TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

HOJE: Show Fhátima Santos - No SESC Crato - Imperdível - Será gravado em DVD.



HOJE: SESC CRATO - 19:30
- Imperdível -

VI Bienal Internacional de Dança do Ceará


- 57 Espetaculos
- 34 companhias (10 internacionais, 13 nacionais, 11 locais)
- 05 cidades (Fortaleza, Sobral, Juazeiro do Norte, Crato, Nova Olinda)
- Programação Gratuita


CURSOS - RESIDÊNCIAS - OFICINAS - PALESTAS - PAINÉIS - LAÇAMNETOS DE LIVROS - MOSTRA DE VIDEOS

CARIRI 31 DE OUTUBRO A 03 DE NOVEMBRO

MAIS INFORMAÇÕES NO SITE
www.bienaldedança.com

Frei Galvão, nosso santo


25 de Outubro - Dia de Frei Galvão

Nesta data, comemorá-se - pela primeira vez - o Dia de Santo Antônio de Santana Galvão, o primeiro santo brasileiro.
Abaixo artigo escrito pelo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo:

Frei Galvão, nosso santo
Dom Odilo P. Scherer*


No dia 25 de outubro deste ano, pela primeira vez, a Igreja comemora o dia de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão; é uma alegria para todos nós, de São Paulo e do Brasil.

Frei Galvão, nasceu em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba; depois de passar vários anos na Bahia e no Rio de Janeiro, para realizar seus estudos, ele viveu e trabalhou, como padre franciscano, na cidade de São Paulo e a santificou com sua presença, sua atividade e seu testemunho de vida cristã. Aqui também faleceu e está sepultado na igreja do Mosteiro da Luz, que foi planejado e edificado por ele próprio. Aqui, para a alegria de todos nós, foi canonizado pelo papa Bento XVI no dia 11 de maio de 2007. Podemos, portanto, dizer com razão que Frei Galvão é “nosso santo”...

Ter um santo que viveu entre nós tem um significado muito especial. Significa, antes de tudo, que os santos não são mitos inventados pela fantasia humana, nem caíram do céu, como seres superiores, que não fazem parte da nossa experiência histórica. São pessoas reais, com endereço e história pessoal, com familiares e parentes, e que também lutaram pela vida e sofreram. Os nossos santos são membros da família humana, irmãos de caminhada da comunidade eclesial.

Mas foram grandes cristãos, que viveram um intenso amor a Deus e aos irmãos, deixaram um testemunho de fé e caridade, que serviu e serve ainda como referência: muitas outras pessoas, olhando para eles ou aproximando-se deles, sentiram-se encorajadas a imitar seus exemplos e a viver como eles. Os santos são grandes amigos de Deus, que já alcançaram a “casa do Pai”e agora vivem na companhia de Deus; e também são nossos amigos, totalmente interessados em que nós alcancemos igualmente a vida eterna e estejamos, um dia, em sua companhia. Por isso nós podemos recorrer à sua intercessão e eles pedem a Deus por nós.

A cidade de São Paulo, graças a Deus, pode contar com habitantes santos, do passado e também de hoje. Graças a Deus, a santidade não é coisa do passado; há muitas pessoas levando vida de intensa santidade. E, além dos muitos santos e santas padroeiros das comunidades, igrejas, lugares e pessoas, esta metrópole agitada e sempre ocupada também foi edificada por santos já reconhecidos tais pela Igreja, como Frei Galvão e Madre Paulina, além dos beatos padres Anchieta e Mariano de la Mata.

Nossos santos, membros eminentes da comunidade humana e da Igreja, são um estímulo para que nós façamos hoje aquilo que eles fizeram durante sua vida: viveram um profundo amor a Deus e ao próximo e testemunharam a força da vida nova orientada pelo Evangelho de Jesus Cristo. Foram homens e mulheres de Deus cuja presença irradiaram entre os irmãos e no meio da cidade; nas suas vidas, ficou mais compreensível que “Deus habita esta cidade”... Por isso, eles atraíram e continuam atraindo a atenção de tantas pessoas, que buscam neles os “sinais”de Deus. Buscando os santos, as pessoas acabam encontrando Aquele que é a fonte e a origem de toda santidade: o próprio Deus.

Frei Galvão, homem de oração, deixou-nos o exemplo de como buscar Deus acima de todas as coisas, no coração da cidade, e a orientar para Ele nossas vidas, se quisermos acertar o caminho e alcançar a felicidade; homem da Palavra de Deus, soube acolhê-la através da leitura, do estudo atento e da meditação, para transmiti-la também aos outros através da pregação e do aconselhamento. Homem da caridade, Frei Galvão sensibilizou-se ativamente diante das necessidades do próximo, socorrendo as pessoas nas mais variadas situações de sofrimento e angústia. Homem cristão e filho da Igreja, ele amou esta cidade e foi também amado pelo seu povo, que reconheceu nele o “homem de Deus”, que apontava para os caminhos de Deus com autoridade e credibilidade.

Que santo Antônio de Sant’Anna Galvão, nosso santo, interceda junto de Deus por todos nós e nos ajude a sermos nesta cidade, no início do século XXI, aquilo que ele foi há quase dois séculos: verdadeiros discípulos e missionários de Jesus Cristo para que, Nele, nosso povo tenha vida plena.

*Dom Odilo P. Scherer,58, é Arcebispo de São Paulo (SP)

Lua cheia cruza os céus


Emerson Monteiro

Um vento cortante varre de frio a mata do pé-de-serra nesta madrugada de começos de julho, enquanto filetes insistentes de pensamentos escorrem pelos fios de cabelo, querendo modificar o sentido das coisas inexatas do passado. Poucas vezes antes passara pelas emoções avassaladoras que hoje ganham corpo no viver deste cotidiano atual. Páginas de romances de outras esferas aceitam as contingências da viagem intermitente do caminho qual condição inadiável de levar adiante os passos incansáveis, lição mais importante da hora.
Tempos outros ficaram para trás, fases em que havia necessidade inclusive de se consultar o I Ching para abrir espaço nos sentimentos e andar um pouco além nos campos do inexplicável. Os músculos da resistência interna ganharam, com isso, a estrutura e as dores inesperadas que agora parecem doer menos, enquanto o encaminhamento das reflexões se encaixa feito luva nos espaços aberto entre os dedos e seus calos antigos das vidas pretéritas. Feridas cicatrizam com bem melhor facilidade durante os períodos intermediários das experiências que são marcas inevitáveis do combate consigo próprio, neste campo de ensaio da jornada.
Pegássemos as variantes de fuga e jamais descobriríamos o tanto de poder crescer dentro de sei. Restariam só demasiados momentos escuros, nas clareiras do Inconsciente.
Por isso, sob as pausas longas que se manifestam de uma hora para outra, porém distintas na lucidez das interpretações, vê-se nítida margem de manobra em que surgem volumosas as peças do quebra-cabeça, pondo-nos a somá-las em tabuleiros conseqüentes de tudo o que há em forma de compreensão, ainda que cortem os fios da ordem estabelecida. Novas possibilidades indicam, outrossim, discurso coerente e organizado em nível superior, depois da pura vontade individual.
Conquanto esperássemos histórias contadas de jeito transparente, nem sempre o dizer impõe seu sabor ao desejo. A idade determina diversos fatores antes desconhecidos, trazendo no contexto massa de condições até então pouco ou nada avaliadas, num nexo pertinente e limpo.
A concordância dos elementos do tal sistema em formação apazigua no íntimo o deslizar das nuvens, neste céu primaveril. Raras ocasiões forneceram elementos de orientação à calma nas proporções que ora se configuram.
Estas palavras mostram, portanto, a estrutura da busca elaborada no fogo das paixões anteriores. Semelhantes a degraus de longa escada imaginária, na bruma densa do passado, a história se delineia aos pés apressados, blocos magnéticos da realização precisa dos rumos positivos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A revolução possível X Projetos de poder






Por Chacal




A Utopia existe na possibilidade de mudar as coisas. Chutar o balde, entregar o mundo a própria sorte, não faz parte da cartilha libertária.

Hoje as grandes multinacionais, as grandes instituições financeiras dominam o capital e detém o poder. Que pode o poder político contra esses tiranossauros dos tempos que voam? QUASE nada.



Hoje o que se vê, são Projetos de Poder. Plataforma política? Nenhuma. A pólis, o bem comum, ficam completamente inviabilizados pelos grupos empresariais que elegem seus representantes no Congresso, Assembléias e Câmaras municipais para defender seus interesses. Como resolver o problema do trânsito, urgente nas grandes metrópoles, se as chamadas bancadas inviabilizam as leis para melhorar o setor. Quando não é o poder judiciário, também no bolso do capital, pressionado pelos lobbies, que decidem sempre a favor das grandes empresas. E a mídia, o quarto poder, que também noticia de acordo com o interesse dos anunciantes. Enfim, o Estado se apequenou, se amesquinhou para o capital poder ter cada vez mais poder. A iníqua distribuição de renda está aí para provar que o capital ainda está na mão de poucos em detrimento de muitos.



No Brasil, temos a exemplar trajetória do PT. De partido ligado às bases sindicais do ABC paulista somado a elite intelectual do país transformou seus ideais socialistas em violento Projeto de Poder, aparelhando ministérios e estatais para se preservar no poder político durante muitos anos. Na verdade, era fazer o aparelho, quinhentos anos nas mãos das elites industriais e agrárias do país, mudar de mãos. Como colocar em prática seus ideais se na hora de votar as leis, as bancadas rurais, evangélicas, mensaleira sanguessuga, inviabilizavam no voto as mudanças? O PT perdeu a grande chance, ao se eleger, com enorme apoio popular, por não ter convocado a opinião pública para presidir com ele. De forma transparente, aproveitando a grande esperança que se espalhava pelo país. Preferiu, talvez com medo que a mídia que manipula a opinião pública, não cedesse suas páginas, manipuladas pelo capital internacional, como dizia o velho Brizola, fazer o jogo vil do toma lá, dá cá, que permitiria o apoio do Congresso às reformas necessárias na previdência, na política, no judiciário, etc, etc. O PT se perdeu aí.



Mas o presidente Lula, com seu carisma inato e sua enigmática esfinge, conseguiu sobreviver a hecatombe de denúncias promovidas por uma poderosa elite acuada, conseguindo se desgrudar do partido que ele ajudou a criar. Verdade ou mentira? Mentira ou verdade? Pouco importa. O que importa é que Lula deu um upgrade na política interna e externa brasileira, enfrentando o grande capital internacional, abrindo o mercado para as exportações e no plano interno, minorando no possível, a péssima distribuição de renda com programas sociais possíveis. Lula vai para um segundo mandato. Aprendeu com o primeiro que o buraco é mais embaixo. Deveria criar condição do Estado ter um eficiente sistema de comunicação por rádio, tv e jornal para divulgar seus projetos e entusiasmar o povo. Coisa que os evangélicos e o capital já fazem há muitos anos. É urgente enfiar a mão nesse ninho de marimbondos. Pessoal competente ele tem para isso: uma imensa juventude interneteira que está sempre disposta à mudança. Projetos nessa área se encontram no site Overmundo e nos Pontos de Cultura. Cabe ao Lula Reload infoviabilizar esses projetos.



A força do capital internacional, que tem em Bush seu testa de ferro mais evidente, é QUASE impossível enfrentar. O neoliberalismo, o sistema hegemônico que preconiza o Estado Mínimo, agindo apenas como força de repressão aos movimentos sociais, não é um bicho de sete cabeças. Dá para enfrentá-lo, usufruindo de suas benesses, acolhendo aliados com as mesmas necessidades eventuais e formando blocos ao sabor dos interesses conjunturais. Saber jogar o jogo, é o que se impõe em todos os planos, internos e externos. E ter sabedoria e coragem de jogar. O neoliberalismo não é uma corrente elétrica sem interruptor. Existe um dentro de cada um de nós chamado ENTUSIASMO PARA VIVER, CORAGEM PARA ENFRENTAR.

Do site Cronópios

http://www.cronopios.com.br/site/default.asp

Um olhar sobre Recífe...

Falar em Recífe, estive por lá e fiz um pequeno ensaio sobre a cidade.
Posto duas de uma série...

Dalí olhou Recífe por mim!
Barby vai a praia! Fotos: Pachelly Jamacaru

Ignorância ou preconceito?



Um escritor do Recife teve seus originais devolvidos por uma editora de São Paulo, alegando-se que não havia interesse na impressão do livro por conta de seu conteúdo fortemente regional. Lembrei imediatamente de Guimarães Rosa, apontado como mais um regionalista, na época em que a Livraria José Olympio o lançou. Saudades de quem inventou um idioma para falar do sertão. E saudades de Manoel Bandeira, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Gilberto Freyre, geração de escritores chamados de regionalistas, que não estava nem aí para o rótulo, e cuidou apenas em fazer a boa literatura brasileira. Vocês conhecem safra melhor? Se acrescentarem à lista os que vieram logo em seguida como João Cabral e Osman Lins, é um estouro.
Passado o Movimento Regionalista, aquele do romance de 1930, inventado por Gilberto Freyre para contrapor-se à onda modernista de 1922, o termo regionalista ganhou significado pejorativo, referindo-se a tudo o que se produzia fora do eixo Rio/São Paulo e, portanto, de qualidade suspeita. Escritor regionalista deixou de ser aquele que fez parte do movimento do Recife e virou a caricatura de quem escreve trôpego e conta causos.

Em Houaiss, o verbete regionalismo pode ser lido como "caráter de qualquer obra (música, literatura, teatro etc.) que se baseia em ou reflete ou expressa costumes ou tradições regionais". Para não ser considerado um regionalista, o escritor pernambucano precisaria ter escrito um texto sem nenhum caráter, algo tão sem identidade quanto um hambúrguer da McDonald's, que tanto faz ser comido na China, na Rússia ou nos Estados Unidos porque o sabor é sempre o mesmo.

Se a recusa a tudo o que cheira a regional fosse levada a sério pelo público, não existiria o blues, o jazz, o gospel, o tango, a rumba, o samba, o baião, o chorinho, o axé... Felizmente, há um critério de seleção mais abrangente do que o gosto de alguns editores e donos de gravadoras. Muita coisa que hoje soa universalista surgiu no fundo de um quintal, numa impressorazinha de esquina, numa sala pequena de uma casa de subúrbio ou dentro de uma igreja, sem maiores pretensões de ir além da rua ou do bairro.

Essa moda de criar para um mercado global é recente. Os espanhóis escreviam romances de cavalaria porque os cavaleiros andantes faziam parte da vida espanhola. Já imaginaram Cervantes criando a Divina Comédia ou o Decamerão? Impossível. A cultura e a realidade da Itália eram outras. Nenhum escritor era pago por uma grande editora para viajar ao Afeganistão e produzir um romance sobre mulheres oprimidas pelos maridos e vestidas em burkas ou sobre terroristas talibãs. O usual era um mergulho dentro do próprio universo em que o escritor existia como fez Machado de Assis, talvez o mais regionalista dos nossos escritores se considerarmos que ele viu o mundo na perspectiva do Rio de Janeiro.

Eu aceitaria a recusa ao livro do pernambucano, se a editora alegasse que o rapaz não escreve bem. Esse é o único motivo justo para se recusar um escrito. Dizer que não presta porque soa regional é um preconceito tão escandaloso quanto proibir que negros subam pelo elevador social.




Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor. Escreveu Faca e Livro dos Homens. Assina coluna na revista Continente.


Fale com Ronaldo Correia de Brito: ronaldo_correia@terra.com.br

A Benção !


O velho Félix Cãindo andava mal humorado ultimamente. Sempre fora conhecido em Matozinho pelo sorriso escancarado de quase morder as orelhas e, também, pelas tiradas espirituosas que, como um cheque mate, desarmavam os interlocutores. Nos últimos meses, no entanto, andava com aquela cara de chupa-groselha. Enfurnara-se no Sitio Mangabeira e de lá na arredava mais pé. Os amigos da feira e do Bar Alho deram pela falta e começaram a cogitar as razões do absenteísmo de Félix nas rodinhas mais animadas da cidade. O velho andava meio achacado nos últimos tempos, depois que entrara na idade do condor. Ele mesmo dizia que o coração estava todo amarrado de cordão. Vivia atrás de D. Regina pedindo reza poderosa de soerguer espinhela caída e despombalizamento. Imaginou-se ,pois, que Cãindo caíra doente de alguma maleita, um desfruxo brabo ou uma sapiranga importada do Brejão.
A questão, no entanto, nascera na área administrativa do Mangabeira. Félix tinha um enorme canavial e a moagem para fabricação de rapadura começara já há uns dois meses. O engenho nascera numa época de vacas gordas, naquela em que se amarra cachorro com lingüiça. Há mais de cinco anos passara a dar prejuízo. Rapadura deixou de ser item de consumo do caboclo. Cãindo, no entanto, mesmo no vermelho, se negou a apagar a fornalha do Mangabeira. A moagem sempre foi a época mais feliz da fazenda. O cheiro de mel adocicava o ar. Havia trabalho para todos e, mesmo a diária paga não sendo essas coisas, quando a moenda girava não existia fome em Mangabeira. Menino se aboletava nas caixas de rapadura e no banguê, velho se entornava de garapa, as mulheres se divertiam com o puxa-puxa do alfenim e a batida ensinava lições de morte a Félix. O bom aluno dizia em todas as rodas: eu vou morrer é de pé : como batida ! O dono da fazenda se acostumara àquele bulício do eito e , mesmo sem retorno financeiro, mantinha as moendas rodando como um investimento na sua alegria e felicidade.
A verdadeira causa da capionguice de Cãindo só se veio saber muito tempo depois. Dia após dia, ele começou a encontrar, no meio do canavial, um monte de casca de cana e o bagaço ainda fresco do lado. Teve certeza que alguém estava entrando de madrugada no canavial para chupar as canas do Mangabeira. A implicância do proprietário não se atinha ao valor venal da cana chupada. O velho era mão aberta e, após a moagem, mandava batida, alfenim e rapadura para todos os parentes e aderentes. Doía-lhe o desacato , alguém invadir suas posses sem pedir licença, além do desperdício da sua matéria prima pois, muitas vezes, sem faca, o ladrão torcia a cana na boca para beber um pouco da garapa e depois jogava longe o muito que sobrou. Félix botou o SMI ( Serviço Mangabeirense de Informações) para funcionar mas, mesmo assim, não conseguiu descobrir quem era o predador. Resolveu, então, armar uma cilada para pegar o rato destruidor do seu canavial. Acordou cedinho, por volta das três da madruga, armou-se com um facão rabo-de-galo e ficou amuquecado bem no centro do canavial, fumando um escora-carroça e esperando o desenrolar dos acontecimentos.
Lá pras cinco horas, ouviu, perfeitamente o abre-fecha das canas e um assovio fininho entoando o mulher-rendeira. Manteve-se caladinho no posto e esperou, ainda na penumbra, que o larápio se entretivesse descascando as primeiras canas e degustando os roletes. Esgueirou-se , cuidadosamente, em meio às folhas e aproximou-se como cascavel que desliza pelo chão e depois arma bote. Num átimo saltou em cima do ladrão que estava de cócoras, numa pequena clareira e o agarrou pelo colarinho da camisa. Era um rapazinho de uns dezoito anos. Aproveitou para dar uma surra no afanador de cana alheia, com a folha do facão, sob a trilha sonora de: cabra safado! sem-vergonha! filho de quenga! Muitas lamboradas e facãozadas depois foi que , com o sol quebrando na barra, descobriu que o chupador desavisado de cana tratava-se de um afilhado seu. Até porque o menino , a cada lapada do rabo de galo, gritava suplicante para o padrinho:
--- A bênção padim Cãindo ! A bênção padim Cãindo! A bênção padim Cãindo !
O velho, de facão em punho, não se sensibilizou com a intimidade de afilhado. Só o liberou quando estava já coberto de suor e sem forças. Foi largar o colarinho e o menino pegar o gramear, aos trancos e barrancos , numa correria sem fim, levando o canavial nos peitos. Depois disso o menino ficou trombudo e tomou distância da casa grande da Mangabeira.
Félix guardou sigilo e não comentou com ninguém mais sobre o assunto. O certo é que o chupamento de cana desapareceu e Cãindo pode voltar às rodinhas de fofoca em Matozinho. Semana passada, ele estava conversando no meio da feira com Giba, quando Ludugero, o afilhado da história, caminhou na direção do padrinho. Passou, no entanto com aquela cara de fazer cobrança e não deu sequer um bom dia. Giba estranhou a atitude do afilhado e perguntou a Félix:
--- Este menino, rapaz, é seu afilhado e passa assim de cara amarrada e nem pede a bênção ao padrinho ? Pode uma coisa dessas ?
Cãindo , então, não titubeou e arrancou, do fundo da alma, aquela ironia sutil :
--- Carece não Giba ! Mês passado eu peguei ele roubando minhas canas e o menino tem até um saldo bom : ele tomou a bênção por pelo menos uns dois anos !

J. Flávio Vieira

Luar de outubro


Foto: Emerson Monteiro

Audísio (tapioca) agradece lembrança


Achei muito legal e fiquei muito emocionado, com a homenagem que voces fizeram colocando minha foto aí no blog, como tambem com os comentarios de Rafael, Dihelson, Ricardo, enfim... pessoas que há tempos não vejo, mas que não me esqueceram. Fico feliz por participar ainda desse pedaço do Crato, terra nossa que não esqueço. Um dia ainda vou fazer um "som" com toda a rapaziada.

Agradeço de coração, um grande abraço

Audisio (Tapioca)

Jackson Bantim (Bola) entrevista PATATIVA DO ASSARÉ


Patativa do Assaré em entrevista realizada por Jackson Oliveira Bantim (Bola), enviada ao Zeca Zines através de Ednardo, trecho do documentário realizado por Bola enviado em 15/08/2003.

Nesta entrevista Patativa do Assaré, responde entrevista de Bola e recita duas poesias - Caboclo Roceiro e Menino de Rua.

Patativa do Assaré - Antonio Gonçalves da Silva - é um gênio e antena da raça, como fala Ezra Pound, estudado como fenômeno de comunicação popular com suas poesias e repentes, pela Universidade de Sorbonne na França, por Raymond Cantel, na cadeira da Literatura Popular Universal, e por Sylvie Debs em Literatura Comparada pela Universidade de Toulouse – França e outras Universidades de Praga e Moscou, Universidade de Poitiers – França, Alemanha, Japão, Estados Unidos, Inglaterra; e etc.
No Brasil, todas maiores universidades, USP; UFC; UFMG;UnB; UFPE; PUC/SP e muitas e muitas outras dedicam através de seus mestres e alunos, extensos estudos à Patativa do Assaré. Como símbolo emblemático deste bardo nordestino que possui em sua simplicidade o poder de comunicar-se com todas gamas de entendimento.

Sua arte somente ficou mais conhecida em Fortaleza, Nordeste e Brasil e Exterior, a partir de 1979 quando participou da Massafeira Livre, à convite de Ednardo, quando foi gravado seu primeiro disco. Até então Patativa era ilustre desconhecido em sua própria terra o Ceará, e o mundo não sabia de sua existência.
A partir da Massafeira, Patativa passou a ser reconhecido por todos, e seus versos amplificados em livros, estudos e teses e também musicados e cantados por muitos artistas.
Vale lembrar que antes, Luiz Gonzaga , musicou um de seus versos – Triste Partida - E depois da Massafeira, outros artistas foram musicando e cantando sua obra, e obteve atenção dos estudiosos sobre sua obra.

http://zecazines.blogspot.com/2007/09/patativa-do-assar.html

Maria Café em novo endereço!



O Maria Café reabre em novo endereço, agora localizado à rua Nelson Alencar, 484, Centro (próximo à av. Duque de Caxias, em Crato). Mantendo seu estilo cult, e agora mais aconchegante ainda, é programação certa na agenda dos apaixonados pela boa música e pelo paladar diversificado e requintado de seu maravilhoso cardápio de cafés. E para quem perdeu a bela noite de reinauguração, no útimo dia 18, vale a pena conferir a novidade: INHÔ BATUTA, deliciosa batata gratinada, recheada com frango e batata palha. Imperdível paladar! A magia e originalidade do Maria Café fica por conta de Sabrina Souli e grande elenco: Greg, Joana, França e pelo expressivo convívio cultural de todos que acabam se aninhando por lá. Parabéns ao Maria Café em sua nova casa! Olha só Sabrina, guarda aí um Inhô Batuta pra mim!
Expediente: Maria Café. Segunda a Quarta - 11h às 20h; Quinta e Sexta - 11h às 22h; Sábados - 16h às 21h. Rua Nelson Alencar, 484 - Centro, Crato-CE.

Fotografia de Mulher - Dihelson Mendonça


É muito difícil ao olhar do fotógrafo conseguir captar a sensibilidade feminina como ela às vezes se nos apresenta ao universo masculino. A mulher é um sonho que se materializa, e certas mulheres se confundem com as flores, com a natureza, com a própria beleza.

Modelo: Ninha ( minha namorada )
Foto: Dihelson Mendonça

CAFÉ SOBRE TRILHOS - Inaugurado novo Café em Crato.

Depois do já renomado MARIA CAFÉ, que agora mudou de endereço, para a Rua Nelson Alencar, o Crato ganha também mais uma opção em matéria de café, com qualidade, excelente atendimento, e tapiocas deliciosas. trata-se do Café Estação, localizado na antiga RFFSA. Estive lá ontem ( na verdade, meu corpo estêve, pois minha alma estava insone há mais de 24Hs, e por causa do Glauco Vieira me fez ir até lá...ehehe )

Bem, aí está nossa mesa. Ambiente muito legal, fomos muito bem atendidos, e o sabor das tapiocas, hummmmmmmmmmmmmm.....


Esse casalzinho, hein ? rs rs


Nosso nobre colega Tarso Araújo e sua bela família também estêve presente...


Lá no Café estação presenciamos um MILAGRE : Chuva em outubro !

Aí está. Antigamente, uma estação ferroviária, agora, um dos "points" da cidade. vale a pena conferir !


A prova do crime... O amor é lindo... rs rs rs


As palhaçadas com o copo luminoso...


Excelente atendimento...



Olhaí: Geração Saúde! - canse o corpo para descansar a mente. Nosso querido Luiz carlos Salatiel e sua nova bike...partido verde, agora tá todo ecológico nosso vereador! rs rs


Confira o mais novo espaço cultural do Crato, o CAFÉ ESTAÇÃO, localizado no Centro Cultural Araripe, no largo da RFFSA. Desde segunda (22), o novo point tem acolhido a simpatia do público que dá boas vindas à iniciativa de Robson Teixeira e Hermínia Rachel, idealizadores e organizadores do espaço. Com a ampliação dos equipamentos culturais da cidade, o CAFÉ ESTAÇÃO chega em boa hora para agregar freqüentadores da excelência artística do Cariri, além do grande público que queira simplesmente saborear seu cardápio original: Tapiocaria, cultura & outras delícias. A inauguração oficial será neste sábado (27), a partir das 19h, com exibição de curtas metragens (Dramas, 2007 – de Franklin Lacerda; e Cerca, 2006 – de Glauco Vieira), seguido do show das bandas de blues e rock: Los The Os, e BR86. Imperdível.

Expediente: CAFÉ ESTAÇÃO. Funciona de segunda a sábado, das 16 às 00h, no Centro Cultural Araripe, largo da RFFSA.

Matéria: Tarso Araújo, Glauco Vieira
Fotos e comentários: Dihelson Mendonça



terça-feira, 23 de outubro de 2007

Blog Poem


Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Carlos Drummond de Andrade

PARADA PARA O CAFÉ

Confira o mais novo espaço cultural do Crato, o CAFÉ ESTAÇÃO, localizado no Centro Cultural Araripe, no largo da RFFSA. Desde segunda (22), o novo point tem acolhido a simpatia do público que dá boas vindas à iniciativa de Robson Teixeira e Hermínia Rachel, idealizadores e organizadores do espaço. Com a ampliação dos equipamentos culturais da cidade, o CAFÉ ESTAÇÃO chega em boa hora para agregar freqüentadores da excelência artística do Cariri, além do grande público que queira simplesmente saborear seu cardápio original: Tapiocaria, cultura & outras delícias. A inauguração oficial será neste sábado (27), a partir das 19h, com exibição de curtas metragens (Dramas, 2007 – de Franklin Lacerda; e Cerca, 2006 – de Glauco Vieira), seguido do show das bandas de blues e rock: Los The Os, e BR86. Imperdível.

Expediente: CAFÉ ESTAÇÃO. Funciona de segunda a sábado, das 16 às 00h, no Centro Cultural Araripe, largo da RFFSA.

Isso é que é Criatividade... (atualizado)

Quando os cearenses dominarem o mundo...

Todo mundo sabe que os cearenses estão por toda parte.
Em geral, o cearense é aquele sujeito baixinho que é o guardador de carro em São Paulo,
o chefe de um restaurante na Madison em Nova York,
o designer que bolou o logo da Euro copa em Portugal,
ou mesmo um borracheiro no interior da China.
O que pouca gente sabe é que, na verdade, isso é uma bem arquitetada jogada que visa a plantar gente nossa em postos-chave da administração mundial.
Quando estivermos prontos, será deflagrada a grande tomada de poder
e meu conselho é que você fique imediatamente amigo ou amante de um cearense,
pois sabe como é: pros amigos tudo, para os inimigos, a lei!
Tomaremos o poder a partir de uma senha pré-estabelecida,
que só um cearense saberá o significado oculto.
Aos berros de "Queima Raparigal!"
as hostes de cabeças-chatas invadirão os parlamentos e palácios,
além de todos os jornais e redes de TV do mundo livre.
Ninguém desconfiaria que Francisco das Chagas, humilde faxineiro da CNN (futura afiliada da TV Diário), na verdade, é um professor do ITA que rapidamente conectará a rede de Atlanta para nossos propósitos.
Invadiremos e tomaremos o Estado de Pernambuco,
vamos dinamitar a nossa refinaria que eles roubaram e vamos construir outra lá no Pecém; também vamos extinguir os times Náutico, Santa Cruz e Sport Recife.
Elegeremos um papa cearense, Raimundo I, que canonizará Padre Cícero e determinará que, daí por ,diante, em todas as igrejas católicas a hóstia seja feita com macaxeira, farinha, rapadura, alternadamente ou os três ingredientes juntos.
O vinho será uma cachacinha de primeira misturada com "Q-SUCO" de uva.
Essa simples bula papal fará com que a economia do Ceará dê um salto.
O único problema é achar uma mitra que caiba na cabeça chata do papa, mas nós cearenses sabemos improvisar: Raimundo I usará uma fronha de travesseiro enquanto se encomenda outra.
A literatura de cordel ganhará status de arte maior e Clodoaldo Mastrúcio ganhará o Nobel de Literatura com seu livrinho "A moça que engravidou do cavalo e a besta da sua mãe".
Nas artes plásticas, as garrafinhas com areia colorida, os quadros de Xico da Silva e as esculturas de Zé Pinto irão ocupar alas e alas do Louvre.
Para arranjar espaço, todas aquelas velharias do Turner vão para o museu de Aracati.
A Monalisa fica, pois na avaliação de Serotônio Macêdo, novo curador do museu, ela é uma "cabôca danada de aprumada".
O novo Secretário Geral da ONU será Seu Lunga, que resolverá o conflito Israel/Palestina doando vastas extensões do sertão cearense pros brigões.
A ata de doação será concisa e formal.
Nas suas palavras: "Magote de fio d'uma égua, bando de mulambeiros, a terra é seca do mesmo jeito e o mar é da mesma cor.
Deixem de botar boneco que vocês nem vão notar a diferença e o Ceará ainda é maior que aquela tripinha de Gaza".
A famigerada música cearense tomará o mundo.
Numa revanche histórica, as aberturas das novelas globais terão como trilha sonora os seguintes temas: novela das 06h, Belchior, das 07h, Raimundo Fagner, das 08h, Aviões do Forró.
Vamos aperfeiçoar o Oscar.
Bolaremos uma categoria que premiará o melhor filme de cangaço, melhor cena de amor numa jangada e melhor mocotó.
O cruzamento mais famoso do Brasil não mais será "Ipiranga com Av. São João" e sim Barão do Rio Branco com Liberato Barroso.
O jornal do 10 será transmitido para todo o mundo com a seguinte noticia:* O rodeio será substituído pela vaquejada;
Coca-cola pela água de côco;
Garota de Ipanema por Garota da Barra do Ceará;
Praia de Copacabana por Praia do Futuro;
Fla x Flu por Ceará e Fortaleza, Real Madrid por Ferroviário;
Central Park por Parque do Cocó;
As torres gêmeas, que já foram destruídas mesmo, por Palácio do Progresso;
As melhores faculdades européias pelo Liceu do Ceará;
Demitiremos Gugu Liberato e Faustão e colocaremos em seus lugares João Inácio Jr e Ênio Carlos;
Roberto Carlos por Babau do Pandeiro;
Funk por Xaxado;
Disneylândia por Beach Park;
Av. Paulista por Bezerra de Menezes;
Canecão por Siará Hall (na Washington Soares é show);
Escolas de samba por quadrilhas juninas;
Chiclete com banana por Mastruz com Leite;
Colocaremos alguns cearenses nas presidências dos principais países como: França: Cid Gomes (pela "delicadeza" de seus gestos); Cuba: Inácio Arruda; Argentina: Débora Soft (ela é burra mesmo e eu quero mais é que a Argentina se exploda).
A primeira ministra da Inglaterra será Patrícia Gomes.
A capital do Brasil será Fortaleza.
A capital do mundo ainda será Nova York, mas a gente vai rebatizá-la de Nova Quixeramobim e vamos trocar aquela estátua cafona por uma enorme estátua da Índia de Iracema.
Yeah!
Não vejo como o plano possa falhar, pois cada vez mais nossos agentes se espalham pelo Brasil e pelo mundo todo.
Só nos resta esperar, de preferência no fundo de uma rede, enquanto as engrenagens giram por si.
Adeus e até a vitória!
Como sou modesto, quero para mim apenas um título de nobreza e umas terras anexas, de preferência o município de Caucaia que é vizinho da capital e tem belas praias.
Saudações cearenses!!!
E que nosso Padim Pade Ciço teja com todos nós!!!!!

FotoArt: Wilson Bernardo


Wilson Bernardo (Wilberna), poeta marginal, como se autoproclama, desenvolve paralelamente um interessante trabalho fotográfico. Wilberna é um dos poucos fotógrafos sem-máquina, pois não dispõe de uma máquina fotográfica própria, utilizando equipamento emprestado e sempre analógico.

Recentemente, no primeiro semestre deste ano, Wilberna realizou uma exposição individual de fotografia na Universidade Regional do Cariri - URCA. Esta foto foi uma das expostas, a qual recebi dele como presente.

Wilberna tem uma certa "queda" para registrar imagens sagradas. No entanto, suas imagens, neste campo, estão sempre enfocando o sacropopular.

As múltiplas imagens do Menino-Deus que, em posição vertical e lado-a-lados, lembram querubins em revoada,- são, normalmente, utilizadas, no Cariri, para enfeitar presépios em época de Natal, nas residências das pessoas simples das periferias das cidades e do campo.
Wilberna e seu olho iridescente!

SONHAR UM SONHO IMPOSSÍVEL

Era uma vez em 1965 um musical da broadway baseado em Dom Quixote, chamado Man Of La Mancha. Então foi que MitcLeigh compôs a música e Joe Darion escreveu a letra, de uma canção chamada The Impossible Dream ...

To dream the impossible dream

to fight the unbeatable foe,
to bear with unbearable sorrow,
to run where the brave dare not go.

To right the unrightable wrong,
to love pure and chaste from afar,
to try when your arms are too weary,
to reach the unreachable star.

This is my quest,
to follow that star
no matter how hopeless,
no matter how far.

To fight for the right
without question or pause,
to be willing to march into hell for a
heavenly cause.

And I know if I'll only be true to this
glorious quest
that my heart will be peaceful and calm
when I'm laid to my rest.

And the world will be better for this,
that one man scorned and covered with scars
still strove with his last ounce of courage.
To reach the unreachable stars.

Quem não conhece a versão de Sinatra cantando essa música, peça pra sair e vá baixar imediatamente!

No Brasil, Chico Buarque e Ruy Guerra também fizeram sua versão de Sonho Impossível, que Betânia prontamente tratou de consagrar...
sonhar
mais um sonho impossível
lutarquando é fácil ceder
vencer o inimigo invencível
negar quando a regra é vender
sofrer a tortura implacável
romper a incabível prisão
voar num limite improvável
tocar o inacessível chão
é minha lei, é minha questão
virar esse mundo
cravar esse chão
não me importa saber
se é terrível demais
quantas guerras terei que vencer
por um pouco de paz
e amanhã, se esse chão que eu beijei
for meu leito e perdão
vou saber que valeu delirar
e morrer de paixão
e assim, seja lá como for
vai ter fim a infinita aflição
e o mundo vai ver uma flor
brotar do impossível chão

É especialmente importante saber que tem tudo a ver com Dom Quixote e com o Quixote que deveria haver em cada um de nós.
Cervantes seja!
Awem!

Show: Uma das maiores intérpretes da MPB vem ao Cariri: FHÁTIMA SANTOS - Eu, Vocês e a Música - Imperdível !!!


Duas Datas:

- Quinta-feira, ( 25 de outubro ) no SESC Crato: 19:30 - Entrada Franca
- Sexta-feira, ( 26 de Outubro ) no Centro Cultural BNB - Juazeiro do Norte: 19:30 - Entrada franca

"Eu, Vocês e a Música" - Título show da grande cantora Fhátima Santos, elogiadíssima por nomes como Nana Caymmi, Leny Andrade, Johnny Alf, dentre muitos outros, vem ao cariri para 2 shows pelo Centro Cultural Banco do Nordeste. Dias 25 e 26 de Outubro ( quinta e sexta-feira ). No SESC crato. Entrada franca.

Fhátima Santos - Interpretando o Indizível !

Se alguém, em plena luz do dia, quiser ver o negrume, ouvir os tons, provar o sabor, tocar a pele e até sentir a fragrância da noite, basta deixar que Fhátima Santos cante.

Quando ela canta, por incrível que pareça, o dia anoitece, pois sua garganta domina essa alquimia de apagar o sol e acender estrelas e luares. E, se, mesmo sem o consentimento da voz noturna dessa ariana mágica, a noite, por uma bruxaria da própria natureza, já tiver entrado na combustão das horas, estejamos certos de que só amanhecerá quando Fhátima Santos fizer silêncio.

Essa alagoana, agora irresgatavelmente cearense, exerce o poder de hipnotizar o tempo para que ele, insone, possa acordar a noite e impedir que o dia seguinte amanheça. Porém, se, depois da madrugada, a manhã insistir em desobedecer, a tarde subseqüente pode até sobrevir, mas, ao pressentir a nota musical da primeira sílaba do nome dessa cantora lunar, o astro-rei feito um sonâmbulo há de tatear o espaço a procura da linha do horizonte para, em seguida, mergulhar no esconderijo dos mares, porque, afinal, segundo o verso de uma canção, o sol não pode viver perto da lua.

Em suas apresentações Fhátima Santos se entrega em sacrifício prestando justa homenagem aos que lhe iluminam, na melodia romântica, na cadência do samba, no balanço do jazz ou no acalanto do blues. Não importa o gênero, o número de batidas do ritmo ou os graus de complexidade da harmonia.



No show "Eu, Vocês e a Música", Fhátima Santos interpreta canções de Tom Jobim, Nélson Cavaquinho, Cartola, Noel Rosa, além de compositores Cearenses. Simplesmente imperdível aos que realmente, com seu bom gôsto, sabem apreciar a boa música.


Divulgação: Portal do Jazz - www.portaldojazz.com