TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 22 de setembro de 2007

Esses tempos híbridos




Emerson Monteiro

Houve uma época, no decorrer das fases da história, quando os estilos da Arte se apresentaram bem mais pronunciados nas diversificações pessoais. Seus autores produziam peças de acentuadas características, conforme o espaço restrito aonde viviam, presos a sociedades fechadas e de raras influências externas, porquanto lutavam contra os limites das horas e dos lugares. Por vezes, trabalhavam tão só visando os poucos habitantes de cidades ou pequenos estados.

Vieram os transportes mais rápidos, os primeiros instrumentos de encurtar distâncias na transmissão das mensagens, e, já nos albores do século XX, prevaleceram os decantados meios de comunicação de massa; rádio, cinema, disco, revista, televisão, jornal, livro, elaborados em escala industrial e com acentuada penetração em tudo que é recanto, graças ao ímpeto febril da revolução dos bens de produção.

Aqueles primeiros artistas do teatro, da pena, do pincel e da partitura, contudo, permaneceram vivos, sob os auspícios agora das modernas tecnologias de propagação dos chamados bens simbólicos, os produtos artísticos. Daí, eles passaram a disputar a preferência do público em outras fases, de igual para igual com os demais estilos que surgiram no futuro, até então restritos a feudos particulares e culturas reservas, nas cidades, línguas e nações.

Os dias de hoje mostram, em profusão, isto que se disse. O que antes, por exemplo, representava a literatura russa, aprimorada sob clima de nação cercada de mil particularidades e natureza típica, épocas geladas, províncias afastadas e costumes afeitos em remotos mundos, explodiu nas outras regiões da Terra, traduzida que foi nos mais diversos idiomas e padrões gráficos.

Assim também se deu com os autores de inúmeros outros povos. A novidade atual representa o imediatismo, o consumo fácil, na chamada Aldeia Global, segundo a feliz denominação de Marshall Mcluhan, autor canadense em voga nos anos 70, estudioso emérito dos meios de comunicação de massa, que resumiu na palavra “mídia” o composto formado pela imprensa universal.

Ainda que não quiséssemos, nossa província reverteu-se numa parte integrante do todo dessa aldeia, a receber suas normas e práticas através das chamadas usinas de produção da informação, indústrias que invadem os lares e detém mais poder de convencimento do que a moral oficial, as religiões estabelecidas e a escola tradicional. O Grande Irmão, conforme escreveu George Orwell, no livro “1984”, comanda essa orquestra formada pela raça humana, integrada nos circuitos elétricos, sinais eletromagnéticos de ondas e cabos e condutores de alta precisão.

Por conta disso, ficou quase imperceptível identificar os estilos, vivos num passado recente de alguns séculos, e justificar o que seja classicismo, barroco, romantismo, simbolismo, naturalismo, realismo, impressionismo, modernismo, expressionismo, psicodelismo, etc., tarefa restrita, neste momento, aos estudos das salas de aula. Porquanto a realidade pós-moderna engloba casca e nó, a reunir desde oralidade, cultura popular a tecnicismo artificial, no caldeirão multidisciplinar a ferver, dia após dia, drama cotidiano das espécies, pessoas, bichos e coisas, numa massa informe e processual.

O rebanho das idéias encontrou tantos intérpretes e criadores que a forma consagrada perdeu-se no caldo grosso dessa fertilidade impetuosa dos conteúdos ilimitados.

E para concluir, quero lembrar Paulo de Tarso, São Paulo, o Apóstolo da Cristandade, que certa vez afirmou: “Tudo é lícito, mais nem tudo me convém”. Isto é, a ninguém cabe ignorar a diversidade que apresentam esses tempos híbridos e alegar o desconhecimento das chances que se oferecem de conhecer tudo e escolher, sempre, o melhor que lhe compete, da herança comum a todos nós.

Salatiel, um representante à altura da política cratense


Cumpro o aprazível dever de comunicar o lançamento (este ato é de minha total e exclusiva responsabilidade, agora) da canditadura de Luiz Carlos Salatiel ao Parlamento do Crato. Conclamo todos os cratenses conscientes desse momento histórico e pioneiro a ratificar este desejo de termos um representante legítimo e diferenciado na Política cotidiana (com P maiúsculo) , cuja plataforma nos remeterá ao futuro: de nossa cidade e da nova geração que se apresenta.
Quem concordar com esta candidatura que se manifeste.

Madrugada ao som do Jazz e da MPB - RadioArte!


Como ouvir:

A - Conexão Banda-Larga:
Se vc possui conexão banda larga, vc pode ouvir com excelente qualidade de CD, se tiver o programa Winamp instalado em seu PC. Tendo o winamp, basta clicar no link abaixo. O winamp vai abrir e começar a tocar.

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Para ouvir, clique no player abaixo:




P
repare a sua bebida predileta. Sente-se ou deite-se confortavelmente, e se delicie com a nossa seleção musical. O programa Noite Cultural vai de 00:00 às 06:00 da manhã, trazendo sempre o que há de melhor na música instrumental e vocal.
RadioArte, 24Hs com você. Há 4 anos, trazendo o melhor do Jazz e da Música Popular Brasileira!

Nota: Para ver os títulos e autores das faixas, instale o programa winamp. Vc pode baixá-lo diretamente clicando em Baixar Winamp .


Devolução

JNR

Socorro, ok!
Você ganhou!
Eis o espólio,
E nem precisará violar a obra.

Reminiscências



Quem lembra já atravessou o cabo das tormentas dos 50. Festival da Canção do Cariri, 1975. Apresentação do grupo composto por ( da esquerda para direita) : Marigélbio, George Lucetti e Tobinha.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

José Reis Carvalho : Os Olhos do Cariri

“Grandes baixos-relevos servem de friso a um intercolúnio dórico grego, que, indo de nível ao grande soco do templo, produzem um efeito admirável: estes baixos-relevos representam troféus de armas antigas, e o que há de mais notável, além da composição variada e fidelidade do caráter, é a perfeita ilusão que causam, vistos à certa distância; honra seja dada ao Sr. Professor José dos Reis Carvalho, e honra a M. Debret, que deu ao Brasil um artista tão distinto.”
(Coroação e Sagração de D. Pedro II)
“Jornal do Commercio” de 20 de julho de 1841



“Os (artistas plásticos) que mostraram maiores possibilidades foram Francisco Pedro do Amaral, pintor e arquiteto, que decorou os palácios imperiais e executou os belos frescos da sala dos filósofos na Biblioteca Nacional, bem como os arabescos do palácio de D. Maria; Cristo Moreira, pintor de marinha e professor de construção naval; Simplício, professor dos príncipes, excelente retratista; José dos Reis Carvalho, paisagista e professor de desenho na Escola Militar e José dos Reis Arruda, secretário da Academia de Belas-Artes. E talvez me seja permitido colocar-me entre os meus condiscípulos, eu que vim a Paris para aperfeiçoar-me.”
Jean Baptiste Debret(1768-1848). Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil

“A maior das coleções de aves depositadas no MUSEU NACIONAL DO RIO DE JANEIRO no século passado teve origem nos trabalhos da Comissão Científica de Exploração pelo Estado do Ceará e deu entrada na instituição em meados de 1862. A própria biblioteca do MNRJ teria sido iniciada julho de 1863 com volumes antes pertencentes ao patrimônio da Comissão (Cunha, 1966). A Comissão foi a primeira das iniciativas genuinamente brasileiras que objetivou explorar as riquezas naturais do país”.
José Fernando Pacheco (Atualidades Ornitológicas, No. 67 e págs 6-7)




José dos Reis Carvalho (1800-1872?) certamente foi um artista plástico da maior nomeada. Aluno do grupo de 21 alunos fundador da Classe de Pintura da Academia Imperial de Belas Artes(1826) e discípulo de Jean Baptiste Debret(1768-1848) . Na exposição de mestres e alunos organizada por Debret em 1828 expôs quatro obras: Prisão (pintada no teatro, a partir de uma cena do balé Usurpador Punido, de Montani), segunda Prisão, essa copiada de Debret, Marinha, também cópia de Debret, e um Grupo de Frutas e Flores do País, no gênero em que tanto se destacaria. Das Exposições Gerais de Belas Artes participou Reis Carvalho raramente, exibindo trabalhos na de 1843 e na de 1865, ocasião em que lhe foi concedida medalha de ouro, distinção idêntica à recebida por Pedro Américo. Tão importante foi o Reis que se o vê citado na epígrafe deste artigo pelo próprio Debret na sua Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil(1834 – 1839) e em artigo sobre a Coroação e Sagração de D. Pedro II, quando sua arte inundou de cores e baixo-relevos a varanda do paço imperial. Sabe-se , também, que o Carvalho foi tenente e professor de Desenho na Escola da Marinha.Saiu do seu pincel um quadro muito conhecido “A Estrela de Caxias” demonstrando a passagem de um cometa no Rio de Janeiro em 1863(Figura 1).

Por incrível que possa parecer, muitos mistérios rondam a sua biografia. Há indícios históricos demarcando o nascimento em 1800, no Ceará e falecimento, no interior do Rio de Janeiro, em 1872, embora existam relatos de trabalhos seus datados de 1884, denotando que o nosso pintor teve uma longa e produtiva existência.
Além da suposta nacionalidade cearense , um fato histórico une a trajetória de Reis Carvalho intimamente aos nossos verdes mares bravios. Ele foi o pintor oficial da “Comissão Científica Exploradora”. Em 1856, sob a iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), do Rio de Janeiro, criou-se uma comissão de engenheiros e naturalistas com a finalidade de explorar as regiões mais recônditas do Império, colhendo material com que pudesse engrandecer o Museu Nacional e, por outro lado, investigar a possibilidade de jazidas de minerais preciosos. Essa expedição científica, batizada pela imprensa oposicionista, de «Comissão das Borboletas», escolheu como palco inicial de seus trabalhos a província do Ceará . As sessões do IHGB - da qual costumeiramente tomava parte S.M. O Imperador Pedro II - foram o ponto de partida para a estruturação da «Commissão Scientífica de Exploração», formada , oficialmente, em 17 de julho de 1856. Além de Carvalho, compunham a Comissão: Seção de Botânica e presidência geral da Comissão, Dr. Francisco Freire Alemão( 1797-1874 ); Seção de Mineralogia/Geologia, o Dr. Guilherme Schüch Capanema(1824- 1908) ; Seção de Zoologia, Manuel Ferreira Lagos(1816-1871); Seção Astronômica/Geográfica, Giacomo Raja Gabaglia(1826-1872) e, finalmente, na Seção Etnográfica e Narrativa da Viagem ,o príncipe dos poetas brasileiros, o maranhense Antonio Gonçalves Dias(1823-1864), além de um volumoso número de auxiliares. Como se pode facilmente depreender, escolheu-se a nata científica da época, nas diversas áreas para compor a Comissão Científica.
A Comissão aportou em Fortaleza em 04/02/1859 e após seis meses de permanência na capital, onde os membros das várias seções empreendiam excursões às serras próximas, foi realizada a primeira viagem ao interior na segunda quinzena de agosto. Segundo itinerário divulgado por Freire Alemão (1862, vide Fac-Símile do Relatório Final , Figura 2)

e citado por Pacheco foram as seguintes localidades visitadas com as respectivas datas: em 16 de agosto as seções botânica e zoológica saíram da cidade de Fortaleza com destino à cidade de Aracati,
onde chegaram em 27 do mesmo mês e aí permaneceram por vinte e três dias. Em meados de setembro, aproveitando as ribeiras do Jaguaribe, adentraram até a cidade de Icó, onde chegando no dia 7 de outubro estacionaram por quarenta dias. Neste trajeto fizeram parada em Pedras Russas , atual Russas.

A seguir visitaram por doze dias a localidade de Lavras da Mangabeira.

Deixando Lavras em 3 de dezembro chegaram em Crato no dia 8 onde se fixaram até abril de 1860. Neste período aproveitaram para explorar detidamente a Chapada do Araripe, realizando breves visitas no lado pernambucano da região dos Cariris. Em maio partiram de Crato em direção à Serra do Baturité atravessando o centro do Ceará, com paradas em Assaré, Saboeiro, Tauá, Serra Grande (divisa com o Piauí), Inhamuns, Mombaça e Quixeramobim. Entre junho e agosto exploraram a Serra de Baturité. Somente em 9 de outubro de 1860 a Comissão tomou o destino do oeste para explorar a região limítrofe com o Piauí, em sua segunda peregrinação. Em 1º de dezembro alcançaram Viçosa do Ceará - na época Vila Viçosa - onde permaneceram todo o mês com o intuito de explorar a região da serra do Ibiapaba. Em seguida exploraram a serra de Meruoca (2 de janeiro de 1861), os arredores de Sobral (9 de janeiro) e vizinhanças de Canindé (29 de janeiro). Em fevereiro retornaram à serra de Baturité onde permaneceram trabalhando até o dia 17 de maio. A Comissão, pois, percorreu detalhadamente inúmeros recantos geográficos do Ceará e seus trabalhos se estenderam por dois anos e cinco meses: de 26 de Janeiro de 1859 a 13 de Julho de 1861, tendo saído da paleta de José dos Reis Carvalho o registro artístico de toda viagem.
A passagem da Comissão Científica pelo Crato, de 8/12/1859 a Abril de 1860, remexeu um pouco com o provincialismo da Vila de Frei Carlos. A todos marcou a simplicidade dos nossos cientistas, contrastando com a arrogância do feudalismo local. João Brígido , fundador do nosso primeiro jornal: “O ARARIPE” , fez-se cicerone dos visitantes: Francisco Freire Alemão , Manuel Ferreira Lagos, João Pedro Villa Real, Lucas Antonio Villa Real, Guilherme Schütz de Capanema, João Martins da Silva Coutinho, Giacomo Raja Gabaglia, Soares Pinto Rabelo, Borges de Castro, Antonio Gonçalves Dias e Manuel Freire Alemão de Cisneiros( Médico). Brígido, profundo conhecedor da história caririense, instrumentou a Comissão de inúmeras e preciosas informações sobre o modus vivendi sulcearense. Gonçalves Dias apaixonou-se pelo verde e pelas fontes prazerosas dos nossos pés de serra , tendo inclusive pensado em comprar terras no Crato, sonho que, infelizmente, não se pode tornar realidade, talvez até porque a morte já o espreitasse e tenha calado sua voz apenas quatro anos depois da sua visita ao Cariri. Algumas das descobertas feitas pela Comissão Científica por aqui foram publicadas em “O ARARIPE” , como no número 212 em que se relata que Capanema encontrou algum chumbo no Sítio Fundão. Freire Alemão de Cisneiros publicou ainda artigos em que criticava a cadeia pública da cidade que julgava uma verdadeira “câmara de torturas” . Como médico descreveu ainda alguns poderes terapêuticos de plantas regionais. O “velame” citado como anti-sifilítico, levantando a possibilidade de curar carbúnculos, embora necessitasse de observações mais minuciosas.Reportou-se ainda à “jurema”, que afirmava agir especialmente “sobre o aparelho cerebral”.
Não há relatos claros sobre a presença de José Reis Carvalho em terras caririenses, possivelmente porque os artistas fossem considerados meros agregados da Comissão, uma espécie de membros do grupo de apoio. O certo é que Reis aqui esteve e deixou sua presença indelével na nossa cidade quando pintou a primeiro registro pictórico que se conhece de Crato, uma linda aquarela de 22X49cm, hoje uma peça preciosa do acervo do nosso Museu municipal.

Nela observa-se toda a cidade a partir do Barro Vermelho e junto com sua assinatura o texto, em perfeita letra manuscrita: “Vista da Cidade do Crato em 14 de Março de 1860” . Lá nos defrontamos com um Crato

provinciano novecentista : a praça, a cadeia pública, o Senado, o primeiro sobrado , a Rua Grande, a Matriz com uma só torre( a outra só seria construída em 1909).Esta peça de Carvalho prima não só pela arte e perfeccionismo de um artista maior, mas pelo pioneirismo. Não bastasse isto, faz parte ainda do acervo do nosso museu uma outra belíssima aquarela de 22X63 cm da cidade de Fortaleza datada cuidadosamente de 04/02/1859, ou seja do mesmo dia em que a Comissão, historicamente, aportou na nossa Capital, vindo do Rio. Reis ainda subscreveu-a: “Vista exterior da Cidade de Fortaleza, copiada a bordo do vapor Tocantins à chegada da Comissão Científica por José Reis Carvalho em 4/02/1859” . Existe ainda uma outra importante obra no nosso Museu , feita pelo Reis, em mal estado de conservação, um Desenho a Lápis de 20X56cm do vilarejo “Parahyba do Norte”, atual João Pessoa e à esquerda grafado: Cabedelo e datada de 1861, pintada, certamente, na viagem de volta da Comissão mui provavelmente o esboço de uma aquarela a ser finalizada posteriormente.

A importância de histórica do trabalho de Reis Carvalho é inequívoca. Não há qualquer gravura representativa da cidade do Crato, anterior à sua. A Comissão tirou muitas fotografias na viagem ( tecnologia que tinha sido desenvolvida, mui recentemente, na década de 1840). Um episódio misterioso e trágico, no entanto, fez com que todo o acervo se perdesse. Capanema, na região norte do estado, nas proximidades de Granja ,embarcou roupas, aparelhos científicos , notas , apontamentos , livros e quatro álbuns fotográficos, no iate “Palpite”. Quando navegava para Fortaleza, levando consigo o valioso material, na altura de Barrinha, o barco afundou em 13/03/1861. Junto naufragou uma importante fatia da história do nosso estado. Assim, a fotografia mais antiga, denotando panoramas da nossa cidade, que eu conheça, data de 1889.
O Museu Histórico Nacional, ciente da importância do nosso pintor, produziu a exposição itinerante "Memória Cearense", com reproduções fotográficas de aquarelas e desenhos de José dos Reis Carvalho. São 32 pranchas, sendo 15 aquarelas e 17 desenhos, realizados por José dos Reis Carvalho no período de agosto de 1859 a julho de 1861, que documentam a paisagem e o cotidiano de inúmeras cidades do Ceará.Possivelmente, a maior parte dos trabalhos que foram coletados por Renato Braga no seu clássico “História da Comissão Científica de Exploração” . A saber: 1- “N.Sra. da Conceição do Outeiro”; 2-“Missões do Padre Agostinho, junto à Igreja de N. Sra. Da Conceição”; 3- “Paiol da Praia”; 4- “Matriz de N. Sra. Da Conceição na Villa de Cascavel(1859)”; 5-“N.Sra. do Ó, na Villa de Cascavel(1859); 6-“Matriz da Villa de Aracati(1859)”; 6-“Casa da Câmara e Cadeia na Cidade de Aracati(1859); 7- “Morro do Cumbe, Aracati(1859); 8-“Moinho de Vento, Aracati(1859);9- “Igreja de N. Sra. Do Rosário, Aracati(1859);10- N. Sra. Dos Prazeres, Aracati(1859);11- “Matriz da Cidade de Aracati”; 12- “Igreja do Bonfim, Aracati”; 13- “Serra do Areré, à margem esquerda do Jaguaribe”; 14- “Entrada da Caverna da Serra do Areré(1859); 15-“Estação de Carros no Sertão”; 16- “Jequi, povoação no distrito de Aracati(1859)”; 17-“Pedra Russas I (1859)”; 18- “Pedra Russas II”; 19- “Pesca das Piranhas em Russas(1859)”; 20-“Igreja Matriz na Cidade de Russas(1859)”; 21-“Tabuleiro da Areia, Russas(1859)”; 22- “Boa Vista- povoado e capela na freguesia do Riacho do Sangue(1859); 23-“Povoado de Jaguaribe-Mirim(1859)”;24-“Vila e Freguesia de Pereiro(1859)”; 25-“Boqueirão de Lavras”; 26- “Villa de S. Vicente Ferreira das Lavras da Mangabeira”; 27-“São Benedito , na Venda Grande”; 28-“N. Sra. Do Rosário, na Villa de Tauá(1860)”; 29- “Lugar chamado Fortaleza, em Sobral(1861)”; 30-“Barriga, Serra Pedregosa, a leste de Sobral(1861)”; 31- “Cerca de Caiçara ou Mourão”;32- “Cerca de Mourão furado, cerca de pau a pique, cerca de talo em pé, cerca de caiçara”; 32-“Igreja, sem referência(Figura 7)” ; 33- “Casa sem referência”; 34- “Casarões sem referência”; 35- “Pedra sem referência”; 36-“Casa com mulheres sentadas, sem referência” ; 36- “Figura humana com pilão ao canto, sem referência”.

Muito provavelmente as três pinturas presentes no Museu de Crato são totalmente desconhecidas do mundo artístico e sequer são citadas como integrantes do acervo do pintor. São estas três , também, as mais esmeradas do todo que restou da Comissão Científica.Duas aquarelas e um desenho a lápis grandes e panorâmicos das três cidades e, ao menos as aquarelas, em bom estado de conservação. O Crato possui, assim , sem que ao menos o saiba, um tesouro no seu Museu e precisa cuidar na sua preservação uma vez que tantas obras importantes foram já surrupiadas sem que se tenha tomado nenhuma providência legal no sentido de recuperá-las.
José Reis de Carvalho, pintor renomado no Império ,esmerou-se em criar a primeira gravura que se conhece da cidade de Crato. A Capital da Cultura não faz jus a seu pioneirismo. Nenhuma homenagem foi prestada ao nosso pintor. Em 2009 se comemorará o sesquicentenário da vinda da Comissão Científica Exploradora ao Cariri. O Crato pode se redimir um pouco do descaso histórico. Montemos uma programação comemorativa, instalemos aqui, em parceria com o Museu Histórico Nacional, a ”Exposição Itinerante Memória Cearense” , acoplando as três mais importantes obras de Reis, pertencentes ao nosso Museu. Inauguremos ainda uma galeria permanente com o nome do grande pintor José Reis de Carvalho. Seus olhos embevecidos fixaram a imagem mais duradoura do Crato, no Século XIX e a transferiram para a tela , nos permitindo admira-la, hoje, com aquele mesmo enleio e encanto que assaltaram a Comissão Científica ao ver desfraldar-se a verdejante chapada com suas fontes límpidas e cristalinas, banhando aqueles idos memoráveis de 1860.


J. FLÁVIO VIEIRA

Aquele que virou anjo!

Eu gostaria que cada um dos que conheceram Normando, no campo "comentários" , escrevesse a respeito dessa convivência. Na próxima semana eu publico todos os textos.

RISCOS POÉTICOS


Socorro Moreira
Meu sonho inacabado pede costura
meu coração pede sangue
correndo feito criança
nas veias do desejo...

Volta, gota da minha folha!

Impossível ser zen
numa noite profana
impossível expulsar
o anjo que me acompanha!

as vezes deixo todas as velas ao vento
perco controle e velocidade
e deixo o mundo pensar
que ganhou a guerra!

Um sonho termina,
outro começa
quem diria
que esta tarde escurecida
fosse a minha paz?

Meu amor é teu
eco de todos os narcisos
ensina-me a dizê-lo
ensina-me a tê-lo!

Se a noite está do lado de fora
ela que cuide das estrelas
não sei olhar o céu
enquanto você não chega...

A FOTOPOESIA DE UMA INSÔNIA

A madrugada acordou em mim.
Meus olhos, ping-pongueiam de um lado para o outro.
Seria ânsia, idade?
Galos, oh! Desorientados pavaroteiam,
Irrompendo o silêncio com suas óperas!
Porque não há relógios nas paredes do céu?
Hoje, as carruagens de fogo não cruzaram o fundo do mar!
As fadas não colheram cajus em meu quintal!
A Gisele não tocou a companhia, com isso,
Não rubriquei os lençóis em devaneios Domjuânicos.
A madrugada acordou em mim e,
O pesadelo fora de aviões bombardeando
Os subterrâneos da minha alma!
Autoretrateio-me, sob a luz azul da lua do criador
E a amarelo queimado de um lampião Rayo-Vac,
Da indústria moderna dos homens!
Na fotografia entre paredes e grades não reclamo
Da liberdade, da minha sugestiva nudez, estou puro!
Minha cama pegou no sono e dorme na minha ausência!
São 2.40hs Am, de um dia qualquer no calendário cristão.
É incrível como a noite escreve poemas... e, os poetas assinam!

Pachelly Jamacaru

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Ateliê: José dos Reis Carvalho

Vista da Cidade do Crato, em 14 de março de 1860, numa aquarela de José dos Reis Carvalho.















(foto reprodução:Jackson Bantim)

Fanfic




“Fanfic” é o termo inglês para designar “ficção de fãs”, as histórias escritas pelos fãs de determinado autor, série de TV, quadrinhos, etc., utilizando os mesmos heróis. Sempre existiu, mas se propagou exponencialmente com a Internet, o espaço ideal para a fanfic, que é por definição uma coisa feita por gente desocupada, fanática, e sem a menor ilusão de ganhar dinheiro com o que escreve. Escreve por puro prazer, puro deleite. O processo é basicamente o seguinte: você lê um ou vários livros e se apaixona por aquela história, aqueles personagens, aquele universo inteiro. Fica esperando mais livros, mas eles não aparecem, seja porque o autor já morreu, ou porque foi escrever outras coisas. O que você faz? Você começa a escrever novas histórias ambientadas naquele universo.
Há quem diga que o primeiro “fanfic” famoso foi a continuação espúria do “Dom Quixote” que saiu em 1614, assinada por um tal de Avellaneda, provocando tal indignação em Cervantes que o levou a escrever a II Parte do livro, onde ele senta o malho no plagiador. Não existe neste caso a relação de fã (“Avellaneda” também abre seu livro falando mal de Cervantes), mas aí está presente o mecanismo básico: adotar para si universo e personagens alheios, e escrever novas histórias. De minha parte, acho que o personagem que desencadeou de vez este processo foi Sherlock Holmes. Já em meados do século 20, a quantidade de histórias sherlockianas escritas por Conan Doyle era uma fração ínfima do que se publicava.
Hoje, o universo de Harry Potter é o que tem dado origem ao maior número de “fanfics”. Alguns anos atrás, este posto era ocupado pelas histórias dos universos de “Star Wars” e “Star Trek”. A imensa maioria de tais textos é escrita por adolescentes, sem o menor propósito “literário” e sem a menor esperança financeira. Este último item diferencia a “fanfic” das adaptações e reescrituras feitas por escritores profissionais, utilizando personagens que estão em domínio público. Se Stephen King ou Isaac Asimov escrevem histórias de Sherlock Holmes (como já o fizeram) não é “fanfic”, é literatura profissional.
A Internet é um maracanã de saites dedicados à fanfic. Um dos mais interessantes, que fornece links para todos os textos, é o FanFiction.net (http://www.fanfiction.net/book/). Há um longo índice de personagens/universos, com o número de textos catalogados. A seção recordista atualmente é “Harry Potter” com 306 mil títulos, seguido pelo “Senhor dos Anéis” com 40 mil. Mas o menu é variado: “Sherlock Holmes” tem 720, “Shakespeare” tem 976, “Homero” tem 168, “A Bíblia” tem 2.269, “Charlie e a Fábrica de Chocolate” tem 668, “Desventuras em Série” tem 1.227, “Os Miseráveis” tem 1.484, “O Fantasma da Ópera” tem 8.009, “Alexandre Dumas” tem 177, “Código Da Vinci” tem 206, “F. Scott Fitzgerald” tem 64, “Jane Austen” tem 687, “Charles Dickens” tem 182... Mãos à obra, jovens escritores. As possibilidades, como sempre, são infinitas.


Braulio Tavares

Braulio Tavares é escritor e compositor, e este artigo foi publicado em sua coluna diária sobre Cultura no "Jornal da Paraíba" (http://jornaldaparaiba.globo.com).
E-mail: btavares13@terra.com.br

AFRO-BEAT E OUTRAS DESCOBERTAS


Sempre fui cabeça dura. Um sacana cabeça dura mesmo. Sempre preferi dar uma excessiva importância ao que eu pensava, o que chamava de minha opinião. Era foda.

Não que hoje isso tenha mudado tanto assim. Mas antes era pior. Nas pequenas coisas, escolhas e outras ondas, mantinha o pé firme e dava um sonoro foda-se. Com música não era diferente. Eu curtia o rock and roll, somente. Nada mais - mesmo que de uma forma discreta, muito particular.

Mas aí uns amigos vão mostrando novidades, ondas, música de qualidade. Como Gillespie.

O cidadão da foto é um desses músicos geniais que surgiram por aqui. Isto, aliado a uma história de vida bastante incomum e particular, fizeram dele um item obrigatório em meus ouvidos. Quando tô ouvindo um som.

Resolvi então partilhar com a moçada aqui uma pequena matéria falando da vida de Fela Kuti. Junto do texto, de quebra, uns cd's. Pra conferir o que tô dizendo.

Clica aqui.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Fazendinha Planaltina



Na fazendola, as galinhas se mostraram bastante preocupadas com os últimos acontecimentos. Misteriosamente, vinham desaparecendo pintos e frangos sem que ninguém entendesse como se justificava a reiterada falta de penosas todo santo dia, quando o garnizé, à tardinha, fazia a chamada. Depois, também, os patinhos começaram a não mais aparecer, após o banho matinal no açude. Os capotes, embora mais ariscos, não demoraram a perceber que seus filhotes , também, passaram a rarear no terreiro. Até os gansos que possuem alarme de segurança, foram levados ao desespero quando não mais conseguiam, no fim do dia, reunir todos os gansinhos para a dormida. Não bastasse isto , qualquer deslize no ninho mostrava-se fatal, os ovos encubados eram tragados sofregamente por uma língua trelosa e sorrateira. Preocupados com aquele mistério, todos os bichos de pena da fazenda, resolveram fazer o I Congresso das Aves da Fazenda Planaltina, com fins de discutir a gravidade do assunto. Por mais de sete dias, o debate rolou acalorado e várias hipóteses foram levantadas, na tentativa de explicar o extravio de tantos e tantas avezinhas em tão curto espaço de tempo. O grupo mais organizado era justamente o das “Penosas da Roça de Alho” que reivindicavam medidas prontas para desvendar o desaparecimento de seus filhotes queridos. A hipótese mais aceita apontava como culpado o “Cassaco” que andava meio desconfiado nos últimos dias. Além disso, se descobriram evidências e provas do crime: um montão de penas de aves no quintal da sua casa e o aumento visível do seu peso nos últimos meses. Com o desdobrar das investigações se conseguiu um testemunha chave: a Doninha que havia namorado o Cassaco e inclusive tinha um filho dele. Separada, cabulosa,odiada por Dona Cassaca, ela informara : ele era o culpado e afirmava, categoricamente, ter presenciado ao menos um dos crimes : a comilança de três marrequinhos na parede do açude.
De posse de tantas informações, as aves resolveram contratar o papagaio como promotor e entraram com um processo contra o Cassaco justamente o acusando da morte dos três marrecos, crimes dos quais tinham uma testemunha ocular do ato perpetrado. O Supremo Tribunal dos Animais Planaltinos (STAP) a contragosto o processo. O Gavião foi convocado como relator. Os dias se passavam e nada de aparecer o Relatório final para votação. As aves começaram a pressionar e o gavião renunciou . Então o Leão, do alto de sua majestade, convocou o Carcará como novo relator. As aves novamente se revoltaram com mais uma demora. Não bastasse isto , havia desconfiança generalizada quanto à lisura dos trâmites legais, pois o Cassaco fazia parte da Mesa Diretora do Tribunal. Finalmente , depois de muitos e muitos meses, o Pleno resolveu se reunir para julgar o processo. As aves não tiveram acesso à votação secreta. Lá dentro o Leão presidiu o Tribunal do júri composto pelos ministros : a onça, o gato do mato, a raposa, o cachorro, o teju, o lobo, o gavião. O Carcará apresentou seu relatório inocentando totalmente o Cassaco por absoluta falta de provas. O papagaio pediu, data vênia, a condenação do réu, após invocar o testemunho ocular da Doninha. Após a votação secreta, o Cassaco foi julgado inocente por 7 a 0. As aves , em verdade, pelo andar da carruagem e pelo júri, não esperavam um resultado favorável. A sentença, no entanto, pronunciada solenemente pelo Leão, deixou todos estupefatos : Os três marrecos desaparecidos foram sentenciados, a revelia, à prisão perpétua e o papagaio sentenciado a dois anos de prisão, em regime fechado, devendo ser recolhido à casa do Cassaco que a partir daquele momento passou a ser seu fiel depositário. A Doninha, famosa, semana passada ganhou uma grana preta, posou nua para a revista masculina “ Play Boi”. As aves continuam ciscando sobre o próprio excremento e contando as baixas.


J. Flávio Vieira

Antene-se !!

Até quando?


A Mata do Fundão pegou fogo. Segundo um jornal do Ceará, mais de cinqüenta por cento da pequena reserva florestal virou cinza. Pouca gente que não é do Crato conhece a Mata do Fundão e sabe o que ela significa: um oásis sobrevivendo em meio ao crescimento desordenado da cidade. Maltratada, a pequena floresta não recebia nenhum cuidado dos cidadãos cratenses, nenhuma atenção do proprietário, nem do poder municipal. Foi incendiada na brincadeira, como se risca um palito de fósforo.
Até bem pouco tempo, via-se muitas espécies de macacos pulando nas árvores do Fundão. E passarinhos e animais de pequeno porte. Quando chove, o rio Batateiras ainda corre com suas águas barrentas, formando remansos e cachoeiras no meio da mata. Ele desce a chapada do Araripe, a serra que circunda o cariri cearense e foi transformada na primeira reserva florestal do Brasil. Os romeiros que visitam Juazeiro do Norte, terra do Padre Cícero, se assustam quando avistam o verde da chapada, depois de atravessarem léguas de desertos. É um milagre ameaçado de desaparecer, como a Mata do Fundão.

Dizem que os índios cariris, os antigos habitantes dos lugares onde hoje crescem Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Missão Velha, Jardim, Brejo Santo e outras cidades do vale, taparam os minadouros das nascentes quando foram expulsos da terra, para que secassem. Se eles fizeram isso, as águas continuaram correndo. Somente nos últimos anos, com o desmatamento das encostas da chapada, o fluxo das centenas de nascentes começou a diminuir. Os mananciais que pareciam inesgotáveis se exaurem. Já não existe água em abundância, descendo pelas encostas. Tardiamente, o sortilégio dos índios cariris funcionou.

A história da pequena Mata do Fundão, incendiada como se fosse um traste inútil e incômodo, é igualzinha à história de milhares de outros incêndios criminosos, que acontecem todos os anos no Brasil. Ela mostra que na prática estamos longe de corresponder às pesquisas que nos apontam como um país preocupado com a preservação do meio ambiente. Educados num modelo de colonização predadora e extrativista, continuamos achando que os bens da terra são inesgotáveis e é possível tirar sempre, sem nada oferecer em troca.

A Mata do Fundão viveu protegida enquanto a população do Crato era pequena. Como a cidade ficava longe dos seus limites, a floresta parecia distante e inacessível; demandava uma viagem para alcançá-la. A proximidade dos centros urbanos tornou as florestas mais frágeis, porque a maioria das pessoas já não considera a natureza sagrada, nem possui conhecimento científico suficiente para lhe atribuir um outro valor e significado. Só é possível se relacionar com o mundo natural que nos cerca, sem prejudicá-lo, através do conhecimento ou do afeto.

Sem uma aura de sagrado a envolvê-la, a floresta é como um produto descartável, desses que se compra em supermercado. Pode-se usar e jogar fora; cortar, pisar e queimar. Pena que não se pode comprar outra, no supermercado mais próximo.




Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor. Escreveu Faca e Livro dos Homens. Assina coluna na revista Continente.
Do Site : Terra Magazine

Pra matar a saudade


BANDA FATOR RH

Final dos anos 80, Baile Rock à Fantasia, Bar Banho de Bica, em Crato, integrada pelo famigerado Lupeu (vocal), Marcos Lobisomem e Sergestes Tocantins (guitarras), Calazans Callou (baixo) e João Eymard (bateria).

"O Grão", de Petrus Cariry, estréia em Bogotá!

O filme "O Grão" , de Petrus Cariry, fará sua estréia internacional no XXIV International Festival de Cine de Bogotá (Colômbia), depois segue para Competição Oficial do Festival de Cinema Independent de Barcelona 2007(Espanha) e foi confirmado para a Mostra "Nuovi Orizontti" no XXII FESTIVAL DEL CINEMA LATINO AMERICANO DI TRIESTE (Itália).


VEJA O TRAILER CLICANDO O ÍCONE ACIMA.

Ezra Pound



E ASSIM EM NÍNIVE

Sim! Sou um poeta e sobre minha tumba
Donzelas hão de espalhar pétalas de rosas
E os homens, mirto, antes que a noite
Degole o dia com a espada escura.
Veja! não cabe a mim
Nem a ti objetar,
Pois o costume é antigo
E aqui em Nínive já observei
Mais de um cantor passar e ir habitar
O horto sombrio onde ninguém perturba
Seu sono ou canto.
E mais de um cantou suas canções
Com mais arte e mais alma do que eu;
E mais de um agora sobrepassa
Com seu laurel de flores
Minha beleza combalida pelas ondas,
Mas eu sou poeta e sobre minha tumba
Todos os homens hão de espalhar pétalas de rosas
Antes que a noite mate a luz
Com sua espada azul.

Não é, Ruaana, que eu soe mais alto
Ou mais doce que os outros. É que eu
Sou um Poeta, e bebo vida
Como os homens menores bebem vinho.

(tradução de Augusto de Campos)

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Mundo virtual pegajoso

Que mundo é esse em que acontecimento de novelavira notícia dos jornais mais importantes e os acontecimentos reais passam em branco perante o poder das autoridades? Aonde fomos parar com tanta tecnologia, meu Deus! Mundo de faz de conta, em que valem mais as versões do que a realidade. Quando se fala mais do que faz, e o povo passa mais tempo nas filas do assistencialismo do que no trabalho produtivo, para ganhar o pão de cada dia. E as lideranças viajam a propagar versões, invés de cumprir de conduzir os passos no conserto justo da ordem social!
E uma máquina eficiente parece tomar conta de tudo, o tal computador, agora integrado na televisão e no telefone, redes silenciosas que mandam nos números e nas mentalidades entorpecidas com a luta de viver e esperar.
A realidade mesma, esta permanece intacta, no aguardo das respostas do tempo, modo incoerente de produzir renovações, refém dos valores individuais que não se unem, civilização de zumbis em que tantos se transformam, bichos a gritar e pular numa festa de milhões, quais hordas bárbaras sem rumo certo de seguir.
Enquanto isso, grupos organizados da geração dos comerciantes da fé planejam tomar o poder através dos métodos modernos de conquistar mercados, em túnicas de cientistas, bancas dos destinos em que se reverte a bacia das almas, nas empresas de lobistas, espécies de máquinas de faturar corações desesperados. Corpos vazios em manobras de guerra invisível de governantes endinheirados e donos quase definitivos da hora e do plantão.
A juventude, que precisa de encaminhamento, corre aos estudos, na busca frenética do funil que apenas poucos atravessam com as faixas de campeões e os demais aplaudem, nos estádios cheios de cena, pão e circo.
Ninguém, contudo, esquece as belas palavras da democracia, liberdade, cidadania, igualdade, soberania, fraternidade, sobretudo aqueles que fazem do cardápio diário a mídia que serve de base à preservação da ecologia e do estado de coisas.
O sensacionalismo reverte em “modus operandi” as mazelas de dor, cheio de moral sem função, a fim de reclamar da pouca segurança de ruas e estradas, calvário de jovens, na sua maioria pobres, pretos e prostitutas, os três ppp da miséria brasileira. Falam qual nada tivesse com isso, como se não fossem também os responsáveis pela embriaguez que atormenta, neste todo único da Natureza.
Vozes que se levantam, logo em seguida, clamam roucas, isoladas na multidão enfurecida, por absoluta inexistência de fôlego. As prisões cheias revelam o drama dessa paixão atualizada de constantes sacrifícios e incompetência dos gestores da sociedade como um todo, um nada que adquire o poder à custa do aliciamento e da alienação, fase que antecede o desengano, fruto da inércia, da demagogia e da inconseqüência.
Este quadro explode nas vistas, em tão poucas palavras, que até revisá-las se torna objeto de segundo plano. Dizer impõe dever aos quantos ainda falam, a convidar para uma reflexão quanto a toda essa estrutura carcomida de homens inúteis e vaidosos, respostas caladas que viram grito pela manutenção da vida, nos grupos sociais aonde nos perdemos, nesta fase da longa história, às vezes a parecer sem nexo.
Sabe-se, entretanto, que haverá esperança na alma dos que acreditam no amor, na verdade e na justiça, que vêem e exercitam no Criador o poder de tudo. Mas que façamos a nossa parte nestes dias cinzentos, e firmemos o pensamento na Luz que iluminará a certeza dos finais felizes.


Emerson Monteiro

Agende-se!

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