TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE
sábado, 20 de dezembro de 2008
Três Apitos
Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
E está interessada
Em fingir que não me vê
Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Porque não atende ao grito
Tão aflito
Da buzina do meu carro
Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé no agasalho
Nem no frio você crê
Mas você é mesmo artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você
Nos meus olhos você lê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente
Impertinente
Que dá ordens a você
Sou do sereno poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe
É que enquanto você faz pano
Faço junto do piano
Estes versos pra você
( adivinhe se puder )
.
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6 comentários:
E ainda tem gente que quer comparar uma obra-prima dessas com a porcaria do "Funk de Rua", como aqueles deputados da reportagem...
Abraços,
DM
Qualquer menino sabe... risos
Essa música é mesmo um primor.
E a melodia ?
"Nos meus olhos você vê
Como eu sofro cruelmente ..."
"Sou do sereno
poeta muito soturno ..."
"Faço junto do piano
esses versos pra você"
Nem é Papai NOEL, nem é ROSA. É o poeta da Vila !
Lindo, Dihelson, texto que fala pra mim,que me sinto incluída nele, que posso sentir...
Bom quando mexe com essas emoções da gente, já pensou alguém dizendo esse poema pra você, pra mim, pra qualquer um, não há quem não se deleite...
obrigada pelas sensações causadas.
Abraços.
Realmente, Três Apitos é uma obra-prima...
Essa do
"Enquanto você faz pano, faço junto do pinao, esses versos pra você"
DEMAIS...a gata dele nem sabe...
rs rs
Bjus!
Dihelson... sempre as gatas-musas...
Lindeza de letra e de música. Isso sim leva a gente pra estratosfera, nos faz levitar...
Abraço,
Claude
Pois é, Claude,
As Gatas-Musas do "NOEL ROSA", diga-se de passagem...
Bjus!
DM
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