TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

HALLOWEEN DO TERRAÇUS BAR E PETISCARIA




O Halloween do Terraçus está chegando. Será neste dia 29 de outubro, um sábado, onde teremos a presença das maravilhosas bandas HOLYWOOD e REI BULLDOG, tocando grandes sucessos das décadas de 70 a 90, muito som dos Beatles com a banda Rei Bulldog, e muita alegria da galera que sempre comparce em massa a esse maravilhoso local que é o TERRAÇUS. O HALLOWEEN DO TERRAÇUS será uma festa a fantasia (não obrigatória). Vista a sua fantasia, você pode ser um dos destaques da festa e ganhar um concurso que faremos lá na hora. Será um concurso sem desfiles, onde as pessoas serão observadas por uma comissão que irá julgar. Serão três categorias: Masculino, Feminino e Casal. Para cada ganhador vai rolar um prêmio surpresa. Vá a caráter e participe dessa maravilhosa festa.

O TERRAÇUS BAR E PETISCARIA está localizado na Av. Pedro Felício Cavalcanti, no triângulo do Grangeiro, a 2km do Clube Recreativo Grangeiro

terça-feira, 25 de outubro de 2011

tríade

Se eu fosse o que penso
seria um céu cheio de nuvens
mudando a cada minuto
de fisionomia.

Também seria o crepúsculo
com suas cores silenciosas
às vezes tristes.

Mas o que sou
nem a mim mesmo digo
durante o tempo em que morro.

Apenas quando durmo
e tomam meu corpo
outros pensamentos,

revelo então uma ponta do céu
além deste acima do teto

e outro entardecer
que não é o mesmo
de lá fora.

Uma luz difusa entretanto
não me deixa confiar tanto
no que sou sob sonhos

pois esses pensamentos
têm a vida daqueles
quando acordo.

Graças! [grito às paredes]
dormindo ou acordado
eu não sou o morto
nem desperto.

A crise no sentido ocidental, ao contrário do chinês, não é de oportunidade, é de desespero e confusão. - José do Vale Pinheiro Feitosa

Existe um movimento na crise econômica mundial que seja comum a todos? Quando falamos em crise do capitalismo, estamos praticamente dizendo isso, mas logo em seguida nos perdemos nos detalhes de cada crise. Afinal a crise americana tem suas nuances próprias, a européia já tem outras, a japonesa igualmente funciona por bandeiras daquele quase continente insular.

Peguemos a crise americana e a européia e tentemos compreender as diferenças. Os Estados Unidos da América são uma federação, mas com um forte Estado Nacional que abafa os gritos de cada ente federado na hora de decidir, com uma única língua e cultura, num Congresso eleito para legislar e fiscalizar o Executivo. A União Européia é uma união de Estados Nacionais, com suas assembléias próprias, várias línguas e culturas diferentes.

Enquanto a União Européia reúne chefes do executivo que, eleitos pelos seus povos, são mais “sensíveis” aos desdobramentos sociais da crise. A verdade é que mesmo os longevos como Berlusconi já apresentam fadiga de material: a “medida fiscal” de aumentar a idade da aposentadoria do italiano para 67 anos é vista pelos aliados dele como a promessa de um linchamento popular. E de fato o europeu está bastante irritado com a situação política e econômica.

Nisso o debate público, mediado pelo que se chamam meios de comunicação, tem sido muito pobre do ponto de vista da análise histórica. Isso não quer dizer que não existam vozes alertando para a real dimensão dos fatos, apenas quer falar desta espécie de carne moída, composta por vários tipos de carnes, que resume a crise aos bancos, às dívidas soberanas, ao dinheiro enfim. Os meios de comunicação estão viciados demais em “Money” e não conseguem contar narrativas, apenas contam moedas.

Como aconteceu em outros momentos as práticas liberais jogaram o povo na desesperança, na violência e na pobreza sem solução. Mesmo que não sejam marchas reivindicatórias, serão marchas de famintos, se arrastando nas cidades e amedrontando quem ainda tem um prato de comida para terminar o dia. A Grécia vive isso, os acampamentos nas praças das grandes cidades experimentam isso, as manifestações traduzem isso, a intolerância e o xenofobismo transportam a cegueira do desespero; assassinatos, golpes e guerra revelarão muito mais.

Normalmente nestes momentos de crueza histórica as vítimas são mais freqüentes que os grandes líderes. No clima do salve-se quem puder mesmo aquelas vozes faustosas do recém apego ao mercado se calarão ou dirão mais bobagens. Todo mundo fala nos banhos de sangue das revoluções, gostam de falar na Francesa, na Russa e na Chinesa e esquecem que elas não se isolam historicamente de crises sociais como estas.

A cada dia surgirão salvadores da pátria, líderes iguais àquela frase de Andy Warhol: a fama de cinco minutos. A crise social inegavelmente redunda em crise política e de liderança. Por isso é quase profético o que analistas como Hobsbawm dizia sobre os efeitos históricos do neoliberalismo. A conta chegou para todos.

A conta histórica para todos suarem sangue é o movimento comum da crise. Eis o denominador comum a dividir as angústias em todas as línguas e credos.

O "golpe do calendário" - José Nilton Mariano Saraiva

Não se trata de nenhuma descoberta da pólvora: pra que haja desenvolvimento, em qualquer cidade que se preze (ou numa comunidade minimamente organizada), a geração de emprego e renda é uma premissa básica, obrigatória; assim, se o seu gestor maior (prefeito, líder ou coisa que o valha) não conseguir atrair investidores particulares em potencial (através da oferta de certas facilidades – doação de um terreno, por exemplo - ou isenções tributário-fiscais para que se instalem no município), ou até mesmo cair na besteira de entrar em conflito com o governo do Estado, a tendência é que se processe um esvaziamento progressivo daquela localidade. Verdade ou mentira ??? Certo ou errado ???
E aí, o próprio poder municipal tende a, obrigatoriamente, funcionar como uma espécie de imenso guarda-chuva gerador de emprego e renda, através das suas diversas secretarias (cada uma com uma atividade específica, evidentemente), a fim de que o cidadão (munícipe/empregado) tenha condição de pelo menos fazer a “roda girar” (ou seja, “consumir”, a fim de que a economia não entre em colapso). Verdade ou mentira ?? Certo ou errado ???
Pois bem, meses atrás, exatamente nessa época do ano (vésperas do Natal/Ano Novo), sob a alegativa da premente necessidade de enxugar a máquina (ou podar seus custos), a prefeitura da cidade do Crato resolveu presentear quase trezentas (300) pessoas com um mimo inusitado: o “bilhete azul” ou demissão sumária, sem choro nem vela (assim, pais de família de repente ficaram sem condição de sequer comprar o presente de Natal da garotada, além do comprometimento do próprio ganha pão diário). Verdade ou mentira ??? Certo ou errado ???
Estranhamente, hoje, embora não se tenha notícia de que a prefeitura do Crato haja conseguido agregar novas fontes de renda (além das tradicionais dotações orçamentárias), a administração municipal do Crato anuncia a abertura de um concurso para preencher, coincidentemente, cerca de 300 vagas nos quadros da prefeitura.
Agora, observemos um “pequeno-grande detalhe” (mas de suma importância) em tudo isso: as inscrições para o tal concurso serão realizadas já nesse final de ano (nov-dez/2011); como, de praxe, as provas deverão se realizar três meses após as inscrições (aí pelo mês de março/2012); a terceira etapa, da divulgação do resultado, normalmente se dará entre 60/90 dias depois (final de junho/2012, aproximadamente); e então, a prefeitura estará apta a convocar os aprovados a tomarem posse (a partir de julho/2012).
E aí é que pinta no pedaço o tal do “golpe do calendário”: todo mundo tá careca de saber que em outubro/2012 se realizará a eleição pra escolha do sucessor do atual mandatário (após uma sofrível administração), que quebrará lanças pra eleger o respectivo afilhado. Convocando (ou dando emprego) às vésperas da eleição, a 300 pessoas, teoricamente o ungido se beneficiará de tal handicap (obterá mais votos), mesmo que ele mesmo não saiba como ou o que fazer pra arcar com os imensos custos futuros (e se o vencedor for um oposicionista, que se vire pra desativar essa autêntica “bomba-relógio”).
Como se vê, a desfaçatez e irresponsabilidade imperam na arena política: lá atrás, a prefeitura do Crato mandou para o olho da rua cerca de 300 pessoas e, agora, às vésperas de uma eleição, e na tentativa de se beneficiar eleitoralmente, abre concurso pra preencher exatamente as tais 300 vagas (mesmo que suas receitas não tenham tido nenhum acréscimo), desde que consiga que os desavisados sufraguem seu candidato. Quando o povo irá acordar ???

A Rajada e o Tiro Certeiro - Alberto Dines

O Alberto Dines é um jornalista da velha guarda. Liberal, conservador, mas com uma virtude essencial: sabe o que é ser o jornalismo. Aquele que apresenta a informação, confronta os contraditórios e só então apresenta a própria versão (análise). Se não concordamos com a versão dele, não perderemos a viagem, ainda estão intactas a informação e as contradições. Acontece que a grande imprensa brasileira tomou partido. Por isso apenas tem a própria versão e esvaziou o conteúdo da informação e o contraditório. O episódio do ministro do Esporte é bem este tipo e como sempre um dos grandes veículos: a revista Veja.

Nesta análise do papel da revista Veja no episódio Orlando Silva Alberto Dines consolida uma visão da notícia. Inclusive parte do que circulou que atinge o PC do B na unidade mais sensível a ele que o jogo fora da corrupção burguesa. O partido tem que fazer muita autocrítica e apresentar à Sociedade algo convincente.


por Alberto Dines


Balística e jornalismo investigativo têm algo em comum: independente do calibre da arma e da força do projétil, é crucial avaliar o ângulo do disparo e a vulnerabilidade do alvo.

As denúncias da Veja contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, publicadas no fim de semana 15-16 de outubro (edição 2239) devem demorar a derrubá-lo ou talvez nem o derrubem. Foram formuladas canhestramente. São ineficazes.

Para começar: o denunciante é réu. Portanto, suspeito. Tem ficha de truculento, negocista, policial-bandido, miliciano típico. Esteve envolvido no mesmo esquema que agora tenta demolir. Faz parte do mesmo bando que agora está sendo investigado. O desvio de verbas do ministério para ONGs que promovem o esporte assistencial já estava sendo investigado há mais de dois anos pelas polícias de Brasília e Federal, pela CGU e pelo Ministério Público.

O fato novo, bombástico, é a entrega de dinheiro vivo na mão do ministro ou de seu motorista. E esta tremenda novidade não colou porque carece de provas. Veja embarcou em nova aventura denuncista sem ter qualquer comprovante. Saiu atirando.

Fora dos holofotes

Na ânsia de ganhar o campeonato nacional de tiro-aos-ministros, o semanário fez escolhas estratégicas erradas. Quando a Folha de S.Paulo atirou em Antonio Palocci, mirou apenas em seu incrível e vertiginoso enriquecimento. Não pensou no PT nem em alvos próximos. Apontou, atirou, acertou na mosca, Palocci estrebuchou um bocadinho e emborcou.

O frenesi ideológico dos atiradores de Veja leva-os a optar pela rajada e esta nem sempre é mais letal do que o tiro único, certeiro. Queriam pegar o ministro e também o seu partido, fazer o trabalho completo. Não pegaram nem um nem outro.

O PCdoB, tal como uma porção significativa da base aliada, está envolvido em bandalheiras. Sua imagem de estoicismo e idealismo há muito evaporou. A vigorosa reação dos familiares das lideranças comunistas históricas em seguida à propaganda televisiva do partido (Anita Leocádia Prestes e Victoria Grabois, por exemplo) é prova de uma indisfarçável degradação.

São consistentes muitas das revelações sobre o que acontece dentro e em torno do Ministério do Esporte não apenas porque já vinham sendo investigadas, mas porque agora passarão a ser monitoradas também pela Procuradoria Geral da República. É da natureza da PGR relutar, não dispersar-se em muitas ações e trabalhar longe dos holofotes. Mas quando anuncia publicamente que vai apurar malfeitorias é porque pressente o que deve encontrar.

Esporte perigoso

A editoria de denúncias do semanário da Editora Abril não levou em conta as chamadas “circunstâncias ambientais”: a destituição do ministro do Esporte quando faltam três anos para o início da Copa do Mundo só poderia ocorrer diante de colossais ilícitos. Comprovados cabalmente. Também não levou em conta que naquele momento o ministro Orlando Silva não poderia ser facilmente sacrificado porque representava uma ala do governo que tenta oferecer resistências ao poderio conjugado dos abutres Fifa-CBF.

Para ser eficaz, o jornalismo de cruzadas deve evitar fúrias, ser preciso. A grande mídia está apostando para ver quem derruba mais ministros até o fim do ano. Trata-se de um esporte radical, cansativo e perigoso. Corre o risco de ficar desacreditado.

CUBA: a mosca na sopa do IMPÉRIO - José do Vale Pinheiro Feitosa

No século XX a “famosa democracia” americana, essencialmente de brancos europeus, evoluiu para o mais franco imperialismo. A famosa conquista do Oeste que se tornou a essência da alma americana, como bem disse o diretor de cinema John Ford, já era a conquista imperial de um território alheio. Não adianta os olhos rútilos de amor pelo expansionismo americano: está lá, em toda a costa da Califórnia, a presença secular das Missões Jesuíticas espanholas. Durante duzentos anos os espanhóis e depois os mexicanos criaram estruturas por lá. Não era um território abandonado, depois foi invadido pelos “pioneiros”.

O México, a América Central e a América do Sul se tornaram espécies de terreiros das instituições americanas, com estratégias de faxina prévia tipo a Fundação Rockfeller, depois os marines e boinas verdes, para consolidar as empresas americanas com governos dóceis aos desejos comerciais estrangeiros. John Gerassi ainda nos anos 60 traçou um perfil inquestionável do que chamou “A Invasão da América Latina.”

Os americanos estão comprovadamente por trás de todos os golpes efetuados na América Latina, inclusive a queda de João Goulart quando aproximaram navios da costa brasileira para dividir o país em vários territórios de domínio do império (haviam feito com a Coréia e o Vietnã). Recém falecido, o ex-ministro da saúde Wilson Fadul contava da arrogância do embaixador Lincoln Gordon com as autoridades brasileiras. Dr. Fadul descobriu uma enorme e ilegal remessa de lucros através de sobrefaturamento de medicamentos importados pelas filiais americanas da indústria farmacêutica. O ministro determinou a execução da prática de preços internacionais, por vezes dez a vinte vezes menos e o embaixador americano veio para cima dele querendo proteger a prática deletéria para o povo brasileiro. O Ministro não o recebeu, mas o embaixador esteve à frente do golpe contra Jango.

Os EUA treinaram torturadores, treinaram militares brasileiros e desviaram o Brasil de seu destino por mais de 30 anos apenas para exercer o controle sob o guarda chuvas da Guerra Fria. Cuba, uma ilha muito próxima da Flórida, com forte sangue Espanhol, especialmente galego, desde o final do século XIX que tinha um povo nacional que naturalmente brigou sob a liderança do poeta José Martí. O famoso Theodore Roosevelt, ainda hoje objeto de propaganda de culto à personalidade através de inúmeros filmes, voltados para a juventude, invadiu a Ilha e jogou-a sob o capricho do império em franca evolução.

Um império mercantil e industrial, do estilo capitalista, funciona com armas e domínio da produção e comercialização da mesma. E foi isso que ocorreu com Cuba. Viveu uma longa história na primeira metade do século XX sob o tacão da violência e golpes de estados financiados por empresas produtoras de frutas e da cana de açúcar e pasmem sob o controle da máfia americana.

O jornalista T.J. English acaba de publicar um livro, traduzido para o Brasil chamado “Noturno de Havana”. O assunto foi tratado em vários filmes, inclusive na trilogia do “Poderoso Chefão”. Trata-se da máfia americana sob a liderança de Lucky Luciano e Meyer Lansky querendo transformar Cuba numa Monte Carlo do jogo e da prostituição. Logo depois a ilha se tornou uma espécie de porta aviões fixo para o nascente comércio de drogas como a cocaína. Eles queriam tomar um país e subjugar um povo para os caprichos da indústria de entretenimento, bem ao largo do enorme império ávido por bacanais.

É preciso entender que o asco dos moralistas com este tipo de atividade não resolve a grande contradição que vaga em suas almas, tontas da ideologia da guerra fria. O cinema dos musicais, inclusive a nossa Carmem Miranda, o mundo da música como Frank Sinatra e da política como John Kennedy era comensais, protegidos e financiados pela máfia que pretendia dominar Cuba. Mas quando existe um povo, a história nem sempre atende aos interesses do poder dominador e o poder dominador cai. Mas isso é uma nova história para outro texto que pretendo escrever em breve.

Seminário pretende integrar novos membros ao Coletivo Camaradas





O Coletivo Camaradas realizará neste sábado, dia 29, a partir das 8h00, na sala de vídeo da Universidade Regional do Cariri – URCA, o Seminário “Entendendo o Coletivo Camaradas”. O evento pretende abordar a trajetória do grupo que tem uma atuação tanto na região do cariri, como nacionalmente e a sua concepção de arte.






O Seminário visa integrar novos membros ao grupo. O Coletivo Camaradas foi criado em 2007 e é composto por artistas, professores, produtores culturais, pesquisadores e estudantes. O grupo desenvolve um trabalho que mistura arte, estética, educação, cultura e política.






As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas no local do Seminário. O evento dos “Camaradas” é aberto à participação do público que queira ingressar no Coletivo.

Serviço:
Seminário “Entendendo o Coletivo Camaradas
Dia 29 de outubro de 2011
Horário 8h00 às 17h00
Local: Sala de Vídeo da URCA
Informações: 88260008

Setaro's Blog: A miséria cultural baiana

Setaro's Blog: A miséria cultural baiana: Diz-se que a Bahia já teve seu Século de Péricles, uma alusão ao período efervescente que se situou nos anos 50 e na primeira metade dos 60,...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Tudo que é sólido continua se desmanchando no ar - José do Vale Pinheiro Feitosa

Se o universo é um movimento de transformação contínua (embora os profetas do princípio e do fim sejam fortes até na física das partículas) a vida humana, do ponto de vista dela que é o trabalho, é um processo neste movimento. Existe um amplo campo de transformações, seja ela dialógica ou dialética, seja ela ao acaso ou por necessidade, qual uma modernidade consumista ou uma pós-modernidade que a deseja sem mais história, a transformação continua no horizonte dos projetos prontos.

A tônica do movimento, até que alguém prove ao contrário, é aquele em que tudo que é sólido se desmancha no ar. Isso vem a respeito das hegemonias. A natureza intrínseca do movimento do capitalismo é a concentração de poder primeiro em classes e depois em corporações. Quando em classes havia uma correspondência social, antropológica e cultural mais palpável, com a corporação isso se perde, pois introduz a tecnoburocracia e os fundos sociais a maior parte formado entre trabalhadores.

De qualquer modo o processo capitalista necessita essencialmente do Estado como moderador da guerra de todos contra todos e ao necessitar deste, passa a ser ampliado pelo processo mais geral de quem não tem fundo social e nem por vezes emprego (veja não falo em trabalho este continua a ser a essência da vida, mas do emprego que é a capacidade de alguém pagar pelo seu trabalho de modo regular). O Estado nas sociedades urbanas mesmo privilegiando classes e corporações, continua a ser a instituição onde a política interfere.

Por isso mesmo o Estado que é a necessidade moderadora, é para a tecnoburocracia e para os grandes detentores de capitais das corporações ao mesmo tempo uma solução e um enorme problema. Isso especialmente após a segunda guerra mundial com os Estados Socialistas e a Social Democracia. O Estado de algum modo ao redistribuir riquezas, reduz a ferocidade do animal acumulativo das corporações.

O que aconteceu nos últimos 30 a 40 anos? Junto com a emergência dos direitos sociais e humanos, as corporações sem possibilidades de continuar no ritmo acumulativo de suas naturezas passaram a fazer um trabalho ideológico sistemático em relação ao poder redistributivo do próprio Estado. O autoritarismo foi uma das mais bem urdidas campanhas a tomar espaço político na sociedade de modo em geral. Assistindo à corrupção dos agentes, ao observar a violência policial, a perda de empregos, os desmandos de autoridades do Estado, ficou fácil para a sociedade ser levada ao conceito do Estado Mínimo do neoliberalismo a partir dos anos 80.

O Estado Mínimo passou a ser a “flexibilização” desejada pelas corporações e com excelentes estratégias da tecnoburocracia a acumulação disparou até o limite em que levou à fragilidade não apenas alguma corporação, mas a todo o sistema capitalista. Recente estudo do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, usando modelos matemáticos fez um painel do quem é quem nas corporações atuais em todo o mundo.

O mundo possui hoje 43.060 corporações transnacionais, mas apenas 1.318 destas corporações formam o núcleo central desta rede transnacional. Estas empresas possuem em média 20 conexões com outras corporações. Aí o estudo revelou algo mais surpreendente, embora este núcleo represente apenas 20% das receitas, ele controla as principais ações do tipo “blue chips” nos mercados de ações do mundo todo. Então a realidade nua e crua: este núcleo controla 60% de todas as vendas realizadas no mundo.

Prosseguindo o estudo chegou-se ao supremo da concentração: 147 transnacionais controlam 40% daquele núcleo central. Ora isso é politicamente muito pior do que apenas dizer que 1% das pessoas controla mais riquezas do que 50% das demais pessoas. Isso significa que com a inteligência da tecnoburocracia as riquezas do mundo são controladas por alguns agendes que combinam ações entre si. Então adeus democracia, estamos diante da pior das ditaduras. E o pior uma ditadura levando a humanidade ao desastre como já se verifica.

As empresas controlando o poder político é que nos apresenta este quadro. Mas sigamos que isso seja uma hipótese, é difícil imaginar uma direção política única quando existem 147 transnacionais disputando posições. Mas aí teremos que considerar duas evidências: um sistema desses tende à instabilidade, pois a acumulação de riquezas não é infinita e os recursos naturais são o seu limite e em segundo lugar, este núcleo efetivamente mantém o interesse comum de não mudar a própria rede.

Como as riquezas reais do mundo são aquelas que fazem o modelo atual de civilização consumista é aí que se entendem todas as “primaveras” do norte da África e todas rebeliões nas ruas de cidades em diversos continentes. Mesmo a evidente ação política de Estados nacionais com interesse no Petróleo como no Iraque e na Líbia, fica claro que o “custo” Iraque e Líbia irá aumentar pelo desejo de maior consumo daquele povo. Aí residirá a segunda onda de contradições no território destes países.

Mas afinal serão ondas nacionais e continentais, pois o centro mesmo da contradição é modelo “concentracionista” a que chegou o capitalismo global.




domingo, 23 de outubro de 2011

PARA QUE SERVE A UTOPIA? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Estou postando esta entrevista com Eduardo Galeano como uma consequência do texto que acabei de postar aqui nos blogs do cariri. Como forma de oferecer opções estou postando o vídeo da entrevista e também o texto com algumas modificações na tradução para o português.

“Se não me deixais sonhar, não os deixarei dormir.”


Para que serve a Utopia?

A utopia está no horizonte. Eu sei muito bem que nunca a alcançarei. Se caminho dez passos em busca dela, ela se afastará mais dez passos. Quanto mais a busque, menos a encontrarei, por que ela vai se distanciando à proporção que me aproxime dela. Boa pergunta não? Para que serve. Pois a utopia serve para caminharmos.

“Que tal se deliramos por um momentinho. Que tal se fixarmos os olhos para além das infâmias para adivinhar outro mundo possível.

O ar estará limpo de todos os venenos que não provenham dos medos humanos e das humanas paixões. Nas ruas os automóveis serão esmagados pelos cachorros. A pessoa não será manejada pelos automóveis e nem será programa pelo computador, não será comprada pelo super-mercado e nem será tampouco assistida pela televisão. A televisão deixará de ser o membro mais importante da família e será tratada como o ferro de passar ou máquina de lavar roupas.

Se incorporará aos códigos penais o delito de estupidez que cometem que lhes vivem por ter ou por ganhar ao invés de viver por viver não mais como canta o pássaro sem saber que canta, como brinca a criança sem saber que brinca.

Em nenhum país serão presos os jovens que se neguem a cumprir o serviço militar, se não os que queriam cumpri-los. Ninguém viverá para trabalhar, mas todos trabalharão para viver.

Os economistas não chamarão de vida para nível de consumo e nem chamará de qualidade de vida a quantidade de coisas. Os cozinheiros não acreditarão que as lagostas lhes encanta que lhas queiram fervidas. Os historiadores não acreditarão que aos países se lhes encanta serem invadidos. Os políticos não acreditarão que aos pobres se lhes encanta comer promessas.

A solenidade deixará de crer que seja uma virtude. E ninguém e ninguém tomará a sério alguém que não seja capaz fazer crítica a si mesmo. A morte e o dinheirão perderão seus mágicos poderes e nem por morte e nem por sorte se tornará o canalha em virtuoso cavalheiro. A comida não será uma mercadoria e nem a comunicação será um negócio, por que a comida e a comunicação são direitos humanos. Ninguém morrerá de fome por que ninguém morrerá de indigestão.

As crianças da rua não será tratados como lixo por que não haverá crianças nas ruas. Os meninos ricos não serão tratados como se fossem dinheiro, por que não haverá meninos ricos. A educação não será privilégio de quem lhas possa pagar e a polícia não será maldição de quem não lha possa comprá-la. A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viverem separadas, poderão se juntar, bem coladas, costa contra costa.

E na Argentina as Loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, por que elas se negaram a esquecer nos tempos da amnésia obrigatória. A Santa Madre Igreja corrigirá algumas erratas da tábuas de Moisés e o Sexto Mandamento mandará festejar ao corpo. A igreja mandará editar outro mandamento que se lhes havia esquecido Deus: amarás a natureza da qual fazes parte. Serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma.

Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, por que eles se desesperaram de tanto esperar e eles se perderam por tanto buscar. Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que tenham vontade de beleza e vontade de justiça. Tenham nascido quando hajam nascido e hajam vivido onde hajam vivido sem que lhes importe nem um pouquinho as fronteiras do mapa e do tempo.

Seremos imperfeitos por que perfeição continuará sendo o aborrecido privilégio dos Deuses. Porém neste mundo e neste mundo atrapalhado e fodido, seremos capazes de viver cada dia como se fosse o primeiro e cada noite como se fosse a última.

Sobre Cachorros Loucos - José do Vale Pinheiro Feitosa

Tem muitos cachorros loucos prontos a dar mordidas sem qualquer motivo da vítima, apenas por que viu na vítima o sítio preferido de suas mordidas. Esta frase imediatamente remete aos assassinatos em massa, aos linchadores, aos vingadores, aos cachorros loucos que reagem aos simples “xispa” do seu dono.

No primeiro parágrafo me referia aos cachorros loucos sem focinheira. Existem os cachorros loucos contidos e apenas instigados quando necessários e até aqueles cachorros loucos de madame, que mordem enquanto ela se horroriza com o sofrimento de algum personagem na novela das nove.

Os domadores de animais, especialmente de cachorros, não se cansam de dizer: não confundam a agressividade de um cachorro louco com a hidrofobia. A primeira é a projeção da insana e malvada consciência do dono sobre o animal e a segunda é uma doença natural que altera definitivamente a mente do cachorro.

Por isso quando um cachorro louco é morto a tiros, chutado, dando-lhe pauladas e depois de seu suplício é comemorado algo muito grave sempre acontecerá. O insano e malvado de consciência arbitrária que treinou o cachorro louco estará preservado neste ato. E a pior das desgraças: ele continuará a ameaçar os inconseqüentes que não conseguem olhar para a realidade além de seu próprio desvio em comemoração de tão nefasto engano para si.

Neste momento os vingadores se confundirão tanto com o cachorro louco que parecem fazer parte do mesmo canil que desencadeou a insensatez. Enquanto dão pauladas estas já estarão sob o ritmo do dono dos cachorros loucos.

O pior é que os donos destes cachorros loucos são capazes de soltá-los para que eles vigiem outros territórios do interesse do dono. E eles vigiarão, igual àqueles cachorros que controlam as ovelhas, mas se o cachorro fizer algo que contrarie a economia da lã e da carne, ele será abatido sem qualquer piedade. É a ontologia da manutenção do mal de origem.

E tem mais: os vingadores que provam o sangue do cachorro louco destroçado, logo apontam sua violência para outras vítimas. Eles querem mais. Muito mais do que a violência do momento lhes proporcionou. Outros “cachorros loucos”, não importam se reais ou não, desde que pareçam que sejam, logo estarão sob a mira vingativa dos linchadores.

É muito triste quando o humano se resume a este insano desejo de sair de série em série dando pauladas em cachorros loucos, especialmente se alguma revista diga “veja” este é mais um.



SHOW COM NILSON JÚNIOR E OS MOVIDOS Á ÁCOOL - Chopperia do Parque - Dia 27



DIA 27/10/2011 DEPOIS DAS APRESENTAÇÕES DO FESTIVAL CARIRI DA CANÇÃO - TODOS NA CHOPPERIA DO PARQUE, PARA ESCUTAR O MELHOR DOS CLÁSSICOS DO ROCK´N´ROLL E MPB COM ROUPAGEM ESPERTA DE NILSON JUNIOR E OS MOVIDOS Á ÁLCOOL (Gravatá/Recife) COM A PARTICIPAÇÃO DE CALAZANS CALLOU. VAMOS NESSA QUE VAI SER FESTA MOÇADA!!!!

"Aditivo" - José Nilton Mariano Saraiva

Na nossa última postagem (“Irã, o próximo”), tentamos mostrar, da forma mais didática possível, os abusos cometidos (recorrentemente) pelos “xerifes” do mundo (os EE.UU.) quando resolve se impor “no peito e na marra”, visando atender suas necessidades imediatas, nem que para isso tenha que atropelar tratados internacionais, soberania de outros povos e por aí vai.
Alertamos, também, com enfase, para o risco que correrá o Brasil quando o nosso fabuloso “pré-sal” estiver produzindo a pleno vapor, já que os “gringos” (preventivamente???) já armaram sua tenda nas cercanias da Bolívia com a Colômbia.
Lamentavelmente, entretanto, andaram tentando desvirtuar o que colocamos, com a canhestra idéia de que estaríamos a defender ditadores sanguinários. Por essa razão, tomamos a liberdade de recolocar as coisas em seus devidos lugares, ao aditar (ou transcrever) o contido na coluna Concidadania, do jornalista Valdemar Menezes, publicada hoje no jornal O POVO, aqui de Fortaleza, e que tem tudo a ver com a nossa postagem (e antes que tentem jogar farofa no ventilador, saibam que os grifos são nossos).
O mais... é perfumaria barata, de quinta categoria.

José Nilton Mariano Saraiva

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QUEIMA DE ARQUIVO (Coluna Concidadania, Valdemar Menezes)
A execução de Muammar Kadhafi, segundo é corrente nos meios informados, foi uma operação planejada com muita antecedência. As potências ocidentais não queriam que ele tivesse uma tribuna de onde pudesse falar sobre acertos constrangedores, no passado, com seus atuais carrascos. Quando foram encontrados os arquivos secretos, no seu palácio, revelando as operações conjuntas com serviços de inteligência dos Estados Unidos e países europeus, sua sentença de morte teria sido definida. Não se deveria dar oportunidade para ele revelar tais segredos diante de um Tribunal Penal Internacional. Daí porque os aviões da Otan foram empregados para matá-lo, quando fugia do cerco de seus inimigos num comboio. Caso escapasse, os rebeldes se encarregariam de completar o serviço - como de fato aconteceu. SÓ QUE A AÇÃO DA OTAN FOI TOTALMENTE ILEGAL. ALIÁS, TODA A SUA INTERVENÇÃO, NOS MOLDES EM QUE SE DEU, VIOLOU OS LIMITES DO MANDATO RECEBIDO DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU. O CINISMO E O DESCARAMENTO, JÁ OBSERVADOS NO IRAQUE, NO AFEGANISTÃO E NO PAQUISTÃO (VIDE A MORTE E O DESAPARECIMENTO DO CADÁVER DE OSAMA BIN LADEN) REPETIRAM-SE AGORA, NA JUSTIFICATIVA DA OPERAÇÃO CONTRA O DIRIGENTE LÍBIO.
Agora que Kadhafi foi acolhido (quer se queira ou não) no panteão dos mártires da causa árabe, se transformará, provavelmente, numa grande força simbólica a alimentar a luta dos que são movidos pela defesa do interesse nacional. MUITO PIOR (DO PONTO DE VISTA MORAL) DO QUE O PRIMITIVISMO DE SEU REGIME É O ESCÂNDALO DE SE FLAGRAR UM ESTADO QUE SE DIZ DEMOCRÁTICO E CIVILIZADO, COMO OS EUA, TORTURANDO PRISIONEIROS, INSTALANDO PRISÕES CLANDESTINAS, BOMBARDEANDO POPULAÇÕES CIVIS E LIBERANDO SEU SERVIÇO SECRETO PARA ASSASSINAR DESAFETOS (CHEFES DE ESTADO, LIDERANÇAS POLÍTICAS E COMUNITÁRIAS ESTRANGEIRAS) SEM QUE SEUS DIRIGENTES SEJAM JULGADOS POR CRIMES CONTRA A HUMANIDADE, COMO, ALIÁS, PEDE A ANISTIA INTERNACIONAL. POR QUE DEIXAR DE ACENTUAR TAMBÉM QUE A LÍBIA APRESENTAVA O MAIS ALTO IDH DA ÁFRICA (SEM QUE ISSO ABSOLVA OS CRIMES DO REGIME DERRUBADO)?

sábado, 22 de outubro de 2011

Vereador inelegível jogando jogando gasolina no fogo dos políticos - José do Vale Pinheiro Feitosa

O vereador Rodson Lima do Partido Progressista de Taubaté tomou ao pé da letra e para si o progresso da sigla. “Eu descobri que o hotel é três estrelas, mas pra mim é como se fosse um palácio. Eu tô conversando com você na janela e tem uma piscina de 40 metros com cachoeira, é brincadeira? Vivo a vida de príncipe há 15 anos. Dois motoristas, assessores, celular, assessoria jurídica, gabinete com ar condicionado... Inclusive até postei assim: engenheiros que são formados por Harvard, Yale, Michigan não desfrutam disso que eu desfruto. É muita honra que o povo me dá. Eu sou eternamente agradecido” – assim expressou-se o progressista.

O Jornal Nacional chamou o ato do vereador de excesso de sinceridade. Mas tudo leva a crer que o vereador é muito articulado e provocador e não corresponde à humildade que parece demonstrar. O vereador, igual a este policial de Brasília que denunciou o esquema da ONGs no Ministério do Esporte por que foi cobrado das próprias falcatruas e atirou para cima, no caso o vereador mirou todos os políticos: vereadores, deputados, senadores e até conselheiros dos tribunais de conta.

Com a esperteza de alpinista social e econômico que Deus lhe deu ele bem sabe do sentimento popular, especialmente nas redes sociais da internet, com os políticos e uma vez estando proibido de ser reeleito o ano que vem, vai na jugular dos políticos e suas benesses. Até ao aparentemente se explicar para o povo ele ataca os políticos amplamente: “Hoje estou aqui, no meio de senadores, conselheiros do Tribunal de Contas. As autoridades me chamam de excelência. Foi isso que eu quis dizer. Passei de vassalo para uma vida de príncipe. Estou num hotel três estrelas, mas para mim, homem humilde, isso parece o Palácio de Buckingham. E devo isso ao povo. Agradeço muito. Claro. Tenho minha prole. Quero que eles ocupem meu lugar. Isso é tradição no Brasil, né? E eles querem trabalhar pelo povo. Um deles trabalha na ambulância que eu comprei. É o motorista".

Certamente que ao expressar a vontade dos filhos seguirem a “carreira de político” ele levanta outro “podre” da vida política, este nepotismo eletivo de pai para filho que acontece no processo eleitoral. Enfim estamos todos muito confusos. No Piauí um Juiz de Direito queria mil reais para liberar uma estrada para circularem estudantes da zona rural. Onde se encontra o verdadeiro sentido da vida honrada e solidária?

Não basta apenas trabalhar uma vez que a ética do trabalho não acoberta o sicário. É preciso realmente esclarecer esta confusão do cipoal de contradições. O processo eletivo está em julgo feroz e todos desejam a democracia, exatamente por isso, mas muitos criticam o processo eleitoral e a representação. Os gregos não gostam do seu parlamento com certeza e a troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas teve que ser decretada pela Justiça, uma vez que o Knesset não foi suficiente.

A enorme concentração da renda, tornando apenas 1% da humanidade dona estratégica da riqueza mundial, acobertada pelos Estados Nacionais, é um bom exemplo da crise da representatividade na democracia ocidental. Aliás, toda a aparentemente insanável crise moral tem origem nesta concentração de renda e a brutal mercantilização da vida em todos os sentidos. Vai dos transplantes de órgãos ao filhós na segunda feira.

Há como uma bruma de mudanças violentas fruto deste cipoal de contradições não resolvidas, a pergunta é saber como ela se dissipará. Vidas se perderão até a clareza da visão e se perderão absolutamente por nada, apenas pela confusão que está em curso.

Irã, o próximo - José Nilton Mariano Saraiva

Como não encontra uma maneira de reduzir seu irresponsável e perdulário consumo, o colapsar da produção americana de petróleo dar-se-á em muito breve, devido à exaustão das suas reservas; para evitar esse verdadeiro caos, os “xerifes” do mundo inescrupulosamente radicalizam (e jogam sujo), sem nenhum constrangimento, ao “fabricarem” guerras sangrentas naqueles países que literalmente “nadam” (ou repousam) em reservatórios abarrotados do “ouro negro” (leia-se Golfo Pérsico).
Os pretextos são os mais estapafúrdios possíveis, começando pela desestabilização dos respectivos governos (via campanhas difamatórias intensas, onde só um lado da moeda é mostrado ao distinto público), normalmente pregando o iminente perigo de a humanidade ser dizimada por um ditador ensandecido (ou possuído pelo capeta); nessa toada, nada mais “natural” que “eliminar” de forma humilhante tal personagem, mesmo que ignorando os mais elementares princípios que regem os direitos humanos ou tratados internacionais de não agressão a países independentes; num segundo momento, há que se encontrar um motivo que justifique tal assassinato, a fim que a “coisa” não pareça o que realmente é: uma execução sumária, objetivando o “apoderar-se” de uma riqueza finita, mas que ainda hoje “move o mundo”.
Ou não foi assim no Iraque, invadido sem maiores cerimônias pelos “gringos”, sob a alegativa de ser fabricante de "armas químicas" com potencial de aniquilar meio-mundo, o que foi comprovado não ser verdade, isso depois do enforcamento de Saddam Hussein, mostrado pela televisão ao vivo e a cores ???
Hoje, na (“encharcada de petróleo”) Líbia, de Kadhafi, o script ou modus operandi foi o mesmo: satanização midiática do “ditador”, estímulo e militarização dos rebeldes, caça incessante ao mesmo e, enfim, a tomada do poder, após o assassiná-lo sem complacência, dó ou piedade (e tudo isso sob os holofotes magnânimos de uma mídia tanto orquestrada como corrupta).
Isto posto, você, aí do outro lado da telinha, tem alguma dúvida de que o Irã (do “abusado” Mahmoud Ahmadinejad), será o próximo ??? De que vão usar o mesmíssimo argumento usado no Iraque e na Líbia ??? De que irão assassiná-lo sem maiores cerimônias, vapt-vupt ???
Mas... e quando o nosso fabuloso “pré-sal” tiver a pleno valor, será que teremos o mesmo fatídico destino ??? Ou você já esqueceu de que os “xerifes” do mundo já montaram uma bem estruturada “base militar” na fronteira da Bolívia com a Colômbia, sob o pretexto de combaterem os terroristas das “Farc” (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) ???
Preventivamente ??? Esta é a pergunta que não quer calar.

primavera no velho oeste

Saddam Hussein, Osama Bin Laden, Muamar Kadafi. Longe de mim apoiá-los. Mas desperta reflexão a história deles, principalmente o fim de cada um, que se assemelha entre si. Por um longo tempo foram parceiros dos Estados Unidos, que lhes deram toda atenção, enquanto economica e estrategicamente interessava à Casa Branca o que extraía de seus países. Ao governo americano pouco lhe importava o que esses tiranos faziam com seus povos. Hussein e Bin Laden já tiveram boas relações com o mundo ocidental cristão, capitalista e dito democrático antes de serem representantes do "eixo do mal". Kadafi vinha se aproximando dessa diplomacia, tentando iludir e restaurar relações, até apertou a mão de Barak Obama na reunião do G-8. Jogo de mentiras de todos os lados.

As manifestações realizadas com objetivo de questionar os regimes autoritários e centralizadores que ocorrem em diversos países do Oriente Médio é mais um script pensado em Hollywood, intitulado Primavera Árabe. 

Os videos que estão no ar com as cenas da captura e morte de Kadafi têm a logística norte-americana: peça sem importância nesse tabuleiro, que os "rebeldes" trucidem, que povo se revolte e faça justiça com as próprias mãos e armas financiadas pela Otan. Como bem analisou o colunista político Mauro Santayana, o que vem acontecendo é uma forte advertência aos países árabes que têm sido vassalos fiéis de Washington. Os príncipes da Arábia Saudita que se cuidem. O Paquistão, ao que parece, já está com suas barbas no molho. 

O cowboy e boina-verde John Wayne sempre atira primeiro e pergunta depois. Quando pergunta.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Show da banda Al Capone Tá bebo: sexta, 28, no SESC - JN


Al Capone não vê mais sentido em armar o circo para os outros. Agora Al Capone quer diversão e rock’n’roll. Na presente data Al Capone não quer resgatar nem cultura e nem arte. Isso não é problema dele. AL Capone não pertence a nenhuma ONG; a nenhuma milícia; a nenhum coletivo; e muito menos a nenhum fundamentalismo religioso. Al Capone não reconhece nenhuma espécie de gueto e acredita que as fronteiras devem ser destituídas de seus ícones, dos seus poderes e de suas glórias. Enquanto isso ele está lendo, nas horas sagradas do banheiro, uma tese sobre o poder enigmático das páginas de relacionamentos sociais na rede mundial de computadores. Diante da pós-modernidade e da horda constante de imigrantes tudo anda meio confuso e reduplicado. Assim, Al Capone não encontra sobriedade suficiente na realidade nem mesmo para conceituar o que é patrimônio da humanidade, mas ele se sente como tal. Essa é uma urgência, a outra é tocar rock’n’roll e se divertir muito no circo armado pelos outros.

Banda Al Capone Tá Bebo: show imperdível

cartum por LUPIN



Curimã


Zé Curimã, matuto do pé rachado, começou a sentir umas coisas estranhas quando ia para roça. Pelo olho direito via a imagem duplicada. No início, até brincava, apontando para o órgão defeituoso: “Este olho aqui é para cubar moça bonita e receber o apurado do patrão no fim de semana”. Com o passar dos dias, no entanto, começou a se preocupar: a vista começou a ficar meio borrada e depois de umas três topadas em bico do toco, no roçado, resolveu procurar ajuda. Morava nos canfundós do Judas, numa cidadezinha do Rio Grande do Norte, de nome poético e voluptuoso : Caiçara do Rio do Vento. Dirigiu-se ao boticário Filismino, homem versado nos mistérios das raízes de pau e contou suas queixas. O homem lhe receitou uma garrafada que englobava um sem número de meizinhas : malva, jalapa, boldo, carqueja, jurubeba,alecrim, alfavaca,arnica, babosa, capim santo, marcela, meio litro de aguardente, tudo isso colocado junto em uma garrafa e enterrado no chão por quatro dias. Depois de exumada a beberagem foi tomado parcimoniosamente em jejum: uma colherinha no primeiro dia, duas no segundo, três no terceiro, indo num crescendo até o nono dia, quando deveria fazer o movimento contrário pelo mesmo período, subtraindo uma medida do medicamento a cada tomada. Curimã assim o fez, mas ao final, sabe-se lá porque, não teve melhora. Valeu-se, então, de um sobrinho que trabalhava em Recife e para lá partiu, pegando carona em caminhões, até que, uns cinco dias depois, chegou à Veneza Brasileira. Quase não encontra a casa do parente que se escondia em Brasília Teimosa.

Valderedo, o sobrinho, já vivia há mais de dez anos por lá e era fiteiro com uma pequena banquinha próximo ao Mercado São José. Versado nos ínvios caminhos da pobreza, encaminhou Curimã ao Hospital Pedro II que , na época, era o hospital escola da Universidade Federal de Pernambuco. Zé , talvez por conta do estranho da sua doença, teve um atendimento muito humanizado. Os estudantes o internaram e começaram a fazer uma quantidade enorme de exames, até chegar ao diagnóstico. Um tumor benigno que comprimia o nervo óptico do lado direito e que precisava ser operado. Zé teve a sorte de ter como neurocirurgião a sumidade nordestina da época : Dr. Manoel Caetano de Barros. Recuperou-se bem e uns dois meses depois Valderedo o encaminhou de volta à sua Caiçara.

Lá chegou um pouco mais magro e mais falante, com o cocuruto ainda pelado, mas já empenando. Cidadezinha sem meios de comunicação, rapidamente Curimã se transformou na celebridade do lugar : uma espécie de Neymar na Vila Belmiro. Recolheu-se um pouco, fez mistério, mas à noite, não pode resistir à tietagem. Reuniu uma centena de curiosos no oitão da casa e começou a narrar sua peregrinação às terras de Manuel Bandeira. Botou um pouco de tempero na história, exagerou daqui, esticou dacolá. Às duas horas da manhã não tinha chegado nem em Recife ainda. A seção foi então suspensa e, no dia seguinte, reabriram-se os trabalhos, com a mesma audiência. Como não temos a intenção de fazer um romance, vamos resumir a história de Curimã, centrando no mais interessante do relato: os detalhes da investigação diagnóstica e do tratamento.

Curimã necessitou fazer vários exames especializados. Dentre eles, uma punção na coluna para recolher e estudar o líquido que por ali existe e que tem o nome complicado de Céfalo-Raquidiano. Assim descreveu Zé , suas agruras naquele dia, para uma platéia volumosa e boquiaberta.

--- Me botaram dobrado dentro de uma cumbuca. Aí chegou um carcará com uma suvela e começou a enfiar no meu cangote, sem pena, meu sinhô!Parecia que enviava a gaita em saco de milho. Vuco-vuco-vuco ! Só não caguei porque não tinha merda pronta! Quando ele parou, pensei que tinha acabado , mas nada ! Começou a chupar um negócio do meu Tum-tum, tanto, tanto que até os cabelos arrepiados se pentearam em procura do xunxo! Quando terminou parece que eu tinha botado Brilhantina Glostora na cabeleira !

No dia seguinte, Curimã foi encaminhado a uma Clínica Radiológica especializada em exames neurológicos. Fico na sala de espera, meio cabreiro, observando a clientela: um com a boca torta, outro com a banda morta, aquele cego, este mouco, aquele tresvariando. Pelo carrego dos companheiros imaginou que sua situação não era das melhores. Lá para as tantas, saiu uma mocinha numa maca, da sala de radiologia, toda se contorcendo, em plena crise convulsiva. Zé, espantado, fez a pergunta que lhe pareceu mais cabível naquelas horas:

--- Espere ! Todo que entra lá dentro, sai assim ?

Curimã teceu loas intermináveis ao Dr. Manoel Caetano. Aquilo sim é que era um médico ! Salvou minha vida, sem qualquer pagamento! Deus te dê fartura e felicidade e te livre do mal vizinho! Perguntado como estava pela multidão de curiosos, disse que estava muito bem, graças a Deus e ao Dr. Manoel Caetano. Precisava agora só pagar a promessa que havia feito com os Nove Reis Magros. Algum dos circunstantes achou aquilo estranho :

--- Ainda bem que você se recuperou, Zé ! Devia ser muito chato aquilo de tá vendo tudo duplicado. Mas você não tá enganado, rapaz ? Os Reis Magros são apenas três !

--- Três ? Mas rapazes , é mesmo ? Pois acho que foi isso! Eu tava vendo tudo dobrado, pois depois da cirurgia do Dr. Manoel Caetano , curei : comecei a ver tudo triplicado !

J. Flávio Vieira

PROGRAMAÇÃO DE ARTES CÊNICAS NO CRATO-CE