TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

PARLA !

Pois é , amigos , antevendo o capão minguado do Natal, a Cidra espumante nos copos descartáveis , o ribombar das bombas rasga-latas, os presentinhos (de coração) do “Mundão do Real” e os abraços e preces dos familiares , eis , por fim, que mergulhamos nas esperanças de 2008.O ritual de passagem adocica um pouco o amargor passado e entreabre no nosso espírito as venezianas para um novo tempo. É como se passássemos o apagador no quadro negro e o deixássemos virgem , ávido por novas aquarelas. As mãos cerradas durante todo o ano se abrem para o aperto fraternal, os cenhos graves desarmam-se. Todos, de alguma maneira, descobrem a mágica possibilidade do recomeçar. Termina-se por se fazer também um balanço de cada vida, computando-se perdas e receitas, não na área financeira, mas na nossa fina contabilidade interior. Aprende-se com as derrotas , é certo, mas antes de tudo, a passagem de ano administra-nos o bálsamo encantador do esquecimento. O passado cai em exercício findo e esvai-se perdido na sua implacável imutabilidade. O Ano que se inicia surge, sempre , brilhante à nossa frente, como um eldorado perfeitamente visível e alcançável.Esmaecem-se as agruras passadas, as decepções , os devaneios antigos, as ilusões plantadas no inverno anterior e que feneceram antes da colheita prevista. A vida apresenta-se adiante como uma massa de moldar esperando que nossas mãos sábias lhe dêem a forma e o sopro criador: “Parla !”
Este ar de início de jornada, propiciado pelo Ano Novo, torna o caminho cheio de surpresas e expectativas. Talvez, seja por isso mesmo, que medram, nesta época, as pitonisas, os videntes, os Nostradamus. Todos se arvoram de adivinhadores, como se fosse factível prever o destino de um sem número de estradas possíveis que serão abertas , pouco a pouco, por incontáveis operários , através da vária lâmina do sonho e do volúvel gume da vontade humana.Alguns ficarão inevitavelmente à beira do caminho, poucos atingirão a meta traçada e a grande maioria aguardará outros anos e outros recomeços: esta é a única previsão infalível para 2008.
O mais importante de tudo : não perder a dimensão do ritual. A essência da vida resume-se no sonho e não no despertar.O encanto da procura é bem mais completo que a visão efêmera e orgásmica do encontrar.No fundo , talvez, a existência seja apenas uma quimera, um simples devaneio, um sonho com suas fantasias , seus fantasmas, suas oníricas alegrias , vezes com seus pesadelos tremendos e que acaba quando nossa bêbada individualidade se mescla à força sonhadora de toda a natureza. Aí sonharemos junto com todo o universo.


J. Flávio Vieira

O Crato tá nas Oropa !


Cariri na moda
Fotógrafo cratense consegue destaque em prêmio
europeu de design com livro que conta, por meio
de fotos de moda, um pouco das peculiaridades da região do Cariri





O ensaio fotográfico revela influência da cultura do Cariri (Divulgação) Dada Petrole era o fotógrafo oficial de sua turma de amigos. Tinha 22 anos, cursava o segundo ano na faculdade de Letras e não pensava muito em sair do Cariri. Uma paixão mudou toda essa cena e levou o jovem para a Europa. Por lá, queria viver seu amor arrebatador pela jovem alemã, que conheceu nas noites do Crato, por volta de 1997, e veio a ser muito mais do que farra. Era impossível prever ou até mesmo sonhar, como ele mesmo afirma, que dez anos depois, Dada veria o seu trabalho (e, por que não, o Cariri) condecorado pelo ADC - o prêmio é o Oscar do Design entre os países de língua alemã (Alemanha, Suíça e Áustria). Seu livro, Moderatrix Cariri, concorria com 619 trabalhos e conseguiu destaque - premiado pela fotografia e concepção.

Não foi a primeira vez que o projeto virou assunto. Parte prática da tese que Dada defendeu na graduação - sobre a funcionalidade conceitual de unir os estilos de fotografia de moda com a fotografia documental -, o trabalho foi classificado como o segundo melhor do ano da University of Applied Science Design, em 2006. Proporções menores, claro, mas já encorajava o cratense a inscrever o livro na premiação (o ADC - 2007). Entre as 130 páginas, fotos de moda feitas em nove cidades da região do Cariri, textos (em português e alemão) e alguns mapas gráficos das cidades onde os ensaios aconteceram. Como a idéia é misturar fotografia de moda com fotografia documental, Dada faz uso das histórias da cidade, bem como de suas manifestações culturais e até mesmo práticas incorretas (como as queimadas) para criar uma foto de moda, com figurino exclusivo.

Nem de longe é um simples editorial de moda. "O livro é um zoom do Brasil até o Cariri, exaltando os valores culturais, sociais, tradicionais e imaginário popular daquele lugar", explica. Vale ressaltar que o trabalho foi todo custeado pelo próprio fotógrafo. Sim, o mesmo que há uma década vendeu seu violão, aparelho de som, fez maquetes para estudantes de escolas particulares, fotografou formaturas, aniversários, casamentos e vendeu rifas na faculdade para poder ir à Alemanha. Foram aproximadamente R$ 20.000, fora as passagens aéreas (Petrole veio por duas vezes ao estado).

O trabalho contou com uma equipe 100% local e voluntária - ninguém recebeu nada por isso, mas também não gastou. Mesmo sem recurso para pagar seus colaboradores, Dada Petrole teve de dispensar um grande número de interessados que provinham de outras regiões. Muita gente parecia acreditar na proposta. O bairrismo, claro, foi motivo de uma insegurança, inicial, pois Petrole temia não achar o leque variado de profissionais que o livro exigia. Surpreendeu-se. "No Cariri existem pessoas belíssimas que trabalham bem e que estão abertas para novas idéias. Acho isso muito interessante lá. É um lugar que oscila entre o rústico, tradicional e o contemporâneo e inovador", exalta.

Mesmo com a disposição do autor, a crença dos envolvidos (cerca de 60 pessoas de forma direta e 150 indiretamente), as boas histórias e as relevantes manifestações culturais do Cariri, o livro ainda não foi publicado. Propostas não faltaram, mas nenhuma em terras brasileiras. Em sua fundamentada teimosia, o fotógrafo bate o pé, diz não ao os gringos, acredita e espera que, enfim, alguma instituição (de preferência pública, já que ele não quer um livro-propaganda) publique seu trabalho no Brasil. Mas ele não espera sentado. Enquanto o sim não vem, Dada trabalha em seu próximo projeto, um livro sobre a Bacia do Araripe. "Será um raio-x na vida do fóssil da formação de Santana, que abordará a importância dele e de quem trabalha lá, a presença dos estrangeiros, dos estudantes e da sociedade local", adianta. O projeto, segundo ele, será o mais audacioso de sua carreira e ainda não tem parceria.

O fotógrafo acredita que sua intensa relação com a região onde nasceu e viveu até sua juventude se deve à vontade de mostrar o Cariri para o mundo. "A minha idéia é fazer o Cariri sair de lá, sem nenhuma gota de ufanismo, e sim de uma forma verdadeira, fiel e honesta". Mas basta perguntar sobre sua saudade para entender que é ela que norteia a forte presença de suas origens. "Ah, meu cariri, a chapada com suas fontes, os movimentos culturais, os irmãos Aniceto, a feira, meus velhos amigos e minha família", suspira. "Um dia ainda volto para o Ceará".


EMAIS

A moderadora de Petrole
A força feminina é temática presente na obra (e vida) do fotógrafo cratense. Começa pelo título, pois Moderatrix vem do latim e significa moderadora. "Para mim a mulher é o que modera a vida, é o que está entre o homem e a terra. É especial por conseguir manter o equilíbrio mesmo estando entre os extremos", diz. Nas páginas, a mulher aparece entre o apreciador e a história - as raízes locais formam o plano de fundo da fotografia e ela, a mulher, fica à frente.


SAIBA MAIS

Site de Dada Petrole
www.petrole.de


Jornal O Povo 18/12/07

Minha Árvore de Natal


Amigos e amigas, participar do Blog CaririCult tem sido para mim um desafio e um grande aprendizado. A cada novo dia é um prazer ler os textos, as notícias, as poesias, enfim cada uma das postagens. Ao mesmo tempo, me sinto feliz em poder compartilhar com vocês minhas idéias, meus conhecimentos e meus sentimentos. Que em 2008 possamos cada vez mais construir e consolidar esse espaço, que tão bem reflete a riqueza cultural do nosso Cariri.

Quisera, Senhor, neste Natal
armar uma árvore dentro de meu coração,
e nela pendurar em vez de presentes,
os nomes de todos meus amigos.
Os meus amigos de longe e de perto.
Os antigos e os mais recentes.
Os que vejo a cada dia e os que raramente vejo.
Os sempre lembrados e os as vezes esquecidos.
Aqueles a quem eu conheço profundamente,
e aqueles que não são muito conhecidos,
a não ser nas aparências.
Os constantes e os inconstantes.
Os das horas difíceis e os das horas alegres.
Os que sem querer magoei e os que sem querer me magoaram.
Os que pouco me devem e aqueles a quem devo muito.
Meus amigos jovens e velhinhos,
não esquecendo também das criancinhas, ternas amiguinhas,
os nomes de todos que já passaram por minha vida.
Aqueles que eu conheço, sem me conhecerem,
aqueles que me conhecem, sem que eu os conheça,
que me admiram e estimam sem eu saber,
e os que admiro e estimo sem lhes dar a entender…
Uma árvore de raízes profundas,
para que os seus nomes nunca sejam arrancados do meu coração,
seus ramos muito extensos, para receberem outros ramos.
Sua sombra muito agradável para que nossa amizade
seja um momento de repouso em nossas horas difíceis de vida!!!
(Autor desconhecido)

PS: Vou tirar uns dias de férias, para descansar e visitar familiares e amigos na minha querida cidade de Baturité e em Fortaleza. Assim, vou passar uns dias sem aparecer por aqui. Mas logo no começo de 2008 estarei de volta. Abraços Fraternos.

Wilson Bernardo: Poemas de Natal Sertão das Fomes



POEMAS DE NATAL SERTÃO DAS FOMES.

A FORTUNA É UMA COMPROVAÇÃO SUICIDA!

Diante de todos os prazeres
o homem é um inseto
o dinheiro ao que parece não será
das fortunas um princípio sincero.
o homem dentro da alma consumida em valores
o consumo se faz nascer com os fetos o precipício.
desconhecemos a formação dos prazeres
diante de que o medo é uma regra humana.
os insetos fecundam a eternidade das espécies.
o dinheiro acelera a vunerabilidade
de que somos bacterihumanas desnecessárias.
morte!
a fortuna é apenas uma ideia de quantidade
o prazer da felicidade é bem menor do que os insetos.
a grande revolução do homem é superar
um desejo suicida.

Wilson Bernardo

OS FETOS CONSOMEM COSMÉTICOS!

Diante do espelho
cara a cara
com Narciso
o caramujo se sente príncipe!

Wilson Bernardo

DESCASCAR FRIGORÍFICOS OSSOS.

O milagre das palavras
é a fome das parábolas.
o milagre dos pães
a multiplicação dos peixes.
e no meu sertão urbano
as mulheres se contentam
com a fila dos ossos.
a carne é para quem pode
o poder
comer frutas com rodelas de dinheiro.
o milagre dos peixes
a multiplicação dos pães.
o milagre das parábolas
é a fome das palavras.

Wilson Bernardo

A MORTE É UMA FOME ORGÂNICA!...

As vacas pastam na profundeza
das águas
os peixes confiantes de traquéias
esperam pacientemente os coletores de leite.
a ruminagem dos homens comovem
os comerciantes de mortes.
fome!
sede!
aos filhos conscientes de mendicâncias
de que o pasto e as iscas
serão sempre necessidades orgânicas.
a fome humana nos leva ao saciar
desonesto de que os vegetais
vestem as carnes de luto.

Wilson Bernardo



Por: Wilson Bernardo - Poeta Marginal

Foto: Dihelson Mendonça
.

Bom Natal e Feliz 2008!

Quando mais envelhecemos, mais precisamos de ter que fazer. Mais vale morrer do que arrastarmos na ociosidade uma velhice insípida: trabalhar é viver. (Voltaire)

O meu desejo é de que nos mostremos mais dispostos ainda ao enfrentamento que os próximos anos nos cobrarão.

Um grande abraço,
Luiz Carlos Salatiel

Caros amigos do Cariricult


Como ninguém é de ferro, vou dar uma descansada nestes derradeiros dias do ano e sair um pouco de cena. Antes, porém, gostaria de desejar a todos os autores e leitores que fazem este querido Cariricult– um Natal repleto de paz e um Ano Novo de muitas realizações pessoais e, sobremodo, coletivas. Neste sentido, desejo muito mais trabalho e reflexão do que propriamente festas e alegria, pois estamos caminhando celeremente para uma era onde não haverá, peremptoriamente, espaço para omissão, descaso, negligência ou outras ações que vão de encontro à ordem natural das coisas. O planeta está morrendo e algo precisa ser feito de concreto para salvá-lo. Vamos, pois, salvar, primeiro, nossa aldeia, pois como bem diz Luiz Carlos Salatiel, nossa cidade é o nosso planeta.
Neste sentido, temos muito a fazer: salvar os rios Batateiras e Granjeiro, preservar a Flona, elaborar e realizar projetos sustentáveis de desenvolvimento econômico-social que dêm sustento a uma verdadeira qualidade de vida para a população; valorizar nossa cultura, tornando-a referência principal de nossa identidade histórica etc etc etc.
Que 2008 seja um ponto de partida para a instauração de uma nova consciência, onde o engajamento é peça fundamental.
Enfim, desejo que os desafios que hoje emperram que a nossa felicidade seja plena sejam superados com galhardia e coragem.
Pois, precisamos ser duros e fortes sem perder a serenidade e a elegância jamais!

Fui...

Obs.: A silhueta na foto é do meu filho Paulo Rafael, de um ano e meio, que, para mim, é um símbolo concreto de uma nova geração que depende diretamente do que a nossa geração fizer de prático em prol da vida.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Energia amiga

Cavo minha cova
com as unhas sujas.
Meus ovos depositados
nas paredes friorentas.
Meu coração às vezes anda
descalço
sem ventrículos,
sem aurículas.
Cavo minha cova
sorrindo.
Os dentes da frente
brilham que encantam.
O último detrás puro abscesso.
A lágrima,
nódoa de graviola.
Cavo minha cova
balançando a corcova.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O Boi brincado no Crato do final do séc. XIX


No Crato do final do século XIX, o Auto do Boi, também conhecido noutras partes por Bumba-Meu-Boi, foi uma função da cultura popular feita para o deleite de todos, incluindo as chamadas “boas famílias” da sociedade local.

Segundo Paulo Elpídio Menezes (1), além do boi, havia outros personagens coadjuvantes. Seu depoimento é rico em detalhes e, por isso mesmo, belo no estilo.

“Depois dos setenta anos, comecei a lembrar-me de tudo que vi e ouvi, quando menino. Agora é o boi, a burrinha, o caga-pra-ti, o babau e os dois vaqueiros (os caretas), o dono do boi e o tocador de harmônica que, muito embora o seu instrumento não desse os tons menores, mexia com a alma da gente, mais do que os acordeões atuais. É o boi que dançava nas frentes das casas de família, durante o mês de Natal que, com tanta rapidez, passava para os meninos.

“O boi era contratado por dez mil réis, para as oito horas da noite, enquanto a meninada estava acordada. Toda a vizinhança era convidada para assistir ao divertimento a que se dava tanto valor. A animação não se descreve. O boi trazia um grande acompanhamento. O grupo de que se compunha estacionava a certa distância. As calçadas se enchiam de cadeiras. O da harmônica, na frente. Os vaqueiros, encaretados, avançavam e, com voz gutural, rouca e escatarroada, perguntavam por meu amo. Referiam-se ao dono da casa, a quem eles queriam vender um boi.

“Realizado o entendimento, voltavam os vaqueiros trazendo a burrinha. Com ela entravam pela abertura do círculo que fazia o povo. O ‘ cabra’ executava, com perícia, uma espécie de rancheira, tocada pela harmônica, montada num cavalo de pau, coberto com u’a manta e com rédeas retesadas. Ligeiramente olhando, dava a impressão de um centauro. Sacudia aos assistentes um lenço branco, que lhe era devolvido com um ou dois dobrões (2)

“Retirada a burrinha, diziam pilhérias engraçadas e diligenciavam abrir mais a roda dos assistentes, ameaçando a molequeira, com seus jucás de relho nas pontas.

“Traziam depois o caga-pra-ti: um homem, com uma roda na cabeça, envolvida em um pano branco que descia até a cintura, onde se prendia a uma saia rendada e aberta por um balão amplo.

“Girava ao som de um pinicado da harmônica, dando pulinhos em meio do baião, dançando com agilidade e perícia. Ainda apresentavam a Ema, não mencionada em começo. Dava uma entrada solene, com passos cadenciados, ao som de uma música apropriada a seu andar pachola. Ao recolher o elegante pernalta, já se ouvia o aboiar dos vaqueiros. Momentos de grande ansiedade... O boi entraria em cena. Arcos de cipó grosso ornavam o esqueleto do animal. A cabeça e o rabo, entanto, pertenciam, realmente, à ossada de algum bovino, comido pelos urubus. Um lençol, comprido e largo, encobria o ‘cabra’ que, dentro, curvado, executava todos os ricochetes exigidos ao rei do brinquedo.

“No começo, ao soar de uma valsa branda e plangente, o boi rendia homenagem ao dono da casa e à sua família, baixando a cabeça, em mesuras respeitosas. Depois, a todos que o rodeavam. No entanto, aos poucos ia embravecendo, chegando a dar nos caretas, espalhando a multidão, ameaçada de levar chifrada.

“Tal atitude induzia os vaqueiros a abatê-lo com forte pancada no cachaço. Após a violência, os matadores sentiam-se triste, arrependidos do ato praticado. Para ressuscitá-lo o único clister... Chega, então, a hora da meninada correr. Porque eles constituíam a droga receitada para levantar o morto, dar-lhe novamente vida. A molequeira fugia em debandada. Mas nem todos escapavam. E os alcançados eram metido no cu do boi (3), fato que constituía uma desfeita. O último a aparecer era o babau, atrevido e deslavado. Uma queixada de cavalo, com uma corda para lhe dar movimento. Corria atrás do povo. Queria morder todo mundo. Batia o chocalho no rabo de palha de carnaúba. O desempenho dessa missão era confiada a um cabra forte e bem exercitado em corridas de cavalo-de-pau. Assim terminava essa função, que tanto empolgava naquela época.”

(1) O Crato do meu tempo, Fortaleza, 1960.
(2) Nota de Paulo Elpídio: “Moeda de cobre do valor de 40 réis”.
(3) Nota de Paulo Elpídio: “Durante muito tempo, a expressão cêdebê significava confusão, arruaça, baderna e parece originar-se da cena que se descreve acima".

O natal é a festa da natividade. É redundante a frase, mas o natal é a festa do nascimento, da reprodução humana, é a festa, por excelência, do amor. A festa dos amantes e seus filhos. É bem verdade que os filhos perderam a transcendência única do batismo e se dividiram, também, em registro civil. Assim como ocorreu com o acasalamento dos dois sexos que perdeu muito mais em seus aspectos sublimes e se tornou um contrato entre dois, com cláusulas de rompimento.

O natal é, além de tudo, uma festa do cristianismo, pois o casal José e Maria e seu filho Jesus são os mitos avocados neste dia. Mas o natal que se tornou uma festa de grande parte da humanidade a oriente e ocidente é européia e do cristianismo, inseminado no oriente médio e gestado pelo mundo grego. Mitos pagãos locais se incorporaram à festa através do mundo e finalmente se tornou uma festa do comércio. Padronizada através de alguns ícones, estrelas, árvores, mitos humanos e pela encenação da natividade na pequena lapa.

Como festa comercial, o natal movimenta as economias, assim como todas as festas na humanidade, sejam as da fertilidade pagã como o São João, seja o Carnaval e a festa do acordar como dizem os franceses em relação à pequena refeição após a missa da passagem do ano – réveillon. Hoje é uma grande juntada de pessoas estourando bebidas alcoólicas, vendo os efeitos do foguetório chinês, gritando, cantando e dançando na madrugada do primeiro dia do ano.

Afinal são festas anuais, repetem os ciclos do tempo que parece os humanos pós-modernos já não os possuir. O indivíduo já não é detentor do seu tempo. Desde que nasce o tempo é uma imposição externa ao tempo que cada um deveria ter como atributo de si mesmo. Todo mundo nasce agendado, pela escola, pelo trabalho, compromissos, consumo. Esta loucura: peça um tempo para alguém e ela dirá que não o possui. Seus compromissos tomam –lhe cada célula do corpo. Todos desejam o que não precisam e precisam do que não desejam.

Assim é que, no útero em que o mito do natal foi inseminado, a guerra campeia. Toda a palestina é um açougue sangrando vida e um vulcão preste a explodir numa violência terrível e interminável. Um filme israelense tratando o assunto tem uma música no roteiro sonoro que é a imagem atual da terra da natividade. Uma música que é o ciclo da morte em cadeia, de um pai que comprou uma cabra, que produzia leite que foi mordida por uma cobra que levou a morte da cabra, de um falcão que matou a cobra e assim por diante.

Após o primeiro dia do ano de 2008, uma equação terrível aguarda a palestina no espaço dos filisteus que um dia morreram soterrados em seu palácio pela força rediviva de Sansão. A faixa de Ghaza ferve em fogo nem brando e nem rigoroso, um fogo que queima corpos aos poucos até atingir o ponto de ebulição em que tudo mais se envolve. No mesmo natal na terra de Ur em que nasceu o profeta Abrahão, o saque, a fome, as bombas e as humilhações em forma de grãos da ampulheta que acompanha a passagem do Iraque.


Nesta semana que nos aproxima do natal um insano Inglês arrematou numa loja de de leilões de Nova Iorque, por milhões, um leopardo esculpido nos alvores da civilização sumeriana. Era uma peça saqueada pela guerra do Iraque, e leiloada na sede financeira do país agressor, a ética, a humanidade tombou como as torres gêmeas sob o impacto do terrorismo.


A boçalidade e a insensatez, entre os EUA e o Terrorismo, afinal, fizeram um jogo de trocas cujo resultado foi zero.

"Mim...e uma noites!

Até a poesia do teu silêncio, me preenche!

O mar...
Beber ou atravessar?
O céu...
da Terra aproximar?
E o encontro,na linha do horizonte...
Em que Janeiro será?

Você me oferece um prato de si e uma noite
Eu te devolvo,num prato vazio...
Cheio de mim e umas noites!

domingo, 16 de dezembro de 2007


Falando sozinha...

Eu te quero
sem pé, nem cabeça...
Um querer libertário
Você em você...Nunca em mim!

Te carrego feito luz...Em cima de mim!

Te procurei nos pontos...
Só te achei nas canções
Os teus hachurados me incompreendem
Área de intersecção?

Lembra do nosso plano?
Uma casa de cabeça para baixo
dentro do nosso mundo!

Lúdico latido
tem cachorro
brincando de ser menino!

Por indisciplina
mexi com a tua calma
e perdi de vez
a parte que faltava!

Estamos em sintonia com o destino
Podemos afrouxar as rédeas do carro!

O vento do teu assobio...É escocês?

Chuva insistente
atola meu chamado!

Tenho fantasia nos dedos
turmalina, ametista..
no lugar da aliança
que um dia escapuliu!

Desenhar é riscar claros
e deixar o escuro acontecer!

Juntar pedras no caminho...
E apedrejar o Ego!

Quando a gente não pode ser a letra "z"
Conformamo-nos em ser um pingo?

Meus nervos entendem a verdade...
Porisso explodem!

Uma gota de vinho na taça...
Acho sacrílego lavar tua presença!

O pipoqueiro vai passando...
É assim todas as tardes...
E todas as tardes, amoleço de tédio!

Tempo dito

Agora posso dizer
que só os pássaros são meus amigos.
Acordo com eles cantando
velhas canções do tempo de Noé.
Eles acreditam no Dilúvio.
Temem o fogo.
Rezam.
Esses meus pássaros amigos
também pensam que sou louco.
E voam.

DN - REGIONAL - Arte do Cariri ganha inspiração natalina

LAPINHAS


Imagens de barro em alto relevo das irmãs Cândido
contam o Nascimento do Menino Jesus (Foto: Elizângela Santos)


Artesãos do Cariri produzem, em grande escala, peças em barro, madeira e gesso com temas natalinos

Juazeiro do Norte. Os presépios e lapinhas feitos pelos artesãos do Cariri são comercializados na região, vários Estados do Brasil e também no exterior. A região se projeta como um grande centro produtor de temas natalinos em várias modalidades da arte, incluindo cartões de Natal artesanais, produzidos na Associação dos Artesãos da Mãe das Dores.

O Centro de Cultura Popular Mestre Noza, Associação dos Artesãos do Padre Cícero, a cada ano aumenta a produção de presépios natalinos para atender à demanda de pedidos de várias capitais do Nordeste e Sul do País. Um dos Estados que mais tem encomendado nos últimos anos têm sido Minas Gerais, além do Rio de Janeiro e São Paulo. A Itália foi um dos principais compradores. Segundo a coordenadora da Associação, Lourdes Batista, houve um aumento de 30% nas encomendas no ano passado. Isso sem falar que não existe marketing para divulgar o trabalho dos artesãos. Tudo é feito na base do “boca a boca”.

São dezenas de famílias envolvidas na produção das peças. A confecção de presépios natalinos nesta época do ano é uma tradição do Centro. São mais de 20 anos de um trabalho dedicado e a cada ano mais aperfeiçoado, para atender gostos diferenciados. Para isso, cada artista traduz sua característica criativa na arte que produz. Isso fica evidente em trabalhos de artesãos como Manoel Graciano, Mestre da Cultura. Os presépios produzidos por ele foram os mais procurados pelos mineiros, tradição forte no Estado. Os trabalhos do artista são reconhecidos internacionalmente. É um trabalho diferenciado. Tem uma forte característica. Os seus filhos e um neto seguem a mesma trajetória, mas os do mestre são os mais requisitados.

As vendas para o mercado local ainda são tímidas. Alguns pedidos foram encaminhados para Fortaleza. Cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Olinda, Maceió, Salvador são grandes compradores. A alternativa para divulgar o trabalho durante o ano é a participação em feiras e museus. A coordenadora diz, com alegria, da procura crescente pelo trabalhos dos artistas juazeirenses, tanto naturais como pintados. Há presépios de menor porte feitos em barro. A artesã Maria de Lourdes Cândido diz que, infelizmente, não há uma valorização dos trabalhos dos artistas juazeirenses na própria terra, como deveria.

Os preços dos presépios e lapinhas, de diversas formas e tamanhos, podem ser encontrados no Centro Mestre Noza. Variam de R$ 30,00 a R$ 1.200,00. Os do mestre Graciano estão entre os maiores. A composição dos presépios, que pode chegar a 25 peças, inclui a Família Sagrada, os Reis Magos, o anjo Gabriel e os animais. Dependendo do número e tamanho, os preços são alterados. Há também o modelo básico: Reis Magos, Menino Jesus, Maria, José, o anjo Gabriel, e uma vaquinha, representando os animais.

As encomendas começam a chegar no mês de outubro e os artistas se preparam para a longa jornada de trabalho e esculpir os personagens da cena que marcou a humanidade. Um momento em que a sensibilidade para celebrar o nascimento do Menino Jesus está à flor da pele dos artistas talhadores em madeira. Este ano saíram do Centro mais de 200 presépios natalinos produzidos por mais de 60 artesãos. Um trabalho que a cada ano evidencia a criatividade dos artistas de Juazeiro do Norte. A cada ano, conforme Lourdes, se está buscando o aperfeiçoamento das peças produzidas no Centro.

DN - REGIONAL - 16.12.2007
ELIZÂNGELA SANTOS Repórter
Mais informações:Centro de Cultura Popular Mestre NozaRua São Luiz, s/n, Centro, Juazeiro do Norte (CE)Fone: (88) 3511.3133

Nova postagem

Foto: Emerson Monteiro

IDIOCRACIA - O Império dos Idiotas está chegando !!



O Homem é produto do meio.
Já tenho comentado muito aqui e noutros fóruns que a ignorância está tomando conta da humanidade, e em relação ao Cariri, Ceará, pode-se comprovar isso na prática ao se ver centenas de carros carregando reboques sonoros cada vez maiores, infernizando a vida dos que ainda possuem ouvidos, numa terra sem lei e sem alma, todos os dias da semana, todas as horas do dia! O mundo está sendo tomado pelos Imbecis...

O Império é do Forró ruim e decadente, de um ciclo vicioso onde o povo enchiqueirado, consome aquilo que um cartel da mídia lhes joga como alimento diário. Não há mais educação, não há mais como criar bons filhos. Os maus exemplos estão em toda parte, entram pela sua casa em letras pornográficas, exaltando o Alcoolismo e a Banalidade. O trabalho dos profissionais da saúde e do AA vem sendo levado para o ralo, e não há mais qualquer princípio de justiça e de educação. A moda agora é ser ridículo. A moda é ser ignorante, botar um chapéu de couro, sentar-se como um Imbecil, abrir o porta-malas e mandar forró para tentar impressionar os outros em qualquer parte.

Esses caras são doentes mentais, tem problemas de auto-afirmação, mas jogam isso em cima das pessoas que querem PAZ. Deveriam estar internados em manicômios! Vc escuta a chamada "putaria" do forró pornográfico para onde quer que vá. Eles enfiam no seu ouvido sem você querer, e você escuta quer esteja dormindo, quer esteja trabalhando.

E as pessoas comuns, desprovidas de qualquer formação educacional e cultural, e sem ter OUTRA coisa para consumir, vão seguindo na onda da estupidez, ajudando a difundir mais a idiotice, aumentando mais ainda o volume do seu som, até que chegamos na Idiocracia, o império dos idiotas, onde a estupidez humana, retratada pelas piores qualidades do ser humano é exaltada como padrão de qualidade, em letras estúpidas como essa que são o sucesso do momento:

Bomba no Cabaré

Mastruz com Leite

Jogaram uma bomba, no cabaré...
Voou pra todo canto pedaço de mulher( + 1x)

Foi tanto caco de puta voando pra todo lado
Dava pra apanhar de pá, de enxada e de colher!

No meio da rua tava os braços de Teresa,
No meio fio tava as “perna” de Raché,
Em cima das telha os “cabelo” de Maria,
No terraço de uma casa tava os peito de isabé!

Aí eu juntei tudo e colei bem direitinho
fiz uma rapariga mista, agora todo homem quer!

Pode jogar uma bomba lá no cabaré,
Que eu junto os cacos das puta
Pra fazer outra mulher!( + 3x)



...
...

Cadê o mundo do futuro das sociedades evoluídas, onde o homem viveria em harmonia com o universo, em PAZ com seus semelhantes, um mundo de cultura e de respeito?
Não vejo isso. Vejo o início da Idiocracia, um mundo controlado pelos idiotas !

.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O que faz Mickey no lugar de Jesus?


Vi a decoração de Natal do Shopping Center Recife, o maior centro de compras da América Latina. Achei brega e não compreendi nada. Devo estar ficando burro. O que Mickey, aquele ratinho chato de Walt Disney, tem a ver com Natal? Nada. A menos que se considere que é um camundongo americano, e que nos Estados Unidos neva e as florestas possuem pinheiros. Podemos raciocinar por essas colaterais absurdas, mas a verdade é que Mickey, a namorada Minie, o amigo Pateta e o cachorro Lupo estão por todos os lados na decoração natalina do shopping, porque são produtos de uma cultura dominante. Só por isso?
Os padres jesuítas, que chegaram à América para catequizar os índios, também ensinaram os pobres selvagens a pintar retratos da Virgem Maria, a tocar violino e a adorar um Deus que estava no céu, coisas que não tinham nada a ver com a cultura deles. Os padres representavam a Igreja Católica e os reinos espanhol e português. No Peru e na Bolívia, a pintura religiosa feita pelos índios copiava modelos da Europa. Com o tempo, eles acrescentaram às telas traços e cores locais: flores dos trópicos, animais e plantas amazônicas, santas com rostos iguais aos das mulheres incas.

Num cansativo e monótono passeio pela decoração do shopping do Recife, não vi um único objeto que lembrasse a cultura brasileira. As casinhas copiavam os gibis de Disney, havia neve sintética, música de harpa eletrônica, guirlandas com bonecos de Mickey e Minie ao centro, pinheiros, profusão de Patetas, e até os rapazes que atendiam as crianças se vestiam de cachorro Lupo. Senti pena imaginando que eles se submetiam ao vexame para ganhar vinte ou quinze reais por dia, mas todos me pareceram risonhos e felizes. A decoração dava sinais de uso. Com certeza já esteve em algum shopping de São Paulo ou do Rio de Janeiro.

A catequese dos padres jesuítas e dos pastores evangélicos cedeu lugar às campanhas das agências de publicidade. Ninguém corre atrás das promessas de uma vida melhor na eternidade; todos querem ser felizes, aqui e agora, comprando tudo o que for possível, mesmo que não possua nenhuma utilidade. Para atrair mais compradores, enchem as lojas de pinheiros, bolas, luzes, Papai Noel, trenós e renas fabricados na China, do outro lado do mundo, onde se ignora o que significam. A cada ano incorporam personagens mais estapafúrdios ao imaginário natalino. Símbolos do cristianismo? O que é isso?

Não se assustem. Há uma intenção em tudo, da catequese religiosa à publicidade para o consumo. O culto à Virgem Maria surgiu no século IV, depois de um concílio em que se considerou o espaço que a Igreja perdia para o culto das deusas pagãs Diana e Ártemis. A presença do boi e do burro na cena do presépio não é mais do que a representação dos deuses egípcios Osíris e Seth, que tinham cabeças de touro e asno, respectivamente. Queria-se dizer com isso que em Cristo até os inimigos se reconciliam. A data da festa natalina foi escolhida por coincidir com o solstício do inverno e com rituais pagãos. Dessa maneira, se trazia mais fiéis para dentro da Igreja.

Decoraram o Shopping Recife com símbolos do capitalismo, que parecem mais atrativos do que os símbolos cristãos. Se a imagem do Menino Deus ajudasse a vender, abarrotariam corredores, lojas e praças com o Jesus Cristinho em sua manjedoura. Disney é um apelo mais forte, apesar do mau gosto e de estar fora de moda. Botam o Mickey no lugar que já foi de Outro. Igualzinho a sempre. Quantas divindades se sucederam ao longo da história? Crenças que pareciam inabaláveis ruíram e hoje são apenas festa e lembrança. É possível que esteja acontecendo o mesmo com o personagem Jesus. Pensem nisso durante a ceia de Natal. E bom apetite.


Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor. Escreveu Faca e Livro dos Homens. Assina coluna na revista Continente.

Futebol no Crato - Anos 60



Esta foto é do glorioso futebol cratense, clicado no Campo do Esporte nos Anos 60. Abaixo alguns dos protagonistas identificados.Peço colaboração dos amigos para ver se conseguimos fechar o quebra-cabeças.

Agachados ( da Esquerda para Direita)

1- Macário monteiro ( do Cine moderno)
2- Kléber Callou
3- Ariovaldo Carvalho
4- Cãndido Figueiredo
5- Almir Carvalho(?)
6- José Justino
7- Tarcísio Leitim

Semi-agachados ( da esquerda para -direita)

1- ????
2- Dr Derval Peixoto
3- Juvêncio Mariano
4- Orestes Barbosa
5- Dr. Gutemberg

De pé no último Plano ( da Esquerda para Direita)

1- ???
2- Wilson da Babilônia ??
3- Joaquim Pinheiro da Bucaina
4- ???
5- ???
6- Dr. Luiz de Borba
7- ???
8- Zé Leitim
9- ???
10- ???

P.S - Sugestão de nomes / retificação nos comentários !!!

O palhaço de Kierkegaard e a crise climática

Depois dos alarmantes relatórios do Painel Intergovernamental sobre as Mundanças Climáticas (IPCC) o pior que nos pode acontecer é deixar as coisas correrem como estão. Então iríamos alegremente ao encontro de nosso próprio fim. Tal atitude me faz lembrar o conhecido aforismo de Sören Kierkegaard (1813-1855), famoso filósofo dinamarquês, sobre o clown, um palhaço de circo. O fato, conta ele, é que estava ocorrendo um incêndio nas cortinas do fundo do teatro. O diretor enviou então o palhaço que já estava pronto para entrar em cena, avisar a toda a platéia do fato. Suplicava que acorressem para apagar as chamas. Como se tratava de um palhaço, todos imaginavam que era apenas um truque para fazer rir as pessoas. E estas riam que riam. Quanto mais o palhaço conclamava a todos, mais esses riam. Pôs-se sério e começou a gritar: "o fogo está queimando as cortinas, vai queimar todo o teatro e vocês vão queimar junto". Todos acharam tudo isso muito engraçado, pois diziam que ele estava cumprindo esplendidamente seu papel. O fato é que o fogo consumiu o palco e todo o teatro com as pessoas dentro. Termina Kiergegaard:"Assim, suponho eu, é a forma pela qual o mundo vai acabar no meio da hilaridade geral dos gozadores e galhofeiros que pensam que tudo, em fim, não passa de mera gozação".

Estas palavras de Kierkegaard se aplicam perfeitamente a muitos cientistas, empresários, bispos e até a gente do povo que pensam ser o aquecimento global uma grande enganação ou um alarme desnecessário. Dizem que o fenômeno é, em grande parte, natural e que a Terra tem condições por si mesma de encontrar o equilíbrio ótimo para a vida. E vivem como os ricos do Titanic, rindo e se afundando.

Por outro lado, muitos são os que tomam as advertências a sério, Estados e grandes instituições, também entre nós. Sabem que se começarem agora, com apenas 2% do PIB mundial, poderão equilibrar o clima global e continuar a aventura planetária com perspectivas de esperança.

O fato inegável é que estamos face a um problema global. Não afeta apenas este ou aquele ecossistema ou região mas seu conjunto, a biosfera e o inteiro Planeta. Somos todos interdependentes e as ações de todos afetam a todos para o bem ou para o mal. Tardiamente, só a partir dos anos 70 do século passado, ficou-nos claro que a Terra é um superorganismo vivo, Gaia, que regula os elementos físicos, químicos, geológicos e biológicos de tal forma que se torna benevolente para todas as formas de vida, especialmente, da nossa. Mas agora, dada a intervenção prolongada e persistente do processo produtivo mundial, ela chegou a um ponto em que não consegue sozinha se auto-regular. Precisa de nossa intervenção que vai muito além de apenas preservá-la e cuidá-la. Temos que efetivamente resgatá-la e curá-la. Pois, em termos cósmicos, é um planeta já velho, com recursos limitados e dificuldades de auto-regeneração.

Como somos o principal agente desestabilizador pode acontecer que ela não nos considere mais benevolentemente e queira continuar sem nós. A dinâmica do processo de produção e consumo ilimitados não consegue manter o equilíbrio do planeta. Somos obrigados a mudar na linha do que sugere a Carta da Terra: assumir um modo sustentável de vida. Este somente se alcançará mediante a cooperação mundial e a percepção espiritual de que o planeta é Terra-mátria, prolongamento de nossa própria existência terrenal.

Leonardo Boff

Depois da Vida (?)


Me surpreendi com o filme de Kirokazu Kore-eda. Muito mais pelo tema que trata - Vida e Morte (ou vida eternizada?) do que pela direção primorosa desse cineasta japonês.

SINOPSE:

Num local, entre o Céu e a Terra, pessoas que acabaram de morrer são apresentadas aos seus guias espirituais. Durante os três dias seguintes, eles auxiliam os mortos a vasculhar suas memórias em busca de um momento inesquecível de suas vidas. O momento escolhido será recriado num filme, que será uma espécie de lembrança a ser levada para o paraíso.


A minha provocação é para todos os internautas que visitam o CaririCult:

Aproveite o momento (final de ano) e vasculhe sua memória para escolher o melhor momento de sua vida para levá-lo "ao paraíso". Se desejar, compartilhe conosco este momento e escreva nos comentários abaixo.