Lucas – Como você enxerga a poesia de Patativa?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Considero Patativa como um dos maiores poetas brasileiros. Os outros sim, têm mais cultura e conhecimento, entretanto Patativa com seu linguajar rústico, dispõe de mais inspiração e mais sabedoria, sua espontaneidade, sua métrica perfeita, a riqueza de imagens, o gracejo, o trocadilho, a filosofia, a criatividade, fazem de Patativa um gênio do gênero. Um autodidata. Sabia o que estava fazendo.

Alexandre Lucas – Todo dia é dia de poesia para você?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Com certeza, quando não é organizando é escrevendo.

Alexandre Lucas – Você acha que a poesia é instrumento político?

Geraldo Gonçalves de Alencar –A poesia é abrangente, penetra fundo em tudo quanto nossa inspiração permite, principalmente na Política, tema do interesse de todos.

Alexandre Lucas – Quais seus próximos trabalhos?

Geraldo Gonçalves de Alencar - Sou admirador dos sonetos e da trova tenho dois livros desta poesia inéditos e também outro de poesia campestre ( Na Terra dos Passarinhos )Vários cordéis e algumas composições musicais.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

o entulho

Entrevista com esse entulho da ditadura militar. De dar nojo, asco, repulsa.

PEÇA DE TEATRO DEFENDE O SÍTIO FUNDÃO

A CIA. CEARENSE DE TEATRO BRINCANTE (Crato-CE) reapresenta seu mais novo sucesso de público. Um grande espetáculo que resgata e valoriza a cultura popular e a mitologia sertanejo-universal numa aventura em que se defende a preservação da natureza.



"A DONZELA E O CANGACEIRO"
Texto e Direção de Cacá Araújo 
Música de Lifanco

Março
17 (sab), 18 (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)
20 (ter) - Centro Cultural banco do Nordeste (Juazeiro do Norte-CE)
23 (sex) - Teatro do SESC (Juazeiro do Norte-CE)
24 (sab), 25 (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)
31 (sab) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)

Abril
1º (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)

Sinopse:

A ambição desmedida do homem rico, a ganância cruel do norte-americano e a trama infernal vinda das trevas ameaçam o Sítio Fundão, importante reserva ecológica brasileira. As forças do mal, lideradas pelo Bode-Preto, entram em disputa ferrenha pelo domínio da área, mas são enfrentadas pela legião do bem, liderada pela Caipora, deusa protetora da natureza. Somente o amor pode salvar o sítio da destruição total. Um enigma, proferido pela esfinge de Seu Jefrésso, contém o segredo capaz de restabelecer a paz e a harmonia. Donzela Flor, símbolo de pureza, precisa ser desencantada. O cangaceiro Edimundo Virgulino, valente e destemido, luta com bravura para salvar o sítio e conquistar o coração da donzela.


Proposta do espetáculo:

Ao abordar a ecologia e o meio ambiente a partir de motivo factual doméstico, neste caso a luta pela preservação do Sítio Fundão, importante reserva ecológica na zona urbana na cidade do Crato-CE ameaçada de extinção, o espetáculo amplia o foco ao propor uma leitura da gana imperialista capitaneada pelos USurpAdores das riquezas alheias. Envereda também pelo universo histórico e mítico do homem nordestino e universal, revisitando o cangaço e o mito da Caipora numa história fantástica, mas embrenhada “na” e “de” realidade.

A Donzela e o Cangaceiro é um projeto cênico que dá prosseguimento à determinação do autor em buscar a afirmação de uma dramaturgia nordestina alinhada ao resgate e à difusão da cultura tradicional popular, fundada na expressão do imaginário do povo, nas lendas, nos mitos, nos causos, nas aventuras, nos romances, na história, nos mistérios que habitam a alma afoita e brincante do sertanejo, cujo sangue saltitante se perpetua no riso e na dor, na graça e no sofrimento, na desventura e na esperança.


Elenco:
Personagem/Ator (em ordem de entrada)

Mateus – Cacá Araújo
Catirina – Françoi Fernandes
Pafúncio Pedregôso – Franciolli Luciano
Cafuçú – Paulo Henrique Macêdo
Feiticeira Catrevage – Jonyzia Fernandes
Vicença – Raquel Silva / Rosa Waleska Nobre
Dona Colombina – Rosa Waleska Nobre / Samara Neres
Donzela Flor – Charline Moura
Caipora – Orleyna Moura
Troncho Sam – Márcio Silvestre
Edimundo Virgulino – Jardas Araújo
Bode-Preto – Joênio Alves
Seu Jefrésso – Paulo Fernandes

Técnicos:

Texto e Direção – Cacá Araújo
Assistência de Direção – Orleyna Moura
Música – Lifanco
Sonoplastia – Cacá Araújo e Lifanco
Figurino e Maquiagem – Joênio Alves
Cenografia e Iluminação – Cacá Araújo
Cenotécnica – França Soares, Saymon Luna e Mestre Galdino
Aderecistas – Willyan Teles, Marlon Torres e Cristiano de Oliveira
Criação e execução de efeitos sonoros – Lifanco e os atores
Instrumentalização e efeitos – Lifanco e os atores
Operação de Luz – Laumiro Pereira
Operação de Som – Babi Nobre
Confecção de figurino – Ariane Morais
Guarda-Roupa – Luciana Ferreira
Cinegrafia – Antonio Wideny (Toyota)
Fotografia – Gessy Maia e Mônica Batista

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Carnaval - e por falar em saudade - José do Vale Pinheiro Feitosa


QUEM QUISER O CURTIR O TEXTO JUNTO COM A MÚSICA DO VÍDEO, É PRECISO IR ATÉ O ÍCONE DA RÁDIO E PARÁ-LO PARA NÃO ROLAR DUAS MÚSICAS JUNTAS.

De perdas as figuras se fizeram. Envelhecer é uma merda. A idade do “com dor”. As rugas, carnes flácidas, pele sem brilho, cabelos de fubá. Cabelos brancos e pinturas por obrigação. Esta é a figura.

Mas por isso mesmo é que envelhecer é um barato. Uma luta contra a figura e a imagem. O enquadramento no consumo e a covardia por aceitar o beicinho da juventude. Ora que venha a juventude, a criancice e os muito mais velhos. Não existe velhice, nem adolescência, nem juventude e menos ainda a infância: existe a possibilidade do acontecer após respirar, beber água e comer.

Aí é que está a luta, o trabalho e a exploração do trabalho. E por isso mesmo é o carnaval, a folia por sobre a ordem que classifica. Quando estamos fora da ordem, temos a liberdade de entender melhor o tempo já inventado e aquele que ainda precisa ser respirado.

Uma das coisas a considerar: a saudade e o conservadorismo do “meu tempo foi melhor”. As marchinhas de carnaval, os samba enredos, o Brasil foi melhor. Pois não foi de modo geral e no restrito até que foi. Afinal não podemos desconsiderar que a cultura tem seus ciclos de acontecer. Depois muda para outra que pode ser mais humana ou não, mais popular ou não, mais democrática ou não.

Como esta música aí em cima da Escola de Samba Caprichosos de Pilares de 1985. Tem o olhar pelo retrovisor, mas tem a crítica daquele momento. O samba foi composto ainda em 1984 o ano do grande comício das Diretas Já na Candelária. O Brasil se libertava de uma ditadura política e se abria para um novo tempo.

Estávamos na Marquês de Sapucaí. Era a noite do desfile da Caprichosos e seu samba “E por Falar em Saudade” já estava nos nossos corações. Naquele ano de 85 as escolas ainda não perdiam pontos se atrasassem o desfile e aconteceu. A Caprichosos entrou no dia seguinte já por volta de 9 para 10 horas. Uma noite toda acordados no assento de cimento da avenida. E quando a escola entrou o mundo ficou igual ao povo pernambucano ouvindo o frevo Vassourinha.

Eu queria outra palavra mas a preguiça me remete mesmo para o mundo explodiu não só de alegria, nem de emoção, o mundo da rotina, das escalas de poderes, dos cansaços do corpo e das angústias existencialistas era outro. Foi aí que uma moça com quem não paquerei pois tinha a minha querida Tereza ao lado, deu seu grito de mulher parindo a humanidade num só ato: se eu morresse agora não faria qualquer diferença. Já tenho tudo neste momento.

Ia me esquecendo de uma parada mais antiga do que fui. A famosa disputa entre os fãs da Marlene e os da Emilinha Borba. A Marlene tinha sensibilidade política e Emilinha cantava a música açucarada. Duas marchinhas de carnaval em Marlene são emblemáticas: Lata D´água de Luiz Antonio e Jota Júnior e o Zé Marmita do mesmo Luiz Antonio e Brazinha. Aliás quem já viu Marlene cantando Meu Guri do Chico Buarque entenderá o que digo.

"Idiotas da Objetividade" - José Nilton Mariao Saraiva

Competente, personalista, criativo, extremamente polêmico, “biriteiro” e fumante (de marca maior, tanto que vitimado pela tuberculose) e sem papas na língua (ou ao teclado da sua velha “Remington”), Nelson Rodrigues (natural de Pernambuco, mas desde a mais tenra idade radicado no Rio de Janeiro) foi um grande romancista, contista, cronista e dramaturgo (além de torcedor apaixonado pelo seu “Fluminense Futebol Clube”, tricolor das Laranjeiras).

No teatro, peças como “Vestido de noiva”, “Perdoa-me por me traíres”, “O beijo no asfalto”, “Bonitinha, mas ordinária” e “Toda nudez será castigada” (dentre outras) marcaram pela ousadia (para a época), daí ter sido alcunhado (de certa forma com propriedade), de “anjo pornográfico”.

Em termos de romances, contos e crônicas (também pra lá de avançadas) o repertório era versátil e amplo, valendo lembrar "Asfalto selvagem", "A vida como ela é...", "A dama do lotação" e "O óbvio ululante: primeiras confissões" e por ai vai (foram centenas e centenas).

Deixou também frases antológicas, que ainda hoje repercutem aqui e alhures, algumas pra lá de polêmicas e outras tantas pra lá de atuais (vide abaixo):

1) "O Brasil é muito impopular no Brasil." 2) “Todo ginecologista devia ser casto. O ginecologista devia andar com batina, sandálias e coroinha na cabeça. Como um São Francisco de Assis, com luva de borracha e um passarinho em cada ombro”. 3) "Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam." 4) "Toda unanimidade é burra." 5) "Só os profetas enxergam o óbvio." 6) "Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico." 7) "Até 1919, a mulher que ia ao ginecologista sentia-se, ela própria, uma adúltera." 8) "A cama é um móvel metafísico." 9) "Nem toda mulher gosta de apanhar, só as normais." 10) "Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo." 11) "Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia." 12) "Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola." 13) "Deus me livre de ser inteligente". 14) "Não há nada mais relapso do que a memória. Atrevo-me mesmo a dizer que a memória é uma vigarista, uma emérita falsificadora de fatos e de figuras." 15) "O 'homem de bem' é um cadáver mal informado. Não sabe que morreu." 16) "Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém." 17) "Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de "ilustre", de "insigne", de "formidável", qualquer borra-botas. 18) “O boteco é ressoante como uma concha marinha; todas as vozes brasileiras passam por ele". 19) "Acho a velocidade um prazer de cretinos; ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca." 20) "Amar é ser fiel a quem nos trai" 21) "O brasileiro é um feriado." 22) "As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado". 23) "O homem começou a própria desumanização quando separou o sexo do amor." 24) “Deus está nas coincidências”. 25) “Invejo a burrice, porque é eterna”. 26) “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida; não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”. 27) “Não existe família sem adúltera”. 28) “Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe”. 29) “O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos”. 30) “O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte”. 31) “O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes”. 32) “Qualquer indivíduo é mais importante do que a Via Láctea”. 33) “A platéia só é respeitosa quando não está a entender nada”. 34) “A liberdade é mais importante do que o pão”. 35) “Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém”. 36) “Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu”. 37) “A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira”. 38) “As grandes convivências estão a um milímetro do tédio”. 39) “O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da inexperiência”. 40) “O sábado é uma ilusão”. 41) “Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de ouro”. 42) “Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros. Há no ser humano, e ainda nos melhores, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não acordá-las”.

Uma das passagens que mais o marcaram, no entanto, foi quando resolveu deitar falação sobre os “idiotas da objetividade”. Na verdade, a transmutação, o processo de metamorfose ou gradual “americanização” da imprensa brasileira, que obrigava o jornalista a deixar de lado o floreio verbal, o detalhamento do fato, as minúcias da ocorrência e até o uso de um pouco de exagero, privando o leitor da expectativa sobre o desenlace da matéria; a partir de então, o objetivo era entregar-lhe um texto já mastigado, enxuto, insosso, sem nenhuma emoção ou capaz de provocar-lhe qualquer comoção. Para Nelson, os profissionais que se prestavam a essa nova realidade não eram jornalistas na essência, mas, sim, meros “idiotas da objetividade” (porquanto apenas transcreviam e assinavam os textos recebidos das agências de notícias).
A reflexão tem muito a ver como determinadas figuras jurássicas, que não tiveram o cuidado de se reciclar (e que pululam aqui e acolá), adeptas da tese estapafúrdia de que, por não viverem num determinado ambiente ou cidade, as pessoas estariam incapacitadas ou inabilitadas para opinar ou redigir sobre o que lá acontece, porquanto teoricamente desinformadas ou desprovidas daquela massa cinzenta que os faz pensar, agir, ter opinião própria a respeito das coisas e do mundo e sobre tal manifestar-se (a Internet, o telefone, o jornal, os correios e a comunicação familiar nada valeriam, mas, tão somente, a presença, a “matéria bruta” in loco, preferencialmente ao vivo e a cores.

E aí, será que Nelson Rodrigues os rotularia de “idiotas da objetividade” ???

domingo, 19 de fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Mais um ano - José do Vale Pinheiro Feitosa

O Salatiel precisa mudar a frase inicial do blog. Já são seis anos e não mais cinco anos. E isso é muito para qualquer instrumento de comunicação, especialmente de natureza voluntária. O Cariricult em seu sexto ano é dos mais antigos blogs da internet, inclusive tendo resistido a uma avalanche de novos meios de comunicação na net, especialmente com as redes sociais. Muita gente saiu dos blogs e migrou para tais redes e ali se tem até um calor maior com mais informação e muito mais opiniões expostas.

Eu pessoalmente prefiro este instrumento. É um pouco conservador da minha parte, mas me parece um respirar maior e estou cansado de corridas a minuto. O Cariricult ganhou e perdeu muitos colaboradores, se não saíram, pelo menos estão mais temporizados em suas postagens. Dos iniciais lembro-me do Marcos Leonel, do Carlos Rafael, Armando, Dihelson, Lupeu, Socorro Moreira, Claude, Zé Flávio, o Salatiel, Marta F, Pachelly, Roberto Jamacaru, Maurício Tavares, Lupin e depois chegando o Darlan, Cacá, Geraldo Júnior, Glória, Nirton, os dois José Nilton, Bantim, Glauco e tanta gente que por certo não cito pela razão de não repetir a lista antiga e atual de colaboradores do blog.

Neste início de sexto ano sinto-me estimulado a manter-me em contato com esta turma por mais um ano. Espero que eles também se mantenham dispostos a se mostrarem no blog pois aí vem o que ainda acho que seja um charme no blog. Os seus leitores, regulares leitores, que o Salatiel nunca pretendeu contar, mas que por certo são leitores estimulados igualmente por gente como nós e esperam nossas presenças a cada dia. Vamos lá moçada:carpem diem. A vida não é um estoque de tempo. O tempo só existe após o nosso respirar. Nós somos quem inventamos o tempo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Crepúsculo do Corno


E não há carga de fel que não traga juntinho sua xícara de mel, né mesmo ? As limitações que os anos nos vão impingindo nos carreiam alguma dose de experiência. O leitor pode até pensar : mas que o preço é muito alto ! No que preciso concordar, não sem antes inquirir : e tem outro jeito? A outra opção, infelizmente, mostra-se bem pior, assim: dêem-me a carga dos anos com sua infâmia e seus efeitos colaterais , ficarei brincando com o carrinho de rolimã da experiência. Ele não serve prá muita coisa, mas ao menos me engabelará um pouco e esquecerei o nervosismo inexorável dos ponteiros do relógio.

Fiquei esses dias a matutar quanto à mudança nos costumes, não tão diferente da que vemos na paisagem da nossa cidade. Há alguns anos, estudando alemão, perguntei ao meu professor sobre palavrões da língua germânica ( facílimos de um aluno decorar, pela curiosidade que despertam). Aos poucos os fui citando em português e o professor , oriundo de Berlim, me ia traduzindo. Em determinado ponto, gritei : Corno.! Ele não compreendeu e eu precisei explicar do que se tratava. Qual não foi minha surpresa quando, explicado o palavrão, o mestre simplesmente concluiu: --- Não existe este palavrão na Alemanha, isso lá não é nome feio. Fiquei surpreso pois ,no Nordeste brasileiro, existia uma pena de Talião para os casos de infidelidade feminina, não tão diferente daquela aplicada ainda hoje em alguns países da África e Ásia. Firmei bem a infidelidade como feminina, porque a do gênero masculino sempre foi perfeitamente aceita como tolerável , normal e necessária. Nem mesmo existe o substantivo feminino de Corno. Em compensação , o peso que recaia sobre o homem em caso de cair nessa condição era simplesmente terrível: um cargo vitalício e quase impossível de transportar , tamanha a ignomínia que impingia ao agraciado.

As gerações anteriores à minha tinham uma perspectiva muito diferente de casamento. Geralmente não acontecia qualquer envolvimento romântico, muitas vezes havia acordos de famílias, não muito diferente dos enlaces matrimoniais da monarquia. O casal firmava-se no ideal de gerar e criar os filhos e manter o patrimônio familiar. O prazer o homem procurava nos bordéis e nas senzalas: era um absurdo fornicar com a mãe dos próprios filhos, uma verdadeira tara sexual. E à mulher não se permitia ser muito mais que uma fábrica de bruguelos. Mas as folhinhas do calendário foram pouco a pouco sendo desfolhadas. As autoridades familiar e religiosa terminaram com seus grilhões arrebentados. As gerações subseqüentes , principalmente após os libertários anos 60, vislumbraram horizontes até então invisíveis. Caíram por terra os mitos da virgindade, da gravidez indesejada, do casamento arranjado, do papel de ator coadjuvante da mulher, das galés perpétuas do matrimônio. O prazer deixou de ser um pecado execrável e tornou-se uma busca importante e necessária. E o Tesão terminou por ser aceito e cultivado. E o casamento alçou um outro patamar: são mais voláteis e mais verdadeiros, existem sobre as mais variadas formas ( chamegos, ficas, amizades coloridas, rolos, ajuntamentos ) e prescindem muitas vezes da bênção religiosa, civil e social.

Todo esse vendaval levou ao franco declínio do Corno. Deixou de ser palavrão como na Alemanha, tem até Associação que os congrega e também aliviou um pouco o peso sobre os maridos traídos e , principalmente, sobre as mulheres que já não são apedrejadas em praça pública como outrora. A avalanche dos meios de comunicação abriu infinitas possibilidades no ramo da infidelidade. Os tipos tradicionais do folclore popular se desvaneceram com as imensas variedades aparecidas : Corno Facebook, MSN, I Pod, I Pad, Virtual, Maria da Penha. E o corno já não mais faz sucesso, já não é mais apontado na rua , nem corre o risco de ser cadastrado pelo IBAMA. De tão freqüente , perdeu a graça e, também, os outros se eximem de criticar porque, no fundo, todos os homens sabem que como num consórcio, participando do jogo, um dia cada um pode ser contemplado.

Um querido amigo que partiu recentemente dizia que a Cornagem tinha se tornado uma coisa tão séria que, inclusive, já seguia rigorosamente as Leis da Física. “Um Corno em movimento, tende a continuar em movimento”, ou seja tende a repetir a carga por outras vezes : primeira Lei de Newton. “A Toda ação do homem em procurar de cornear a Mulher, existe uma Reação da companheira de mesma intensidade e em sentido contrário” , segunda Lei de Newton. “Um corno atrai outro na razão direta da cornagem recebida e no inverso do quadrado da distância dos ricardões” , Lei da Gravitação Universal que explica a necessidade dos cornos se reunirem e associarem. Inclusive, dizia esse amigo, já houve repercussão até na Física Moderna. Existe, segundo ele, A Teoria da Relatividade da Cornagem. Ou seja : ser corno é relativo. Se eu descobrir que sou corno em Salitre, eu mato a mulher e o amante ; se eu descobrir o mesmo aqui em Crato, mato o amante; se em Fortaleza não mato ninguém, só me separo; agora se morar no Rio de Janeiro e não for corno, vou ficar preocupado e deprimido: por que ninguém quer essa mulher, meu Deus? Aí sou capaz de me suicidar.

J. Flávio Vieira

Seleção Genética em nome de quem? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando vivemos uma civilização cuja natureza é a mudança contínua, as nossas dúvidas são mais dramáticas por que mudar é a natureza do próprio universo. Certo que um viés no nosso pensamento existe por conta desta natureza mutável da realidade que nos cerca, mas as nossas dúvidas emergem o tempo todo.

Seja por questões morais, éticas, por medo das mudanças, por um conservadorismo inerente a toda sociedade estável, a verdade é que muitas dúvidas surgem por tais motivos. O tempo todo estamos questionando o sentido de certas mudanças, os motivos pelos quais se iniciam tais questões.

Uma das características mais marcantes da natureza tem sido a sua diversidade. A diversidade que é necessária para as condições mutáveis do clima do planeta, das radiações físicas, das mudanças de solo, dos movimentos da água e assim por diante. A diversidade dentro de uma espécie tem sido a condição de seu prolongamento na história natural do planeta.

O sistema de produção capitalista em busca de lucros se baseia na eficiência das forças produtivas. O aumento de produtividade tem tido a marca do crescimento contínuo do capitalismo desde o século XVI. É bem verdade que muito desta eficiência é conquistada com ganho numa ponta e enormes perdas na outra. A exploração imperial é um exemplo clássico destas perdas nos povos produtores de matéria prima.

O exemplo da China é comovente. Não é incomum que a esquerda e a direita critiquem o processo produtivo Chinês: aumenta a produtividade massacrando o trabalhador com salários baixos, enormes horas de trabalho e nenhuma proteção social. Muitos esquecem que as perdas dos trabalhadores chineses estão desovadas nos ganhos de consumidores em outros continentes.

Mas retornando à eficiência com base científica ou tecnológica. Neste dias visitei uma fazenda de produção de espécies selecionadas de uma determinada raça de carneiros. Tais carneiros selecionados ampliam enormemente a eficiência da carcaça do animal com ganho de até 60% em relação às espécies atualmente existentes no nordeste.

Ali eles não só praticam a seleção de espécimes, como se utilizam de técnicas de fertilização “in vitro” e transferência de embriões. Uma fêmea selecionada que em condições naturais disseminaria seu patrimônio genético para no máximo oito ou dez descendentes, hoje pode chegar até 30 ou 40 embriões viáveis na barriga de outras ovelhas num único procedimento.

Imediatamente eu pensei sobre aquela letra da música Disparada do Geraldo Vandré: por que gado a gente marca, tange, ferra e mata, mas com gente é diferente. Ora a eugenia é velha em certos desejos, especialmente no fascismo alemão. Uma espécie humana eugênica é um ganho da engenharia genética, mas tem tudo para ser uma perda da manutenção da espécie na natureza mutante.

Padronizar o ser humano é um desejo de hegemonias, de povos dominantes, de civilizações decadentes e exploradoras. Padronizar é a reprodução dos escolhidos e o aborto dos excluídos. Padronizar o ser humano é cessar o seu movimento histórico. É assim como a tese máxima do neoliberalismo dos anos 90 pela voz de Fukuyama com seu “fim da história”.

A respeito disso evoco um exemplo, procurando não exibir comentários sectários. Nesta semana tivemos a seguinte notícia: “Nasceu sábado passado o primeiro bebê brasileiro selecionado geneticamente em laboratório de modo a não carregar genes doentes e ser totalmente compatível com a irmã - que sofre de talassemia maior, uma doença rara do sangue que, se não for tratada corretamente, pode levar à morte. Maria Clara Reginato Cunha, de apenas 4 dias, nasceu no Hospital São Luiz para salvar a vida de Maria Vitória, que tem 5 anos e convive com transfusões sanguíneas a cada três semanas e toma uma medicação diária para reduzir o ferro no organismo desde os 5 meses.”

Sem dúvida uma notícia em causa nobre, mas não deixa de ser a geração de um ser em benefício de outro em si mesmo. Agora imagine tais laboratórios como aquele exemplo das ovelhas acima para produzir espécies humanas em busca da eficiência da máquina capitalista desconsiderando a diversidade do planeta.

"Portal da Transparência" ( II ) - José Nilton Mariano Saraiva

Qualquer indivíduo que se proponha a administrar uma cidade (de pequeno, médio ou grande porte), há de ter o bom-senso e clarividência de seguir uma lição básica (e rudimentar), objetivando atrair e posteriormente manter uma empresa qualquer (comercial, industrial ou de serviços, seja micro ou de maior estrutura) naquela urbe, capaz de gerar empregos e redistribuir renda.
Para tanto, há que oferecer atrativo e facilidades mil ao empreendedor potencial, do tipo: doação de terreno (indústria) ou ajuda na locação do ponto comercial (aluguel), isenção de impostos num período determinado (IPTU, por exemplo), garantia de participação percentual no pagamento de algum tipo de insumo (água, energia elétrica e por aí vai), mas, principalmente, a certeza de que colaborará como cliente/comprador (do comércio, principalmente) e incentivará/recomendará seus munícipes a se engajarem na empreitada consumista.
Pois bem, todos sabem que no Crato (e faz tempo) além da falta de indústrias, o movimento do comércio é “...devagar, devagarinho, quase parando” (na verdade, são um heróis, esses nossos comerciantes), gerando certo mal-estar sobre a possibilidade de que determinados empreendimentos encerrem suas atividades e “se mandem”, em razão dos custos sobrepujarem as receitas (lembram que certo tempo falou-se que a então recém-inaugurada Lojas Americanas ameaçou “tirar o time” ???).
Pois, tão chocante e surreal quanto a constatação de que a Prefeitura do Crato gastou um caminhão de dinheiro na compra de “HORTIFRUTISGRANGEIROS” (sic) em um Armarinho (???), e ainda por cima fugindo ao OBJETIVO da Licitação, é o que se esconde nas entrelinhas (ou por trás de tal transação): é que a empresa Marinete Vieira da Silva Armarinho-ME fica localizada na Av. Ailton Gomes, 1375, Bairro Franciscanos, em... Juazeiro do Norte, CE (63020-000).
Pergunta-se: por quais razões insossos “HORTIFRUTISGRANGEIROS” (sic) foram adquiridos fora da sede do município, sabendo-se que no Crato a área agricultável é bem mais generosa que a de Juazeiro do Norte e, portanto, os preços tendem a ser mais competitivos ???; será que no Crato o atraso é tanto (ou os comerciantes honestos demais) que essa coisa excêntrica (e mau cheirosa) que é um Armarinho... que vende “HORTIFRUTISGRANGEIROS” (sic), inexiste ???; há outros comerciantes de Juazeiro que transacionam com a Prefeitura do Crato, em detrimento dos abnegados que lá labutam, com extrema dificuldades ???; por que a Prefeitura do Crato deixa de comprar no comércio do Crato ???
Até como forma de estimular e dá uma sobrevida a quem é do ramo, deveria fazê-lo.
Ou não ???

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um trabalho aprazível, leve, rápido e ET CETERA


Nos primeiros anos da década 1980, próximo dos meus 20 anos, meus pais ralhavam comigo, cobrando responsabilidade maior, o que queria dizer trabalho remunerado. No início de 1983 recebi proposta de uma livraria de títulos religiosos e materiais escolares, uma típica livraria e papelaria. Aceitei-a. Pena (ou não), o primeiro emprego só durou um mês. Demiti-me, pois o patrão proibiu-me de ler em serviço, mesmo na ausência de clientes. Pelo menos recebi um salário.
Logo depois, um amigo abriu um sebo de livros e discos. Ele mesmo montou boa parte da infra-estrutura da loja: estantes feitos de cano de PVC, pintadas de verde escuro. Ajudei-o nesta tarefa e por isso, acho, convidou-me para trabalhar com ele, como atendente. Aceitei e bati “o meu próprio recorde”, pois lá fiquei mais de um mês.
Esse amigo é Marcos Leonel, conhecido na cena “udigrudi” local como Marcos Lobisomem. O sebo era o Et Cetera.
A inauguração do sebo aconteceu numa noite de sexta. Foi um evento inesquecível. Tanto que suas imagens retornam, deixando-nos naquela saborosa recordação.



Fotos da inauguração do sebo (acervo de Marcos Leonel)

Programa Cariri Encantado homenageia Segestes Tocantins e sua música

O programa Cariri Encantado Sonoridades, apresentado as quartas-feiras, pela Rádio Educadora do Cariri, prestou uma singela, porém significativa homenagem ao músico Segestes Tocantins, que faleceu ano passado.


BIOGRAFIA - Segestes Tocantins nasceu em Quixadá, sertão central do Ceará, em 2 de dezembro de 1961. Aos dez anos de idade, radicou-se em Salvador, Bahia.
Na capital baiana, no início dos anos 80, Segestes começou sua carreira musical tocando em barzinhos e espaços alternativos. Seu repertório incluía vários ritmos, gêneros e tendências musicais, como rock, reggae, MPB, frevo, afoxé, baião e outros. Ainda na década de 80 integrou várias bandas de rock, a exemplo das bandas Paradoxo e Contravenção, em Salvador, Bahia, e Pombos Urbanos e Fator RH, em Crato. Nestas, tocou  ao lado de João Nicodemos, Carlos Rafael, Marcos Leonel, Lupeu e Calazans Callou.
Após a temporada morando em Juazeiro do Norte, Segestes Tocantins retornou a Salvador, onde fundou, no ano 2000, o Bar dos Artistas.
Em 2006, a banda Nacacunda, sucessora da banda Fator RH, gravou a música Buraco Negro, uma parceria de Segestes Tocantins e Marcos Leonel.
Segestes sofria de problemas pulmonares. Ele ia se submeter a um transplante, mas não resistiu às complicações decorrentes da diabetes. Antes, gravou um disco, um antigo sonho, intitulado Na Passagem. Para tanto, contou com a ajuda de Luiz Gutierrez, Gil Gomes e Geraldo Viana, além de sua irmã Varenka Araújo, que produziu o trabalho. Neste disco, Segestes Tocantins canta, toca violão e guitarra e é o autor de todas as letras do CD.

TRIBUTO RADIOFÔNICO – No programa, ocorrido hoje, 15/02, apresentado por Luiz Carlos Salatiel, os convidados, João Nicodemos e Carlos Rafael, deram depoimentos sobre a época em que Segestes Tocantins viveu no Cariri e foi um dos protagonistas na cena roqueira local, ocorrida na segunda metade da década de 1980. Entremeando o papo, o programa tocou várias músicas do disco Na Passagem, considerado o testamento musical de Segestes.
A seguir, as fotos do programa:

Luiz Carlos Salatiel apresenta o disco

Salatiel apresenta
João Nicodemos comenta, Iderval Silva controla

João Nicodemos e Salatiel

Nico, Sala & Rafa: este trio fundou a banda Pombos Urbanos e apresentou um programa anarquista na Rádio Araripe do Crato, em 1987: Terrae Brasilis

Iderval Silva, Salatiel, Nicodemos e Rafael celebram o tributo a Segestes Tocantins
Salve!

Pelé e Bidu - José do Vale Pinheiro Feitosa

Pelé e Bidu

Conheci a vida em pessoa. Alcoolista a ponto de ter o álcool como um veneno que lhe subtrai o mundo e a vida. Por isso milita no AAA de sua cidade. Alto, magro, um gingado da raça, tão bom de bola na adolescência que recebeu o apelido de Pelé e até hoje o é.

Na altivez da vida. Aos setenta e dois anos terminando a terceira série do segundo grau. A razão? O que mais gosta na vida é o conhecimento. Agora tomando aos goles de teoria a mesma eletricidade que soluciona nos automóveis. E eis que a física que é sua prática e hoje a teoria escolar, está na razão da sua síntese. O quê expressa Pelé? Este que vos falo!

A síntese dialética entre fim e eternidade. De todos os conceitos o “fim” é o terminativo de todos os demais conceitos. Os conceitos expressam o mundo em movimento, se não como dinâmica própria seja como parte a contrapor-se (ou complemento) a outro conceito. Já o fim é a cessação do movimento.

Como Pelé, somos mortais, portanto chegados a um fim. Tomamos conceito de fim como absoluto. A bíblia o radicaliza como o fim dos tempos. Afinal é contundente que a antiguidade já tenha reconhecido que o tempo expressasse o movimento do mundo (ou, seja contundente que ainda continuemos com a antiguidade em nós).

Mas o fim de Pelé se encontra numa dinâmica exterior a ele, que se prolonga muito além do último Pelé que o mundo criar. Então: Pelé é a finitude que se estica neste momento na eternidade. O conhecimento é prova da eternidade. E digo com toda certeza apesar dos grandes quilômetros a nos separar neste momento.

E foi no compasso dos dias que tomei conhecimento da história amorosa de Bidu. Um cão pincher, com aqueles olhos saltados mas um contraponto de personalidade que lhe é comum pela raça. Bidu era amoroso. Nada nervoso. Latia para estranhos, mas não com todos aqueles tremores da raça.

Um dia apareceu uma gatinha, ainda na fase de crescimento, e resolveu adotar o nicho ecológico de Bidu. Ao invés de Bidu fazer a explosão da espécie quais os humanos caricaturam como cão e gato, ele cai de amores pela gatinha. Sei, os mais velhinhos que diziam gatinha logo pensam no acerto, mas convenhamos que a lei humana é: cão persegue gato.

E Bidu faz a corte, lambidas, patas abraçando, tentativas de contato físico. A gatinha se esquivava dos carinhos como podia, mas adotara além do nicho. Adotara Bidu. E Bidu sendo aceito, se desmanchava em tentativas. Todas cruzadas pela divisão das espécies, mas a zoologia não era a classificação dos dois.

Bidu fazia outra classificação: a do amor. Tomado de amores não se afastava nem para alimentar-se. Onde ela fosse, iria atrás. Onde estivesse também estaria. Onde se encontra lá está. Foi aí que o dono de Bidu, tomado de pena com a cena contraditória dizia:

- Bidu! Rapaz! Isso não vai dar certo. Bidu! Não vai dar certo!

Bidu nem aí para os conselhos. Se não fosse um cão enorme e de dentes afiados a destroçar a cabeça da gatinha, a história teria um tempo de Romeu no jardim e Julieta na sacada a se prolongar. E Bidu não largou sua amada no transcurso do seu último respirar.

Os vórtices da paixão humana - Emerson Monteiro


E quando o tempo fecha, vinda de dentro do coração a força descomunal dos rios cheios de arrancar as pedras, arrebentar e destruir, apertar o tórax a ponto de prender a respiração, faz nascerem os surtos maravilhosos dos planos imaginários do que se chamar paixão. Sem lugar de repouso, ímpetos de querer fugir lá para longe como objeto do desejo, e esquecer, no passado, as belas construções e a família, jogar fora os valores alimentados anos a fio, essa fome do impossível trava a boca do estômago, pedido surdo de espaço no território inexplorado das ilusões, os vórtices de paixões jamais experimentadas, que já invadem com farra a paz dos inocentes. Nisso a vontade incontida do sonho ciranda acelerada, de revirar o mundo e reconstruir as intenções pela vida afora, junto de quem chegou o momento fantástico da mudança.


Saber que possui os direitos da razão, eis missão das mais ingratas. Ninguém anda nos campos do coração, nem o próprio dono, livre de machucar, vez ou outra, os frágeis pés. Ali, aqui, sopram os ventos da ansiada liberdade recém adquirida nos bancos da Natureza. Dominar, no entanto, significa talento de sabedoria, inteligência maior de personalidade, gosto do equilíbrio em andar maneiro longe das destruições arriscadas da fria irresponsabilidade.


Contudo, ainda saíram até aqui só poucos professores neste assunto, formados na escola da experiência. Alguns poetas e romancistas trabalharam o tema, porém chegaram pouco no transmitir da certeza de controlar as batidas dos corações apaixonados. O cancioneiro popular talvez olhasse mais próximo, com suas modinhas doridas, marcas rumorosas das primas e dos bordões, a vibrar as madrugadas insones das curvas idolatradas do ser amado.


Bom, em matéria de sentimentos incontidos nas quatro linhas da razão restam fora de propósito quaisquer cogitações asseguradas na luz da consciência pura. Vira de lado, corre agitado, abandona o lar, o desespero parece querer tomar conta dos protagonistas presos nas garras de aço da paixão. Eis matéria viva das contradições humanas, circunscritas ao calendário das idades. Vem silenciosa, rasga o teto da tranquilidade na história pessoal e despeja os tonéis de tempestade no peito dos solidários boêmios da esperança e parceiros iluminados.


Houvesse justificativas nas tantas circunstâncias do inesperado, poucos achariam as jóias de explicar a dor da paixão nos pobres corações humanos. Respeitar, no entanto, a febre da paixão de todos cabe descobrir qual jeito de poder mora no íntimo do amor de cada ser.

Programa Cariri Encantado: Tributo a Segestes Tocantins






 É hoje!

O Programa Cariri Encantando especial sobre Segestes Tocantins será hoje, dia 15 de fevereiro, quarta-feira, das 14 as 15 horas, pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e pela Internet
www.radioeducadoradocariri.com

Apresentação: Luiz Carlos Salatiel

Participação: Carlos Rafael

IMPERDÍVEL!


Pequena biografia

Segestes Tocantins nasceu em Quixadá, sertão central do Ceará, em 2 de dezembro de 1961. Aos dez anos de idade, radicou-se em Salvador, Bahia.

Na capital baiana, no início dos anos 80, começou sua carreira musical tocando em barzinhos e espaços alternativos. Seu repertório incluia vários ritmos, gêneros e tendências musicais, como Rock, Reggae, Música Popular Brasileira, Frevo, Afoxé, Baião e outros.

Ainda na década de 80 integrou várias bandas de rock, a exemplo das bandas Paradoxo e Contravenção, em Salvador, Bahia, e Pombos Urbanos e Fator RH, em Crato, ao lado de João Nicodemos, Carlos Rafael, Marcos Leonel, Lupeu e Calazans Callou.

Após uma longa temporada morando em Juazeiro do Norte, Segestes Tocantins retornou a Salvador, onde fundou, no ano 2000, o Bar dos Artistas.

Em 2006, a banda Nacacunda, sucessora da banda Fator RH, gravou a música Buraco Negro, uma parceria de Segestes Tocantins e Marcos Leonel.

Segestes, que era fumante, sofria de problemas pulmonares. Ela ia se submeter a um transplante, mas não resisitiu a complicações decorrentes da diabetes. Antes, porém, gravou um disco, um antigo sonho, intitulado Na Passagem. Para esta empreitada, contou com a ajuda de Luiz Gutierrez, Gil Gomes e Geraldo Viana, além de de sua irmã Varenka de Fátima, que produziu o trabalho. Neste disco, Segestes Tocantins canta, toca violão e guitarra e é o autor de todas as letras do CD.

Segestes Tocantins faleceu no dia 14 de maio de 2011, antes de completar os 50 anos de vida.

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Cogumelo Nuclear

Segestes Tocantins

Eles querem acabar com a terra
Querem fazer outro lugar
Se outra guerra acontecer
A nossa velha terra
Vai virar poeira cósmica no ar

Mamãe pensa que eu não me ligo
Na política do homem
Na ganância do mundo
Na ganância do homem

Eles querem acabar com a terra
Já tem até base lunar
Desafiam o poder de Deus
O poder da criação.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

"Meu Olho de Vidro", de Jackson Bantim

  • Jackson Batim, o Bola, fez uma apanhado de décadas e chama a atenção da sociedade para uma reflexão para a preservação de suas tradições culturais e, sobretudo, os bens naturais que ainda se mantém em reservas naturais
Reportagem de ELIZÂNGELA SANTOS
"Bola", mestre da luz e da imagem, apresenta acervo de duas décadas de fotografias raras e belas da Região Sul

Juazeiro do Norte. Um passeio iconográfico e reflexivo do cineasta e fotógrafo Jackson Bantim, o "Bola". Por mais de duas décadas, mostra, além de imagens raras e belas da região do Cariri, a preocupação com a preservação da cultura e a natureza. São mais de quatro décadas de trabalho, que ele resolveu reunir no catálogo de imagens "Meu Olho de Vidro", que está sendo lançado na região.

A seleção foi minuciosa diante dos milhares de registros durante todos esses anos. "Um olhar emocionado das paisagens, paragens e personagens do mundo que vivi", diz Bola. Jackson Bantim faz parte do Grupo de Pesquisa em Cultura Visual, Espaço, Memória e Ensino (Imago), da Universidade Regional do Cariri (Urca).

Junto com a equipe e pesquisadores da instituição, tem feito um trabalho voltado para o registro de importantes documentários, a exemplo do mais recente lançado "Formação Romualdo - Um Milagre Paleontológi-co". O filme trata da riqueza e importância dos fósseis da Chapada do Araripe, já traduzido em vários idiomas e exposto em diversos países, principalmente os que hoje estão inseridos na rede mundial de Geoparks do planeta.

A cultura popular é outro tema explorado pelo cineasta em seu trabalho e grades nomes do Cariri da poesia, a exemplo de Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, no qual é admirador do seu trabalho.

Acervo

Bantim possui um grande acervo de imagens com o poeta. Além dele, o mestre da xilogravura Valderêdo Gonçalves, e outro mestre e incentivador dos grupos de cultura da região, mestre Elói Teles. "Foi uma forma de expressar a amizade e o trabalho junto a esses grandes artistas e amigos", diz ele.

Para o fotógrafo, esse é um documento que expõe a beleza exótica da Chapada do Araripe, com uma vegetação que insere desde o serrado à caatinga. Seu material chegou a ilustrar capas de vários livros, discos, e até material didáticos em escolas públicas, além de revistas e jornais. Ele recorda as belas imagens que fez na Cascata, em Crato, fonte que jorrava água em todas as fases do ano. Agora, apenas no período de chuvas.

"Ao olharmos essas imagens, não tem como não se lançar a uma reflexão do quanto o homem vem degradando a natureza e essa beleza tem que ser mantida em nome da vida", avalia. Também podem ser vistos em seu trabalho flagrantes de rara beleza, de quem se embrenha na Floresta Nacional do Araripe (Flona), para captar imagens raras, a exemplo do pássaro ainda em risco de extinção, o soldadinho-do-araripe, ou até mesmo de um pequi no galho em forma de coração. Ou até mesmo perceber a beleza de uma flor de jitirana brotando de dentro de uma sucata de veículo.

"Esse álbum não é apenas uma coisa bonita de se ver, mas tem suas advertências", alerta. O trabalho de Bantim foi dedicado ao seu avô, Luiz Gonzaga de Oliveira, o Gonzaguinha, que inaugurou uma fase importante da fotografia no interior do Estado, em longas andanças.

Talento

Muito cedo, o seu avô demonstrou talento para captar o cotidiano da cidade do Crato, em sua máquina Kodak Full Screen. Ele foi o primeiro fotógrafo profissional do Cariri, com uma atuação desde 1885 a 1930. Seguindo os passos do avô, agora reúne importantes fatos, acontecimentos e figuras naturais para dar apresentar um registro histórico.

A inspiração do trabalho pioneiro do avô tem-lhe valido um crescente desenvolvimento da arte de captar a realidade pela e a imagem. Conforme conta, é um importante legado.

Algumas de suas fotografias podem ser encontradas no Museu Histórico do Crato, outras são guardadas como relíquias pela família, a exemplo de imagens do Cassino Sul-Americano, Seminário São José e Praça Juarez Távora, reserva e memória da cidade do Crato.

Como não deveria deixar de ser, Jackson Bantim dá segmento a esse trabalho, com o toque de admiração artística e grande amor pela região.

Acervo
2 décadas de fotografias importantes de elementos regionais estão agora registradas em um catálogo que se configura como documento histórico

Mais informações:
Contato com Jackson Bantim
Rua Pedro Bantim, 33
Crato - CE
Telefone (88) 9212.2147


Fonte: Diário do Nordeste - Online

Cariri Encantado presta homenagem ao músico SEGESTES TOCANTINS

O programa Cariri Encantado-Sonoridades! dessa quarta-feira vai relembrar momentos da "cena rockeira" caririzeira dos anos 80/90 ao mesmo tempo que presta singela homenagem ao músico SEGESTES TOCANTINS (in memória). Estão confirmadas as presenças dos ícones "dinossauros" da época, tais como: Carlos Rafael Dias, Macos Vinícius (lobishome) e Júnior Balu.
A gente vai tocar no programa o único CD gravado por SEGESTES antes da sua prematura morte e passagem, CD que foi enviado pela irmã do músico para o amigo Carlos Rafael.
Então, vale conferiri!

SERVIÇO:
Programa Radiofônico CARIRI ENCANTADO - SONORIDADES!
A partir das 14 horas pela Rádio Educadora do Cariri - 1020 MHZ AM -
Pela internet: www.radioeducadora1020.com.br
Produção: OCA-Officinas de Cultura Artes e Produtos Derivados, Revista Virtural CaririCult
Apoio Cultural: Radio Educadora do Cariri.
Apresentação: Luiz carlos Salatiel

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"Portal da Transparência" - José Nilton Mariano Saraiva

No organograma do Governo do Estado, o Tribunal de Contas dos Municípios é o órgão que tem a finalidade precípua de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos despendidos pelas prefeituras municipais, em suas diversas frentes.

Pois bem, de acordo com o site do Tribunal de Contas dos Municípios - CE, que nos dias atuais elabora e divulga seu portal da transparência com base em “...dados enviados pelo Município através do Sistema de Informações Municipais–SIM”, a Prefeitura do Crato e os “participantes/negociantes” Marinete Vieira da Silva Armarinho-ME (CNPJ 01204132000106) e Eder Pereira Correia-ME (CNPJ 10658186000124) acordaram sobre a Licitação 1802.04/2011-02, de 16/02/2011, modalidade "pregão", tipo “menor preço”, no valor total de R$ 2.992.268,30, OBJETIVANDO ESPECIFICAMENTE (atentem para o detalhe) a “...aquisição de material elétrico, hidráulico, ferragens e construção destinados a Secretaria de Saúde deste Município” (sic).

O estranho nisso tudo é que Marinete Vieira da Silva Armarinho-ME (CNPJ 01204132000106) conseguiu algo sui generis, inusitado até, uma verdadeira proeza, que os denodados “técnicos” da Prefeitura do Crato bem que poderiam esclarecer aos mortais-comuns: vender uma montanha de “HORTIFRUTISGRANGEIROS” (sic) para a Prefeitura da cidade, nas datas e valores seguintes: em 04.05.2011 – R$ 4.069,00; em 22.06.2011 – R$ 4.119,94; em 10.10.2011 – R$ 4.218,84; em 09.11.2011 – R$ 4.332,24; e em 10.11.2011 – R$ 4.532,59; totalizando R$ 21.272,61 (mas uma vez é imprescindível lembrar que, de acordo com o constante da Licitação sob referência, o OBJETIVO era um outro, totalmente distinto).

A se confirmarem tais transações (e não há porque duvidar, porquanto divulgado no site oficial do TCM com base em informações da própria prefeitura), certamente os “amigos do rei” hão de tentar desviar o foco da questão, bem como desqualificar a “proeza”, sob a alegativa de que o valor é irrisório, em relação à compra total e coisas tais. Mas, aqui pra nós: armarinhos não são “...pequenas lojas em que se vendem tecidos, aviamentos de costura e outras miudezas” ???

Causa desconforto, pois, acreditar que os auditores do TCM não atentaram para a “surrealidade” de, em pleno século XXI, um “ARMARINHO” se prestar para a venda de “HORTIFRUTISGRANGEIROS” (sic), e ainda mais para um ente público (e num valor significativo, para qualquer tipo de "armarinho" que se preze).

Será que na época em que disponibilizaram (aparentemente sem maiores preocupações) tal tipo de informação para o TCM (um Tribunal cuja finalidade é fiscalizar o erário, não custa lembrar), os abalizados “técnicos” da Prefeitura do Crato estariam a sugerir que aquela corte não fiscalizaria nada e, portanto, sua auditagem restaria infrutífera ??? Ou em sua soberba estariam querendo nos levar a crê que o colegiado do TCM é composto de pessoas incompetentes, incapazes de detectar tal tipo de excrescência ???
Até quando vamos ter que suportar coisa tão esdrúxula ???
Cadê a moralidade que deve nortear a coisa pública ???
E o respeito ao povo ???

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Curso sobre artes "para não artistas" é realizado para estudantes universitários do Cariri




Com o intuito de discutir novos fazeres e perspectivas da arte na contemporaneidade com pessoas que estão fora dos espaços artísticos, o Coletivo Camaradas realiza deste o início de fevereiro, o curso sobre artes “para não artistas”. O curso é direcionado para estudantes universitários que estão como monitores no Laboratório de Estudos, Vivencias e Experimentos em Arte Contemporânea – LEVE Arte Contemporânea realizado pelo grupo em parceria com outras instituições.



O Laboratório vem sendo desenvolvido desde o ano passado com alunos de escolas públicas do Crato e já resultou na produção de seis vídeos pedagógicos que poderão ser utilizados por professores de Artes nas suas aulas e na Exposição “De não artistas” que está sendo exibida na Galeria do SESC Juazeiro.



Já mês de março, os monitores estarão visitando as escolas de Ensino Médio da cidade do Crato para inicia os trabalhos de parcerias com as escolas. A intenção é beneficiar 20 alunos de cada escola que terão a oportunidade de terem contatos com artistas, galerias de artes, espetáculos, materiais de estudos e ações de intervenções urbanas, performances e produção de vídeos para auxiliar os professores de Artes.