A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou quarta-feira, dia 7, o projeto de lei que flexibiliza o horário de transmissão do famigerado programa "A Voz do Brasil".
Pelo texto, as emissoras comerciais poderão difundir o chatíssimo programa entre às 19h e 21h. O projeto será analisado agora pela Comissão de Educação antes de ir a plenário. Se aprovado, retorna à Câmara, pois mexeram lá em alguns itens da redação e precisam de uns retoques. Nas rádios públicas, não haverá alteração, e o maçante programa mantém o horário obrigatório.
Flexibilizar não significa muita coisa. Aliás, nada. É a mesma teoria de "liberdade vigiada", ou "você é livre para dizer o que eu penso". Essa aberração radiofônica deve ser extinta, sumariamente. O programa é anacrônico, envelhecido, obsoleto. Não faz mais sentido em mundo de multiplicidade de mídias.
Criado em 1935, com o nome de "Programa Nacional", tinha a finalidade de divulgar o governo no ditador Getúlio Vargas. Anos depois passou a se chamar de "A Hora do Brasil", e no governo do crudelíssimo Garrastazu Médici recebeu o nome que conhecemos hoje, com veiculação obrigatória em todas as rádios do país, por determinação do Código Brasileiro de Telecomunicações. E já foi até para o Guiness Book como o programa de rádio mais antigo do Brasil.

Recentemente fizeram uma versão "moderna" do tema musical de abertura, o clássico "O Guarani", de Carlos Gomes, com uns arranjos suingados de samba, choro, capoeira. Mas não adianta. A alma do programa é avessa, retrógada, de um bolor enfastiante. Além do absurdo do Estado tutelar o que devemos ouvir, não faz sentido um programa para divulgar notícias dos três poderes, quando cada um deles tem estações de rádio e tv, além de páginas na internet. A "Voz do Brasil" pra mim é a mesma coisa de mandar correspondência pelo pombo-correio na era do e-mail.