TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE
domingo, 24 de abril de 2016
sexta-feira, 22 de abril de 2016
CASAMENTO DE GREGO - Demóstenes Ribeiro (*)
Hermógenes
tinha dezoito anos quando cansou de tanger bode nos Inhamuns e se
mudou pra Fortaleza. Morou uns tempos na Casa do Estudante e mal
concluiu o ensino médio. Porém, em pouco tempo, num armazém da
Governador Sampaio, descobriu o caminho das pedras e passou de
empregado a patrão.
Ganhou
dinheiro, deixou o subúrbio e muitos doutores o invejam. Logo,
apartamento na aldeota era pouco. Vendo que poderia ter edifícios,
contratou engenheiro e começou a construir. Um dos seus prédios tem
elevador panorâmico. Ali, ele se mostra à cidade e gosta de vê-la
aos seus pés.
Mas,
Deus nunca dá tudo. Não fosse a mulher, a vida seria bem melhor.
Helena, metida à sabida e chegada à leitura, batizou sua única
filha, de Jocasta. Hermógenes adora a filha, mas ela não herdou
nada do pai. Gordinha, vesga e fanhosa, tem algum problema de cabeça:
já passou dos trinta, esteve em tudo que é colégio e não aprendeu
nada. Não desgruda do smartphone. Só quer saber de facebook, de
what´s up e de namoros virtuais.
A
filha há dias não falava com ele, mas ontem lhe surpreendeu. Disse
que o namorado está em São Paulo e virá conhecer o Ceará. Ela o
encontrou numa rede de relacionamentos. Com a crise da Grécia,
Xerxes imigrou para o Brasil. No celular, Hermógenes viu que ele é
baixinho, cabeçudo e careca; tem o queixo enorme, mas Jocasta nunca
esteve tão feliz.
Xerxes
fez imersão em português e os pombinhos já noivaram pela internet.
O casamento não deve demorar. Hermógenes está ansioso e não vai
deixar faltar nada. Imagina uma festa grega, com garçons de luvas
brancas e bandas tocando mesmo depois do sol raiar.
O
cerimonialista lhe orientou a assistir “Zorba, o grego.” Ele viu
a fita cem vezes, está se achando um Anthony King, mas, vai se
divertir mesmo, é com a quebra de pratos. Encomendou mais de mil e
não vai sobrar nenhum. Helena está satisfeita. Desde a época do
namoro, ela gosta de quebrar coisas. Na última briga, com ciúmes,
destruiu a cristaleira, o espelho da sala e a televisão.
E,
com essa ostentação, Hermógenes aposta que Xerxes o confundirá
com Onassis ao provar da cachaça com buchada de carneiro que virá
especialmente de Tauá: bom demais!
(*)
Demóstenes Ribeiro – Médico-Cardiologista, atua em Fortaleza e é
natural de Missão Velha-CE
quinta-feira, 21 de abril de 2016
PRESIDENTA DILMA NA ONU - José Nílton Mariano Saraiva
Após
a imprensa internacional repercutir a tentativa em andamento de um
golpe parlamentar no Brasil (via Congresso Nacional), objetivando
castrar o mandato de uma Presidenta da República democraticamente
eleita por quase 55 milhões de votos, causou profundo mal estar
entre alguns membros do Supremo Tribunal Federal a corajosa decisão
de Dilma Rousseff de denunciar, viva voz, no plenário da ONU -
Organização das Nações Unidas (onde têm assento cerca de 200
países), a conspiração que tenta destituí-la ilegalmente da
Presidência da República (falta o Senado “bater o martelo”).
Tal
indignação seletiva das “excelências” do STF decorre do fato
de que a fala da Presidenta da República naquela seleta corte
explicitará e mostrará ao mundo, de maneira honesta, madura e
pensada, que a porção podre do Poder Judiciário brasileiro, via
Supremo Tribunal Federal, funcionou e funciona como copartícipe da
conspiração golpista em andamento. Tanto “sentiram o golpe”
que, sem nenhum escrúpulo ou parcimônia, desde já se valem da TV
para um “aviso” de futuras retaliações.
No
entanto, a verdade é que dentre as inúmeras arbitrariedades
praticadas em desrespeito à Constituição Federal por parte de
agentes do Judiciário (desde a época do tal “mensalão”),
agora, numa situação extremamente grave, pelo menos em duas
ocasiões distintas e decisivas aquela corte literalmente chancelou
(sub-repticiamente) os atos praticados pelos patrocinadores do tal
movimento golpista, a saber: primeiro, ao ignorar que a mandatária
maior do nosso país não cometeu nenhum crime de responsabilidade no
exercício da sua gestão e, portanto, não pode ser substituída por
quem não foi eleito, via voto popular (se acontecer a assunção do
“vice-sem-voto” e citado em diversas delações, será a
inconstitucionalidade vicejando perigosamente); depois, quando, por
conveniência, conivência ou covardia, aquela corte não se
manifestou em nenhum momento sobre a absurda situação de termos
tido um réu da justiça e desafeto de Dilma Rousseff (o mafioso
presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha) presidindo uma plenária
com o objetivo único de julgar a Presidenta da República, apesar
das comprometedoras e comprovadas denúncias envolvendo-o, ofertadas
pela Procuradoria Geral da República desde o ano passado (e como já
decorreram 160 dias sem que suas “excelências” do STF se
pronunciem, só falta mesmo o distinto ser absolvido pelos
“relevantes serviços prestados”; isso se algum dia for julgado
por aquela corte).
Merece,
pois, todo o apoio, solidariedade e respeito, a decisão histórica
da Presidenta da República em romper fronteiras para anunciar, além
mares, que a criminosa tentativa de golpe gestada no Brasil dos dias
atuais tem como um dos seus pilares de sustentação aquele que
deveria ser o “guardião” da Constituição Federal, o Supremo
Tribunal Federal (hoje um poder inquestionavelmente corrompido).
Se,
ainda assim, vingar o golpe, a história não terá como deixar de
registrar para a posteridade e de maneira fúnebre: que, em 2016, num
país chamado Brasil (que tinha tudo pra transformar-se numa potência
mundial), tanques e bazucas (os militares) foram substituídos pela
junção de uma mídia desonesta + parlamentares corruptos + togados
do Supremo Tribunal Federal, no prematuro assassinato da Democracia,
conquistada com tanto esforço e luta.
Lamentavelmente,
vivenciamos, sim, uma “poderosa” conspiração jurídico-político
e midiática. Cuidemo-nos, o caos se aproxima.
terça-feira, 19 de abril de 2016
"EFEITO MANADA" E "CORRUPTOCRACIA" - José Nilton Mariano Saraiva
Em
qualquer
processo de votação, o
“efeito manada” tem por característica o uso do “voto
prostituto”; ou seja, aquele voto que é dado ao sabor de
conveniências momentâneas, da inexistência
de
um mínimo de pudor, da falta
de respeito para com o eleitor, da covardia
dos que se deixam vender
pela
perspectiva
de obtenção de nacos do poder.
No
decorrer da votação do processo da admissibilidade do
impeachment da presidenta “ficha
limpa” Dilma
Rousseff, ontem, tal voto se fez presente
quando integrantes de partidos aliados do governo até o dia anterior
se
bandearam para a trincheira adversária na hora da decisão, em
razão dos provisórios
números
negativos ao governo, mostrados no painel (as
bancadas do
PDT e do PR, dentre
outras,
embarcaram
nessa onda
de
insubordinação e covardia).
E
tal
ocorreu em razão da manobra do representante
maior da “corruptocracia” (e que
preside a Câmara Federal)
Eduardo Cunha que, contrariando
a praxe da
votação
em ordem alfabética, como já houvera ocorrido quando do impeachment
de Collor de Mello (e
fora sugerida agora
pelo
ministro
Marco
Aurélio Mello),
optou
por estabelecer o chamamento dos
votantes via
bancadas estaduais, permissiva
ao
surgimento
do “efeito
manada”, espécie
de escancaramento da porteira
(exemplo
emblemático: depois
da votação da
bancada do
Estado do Paraná, que
em peso foi contra o governo, a debandada
foi quase que automática).
Há
que se registrar que, antes,
a imprensa internacional já houvera retratado de forma pejorativa o
Brasil para
o
mundo, com destaque para o New York Times, que em sua edição de 15
de abril destacou em
primeira página, de
forma cristalina e contundente, sobre
a presidenta Dilma Rousseff: “ELA
NÃO ROUBOU, MAS ESTÁ SENDO JULGADA POR UMA QUADRILHA DE LADRÕES”.
No
mais, uma sessão que poderia ser considerada séria
e
histórica, mesmo
que objetivando
uma
ruptura democrática via cassação
(ilegal) do mandato
de uma presidenta eleita democraticamente por quase 55 milhões de
eleitores, findou por assemelhar-se
a um espetáculo circense periférico
de
quinta categoria (com
todo respeito ao circo e
à periferia).
É
que,
tirante
as exceções de praxe,
as
“excelências” e
“nobres” deputados (tratamento
hipócrita por eles usados entre si),
à falta de uma única justificativa consistente para
cassar a presidenta,
usaram
e abusaram
de
palhaçadas, canalhices
e falta
de seriedade, ao
vivo e a cores, via
estapafúrdias
mensagens
ao
pai, mãe, esposa,
tia,
filho, neto que está por vir,
cachorro, papagaio e por aí vai.
Autentico
festival de baboseiras
e
desrespeito,
que poderia ser sintetizada
em
três instantes distintos:
01)
quando o deputado goiano Heuler Cruvinel, na
tentativa de agradar o chefe e corrupto-mor
Eduardo Cunha, inadvertidamente
tascou:
“pelo fim da corrupção e dos fichas sujas, voto sim”; 02)
quando
a
deputada Raquel Muniz, esposa do atual prefeito da cidade de Montes
Claros, Rui Muniz, bradou
eufórica:
“pelo Brasil e pelo fim da corrupção, voto sim, sim,
sim”
(ironicamente,
hoje,
18.04.16, um dia após, a Polícia Federal prendeu
o
“prefeito-esposo” por… corrupção); e
03)
quando
o
próprio
deputado Eduardo Cunha, anunciou
seu
enigmático voto
evangélico:
“Que Deus tenha misericórdia desta nação. Voto sim”.
Pergunta-se:
misericórdia do Brasil, em
razão da possibilidade
iminente
de
ser
por ele governado ???
Assim,
e na triste
perspectiva
de que o Senado Federal não mudará o que foi decidido
pela
Câmara Federal, resta lamentar que um governo ilegítimo (já
que sem voto e fruto de um golpe de
estado)
e
tendo à frente figuras comprovadamente desonestas e
mafiosas,
finde por exterminar as conquistas sociais até aqui registradas
(já
foi sugerido antecipadamente que as verbas para a saúde e educação
serão podadas e que o salário-mínimo não mais terá os generosos
aumentos reais até aqui vigentes).
Isto
posto,
muito
cedo vamos
descobrir, principalmente
os mais carentes e necessitados, que
as
momentâneas dificuldades vivenciadas
hoje
serão
consideradas
“café
pequeno” ante as
medidas “arrasa quarteirão” que
estão
por vir (até
porque o “tucano” Armínio Fraga, dono de um saco de maldades sem
fundo, é o cotado para assumir o Ministério da Fazenda).
Alfim,
não
custa repetir, repetir
e repetir, a
fim que fique bem claro, que
todo
esse dantesco e
apavorante quadro
é resultante e produto da
criminosa negligência
e
covardia do antigo “guardião da sociedade”, o hoje desacreditado
Supremo Tribunal Federal, por
ter-se omitido em tomar
providências ante as arbitrariedades e abusos perpetrados pelo
deputado-ladrão
Eduardo Cunha.
Triste
e lamentável.
domingo, 17 de abril de 2016
"FICHA LIMPA" x "FICHA SUJA" - José Nilton Mariano Saraiva
Independentemente
do resultado da sessão da Câmara Federal a ser realizada no dia de
hoje, para tratar do encaminhamento do “ilegal”
processo
de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, já existe um
derrotado antecipado: o Supremo Tribunal Federal.
Sim,
porque ao criminosamente
procrastinar
o julgamento ad eternum de um comprovado marginal com assento na
presidência da Câmara Federal (Eduardo Cunha), mesmo diante do
caminhão de provas dos
crimes por ele perpetrados
(que
lhe valeram a condição de “réu” da Justiça), os
integrantes daquele colegiado implicitamente
ignoraram o seu modus operandi mafioso e, assim, chancelaram
todas as irregularidades por ele levadas
avante, em proveito próprio e em desfavor do erário e da sociedade.
O resultado todos nós conhecemos: livre, leve e solto, o bandido
Eduardo Cunha não só manteve sua postura arrogante, sectária e
prepotente, como exacerbou-a, ao desafiar o ministro Marcos Aurélio
Mello, não cumprindo (até hoje) uma determinação judicial por ele
proferida.
Fato é que, mesmo não tendo nada contra si, a “FICHA
LIMPA” e Presidenta da República Dilma Rousseff será “julgada”
dentro de poucas horas pelo “FICHA SUJA” Eduardo Cunha e sua
“quadrilha parlamentar” (séquito de deputados por ele
financiados, e também já citados em ações de improbidade e
lavagem de dinheiro).
O resultado é imprevisível e, embora os
jornalões, revistões e televisões já há um certo tempo deem como
vitoriosa a tese do impeachment, paira no ar a sensação de que os
verdadeiros defensores da Democracia (os parlamentares
constitucionalistas) não permitirão que haja a ruptura do processo
de legalidade que vivenciamos há apenas pouco mais de vinte anos.
Afinal, o que poderíamos esperar de um governo nascido de um golpe
de estado (que não seja produto do escrutínio público) e, pois,
sem qualquer credibilidade, além de ter no seu comando uma figura
comprovadamente corrupta, bandida, que passou toda a vida metida em
falcatruas mil (mas que, ironicamente, poderá inclusive assumir a
Presidência da República, na perspectiva de que não lhe obstem a
trajetória criminosa).
E
se
estamos a
passar tudo isso, existe
uma
razão simplória: a falta de sensibilidade, a
preguiça, a
covardia e a omissão dos integrantes da nossa corte maior, o Supremo
Tribunal Federal que, tal
qual Pôncio Pilatos,
preferiram lavar as mãos numa
decisão crucial como essa,
com
reflexo para milhões e milhões de pessoas. Lamentável e
vergonhosamente.
- Assim,
resta-nos
torcer para que a “DEMOCRACIA” sobreviva ao
golpe e
que após
o desfecho favorável, mesmo
que num
átimo de responsabilidade e respeitabilidade (ainda
que
tardios) a Justiça brasileira se recomponha, julgando e enjaulando
de vez tão abjeta figura, o
bandido mor de todo esse esquema (Eduardo
Cunha).
sábado, 16 de abril de 2016
A MENSAGEM DA PRESIDENTA
DEMOCRACIA: O LADO CERTO DA HISTÓRIA
Vivemos dias decisivos para a jovem democracia brasileira. Vivemos tempos que colocam em risco o direito do povo escolher, por eleição direta, quem deve governar o nosso país. São tempos em que a capacidade de diálogo, tolerância e respeito às diferenças políticas está sendo testada ao limite.
Vivemos sob a ameaça de um GOLPE de estado. Um GOLPE sem armas, mas que usa de artifícios ainda mais destrutivos como a fraude e a mentira, na tentativa de destituir um governo legitimamente eleito, substituindo-o por um governo sem voto e sem legitimidade.
Sou de uma geração que lutou muito pela democracia e, apesar de todas as dores e sacrifícios, inclusive a dor extrema da tortura e o sacrifício maior da vida, venceu.
Acredito no Brasil democrático e no povo brasileiro e tenho trabalhado muito para honrar os votos dos mais de 54 milhões de eleitores que me elegeram para governar o Brasil por quatro anos, até 31 de dezembro de 2018.
Neste momento, há um pedido de impeachment contra mim em julgamento no Congresso Nacional. Um pedido de impeachment aberto sem que eu tenha cometido crime de responsabilidade. Aliás, não cometi crime algum, de nenhum tipo.
Os que se pretendem meus algozes é que têm encontro marcado com a Justiça, mais cedo ou mais tarde. Para fugir dela, tentam derrubar um governo que criou leis contra a corrupção, deu transparência à administração pública e sempre apoiou a ação independente da Polícia Federal e do Ministério Público.
Tudo isso faz deste julgamento uma grande fraude. Na verdade, a maior fraude jurídica e política da história de nosso país. Destituir uma presidenta pelo impeachment, sem que ela tenha cometido crime de responsabilidade, é rasgar a Constituição brasileira. Trata-se de um GOLPE contra a República, contra a democracia e, sobretudo, contra os votos de todos os brasileiros que participaram do processo eleitoral.
Fazer oposição e criticar meu governo é parte da democracia. Mas derrubar uma presidenta legitimamente eleita, sem que tenha cometido qualquer crime, sem que seja sequer investigada em um processo, não faz parte da democracia.
É GOLPE !!!
Não temo investigação de qualquer natureza sobre minha conduta. Jamais me opus ou criei obstáculos a qualquer investigação, sobre quem quer que seja.
Não sou suspeita, não sou investigada, não sou ré, mas querem me derrubar por meio de um impeachment ilegal. Querem me submeter a uma das maiores injustiças que se pode cometer contra alguém: condenar um inocente. Querem condenar uma inocente e salvam corruptos.
Peço a todas as brasileiras e a todos os brasileiros que não se iludam, nem se deixem enganar. Vejam quem está liderando este processo. Perguntem-se porque querem tanto me derrubar da Presidência e desrespeitar o voto do povo.
Será que estes que lideram o golpe permitirão que o combate à corrupção continue? Qual a sua legitimidade? O que querem dizer quando anunciam a necessidade de impor sacrifícios à população? O governo de salvação que prometem será para salvar o Brasil ou a eles mesmos?
Respeito os que se opõem a meu governo e gostariam de ver outra pessoa na Presidência. Sei que muitos pensam assim de boa-fé, porque ainda não perceberam quem são os conspiradores.
As pessoas que pensam e agem de boa fé, ao contrário dos líderes da fraude golpista, devem entender que não precisam gostar de mim para se opor ao GOLPE. Basta gostar da democracia. Basta respeitar o eleitor.
Nossa democracia não pode ser violentada. O voto de cada brasileiro e cada brasileira deve ser respeitado. O golpe deve ser impedido, para que o Brasil não retroceda na política, nos direitos, na inclusão.
Derrubar uma presidenta legitimamente eleita não é solução para enfrentar os momentos difíceis que vivemos na economia brasileira. Muito ao contrário: sem a legitimidade concedida pelo voto direto, nenhum governo é capaz de construir saídas democráticas para a crise. Com o GOLPE, a crise se aprofundaria e se prolongaria.
Faço questão de lembrar que, apesar de toda a crise, as nossas políticas sociais continuam em curso. Os jovens seguem tendo acesso ao ProUni, ao Fies e ao Pronatec. O Bolsa Família, o Mais Médicos, o Minha Casa, Minha Vida continuam íntegros e mudando a vida do povo brasileiro. Jamais rompemos ou romperemos com os compromissos por um Brasil justo e inclusivo, de todos os brasileiros e brasileiras. Sabemos que estabilizar a economia e o nível de emprego é tarefa urgente e fundamental, que enfrentaremos com ainda mais vigor, assim que superarmos a crise política.
A inflação felizmente já começou a diminuir. Os consumidores já perceberam isso em seu dia a dia, na conta de luz e no preço dos alimentos. Esta é uma boa notícia porque interrompe a perda de poder de compra das famílias e abre espaço para a redução da taxa de juros.
Estamos vendendo mais produtos para o resto do mundo e, com isso, o superávit em nossa balança comercial é crescente. Nossas reservas internacionais são elevadas e, ao contrário do que tentam mostrar na imprensa, o investimento estrangeiro direto continua vindo para o Brasil.
Os fundamentos da economia são hoje muito melhores do que no tempo em que mandavam no Brasil os líderes do GOLPE e o FMI. Muitas de nossas dificuldades hoje são obra do golpismo e da aposta política no “quanto pior melhor”, que instabiliza o país desde a eleição.
Acabamos de firmar um acordo com os governadores para alongar o prazo das dívidas estaduais, garantindo um alívio às contas dos Estados neste momento de dificuldades. Isto é muito importante, pois diminuirá os riscos de atrasos de pagamentos do funcionalismo, permitirá a continuidade de serviços fundamentais para a população e até mesmo a retomada ou aceleração de obras.
Enviei ao Congresso uma proposta para ampliar os recursos disponíveis para gastos fundamentais, em especial na área de saúde e educação, e para dar sequência a obras que estão em andamento e a investimentos na área de defesa, fundamentais para nosso futuro. Esta proposta e a renegociação da dívida dos governos estaduais terão, juntas, impacto suficiente para gerar 1 ponto percentual de crescimento no PIB do país.
Tudo isso já está em curso. Sei que precisamos fazer muito mais e, vencida esta batalha contra o GOLPE, proponho a construção de um pacto nacional.
Proponho um pacto que envolva todos os segmentos da sociedade –todos, sem exceção– para construirmos novas propostas para a retomada do desenvolvimento do Brasil. Propostas que devem ter como premissas a continuidade dos programas sociais e o respeito aos direitos de todos os cidadãos.
O futuro do Brasil está na inclusão social que dinamiza a economia e aprofunda a democracia. Entre as propostas de futuro, faço questão de destacar a necessária e inadiável reforma política, para aumentar a representatividade de nosso sistema, cortar a raiz da corrupção política e democratizar e tornar mais transparente a atividade política.
Faço um apelo aos brasileiros que estarão nas ruas, mobilizados, nos próximos dias, até que o GOLPE DE ESTADO seja derrotado. Acompanhem os acontecimentos com atenção e, sobretudo, com calma e em paz. Peço calma e paz a todos –aos que são contra mim e aos que estão comigo e contra o golpe.
Peço aos deputados federais de todos os Estados e de todas as agremiações políticas, sem distinção ideológica que, no domingo, tomem posição clara em defesa da democracia e da legalidade.
Desejo que suas consciências os aconselhem a votar contra o GOLPE, contra a interrupção de um mandato conferido pelo povo e contra os enormes riscos que a derrubada de um governo legítimo pode causar. Presto homenagem aos parlamentares de todos os partidos que estão contra o GOLPE. Chamo à reflexão aqueles que ainda relutam em cerrar fileiras contra o impeachment.
A história, que fará nosso julgamento definitivo, vai honrar a biografia de vocês, tanto quanto vocês estarão honrando seu país ao votar contra um impeachment ilegal. Quem defende a democracia nunca se arrepende.
A democracia é sempre o lado certo da história.
DILMA ROUSSEFF, 68, é presidenta da República Federativa do Brasil
sexta-feira, 15 de abril de 2016
É NA AUSÊNCIA QUE A SAUDADE VIVE (Rubem Alves)
EU
NÃO TENHO RELIGIÃO. Não vou a igrejas, não participo de
rituais, não acredito nos seus dogmas. Preciso não ter religião
para amar a Deus sem medo, com alegria e, principalmente, sem nada
pedir. NÃO TENHO RELIGIÃO PORQUE NÃO CONCORDO COM AS COISAS
QUE ELAS DIZEM DE DEUS.
Deus
é um Grande Mistério. Está além das palavras. Diante do Grande
Mistério a gente emudece. Fica em silêncio. Discordo a partir do
pronome “ele”.
DEUS “ELE”, MASCULINO ? ONDE
FOI QUE APRENDERAM SOBRE O SEXO DE DEUS ? DEUS TEM SEXO
? SE TEM SEXO, POR QUE NÃO “ELA”, DEUS
MULHER ? Como a mulher do Cântico dos Cânticos? A IGREJA
CATÓLICA NÃO CONHECE A MULHER. CONHECE APENAS A “MÃE” QUE FOI
MÃO SEM TER SIDO MULHER.
Deus: por que não uma flor, a mais
perfumada? Por que não um mar sem fim onde a vida navega? Místicos
houve que disseram que Deus é uma criança que nos convida a
brincar... Mas pode ser também que Deus seja música, como pensaram
os místicos pitagóricos.
Ter
uma religião é falar as palavras sagradas daquela religião e
acreditar nelas. As religiões se distinguem e se separam: pelas
diferenças das palavras que usam para se referir ao sagrado. Se elas
nada falassem, se houvesse apenas o silêncio diante do Grande
Mistério, a Babel das religiões não existiria. Diante do Grande
Mistério apenas uma palavra é permitida, a palavra poética, porque
a poesia não o diz, mas apenas aponta para ele. O Grande Mistério
está além das palavras.
Se
tenho uma religião ela se chama poesia. Por isso, amo a Cecília
Meireles, sacerdotisa profana, que quando queria se referir a Deus
falava sobre um mar sem fim, misterioso e selvagem. Quem em silêncio
contempla o mar sem fim ouve vozes em meio ao barulho das ondas.
Também Fernando Pessoa sabia disso. Mas, prestando bem atenção, é
possível ver, a voar sobre o mar sem fim, um pequeno pássaro que
canta: “Leve é o pássaro: e a sua sombra voante, mais leve. E a
cascata aérea de sua garganta: mais leve. E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto, mais leve...”
Os
poetas escrevem em transe: não sabem sobre que estão escrevendo.
Faz muitos anos, escrevi um livro para minha filha. Ela tinha 4 anos.
Eu iria fazer uma demorada viagem pelo exterior e ela ficou com medo
de que eu morresse e não voltasse. Apareceu-me, então, uma estória,
A menina e o pássaro encantado.
Resumida,
era assim: era uma vez uma menina que amava um pássaro encantado que
sempre a visitava e lhe contava estórias; o pássaro a fazia
imensamente feliz. Mas sempre chegava um momento quando o pássaro
dizia: “tenho de ir”, a menina
chorava porque amava o pássaro e não queria que ele partisse.
Menina, disse-lhe o pássaro, aprenda o que vou lhe ensinar:
EU
SÓ SOU ENCANTADO POR CAUSA DA AUSÊNCIA. É NA AUSÊNCIA QUE A
SAUDADE VIVE. E A SAUDADE É UM PERFUME QUE TORNA ENCANTADOS A TODOS
OS QUE O SENTEM. QUEM TEM SAUDADES ESTÁ AMANDO. TENHO DE PARTIR PARA
QUE A SAUDADE EXISTA E PARA QUE EU CONTINUE A AMÁ-LA, E VOCÊ
CONTINUE A ME AMAR...”.
E
partia. A menina, sofrendo a dor da saudade, maquinou um
plano: quando o pássaro voltou e lhe contou estórias e foi dormir,
ela o prendeu numa gaiola de prata dizendo: “Agora ele será meu
para sempre”. Mas não foi isso que aconteceu. O pássaro, sem
poder voar, perdeu as cores, perdeu o brilho, perdeu a alegria, não
mais tinha estórias para contar. E o amor acabou. Levou tempo para
que a menina percebesse que ela não amava aquele pássaro
engaiolado. O pássaro que ela amava era o pássaro que voava livre e
voltava quando queria. E ela soltou o pássaro que voou para longe. A
ESTÓRIA TERMINA NA AUSÊNCIA DO PÁSSARO E A MENINA SE
ENFEITANDO PARA A SUA VOLTA.
Minha
intenção, ao escrever esta estória, era simples: consolar a minha
filha. Mas quando foi publicada ganhou um sentido que não estava nas
minhas intenções: começou a ser usada em terapia, com casais
possuídos pela ilusão de que, engaiolado, o amor seria posse
eterna.... Desde então passei a presentear noivos com uma gaiola da
qual eu arrancava a porta. Mas, passado algum tempo, uma pessoa me
disse: “Que linda estória você escreveu sobre Deus!” “Sobre
Deus?”, eu perguntei sem entender. “Sim”, ela me respondeu. “O
PÁSSARO ENCANTADO NÃO É DEUS ? E AS GAIOLAS
NÃO SÃO AS RELIGIÕES, NAS QUAIS OS HOMENS TENTAM APRISIONÁ- LO
?”
Aprendi,
então, da minha própria estória, algo que não sabia: Deus como um
Pássaro Encantado que me conta estórias. Amo o Pássaro. Odeio as
gaiolas. O Pássaro Encantado: não pousa em galhos para cantar. Não
é possível fotografá-lo. Canta enquanto voa. Dele, o que temos é
apenas a sua leve sombra voante e a cascata aérea de sua garganta...
Quando ouço o seu canto, ele já passou. Só é possível vê-lo em
seu voo, por trás. Vai-se o Pássaro. Fica a memória
do seu canto.
Um
pássaro voando é um pássaro livre. Não serve para nada.
Impossível manipulá-lo, usá-lo, controlá-lo. Pássaro inútil. E
esse é, precisamente, o seu segredo: a sua inutilidade: ele está
além das maquinações dos homens. Sua única dádiva é o seu
canto. Só faz um milagre, um único milagre: quando, chorando, lhe
peço “Passa de mim esse cálice”, ele canta e o seu canto
transforma a minha tristeza em beleza. Por isso eu nada lhe peço.
Sei que ele não atende a pedidos. O seu canto me basta: ao ouvi-lo
transformo-me em pássaro. E voo com ele...
MAS
AÍ VÊM OS HOMENS COM AS SUAS ARAPUCAS E GAIOLAS CHAMADAS RELIGIÕES.
E cada uma delas diz haver conseguido prender o Pássaro Encantado em
gaiolas de palavras, de pedra, de ritos e magia. E cada uma delas
afirma que o seu pássaro engaiolado é o único Pássaro Encantado
verdadeiro…
Por
que prenderam o Pássaro? Porque o seu canto não lhes bastava. Não
lhes bastava a beleza. Na verdade, não o amavam. O QUE OS HOMENS
DESEJAM NÃO É A BELEZA DE DEUS. O QUE ELES DESEJAM É MANIPULAR O
SEU PODER. O que eles querem é o milagre. O canto do pássaro
poderia lhes dar asas para voar. Mas não é isso que querem. O que
desejam é o poder do pássaro para continuar a rastejar: Deus,
transformado em ferramenta. Ferramenta é um objeto que se usa para
se atingir um fim desejado. Assim são os martelos, as tesouras, as
panelas... O QUE AS RELIGIÕES DESEJAM É TRANSFORMAR DEUS EM UMA
FERRAMENTA A MAIS. A MAIS PODEROSA DE TODAS.
A
ferramenta que realiza os desejos. Como o gênio da garrafa. Pois não
é isso que é o milagre, a realização de um desejo por meio da
manipulação do sagrado? Só é canonizada santa uma pessoa que
realizou milagres: o milagre é o atestado do seu poder para
manipular o divino.
E
é assim que as religiões se multiplicam, porque os desejos dos
homens não têm fim, e os seus santuários se enchem de santos de
todos os tipos, os santos milagreiros são nossos despachantes
espirituais, todos eles a serviço dos nossos desejos, atenderão
nossos desejos a preço módico, se rezarmos a reza certa e
prometermos publicar o milagre em jornal, e pela televisão se
anunciam fórmulas, sessões de descarrego, águas bentas milagrosas,
exorcismo de demônios, os DJs de cada religião têm uma música na
fala que lhes é própria…
Assim,
a poesia do canto do Pássaro Encantado se transforma em manipulação
do pássaro engaiolado. E não percebem que aquele pássaro que têm
dentro de suas gaiolas não é o Pássaro Encantado, que não se
deixa engaiolar, porque é como o vento, e voa como quer, e tem uma
única dádiva a oferecer aos homens: a beleza do seu canto.
À
TRANSFORMAÇÃO DA POESIA EM MANIPULAÇÃO MILAGREIRA – OS PROFETAS
DERAM O NOME DE IDOLATRIA.
domingo, 10 de abril de 2016
A "SUCUMBÊNCIA" DO GUARDIÃO - José Nilton Mariano Saraiva
Mais que inabalável esperança, alimentávamos, os brasileiros, a convicção plena de que quaisquer excessos, mudanças de rota e/ou desvirtuamento no tocante a aplicação do devido processo legal, nas diversas instâncias, de pronto seria obstado pelo “guardião da sociedade” - o Supremo Tribunal Federal.
Afinal, embora a nossa Carta Maior reze que os poderes constituídos da república – Executivo, Legislativo e Judiciário - são “harmônicos e independentes”, não há como se negar que ao Poder Judiciário foi delegada a nobre, ingrata e difícil tarefa de, atuando dentro das normas e do ordenamento jurídico vigente, dirimir questionamentos e dúvidas sobre a correta aplicação do direito não só por parte dos demais poderes, como da sociedade em geral; ou seja, na perspectiva do surgimento (inevitável) do controverso, e quando todas as instâncias tenham sido acionadas sem que resultados surjam, a cidadela em que a sociedade poderá abrigar-se, o estuário onde desaguará as suas demandas, a última palavra a ser proferida caberá, então, ao Supremo Tribunal Federal. Daí, a expressão: “decisão judicial não se discute, cumpre-se”.
Mas, eis que, estranha e inadvertidamente, porquanto trafegando na contramão da “normalidade” e do bom senso, em momentos distintos o próprio Supremo Tribunal Federal se encarrega de “chafurdar” o ambiente jurídico: primeiro, ao aceitar passivamente que em nossos tribunais passe a viger a literatura jurídica alemã conhecida como “Teoria do Domínio do Fato”, cuja peculiaridade (na visão apressada e deturpada do STF) é a dispensa de provas para se condenar alguém (só que o próprio causídico alemão que a idealizou já afirmou que a coisa não é nem assim); ou seja, para os graduados nas “salamancas” tupiniquins com assento no STF, basta que haja indícios, suspeitas, ilações, desconfiança, boatos e por aí vai, para que o julgador considere o réu culpado ou inocente, se vai pra cadeia ou não; e isso a Ministra Rosa Weber nos mostrou no julgamento do tal “mensalão”, ao afirmar peremptoriamente que... “não tenho prova cabal contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. E assim foi feito.
Já hoje, com a coqueluche da vez, a Operação Lava Jato, a “cagada” do Supremo Tribunal Federal foi superlativa, porquanto literalmente parou o país. É que, comandada por um deslumbrado (e, sabe-se agora, desonesto) juiz de primeira instância, Sérgio Moro (aquele que tem como “musa inspiradora” da sua Lava Jato a Operação Mani Pulite, que quase acabou com a Itália), o que se observa é a Constituição Federal ser não só ignorada, mas estuprada diuturnamente, porquanto transgrediu-se o Estado Democrático de Direito, sem que em nenhum momento o Supremo Tribunal Federal haja se manifestado a respeito.
E como não o fizeram na época apropriada, como se omitiram no momento decisivo, os componentes daquela egrégia corte findaram por estimular bandidos a afrontá-la publicamente, como nos mostra agora o marginal (e réu) que preside a Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que, acionado pelo Ministro Marco Aurélio Mello a tomar providências protocolares no referido processo, negou-se a cumprir a decisão judicial e, muito pior, acrescentando acintosamente que caso não fosse revertida a decisão de Sua Excelência, retaliaria de pronto (ou seja, ou faz como quero ou jogo farinha no ventilador).
O impasse está posto e tudo indica que a decisão terá que ser tomada pelo pleno do STF (antes disso, e por incrível que pareça, o “bandido” Eduardo Cunha presidirá a sessão que poderá decretar o impedimento de uma Presidenta da República eleita democraticamente por quase cinquenta e cinco milhões de pessoas e sobre a qual não existe nada que a desqualifique).
Alfim, a pergunta que não quer calar: teremos a “sucumbência” (o dobrar-se, vergar-se, abater-se) do guardião da sociedade (STF) ante um desqualificado moral e ético da estirpe de Eduardo Cunha, ou seus insignes membros deixarão a covardia de lado, exorcizando tão maléfica figura, através do seu afastamento ou a cassação do seu mandato ??? Afinal, não custa lembrar que tão nefasta figura, se não for obstada legalmente agora, poderá assumir a própria Presidência da República, num futuro próximo. E se o fizer, coitado do Brasil.
Portanto, é agora ou nunca; ou o Poder Judiciário, através do Supremo Tribunal Federal, na condição de guardião da legalidade, se impõe ante um marginal momentaneamente incrustado na presidência do Poder Legislativo (sem que isso caracterize interferência de um poder sobre o outro) ou nos restará esperar a chegada definitiva do caos.
sábado, 2 de abril de 2016
CONDOMÍNIO DE DELINQUENTES - José Nilton Mariano Saraiva
Em
reunião dirigida por ninguém menos que Eduardo Cunha, Romero Jucá
e Eliseu Padilha/Quadrilha (o primeiro, já réu da Justiça, o
segundo, em vias de, e o terceiro, portador de uma ficha criminal por
demais robusta, face os roubos por onde passou), e tendo uma plateia
integrada por dezenas de corruptos e ladrões, porquanto
reconhecidamente recebedores de propina do “chefe” Cunha (e cujos
nomes constam da lista da Odebrecht), o PMDB resolveu deixar a base
de sustentação do governo, da qual fazia parte já há bastante
tempo.
Tal
decisão do “condomínio de delinquentes”, objetiva tomar o poder
da atual e séria mandatária do país, Dilma Rousseff (que não
responde a nenhum processo na Justiça), através da aprovação
futura, no plenário da Câmara, de um pretenso processo de
“impeachment” ilegal, amoral e golpista, porquanto inexiste, para
sua viabilização, qualquer “crime de responsabilidade”.
Imprescindível
se ressaltar, que a situação chegou a tal estágio de degeneração
por obra e graça da leniência dos membros do Supremo Tribunal
Federal, porquanto não interviram lá na origem, quando o juiz de
primeira instância Sérgio Moro acintosamente passou como um rolo
compressor por cima da Constituição Federal, ao transgredir o
Estado Democrático de Direito via prisões sem provas do crime,
vazamentos seletivos de depoimentos, abandono do princípio da
presunção de inocência, negação de acesso aos processos por
parte dos advogados, condução coercitiva de pessoas sem que antes
tenham sido notificadas, instalação de grampos telefônicos nas
celas dos presos e por aí vai, findando por cometer um erro
grotesco: grampear a própria Presidenta da República. Ou seja, o
Juiz Sérgio Moro trafegou na ilegalidade desde o princípio, fez e
desfez, casou e batizou sem que as “Excelências” do STF se
manifestassem (só o fizeram quando ele bateu de frente com a
Presidenta da República).
De
outra parte, um reconhecido ladrão de alta periculosidade, o
presidente da Câmara Eduardo Cunha, já indiciado pela Procuradoria
Geral da República, continua a obstruir a Justiça diuturnamente,
através de prepostos com assento na Câmara, sem que, estranhamente,
esse mesmo Supremo Tribunal Federal atente para o fato de que, livre,
leve e solto, referida figura, ainda no comando da Casa, adquira a
possibilidade de assumir a própria Presidência da República, na
perspectiva do impedimento politico de Dilma Rousseff, porquanto
tornar-se-á o segundo na linha de sucessão (caso o Temmer assuma,
no que não acreditamos).
Entretanto,
como tudo demais é veneno, eis que, embora um tanto quanto atrasado,
pelo menos um dos Ministros do Supremo, Teori Zavascki, findou por
perder a paciência e sair da letargia até então vigente no STF,
enquadrando e recriminando publicamente o juiz Sérgio Moro pelos
excessos cometidos, além de cobrar-lhe as explicações devidas; foi
o bastante para que o advogado de primeira instância subitamente
assumisse uma questionável postura de humildade, através do pedido
de “sinceras escusas”, numa demonstração inconteste de que,
picado pela mosca azul, realmente se excedera (só que o prejuízo já
fora cometido, irreversivelmente). Submetida ao plenário, a
recriminação de Teori Zavascki findou por obter o apoio unânime
dos demais integrantes do STF, consubstanciada no placar de 10 x 0
contra o juiz. Derrota fragorosa do outrora intocável juiz.
Vale
lembrar, a propósito, que no momento nada menos que 14 reclamações
contra o juiz Sérgio Moro foram protocoladas no Conselho Nacional de
Justiça, enquanto nos diversos segmentos da sociedade crescem as
manifestações de desaprovação pública para com as ilegalidades e
abusos perpetradas por aquele juiz de primeira instância.
Alfim,
resta a indagação que não quer calar: quando o Supremo enquadrará
também o marginal Eduardo Cunha ??? Não já terá passado da hora
??? Estão esperando o que ???
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