TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 22 de junho de 2019

A "MALANDRAGEM" DA PROCURADORA - José Nilton Mariano Saraiva


Chancelados pela   Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), foram dez os candidatos inscritos para a função de Procurador Geral da República, a ser eleito no mês de setembro próximo, a saber: Antonio Carlos Fonseca Silva, subprocurador; Blal Dalloul, procurador regional; José Bonifácio Borges de Andrada, subprocurador; José Robalinho Cavalcanti, procurador regional; Lauro Cardoso, procurador regional da República; Luiza Frischeisen, subprocuradora; Mário Bonsaglia, subprocurador; Nívio de Freitas Silva Filho, subprocurador; Paulo Eduardo Bueno, subprocurador; Vladimir Aras, procurador regional da República.
De praxe, os três candidatos mais votados têm seus nomes e currículos submetidos ao Presidente da República, a fim que o ungido seja oficialmente anunciado e empossado.
Escorregadia, matreira e inconfiável, embora não tenha se inscrito a atual procuradora Raquel Dodge trabalha denodadamente nos bastidores tentando se viabilizar junto ao Presidente da República, porquanto este já afirmou que poderá escolher um candidato da sua preferência, não constante da tal lista tríplice.
Sabedora do ódio visceral que o atual ocupante do Palácio do Planalto nutre em relação ao ex-presidente Lula da Silva (a quem deseja que “mofe na cadeia”), a atual procuradora encontrou um meio de tentar obter a sua simpatia, visando uma possível recondução à função: em expediente ao Supremo Tribunal Federal, manifestou-se radicalmente contrária à concessão do habeas corpus interposto pela defesa do ex-presidente, solicitando sua soltura, com base em robustos argumentos.
Duas são as irregularidades de tal posicionamento da atual procuradora: de pronto, vai ela de encontro à preferência manifesta dos colegas procuradores, que optando pela renovação sequer lembraram do seu nome; num segundo momento, fica mais que explicitado ter havido um ato de corrupção pontual, porquanto a senhora Dodge, pra tentar manter-se na função, desfraldou vigorosamente a bandeira anti-Lula da Silva, no pressuposto de obter a simpatia do Presidente da República, em benefício próprio.

“Malandragem” em toda a sua plenitude (e que ignora aquilo que de mais sublime um homem possa auferir: a liberdade).   

quinta-feira, 20 de junho de 2019

"BATOM NA CUECA" - José Nilton Mariano Saraiva


Sabe aquele marido boçal e metido a esperto que, ao chegar em casa pela manhã e ante todas as evidências de que estivera “mijando fora do penico” ou mesmo “pulado a cerca” durante a noite passada, teima em continuar a mentir e mentir para a fiel esposa, com a desculpa esfarrapada que estivera no velório de um amigo, findando por convencê-la; até que, no banheiro, é traído espetacularmente quando a digníssima descobre “marcas de batom” impregnadas em sua cueca, evidentemente que oriundas dos lábios de uma mulher ???

Pois essa foi a impressão que nos deixou o ex-juiz Sérgio Moro, na sua fala, ontem, numa dessas comissões de congressistas (repleta de governistas), quando negou até não mais poder que houvesse cometido algum tipo de ilegalidade/irregularidade durante a lavratura de sentenças condenatórias no decorrer da Operação Lava Jato ou, mesmo, durante as conversas “in petto” (secretamente, em caráter sigiloso) mantidas com o seu “parceiro-preferencial”, procurador Deltan Dallagnol .

E, no entanto, os brasileiros sabem que eivada e repleta de tão “nobres predicados” (ilegalidades/irregularidades) estão as sentenças e os posteriores diálogos com o dito procurador, embora Sérgio Moro insista e persista em não reconhecer o “óbvio ululante”, como se o entendimento das pessoas “normais” não alcançasse o provindo das mentes privilegiadas das “excelências togadas”. Espetáculo de quinta categoria, deprimente e preconceituoso, do princípio ao fim.

Mas que nos leva a deduzir que Sérgio Moro deve ser um visceral adepto do ministro de propaganda de Adolf Hitler, Josepf Goebbels, que segurou até a morte a sua verdade, como primeira e única: “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”.

Será que os togados do Supremo Tribunal Federal permitirão que Sérgio Moro continue a trafegar impunemente, ad eternum, nesse mar de lama, ou afinal se insurgirão buscando redimir-se de todas as cabeludas lambanças perpetradas até aqui ???

Afinal, e isso é altamente preocupante em termos de desapego à democracia, já circulam boatos de que a reunião da 5ª Turma daquele colegiado, programada pra acontecer no próximo dia 25.06.19, que julgará o habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Lula da Silva, será mais uma vez adiada, até que assuma a presidência da turma a nauseabunda Carmen Lúcia, inimiga de primeira hora do ex-presidente e que, naturalmente, o remeterá (o habeas corpus) às calendas gregas.

E aí, estaremos diante de duas indesejáveis e horripilantes alternativas: a ditadura dos “milicos” (assumindo de vez e de fato o poder, ou sustentando o grupo miliciano que lá já está)  ou a ditadura dos “togados” (que barrará qualquer projeto representativo da ascensão dos menos favorecidos, através da escolha de um seu representante). 

Materializando-se, a “sua” escolha será “compulsória”.  

É mole ou quer mais ???

"IN FUX WE TRUST" (NO FUX A GENTE CONFIA) - José Nilton Mariano Saraiva



E os integrantes da nossa outrora Corte Maior (Supremo Tribunal Federal) continuam a chafurdar na lama e, por consequência, a demolir o que restava de respeitabilidade daquela instituição, já que, dia-a-dia,  denegrindo-a paulatinamente.
É o que se pode depreender da denúncia pelo site Intercept de conversas entre o então juiz Sérgio Moro e seu “parceiro-preferencial” o procurador Deltan Dallagnol, tratando especificamente do ministro do STF, Luiz Fux.
À vontade, num dos trechos de um dos vazamentos disponibilizados ao público, o citado procurador assegura ao juiz Sérgio Moro ter tido uma “conversa reservada” com o ministro Fux, oportunidade em que este teria, sub-repticiamente, deixado a impressão de “temer” o juiz, no pressuposto que Teori Zavascki, então integrante do STF, houvera se “queimado” num embate com o próprio.
E o temor/pavor demonstrados era tanto, que o ministro teria afirmado categoricamente que os procuradores da Lava Jato poderiam contar com ele no que fosse preciso, dali por diante. Ou seja, a força-tarefa contava com (mais um) homem de confiança dentro do STF (Barroso, Fachin e Carmen Lúcia tendem a cerrar fileiras). Coincidentemente, todos eles com “rabo preso” por conta de malfeitos num passado recente, que lhes permite serem alvos de chantagens diversas).
Ante o exposto, a pergunta, séria, que se impõe, é: depois desse imoral e vergonhoso oferecimento, será que não estaria na hora de entrar com um pedido de “suspeição” do ministro Fux  quando se for tratar da Operação Lava Jato, especialmente envolvendo o ex-presidente Lula da Silva ???

domingo, 16 de junho de 2019

NÃO ESQUEÇAMOS O TAL "SUPREMO" - José Nilton Mariano Saraiva


Ante um Supremo Tribunal Federal leniente, frouxo e passivo, o juiz de primeira instância, Sérgio Moro, de par com a turma do Ministério Público Federal do Paraná, usaram e abusaram de transgredir nossa Carta Maior (Constituição Federal) sem que fossem obstados por aquela Corte Superior.

A esfarrapada desculpa apresentada na oportunidade foi a de que, dada a “excepcionalidade” de que se revestia a tal Operação Lava Jato, o interesse da população se sobreporia às leis e à própria Carta Maior do país (pelo menos foi isso que declarou um dos ilustres Desembargadores que trataram da causa).

Eis que agora, com a entrada em cena do jornalista Glenn Greenwold (The Intercept), a “trama mafiosa” arquitetada pela quadrilha do Sérgio Moro para condenar Lula da Silva revela-se em toda a sua plenitude e desfaçatez.

Temos, então, a dolorosa constatação de algo vexatório, aético e imoral: membros do Ministério Público (Dallagnol e outros) sendo devidamente instruídos e orientados pelo próprio juiz da causa (Sérgio Moro) de como proceder e que caminhos seguir, a fim de que a peça acusatória (a lhe ser dirigida) tenha a consistência desejada por ele, juiz.

A irrefutabilidade da denúncia do The Intercept se constata a partir do instante que nenhum dos citados contesta o que foi denunciado, já que centraram seu descontentamento no “como” tais informações foram obtidas.

Assim, bradando sobre a “ilegalidade” (mas não sobre o conteúdo) das escutas veiculadas por The Intercept, Sérgio Moro e parceiros “esqueceram momentaneamente” que foram eles os “pioneiros” em tal tipo de procedimento, quando por quase cinco anos grampearam gregos e troianos, chegando ao cúmulo de gravar a própria Presidenta da República e findando por influir decisivamente no resultado de uma eleição presidencial.

O resultado é essa tragédia que está aí, com um grupo de milicianos à frente do país, “desconstruindo” tudo o que foi feito até aqui (conforme promessa de campanha).

Portanto, nessa hora gravíssima que atravessamos, tem o Supremo Tribunal Federal a oportunidade ímpar de se redimir perante a nação, ao reconhecer as arbitrariedades e abusos perpetrados pelo juiz Sérgio Moro, anulando “in totum” a sentença condenatória e, consequentemente, libertando de imediato o ex-presidente Lula da Silva.





sexta-feira, 14 de junho de 2019

A "ENTREGA" DE UM PAÍS - José Nilton Mariano Saraiva


Ainda com relação à matéria do The Intercept, convém atentar que num dos diálogos mantidos pelo ex-juiz Sérgio Moro com o Procurador Deltan Dallagnol, em 31.08.2016, temos a confirmação explícita de que a tal Lava Jato já àquela época atuava em defesa dos interesses dos “gringos”, o que configuraria crime de lesa-pátria. Veja abaixo (ipsis litteris):

31 de agosto de 2016
Moro – 18:44:08 – Não é muito tempo sem operação ?

Deltan – 20:05:32 – É sim. O problema é que as operações estão com as mesmas pessoas que estão com a denúncia do Lula. Decidimos postergar tudo até sair essa denúncia, menos a op do taccla (sic) pelo risco de evasão, mas ela depende de Articulação (sic) com os americanos.

Deltan 20:05:45 – (Que está sendo feita)

Deltan – 20:05:59 – Estamos programados para denunciar dia 14
Moro – 20:53:39 - OK

(Fonte: The Intercept)

Falta, agora, que após nos servir tão suculenta “entrada”, Glenn Greenwald nos sirva o prato principal do banquete, que seria as “confidências/combinação” (que tendem a ser apimentadas e explosivas) entre Sérgio Moro e o Desembargador Gebran Neto, à época a frente do Tribunal Regional Federal 4, de Porto Alegre, onde o ex-presidente Lula da Silva teve a pena imposta por Sérgio Moro não só confirmada, mas substancialmente aumentada (e de forma orquestrada) pelos três componentes daquele Tribunal, de forma que a condenação fosse “acelerada” (a pedido do Sérgio Moro ???), independentemente do processo não ter transitado em julgado e, portanto, “ainda” se achar inconcluso (é bom lembrar que Gebran Neto foi colega de Sérgio Moro na academia por anos e com ele guarda “afinidades” mil).

Em outras palavras, pelo andar da carruagem a tendência é que o gravíssimo crime perpetrado pela dupla Sérgio Moro/Dallagnol não ficou adstrito à primeira instância, já que seus tentáculos se espraiaram como rastilho de pólvora de Curitiba a Porto Alegre (segunda instância), o que caracterizaria “formação de quadrilha”.

Fato é que, após Sérgio Moro a Petrobras foi esquartejada (uma equipe da Lava Jato, junto com o ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, foi aos Estados Unidos entregar informações e documentos que serviram para que a Petrobras fosse acionada judicialmente), o pre-sal (nosso passaporte para o futuro) foi entregue às grandes petrolíferas internacionais a preço de banana em fim de feira, a nossa indústria naval abandonada, assim como a competente e respeitável indústria pesada brasileira desmontada, resultando por tornar possível que um elemento absolutamente despreparado e incompetente ascendesse à Presidência da República, mesmo com a promessa de “desconstruir” tudo que havia sido construído até então (o que está sendo feito com celeridade).

E ainda tem babaca que aplaude essa merda toda.




quarta-feira, 12 de junho de 2019

O BOBO DA CORTE - José Nilton Mariano Saraiva


A BANCA DO DISTINTO (autor Billy Blanco, intérprete Elis Regina)
Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal
O “cancioneiro popular” tem o condão de nos propiciar pérolas raras e que refletem o dia a dia de todos nós, tal a assertiva dos seus versos. Tal reflexão se encaixa como uma luva no atual momento brasileiro, quando se descobre que o ex-todo poderoso juiz Sérgio Moro e seus comparsas do Ministério Público, da tal Operação Lava Jato (sediados em Curitiba e Porto Alegre), conhecidos como intransigentes combatentes da corrupção, não passam de... corruptos potenciais, já que capazes de se associarem para negociar a condenação de alguém por interesses outros (e isso, quer queiram ou não, é corrupção).
Pois bem, literalmente pegos com a “mão na massa” (figura retórica que aqui se aplica) o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol bem que tentaram desqualificar a séria denúncia do site The Intercept, comandado pelo jornalista Glenn Greenwald, onde os dois “tramam” o “como fazer” para denunciar/condenar o ex-presidente Lula da Silva, com o então juiz “orientando” pari passu e “apontando pistas” que deverão ser seguidas pelo procurador, a fim de viabilizar uma sua decisão condenatória, que se verificou a posteriori.
Flagrante e humilhantemente desmascarado e sem argumentos ante a contundência dos fatos Sérgio Moro não negou absolutamente nada do que foi denunciado pelo The Intercept, mas, tentou sair pela tangente ao alegar que... “basta ler o que se tem lá e verificar que o fato grave é a invasão criminosa do celular dos procuradores”.
Ao ser lembrado pelo próprio jornalista que foi ele que estuprou a Constituição Federal ao captar e divulgar em pleno horário nobre uma conversa entre a então Presidenta da República Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula da Silva, que viria a influenciar mais tarde no resultado da eleição presidencial, a desculpa esfarrapada foi que
“O problema ali não era a captação do diálogo e a divulgação do diálogo, era o diálogo em si, o conteúdo do diálogo, que era uma ação visando burlar a justiça. Este era o ponto” (ou seja, ele pode burlar a justiça, transgredir, fazer e desfazer, os outros, não).
Fato é que, mais tarde, “premiado” com o Ministério da Justiça por um medíocre franco-atirador que ascendeu ao poder graças às suas trapaças (em conluio com o Ministério Público Federal do Paraná), e com a promessa de que seria guindado ao Supremo Tribunal Federal, dentro de pouco tempo, Sérgio Moro nunca imaginou que
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal
E como o jornalista Glenn Greenwald foi peremptório ao afirmar que apenas 1% do arquivo que recebeu foi divulgado, a nação inteira está na expectativa do que virá por aí (não devem ser boas as notícias para os mafiosos integrantes da “República de Curitiba”).
No mais, como já desconfiava que dada à soberba que se apossou de Sérgio Moro este não iria se conformar com uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, mas, sim, sem nenhum escrúpulo iria “bater de frente” com ele nas eleições de 2022, intimamente Jair Bolsonaro está em pleno estado de orgasmo.
Fica a “inquietante” pergunta: como não passou nem no exame da OAB (e portanto não está habilitado a advogar) para onde irá Sérgio Moro ???



segunda-feira, 10 de junho de 2019

RECORDAR É VIVER ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Com relação à seríssima denúncia do site The Intercept, do intrépido, sério e corajoso jornalista Glenn Grenwald (laureado com o prêmio Pulitzen de jornalismo investigativo), e a quem o americano Snowden escolheu para divulgar ao planeta as safadezas da CIA com gente do mundo todo, entendemos que se tivéssemos um Corte Suprema digna de tal expressão Sérgio Moro e Deltan Dallagnol já deveriam ter amanhecido vendo o sol nascer quadrado (ou seja, atrás das grades) por chefiarem uma "quadrilha", na mais completa acepção do termo. 

A propósito, permitimo-nos repostar/transcrever uma postagem de nossa autoria, com o título "De: Sérgio Moro - Para: Sérgio Moro", que fizemos nos blogs para os quais colaboramos, em setembro de 2016, tratando exatamente sobre o mesmo tema. 

Premonição ??? Confiram abaixo.

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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Se alguém por essas bandas (Brasil) duvidava que o deprimente espetáculo patrocinado meses atrás pela Câmara Federal para aprovar a cassação (sem crime de responsabilidade) da Presidenta Dilma Rousseff, algum dia poderia voltar a acontecer, dada à palhaçada de que se revestiu e a consequente repercussão negativa resultante, quebrou a cara.

Nem o banco esfriou e a “República de Curitiba” não só o bisou, como tratou de armar um circo bem mais amplo e repleto de holofotes, que abrigasse a imprensa nacional e internacional, com direito a um sem número de “transparências” (power point), mas com um só mote: acusar Lula da Silva de ser o “maestro”, o “general” e o “comandante” de todas as ações irregulares havidas no decorrer dos tais “mensalão” e “petrolão”. 

E aí, empolgado e visivelmente picado pela mosca azul, o pastor evangélico Deltan Dallagnol, com o seu ar messiânico não economizou nos adjetivos e deitou falação sobre a culpabilidade de Lula da Silva nos dois processos e, alfim, antecipou ali mesmo o veredicto final: deve ser preso e pagar por tudo aquilo. Bastou, entretanto, que um repórter mais perspicaz fizesse uma simplória pergunta para que o circo literalmente desabasse: “Doutor, e as provas ???”. E a resposta foi um misto de bizarrice e hilaridade: “Não temos prova, mas temos convicção”. 

Ou seja, sem tirar nem por, aconteceu exatamente o que presenciamos no julgamento do tal “mensalão”, quando a ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber (à época assessorada por um então desconhecido juiz de primeira instância, Sérgio Moro), inquirida sobre a existência de provas, disparou: “Não tenho prova cabal contra o Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. E assim foi feito, vapt-vupt. Sem choro e nem vela. E já com as digitais do Moro. 

Fato é que, apesar do vexame propiciado por Dallagnol e sua troupe na apresentação da denúncia contra Lula da Silva, ela tem toda a chance de ser aprovada e, enfim, se anuncie a prisão do ex-presidente, e por uma razão simplória: existe uma gritante anomalia na “República de Curitiba”. Lá, Sérgio Moro manda e desmanda, casa e batiza, bate e assopra e, enfim, determina como e quando as coisas devem acontecer. Dallagnol e demais procuradores do Ministério Público não passam de caixa de ressonância, ouvintes atentos e "cordeirinhos amestrados" prontos a executar o que o Juiz lhes determinar; Moro e o Ministério Público Federal curitibano são como carne e unha, visceralmente ligados, constituem uma mesma entidade, agem em conjunto, se confundem. 

Assim, não há que se duvidar que o próprio Sérgio Moro instrua-os como devem apresentar a denúncia e por onde seguir. Ou seja, o que Dallagnol envia para o Sérgio Moro é o que o Moro lhe enviou para que seja devolvido em forma de denúncia. Ou mais precisamente: seria uma espécie de correspondência de MORO para MORO (com a desonesta tabelinha do procurador). Não há, pois, como referida denúncia não ser aceita, apesar da comédia pastelão patrocinada pelos procuradores curitibanos. Simplesmente porque em assim acontecendo, Moro estaria a negar o próprio Moro.  

Em razão de tais arbitrariedades, a pergunta que então se impõe é: afinal, para que serve mesmo o “livrinho” (Constituição Federal) ??? Para que serve um Supremo Tribunal Federal cuja missão maior é exatamente ser o “guardião” do livrinho, fazendo-o ser respeitado ??? Ou o marginal Sérgio Machado estava coberto de razão quando disparou: “Nunca tivemos um Supremo tão merda como esse”. 

A conferir.


quarta-feira, 29 de maio de 2019

A MÃE, O JUAZEIRO E O PADRE CÍCERO - Dr. Demóstenes Ribeiro (*)


O menino despertou com o canto do galo, e a mãe já preparava a viagem ao Juazeiro. Ela dormiu pouco. O trem ainda apitava ao longe, mas estavam todos ansiosos. Haveria a compra das passagens e era grande o burburinho do povo.
Eles logo tomariam assento. Aquela, quase aventura, era uma viagem especial. A irmã querida, frágil e magrinha, quase morreu de sarampo, e a família iria demonstrar ao Padre Cícero toda a sua gratidão. E próximo à estação, pela janela do trem, vendo a Igreja dos Franciscanos, logo chegaram ao Juazeiro.
O pai, a mãe e as crianças desceram pela rua São Pedro, vaguearam pela São José, andaram na Santa Luzia, na Conceição, no Mercado, talvez na José Marrocos e na Floro Bartolomeu. E o pai conduzindo a todos, certamente deslumbrado com “A Aliança de Ouro”, “As Casas Pernambucanas”, o BNB e o Banco do Brasil: mil sonhos e temores no seu coração guerreiro.
E em meio aos romeiros, na capela do Socorro, no túmulo do Padre Cícero, eles pagaram a promessa. Muitas vezes depois, agora sozinho, no mesmo trem ou de ônibus, o menino voltaria. Compraria gibis e enfeites de bicicleta; na praça principal tomaria sorvete de abacate ou pegaria uma Kombi para o Crato, onde nesse tempo estudava.
E as promessas continuaram com a mãe pedindo a aprovação dele no vestibular e a formatura em Medicina. O milagre se repetiu e todos voltaram, subiram o horto e agradeceram ao “meu Padim” pelo ingresso improvável daquele menino velho na universidade.
Juazeiro do Norte, lugar abençoado, onde meu irmão é feliz. Terra da fé e milagre do Padre Cícero. No teu povo humilde e bom, e não nos ladrões do dinheiro público, existe a força divina a construir a tua história.
E dias atrás, ao ver na televisão tantos “padres cíceros” na bateria de uma escola de samba no carnaval do Rio de Janeiro, ele se lembrou do Cariri e da sua gente, chorou em silêncio e novamente agradeceu ao santo da mãe e da irmã, da infância e da família, pela proteção presente nessa caminhada.
Outro dia em Fortaleza, dia treze, ao passar em frente à Igreja de Fátima, dentro de um automóvel, ele, como um menino antigo, também se juntou às vozes que cantavam e murmurou “com minha mãe estarei na santa glória um dia...” E lembrou do pai, de terno branco e gravata, - velhos tempos - para a missa do domingo na cidadezinha.
Então, fez uma prece e agradeceu muito à mãe. Pois ela, tão devota do Padre Cícero, ainda muito pequeno lhe ensinou a rezar e com imensa sabedoria lhe transmitiu toda a fé. Porque somente um milagre, acreditem ou façam pouco, era a sua vida até aqui.

(*) Médico-Cardiologista, natural de Missão Velha, residente em Fortaleza-CE.

terça-feira, 28 de maio de 2019

terça-feira, 21 de maio de 2019

Os Escolhos e o Brilho das Pepitas











                                              
Os Escolhos e o Brilho das Pepitas

J. Flávio Vieira


                                               Se há uma regra imutável na propalada “Cidade da Cultura” é a incrível e reiterada  falta de espaço  que ela destina aos seus artistas mais importantes. São todos tratados como párias pelas sucessivas administrações públicas nos últimos quarenta anos. Sucessivos Secretários de Cultura , durante tantos e tantos anos, com raríssimas exceções, mantiveram-se como simples marionetes, em pastas sem recursos específicos, sem direito de escolher seus assessores diretos, indicados por critério meramente político , a mais das vezes sem quaisquer mínimos atributos técnicos. As poucas verbas , arrancadas a fórceps, empregaram-se em eventos esporádicos e pouco expressivos ou precisaram ser endereçadas à parte mais frágil do caldo: a Cultura de Tradição. Há quase meio século toda uma horda de artistas: músicos, artistas plásticos, de artes cênicas, cineastas, literatos viram-se órfãos e enjeitados, sem o mínimo incentivo para que continuassem alimentando o mito criado, ao longo dos anos, que terminou por determinar a vocação da Cidade de Bárbara e Tristão, como inerentemente ligada à Cultura.
                                   Não foi muito diferente com o amparo mínimo que se esperava do Estado do Ceará. Mesmo com a criação dos Editais, com recursos bastante reduzidos, embora 50% destes devessem ser encaminhados para o interior, os artistas viram-se assoberbados com entraves burocráticos de largo escalão, difíceis de serem transpostos, pela própria distância que nos afasta da capital, parecendo sempre que a má vontade fazia-se estratégica e calculada com fito de desencorajar os artistas interioranos e carrear os recursos , novamente, para Fortaleza. O certo é que nossos artistas sobrevivem a pão e água: nossas rádios não executam suas músicas; não existem espaços públicos viáveis para expor os trabalhos dos pintores, escultores e fotógrafos; não há teatros, palcos e sons disponíveis para  peças, saraus e shows; as edições de livros precisam ser custeadas inteiramente pelos escritores. Dois cinemas prometidos para a cidade empererecaram , murcharam e, tudo indica, não sairão nunca dos alicerces e das cercas de Madeirit.
                                   Para se ter uma ideia do tamanho do descaso, recentemente viu-se publicada, com estardalhaço e stand no Shopping,  a programação de shows da Expocrato. Como sempre, o repertório é o mesmo do mesmo, não ultrapassa as fronteiras do Forró Breganejo. Salvam-se algumas raríssimas exceções, entre elas , as locais com os grandes : Fidelis, Fábio Carneirinho e Rafael Belo Xote. A maior Festa do Sul Cearense, promovida pelo estado e município, mais uma vez, exclui nomes outros que, simplesmente, perfazem o que melhor se tem feito no Ceará, nas últimas décadas: Abidoral Jamacaru, João do Crato, Luiz Carlos Salatiel, Paulinho Chagas, Cleivan Paiva, Luciano Breyner, Amélia Coelho, Pachelly Jamacaru, Ibbertson Nobre, Dihelson Mendonça, Dudé Casado, isso para citar apenas alguns. Mais uma vez, estão alijados da festa, feito cães rabugentos. Produtores locais tentaram até, de última hora, enxertar um show que envolvesse, num só dia e palco, todos esses músicos, com cachês simbólicos, mas a sensibilidade por parte do município e do estado foi mínima. Que peguem a cuia e vão mendigar pelas esquinas da vida!
                                   Sempre acreditei que, com toda a grade de shows terceirizada ( Essas licitações serão sempre tão lícitas como deveriam ?  ), os vencedores da licitação escolherão, claro, artistas da efêmera arte midiática que lhes traga o lucro almejado e certo. Não lhes cabe fazer política cultural, esta sim, deveria ser uma precípua de prefeitos e governadores. Poderíamos, sim, no Projeto da Reforma da Expocrato ter pensado numa Concha Acústica onde os shows poderiam acontecer mais cedo com os artistas caririenses, com exposição de fotografias e telas e a Feirinha Cariri Criativo ao derredor. Mas nem isso, perversamente, é projetado. Acreditam, certamente, que esses shows poderão prejudicar, de alguma maneira, os do espaço terceirizado e ( loucura absoluta! ) diminuir a arrecadação. Pode parecer até uma teoria conspiratória, mas perfeitamente cabível quando, em anos anteriores, a polícia obrigava as barracas com som alternativo a desligá-los, no momento em que começava os shows tidos como principais, a mando da organização do evento. Que todos ouvissem música ruim ou fossem para casa dormir !
                                   Sei, claramente, que nada mudará sem pressão política. A maior parte da população pode parecer satisfeita e realizada com a Expocrato. Mas percebo, também, que uma grande fatia, na qual me incluo, encontra-se expulsa da maior festa caririense, que nada tem de multicultural e inclusiva. Esperava-se mais de governantes que deveriam usar a Cultura como instrumento de elevação e aperfeiçoamento do seu povo. Resta-nos a certeza de que daqui a alguns anos mais, todos esses hoje poderosos políticos e governantes terão desaparecido totalmente: viverão apenas em nomes de ruas e de instituições frias e insalubres. O que restará, na bateia do tempo, serão os diamantes dos nossos artistas mais significativos, esses mesmos que são torturados, sacrificados e desprezados hoje, diuturnamente.  Talvez a razão de tudo seja justamente essa, uma questão típica de garimpagem: os escolhos não conseguem entender o brilho das pepitas.

Crato, 17/05/19





terça-feira, 30 de abril de 2019

“NUVEM PASSAGEIRA, QUE COM O VENTO SE VAI” - José Nilton Mariano Saraiva


É de certa forma incompreensível que, repentinamente, os blogs particulares, que serviam de estuário às manifestações de colaboradores dos mais diversos matizes e perfis ideológicos, progressivamente se esvaziem em razão da migração dos seus participantes para a rede Facebook.

E incompreensível porque, enquanto as postagens nos blogs se caracterizam pela disponibilização contínua do que lá é postado (a quem interessar possa), no Facebook é como se fora uma “nuvem passageira, que com o vento se vai”;  assim, “rolam” rapidamente dentro de instantes, ficando difícil até de acha-las a posteriori (ou 01 minuto depois).

Além do que, nos blogs particulares o espaço é “generoso” e convidativo à reflexão, porquanto fixo e facilmente acessível a qualquer momento, permitindo até o surgimento do contraponto daqueles que pensam diferentemente, trazendo, como consequência, o “debate” de ideias conflitantes.

Referimo-nos, particularmente, ao “abandono” verificado nos últimos meses nos blogs cratenses “No Azul Sonhado” (de Socorro Moreira) e “Cariricult” (do Salatiel), outrora prestigiados por diversos colaborares de reconhecido gabarito e competência (José Flávio, José do Vale, Emerson  Monteiro e outros), mas que, agora, apresentam uma “secura” de dar dó, com postagens esporádicas de um ou outro.

Portanto, senhores, não vamos deixar que os blogs morram de inanição; postem, divulguem, exponham, estimulem outros a o fazerem, independentemente do viés ideológico.

Afinal, blogs são ou não difusores de cultura e informação ???

domingo, 21 de abril de 2019


Entre cachos, vejo flores nos  teus olhos
Desbrava meus pensamentos
No mar verde e  nas águas  
Se existem sereias
Você  brota do asfalto
Talvez doce e quente
Como algodão doce derretendo na boca
Talvez, passageiro
Como são os poema de açúcar.    

Alexandre Lucas

sábado, 20 de abril de 2019

OS "LAVAJATEIROS-VAZADORES"- José Nilton Mariano Saraiva


Já alertávamos, lá atrás, em uma de nossas postagens, que após permitir que a tal Lava Jato impunemente pintasse e bordasse (através do estupro diuturno da Constituição Federal), algum dia os integrantes do Supremo Tribunal Federal haveriam de sentir-se “ameaçados” na sua teórica condição de “guardiões da Constituição” e tenderiam a partir para o revide, a fim de mostrar “quem manda mesmo no pedaço” (definição jurídica final).

Pois bem, como a “corda” foi generosa e magnânima, capaz de afagar o ego até do mais insensível dos seres, (por parte de uma mídia desonesta e parcial), os ”lavajateiros”, à frente Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e Gelbran Neto,  perderam as estribeiras e abertamente assumiram a condição de “semideuses”, capazes de tudo e abrangendo todos, quer através de chantagens e mentiras, quer pela disseminação de um clima de terror generalizado, capaz de transformar a simpática Curitiba (sede da Lava Jato) numa terra a ser evitada de qualquer maneira, por gregos e troianos. Até porque, guardada as devidas proporções, “descer” pra Curitiba seria como que adentrar Auschwitz, o famigerado campo de concentração nazista (afinal, até prova em contrário, a tortura psíquica, especialidade de Sérgio Moro, é tão ou mais dolorosa e devastadora quanto à física).

E o retrato emblemático das ilegalidades nos interrogatórios que ocorriam em Curitiba pode ser observado pela transcrição de parte do embate entre a defesa de Marcelo Odebrecht e o então todo poderoso Sérgio Moro, a saber (ipsis litteris):

Defesa de Marcelo Odebrecht — Antes que Vossa Excelência encerre a gravação, estou vendo aqui, no site Antagonista, que o depoimento do senhor Marcelo está sendo transmitido, neste exato momento, EM TEMPO REAL, de sorte a desrespeitar a determinação de Vossa Excelência do segredo de Justiça. Está aqui. Quer que eu coloque para Vossa Excelência? (…) E SÓ PODE TER VAZADO AQUI DE DENTROEntão, nós estamos numa situação de flagrância. É só entrar no site e ver.
Juiz Sergio Moro — Tá… Ehhh… A gente trata disso sem precisar da gravação aqui.
Defesa de Marcelo Odebrecht – Não, não, faço questão que isso fique registrado aqui.
Juiz Sergio Moro – Não, sim, mas…
Defesa de Marcelo Odebrecht – Vossa excelência não quer ver a fidelidade da transmissão?
Juiz Sergio Moro – Sim, doutor. Mas é uma questão pertinente ao interrogatório dele [Marcelo Odebrecht]. Nós tratamos na ata. Pode interromper a gravação.

Ou seja, surrealisticamente, com autorização expressa do juiz Sérgio Moro, um depoimento tido como “segredo de justiça” estava sendo transmitido (vazado) “ao vivo” para um site pra lá de suspeito, na Europa, a fim que fosse divulgado quando se tornasse conveniente à bandidagem.

Não é de se estranhar, pois, que hoje, quando (até que enfim) os integrantes do Supremo Tribunal Federal parecem ensaiar um “bater de frente” com os “lavajateiros” (depois que o “objeto de desejo” – condenação e prisão de Lula da Silva, foi alcançado), estes se apeguem aos mesmos métodos sujos para “vazar” ao mesmo site (O Antagonista) possíveis malfeitos do atual Presidente do STF, praticados lá atrás. É o “método Moro” de agir e fazer (e o seu “banco de dados”, convenhamos, deve contemplar milhões de patrícios, todos sujeitos à “deduragem” a qualquer momento).

Fato é que, se tivéssemos um Corte Maior expedita, atuante e que se fizesse respeitar, a essa altura Sérgio Moro e seus procuradores estariam pagando caro pelas cabeludas e infindáveis barbaridades que perpetraram desde o nascimento da tal Operação Lava Jato (mas, pagarão, mais cedo ou mais tarde).

E o país não estaria a experimentar a vexatória situação que atravessa, refletida na esculhambação jurídica vigente, permissiva a que alguém seja condenado por "atos de ofício indeterminados" antes mesmo do processo acusatório chegar ao seu desenlace final, ao arrepio, pois, do que preconiza a Constituição Federal.