TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

Mostrando postagens com marcador poesias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesias. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Solo Incerto

Desconhecia o medo dos amores incertos
Hoje conheço o medo das percas
E os arranhões das saudades que marcaram minha face
Os medos ainda constrangem meus olhares
Que já não é uma lança que apunhalava
Teu coração

É por precaução, que hoje quero do amor
Só o amor sem aventuras, quero o solo
O passo certo dentro do teu coração.

Imagem: Victor Melo

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

S(C)em palavas, apenas com pontos.

Eu grito, pois minha voz já muito
No exílio esteve.
E assim tive dias de fome,
E noites infinitas de sede.

Onde meus verbos, quase todos alvejados,
Mesmo que tão famintos,
Na altivez do próprio instinto
Sangravam rosa nos prados.

Eu brado, pois, até minhas vírgulas
Quase imóveis, cheias de feridas,
Choravam, e em cada partícula
Do seu pranto nasciam margaridas.

E mesmo na altivez da teimosa,
Exclamação!
Cede com cautela a sua vez,
Ao ponto de interrogação. (?)

Foto: Fotografamador
Fonte: http://olhares.aeiou.pt/palavras_e_mais_palavras_foto730799.html

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Amor. Teatro de Revista.

O amor é coisa simples, é uma valsa adocicada
Um fim de tarde com as réstias de sol vinda dos quintais
Invadindo a cozinha.

O verdadeiro amor sempre me lembra um fim de tarde.
Eu copiando os quadros do Renoir aos dez anos de idade
A chuva de verão, a faca sangrando os figos para o sabor dos olhos,
O cheiro de domingo, a ânsia pelo momento certo de cruzar olhares
De enlaçar línguas, de invadir-se em cheiros

É calma a esperar o soneto que guardo aqui,
Pacífico e revolto, na véspera de sair entre os dedos
Como se corressem feito o suor em meu corpo

É o voo das folhas, o passo da moça
A perna morena, a violência do olhar.
O negar-se por outros, é o chegar no momento
É um tormento tão doce, e se assim não foste, não era amar.

Foto: Mário de Oliveira

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ruas

Rua, nua de tortuosas imagens que percorrem teu coração
Rua, veredas tuas tão vorazes que me erguem ilusões
Rua de caminhos estreitos, eu que me perco em teus eixos
Que temo os dentes de tuas feras na esfera que vejo o futuro
Em cima do muro, como a cigana que leu a minha mão.

Trincheiras interrompem mil passagens onde findaram meus planos
Ando, em rumo incerto certo que estou perdido nas quimeras mais medonhas
Sonhando com essas minhas vadiagens que me deram tantos danos
Manco, por tuas ruas e avenidas que de certo também está perdida
Como um ciclope em um tufão.

Vêem-se ruas novas e esburacadas, vê-se que sofres tão caladas
Nessas urbes onde turbas tão dantescas movidas só pelos desejos
Foram por vezes o ensejo, o mote que vós tão bem rebatia
Com um solfejo de alegria, como uma mentira necessária
Como uma maquiagem de cor púrpura sobre a face anêmica.

Ruas, onde me levas não sei, não sei de nada
Por tuas bussolas obsoletas, perco-me em tuas setas
Que só me levam aos labirintos, dos teus mais feios instintos
Só me levam ao alçapão de teu coração

Imagem: Fernando Jorge Lima
Fonte: http://olhares.aeiou.pt/rua_direita_de_viseu_foto1344192.html

quarta-feira, 22 de julho de 2009

POEMA DE AMOR DE UM POETA FRIO

Eu que da placenta das quimeras
Arranquei meu sonho mais realista
E de lá, feito um pássaro ligeiro
Saiu você, nívea feito à nuvem,
Púrpura feito o entardecer,
Quente, de olhos negros
Feitos meus pensamentos mais tenebrosos

Nasce do pântano das minhas dores
Do balsamo das minhas ilusões
Dos delírios das minhas chagas
Achas neste pântano de fuligens
Uma alma tristonha, mas um coração em flores

Achas um rosto trigueiro e frio
Mas que não reflete em sua tez
A altivez do meu próprio brio
Pois amor surge em mim como bálsamo,
Uma gota de cada vez.

Imagem: Andre Ulysses de Salis

quinta-feira, 2 de abril de 2009

PRAZERES MÓRBIDOS

No trovejar da noite
Nos delírios do gozo
Eu sobrevivo junto da ossada dos transeuntes
No bojo dos pecados, no bico do seio
Na paz das pombas,nas línguas das gírias das putas,
Na luz de suas grutas, fontes de tesouros
Onde de gozo em gozo reluz o ouro
Sobre a face faminta da solidão.


Autor: Paulo Almeida (Pasma)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

JÓIAS SEM FIM

Em todos os meus sonhos
Nos mais caros enfim
Eu enfeitava o teu corpo
Com mil bijuterias sem fim

Um colar de quase pérolas
Um dourado meio fosco
Uma prata nada cara, pois...
Pois tesouros sem fim estão dentro de ti

Dentro de ti meu amor há sim um universo sem fim
Dentro de ti de verso em verso
Saem pérolas, que todo o resto
Nada mais é do que festim

Em todos os meus sonhos tu reluz
Rutila em teu ser sóis exalando jasmim
Nada mais que sóis exalando jasmim
Isso sim, são jóias sem fim, isso sim, isso sim...

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Filha da Bruma.


São nos olhos pousados sobre teu corpo como o sol que pousa sobre a terra,
Que perco meus raios sobre ti,
Como as folhas correntes nos ares do outono, como as pedras dolentes nos rios, nas águas de março...
Que assim surjo para ti e tu somes no vazio do espaço
É assim que corro como Apolo, pelos céus, que roubo as asas de Ícaro e grito teu nome do alto da torre de babel, do alto de todos os píncaros.
E assim correm meus dias vendo as flores nascerem como você. Ver cada pétala Invadir-se de cor como você que infesta de vida ao chegar, que vejo as ervas daninhas olharem o viço das flores aspirando matar...
E eis que as lágrimas caídas do rachar do céu não somente inspiram os crimes das ervas,
Não inspiram somente o bradar de trovões.
Agoam sim teu corpo e a água toma-se em veios, suas veias, nutre-as e assim torna Novamente a teu viço impecável, o teu exalar letárgico de perfumes e teus olhos negros a furar-me a alma.
É por a mesma navalha que também sangro e me faço etéreo, agora não mais para te buscar...
Torno-me híbrido, um tiro de festim, a perfurar-lhe o peito e em você me misturar.