TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

terça-feira, 27 de março de 2012

A “amargura” do Chico – José Nilton Mariano Saraiva

Muito já se escreveu e se comentou sobre o falecimento do “gênio” Chico Anísio, o cearense motivo de orgulho pra todos nós, seus conterrâneos; também muito já se falou sobre a sua incrível criatividade e versatilidade, capaz de nos brindar com mais de duzentos tipos, todos absolutamente convincentes e capazes de arrancar riso escancarado do mais sisudo dos mortais. Chico Anísio foi, pois, um iluminado, a quem muito devemos.
Estranhamente, no entanto, ninguém fez qualquer comentário ou se ateve às entrelinhas e detalhes da sua última entrevista para a Rede Globo, quando, já visivelmente debilitado em razão do severo tratamento a que vinha se submetendo, prestou homenagem à atual mulher e teceu comentários sobre temas variados à belíssima repórter Patrícia Poeta, do “cast” global.
Pois bem, lá pras tantas, certamente que já ciente do seu delicado estado de saúde, o “homem” se sobrepôs ao artista, o “ser humano” se impôs ao humorista, o “irreverente” cedeu lugar a um sombrio personagem e, claramente amargurado, aflorou um Chico Anísio a reclamar do desprezo a que havia sido relegado, do sumiço de “espaço” na televisão, da repentina falta de “trabalho” e de como haviam “batido” nele nos últimos tempos.
E, finalizando, para que dúvidas não pairassem e todos tomassem conhecimento, categoricamente afirmou que o responsável pela triste e vexatória situação em que se encontrava estava vivo e, certamente, assistiria àquela entrevista.
Portanto, agora, que a Rede Globo se apressa em “homenageá-lo” reprisando seus melhores momentos (nada mais justo), sobra a indagação: quem, da cúpula global, seria o responsável pela “amargura” do Chico ???

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