Meu pai tinha o sobrenome. Eu, no entanto,
não o tinha. Carregava com orgulho o sobrenome da minha mãe. Mas o sofrimento
familiar, a começar pelos primos, pelos filhos de Célia e Miguel que foram
crianças como eu no mesmo ambiente, pelos tios, pela ignomínia de ver nas
"revisas semanais" da época Miguel Arraes preso em Fernando de
Noronha. Aquele homem que nunca pegou em armas, nunca se escondeu atrás de
nomes falsos (por mera covardia), tudo que fez em política foi pelo voto e com
o povo de Pernambuco e muita simpatia do Brasil inteiro.
Quando retornou ao Brasil, uma geração de
políticos jovens tinha ocupado o espaço Pernambuco da oposição. Ele voltou como
um herói nacional, mas teve que ralar pelas cidades do estado para se colocar
em liderança novamente. Miguel Arraes não foi um dos maiores políticos do
Brasil do século XX apenas porque tinha projeção, ele tinha projeção porque não
pertencia à elite pernambucana, era um homem dos sertões e ao lado de um
projeto nacional se pôs.
Entre o projeto de governo do PT e de
Miguel Arraes tinha muita integralidade estratégica e diferenças táticas, até
pela matriz social de um e de outro. Miguel Arraes nunca se pôs ao lado de FHC,
nunca chegou perto do PSDB e sempre se posicionou contra a política do Estado
Mínimo e da prevalência dos interesses do Sistema Financeiro
(neoliberalismo).
Pela proximidade, foram quatro anos que
ainda vivi no Crato, eu sei, lembro, tenho testemunhas, a família lembra,
recorda, não se esquece do comportamento escuso, ausente, até covarde de uma
gente que apoiava o Golpe Militar a partir de 1964. Isso não se esquece e
sempre que argumentos se manifestam tentando confundir o passado para
justificar as próprias posições no presente, a lembrança se manifesta viva como
o voto que daremos no próximo dia 26 de outubro.
Miguel Arraes foi atacado porque defendia
um país igualitário, com uma sociedade de direitos humanos, um país soberano,
amigo das nações, mas livre para definir o seu destino no interesse do seu
povo. Miguel Arraes nunca foi aliado do agronegócio, sempre pensou no progresso
do camponês, nunca jogou com o destino do povo, jamais vacilou, mesmo quando
por ordem tática havia de fazer acordos políticos.
Miguel Arraes, o grande líder da esquerda
nordestina e brasileira, era um nome de realce na esquerda mundial. O próprio
exílio o colocou ao lado dos grandes movimentos libertários da África e da
Ásia. Viveu ao lado de refugiados, torturados, banidos, expulsos por toda a
América Latina e especialmente do Brasil. Miguel Arraes, foi perseguido pelos
organismos do governo americano que fizeram ampla campanha e sabotagens contra
ele.
Miguel Arraes, a unidade, a união, nunca
se poria ao lado de Aécio Neves por tudo que conhecemos dele. Por toda a
história de Arraes no campo da ação política fica claro que ele é um guia até
hoje. É, pela sua história e a herança que nos deixou, quem vai orientar o
nosso voto.
Não esqueçamos que esta velha política dos
surfistas da corrupção é o principal argumento da direita brasileira desde a República
Velha. Como não podem demonstrar as verdadeiras intensões de suas políticas,
eles destroem, criam enredos e histórias, gritam a pleno ódio e geram torcidas
violentas como as de futebol, tudo com a fumaça de que corrupto são os
outros.
Quando Miguel Arraes retornou ao Brasil
esta mesma direita que vocifera no ombro do Aécio Neves, pôs cartazes dizendo
que ele era o homem de seis milhões de dólares, a baixaria típica destes
privilegiados que temem a cada minuto perder a mamata. E nunca esqueçam que
tentaram arrastar Eduardo Campos, há muitos anos atrás, no famoso caso das
Precatórias. E agora mesmo lançam na sala o Senador Guerra já morto, do PSDB,
só para justificar o vazamento de nomes do PT.
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