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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

AOS MAIS OU MENOS PRECONCEITUOSOS

Felicito Carlos Rafael pela postagem - Coisas que todos querem saber, mas tem vergonha de perguntar - Sua idéia é genial, pois nos estimula a pesquisar, a pensar. Infelizmente na sua primeira indagação, depareime com colocações no mínimo infelizes e arraigadas de preconceitos, fiquei triste pois as colocações preconceituosas vieram de pessoas que jamais pensei que pensassem assim. Temos que nos livrarmos de ódios pessoais ou partidários e respeitarmos a trajetória de lideres por mais impossível que isso possa ser.
Luis Inácio Lula da Silva, acima de tudo é um cidadão, um brasileiro sofrido que conseguiu se projetar em cima de sua luta. A dignidade das pessoas não está marcada por ter este ou aquele grau de conhecimento escolar. Alegar que o Lula é analfabeto, no mínimo é ser PRECONCEITUOSO(A). Lula é aquilo que é por méritos próprios, não se pode crêr que o nivel escolar seja sobrepujado pelas experiências da vida, até porque o conhecimento escolar não nos faz mais ou menos importantes. A maior parte dos brasileiros, com formações superiores em níveis de Mestrado e Doutorado, não possuem minimamente o conhecimento que Lula tem da vida, da miséria, da fome, do Brasil, das lutas sindicais, etc... Portanto querer medir conhecimento somente com títulos acadêmicos é ser preconceituoso(A) e racista. Acreditar que quem não possui formação escolar é superior a este ou aquele com formação é tentar separar as classes, de forma preconceituosa. Lula é o que é por que é. Brasileiro acima de tudo, preparado para dirigir o País, que está saindo de um atoleiro, não por culpa da formação cultural do FHC, mas sim pelas alianças que o Mesmo firmou com o capital estrangeiro.
E o PRECONCEITO é alimentado de quem você menos espera!

Saudações Geográficas!
João Ludgero

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Livro revela dinheiro da CIA para o entreguista FHC

Por: RastreadoreS de ImpurezaS
A obra da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (editada no Brasil pela Record, tradução de Vera Ribeiro), ao mesmo tempo em que pergunta, responde: quem "pagava a conta" era a CIA, a mesma fonte que financiou os US$ 145 mil iniciais para a tentativa de dominação cultural e ideológica do Brasil, assim como os milhões de dólares que os procederam, todos entregues pela Fundação Ford a Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do país no período de 1994 a 2002.
O comentário sobre o livro consta na coluna do jornalista Sebastião Nery, na edição deste sábado do diário carioca Tribuna da Imprensa. "Não dá para resumir em uma coluna de jornal um livro que é um terremoto. São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas: "Consistente e fascinante" (The Washington Post). "Um livro que é uma martelada, e que estabelece em definitivo a verdade sobre as atividades da CIA" (Spectator). "Uma história crucial sobre as energias comprometedoras e sobre a manipulação de toda uma era muito recente" (The Times).
Dinheiro da CIA para FHC

"Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o Cebrap". Esta história, assim aparentemente inocente, era a ponta de um iceberg. Está contada na página 154 do livro "Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível", da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O "inverno do ano de 1969" era fevereiro de 69.

Fundação Ford

Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura havia lançado o AI-5 e jogado o País no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. Até Juscelino e Lacerda tinham sido presos. E Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, sabia-se e se dizia que o compromisso final dos americanos era de 800 mil a um milhão de dólares.

Agente da CIA

Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana. Com o economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro "Dependência e desenvolvimento na América Latina", em que os dois defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos.
Montado na cobertura e no dinheiro dos gringos, Fernando Henrique logo se tornou uma "personalidade internacional" e passou a dar "aulas" e fazer "conferências" em universidades norte-americanas e européias. Era "um homem da Fundação Ford". E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA.

Milhões de dólares

1 - "A Fundação Farfield era uma fundação da CIA... As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos... permitiu que a CIA financiasse um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas" (pág. 153).
2 - "O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça..." (pág. 152). "A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria" (pág. 443).
3 - "A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares... Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos... com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos" (pág. 147).

FHC facinho

4 - "Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante" (pág. 123).
5 - "Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritorios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil" (pág. 119).
6 - "A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana" (pág. 45). Fernando Henrique foi facinho.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

E o destino desfolhou... - Por: Jorge Carvalho

Título de uma canção da época de ouro da musica popular brasileira. A minha cidade natal (Crato) alcançou, em épocas passadas, seu “apogeu”, referência em vários setores. A educação foi seu “carro chefe”, sua identidade geográfica. Quantos e quantos de vários locais do nosso Nordeste procuravam o Crato para estudar, tanto em nível médio, como superior. Realidade comprovada por hoje a cidade sediar a reitoria e maior parte dos cursos da nossa Universidade Regional. Até os anos 80 realizávamos a mais famosa feira do interior; aconteceu em nossas ruas, nossos clubes sociais o mais festejado carnaval do interior nordestino. A saúde foi referência para todo o Nordeste com seus hospitais pioneiros, casas de saúde (hoje Barbalha nos ultrapassou); o futebol revelou craques e foi respeitadíssimo em toda região Nordeste, tanto o de salão quanto association (campo) – a liga cratense de desportos mudou até de nome. Tínhamos industrias de “peso” e um comércio de impacto, de uma pujança enorme. Fomos pioneiros na comunicação radiofônica (Rádio Araripe), no jornal escrito, no cinema, no teatro. Nossas praças eram de beleza ímpar (saudosa fonte luminosa), nosso patrimônio arquitetônico era exuberante. Nossa juventude exibia vigor, civismo, criatividade (festivais da canção, jogos intercolegiais, carnaval, futebol, volei, movimentos culturais...). Nossa festa da Padroeira, comandada pela liderança carismática do Monsenhor Rubens era só alegria, confraternização, devoção religiosa, leilões... (alô, alô, Bantim!). Nossa festa do Centenário foi de uma realização e empolgação jamais vista em nosso meio. Patrimônio arquitetônico dilapidado, antigo aeroporto abandonado há décadas, ao léu, antigo matadouro em ruínas, praças sucateadas (O Cristo Rei há quase 8 anos em estado de abandono, relógio sem funcionar) favelamento acelerado (ausência de políticas públicas no setor habitacional). Em quase cinco anos da atual gestão, nenhuma escola foi construída (nossa evasão escolar é altíssima), nosso estádio, construído há 27 anos, não concluído. Nosso carnaval acabou, nossa feira semanal perdeu a sua identidade... A saudade de tempos empolgantes, felizes para nosso povo nos remete a pensar no marasmo, no pessimismo que percebemos presente nos olhos de tantos cratenses enganados, humilhados, traídos por gestores descomprometidos com o social, com o bem estar, com um melhor nível de vida para uma população ordeira, trabalhadora, honrada. Representantes estaduais que só pensam em si, em projeção pessoal, melhor vida para meia dúzia de amigos. Uma classe política e empresarial egoísta, excludente. “Nossa gente hoje anda de lado e olhando pro chão” – diz a canção do Chico – espelho fiel de uma enorme população. Nos tiraram a “ALMA”. Como lembra a música acima citada como título desse artigo, somos bem semelhantes a uma árvore em pleno sertão nordestino, em meio um bravo verão: só os galhos (E o destino, infelizmente, desfolhou...).
Jorge Carvalho
Professor e Radialista

Zé Brasil

Por - Monteiro Lobato

Zé Brasil era um pobre coitado. Nasceu e sempre viveu em casebres de sapé e barro, desses de chão batido e sem mobília nenhuma _ só a mesa encardida, o banco duro, o mocho de três pernas, os caixões, as cuias... Nem cama tinha. Zé Brasil sempre dormiu em esteira de tábua. Que mais na casa? A espingardinha, o pote d’água, o caco de cela, o rabo de tatu, a arca, o facão, um santinho na parede. Livros, só folhinhas - para ver as luas e se vai chover ou não, e aquele livrinho na Fontoura com a história do Jeca Tatu.

A vida de Zé Brasil era a mais simples. Levantar de madrugada, tomar um cafezinho ralo ("escolha" com rapadura) , com farinha de milho (quando tinha) e ir para a roça pegar no cabo da enxada. O almoço ele o comia lá mesmo, levado pela mulher; arroz com feijão e farinha de mandioca, as vezes um torresmo ou um pedacinho de carne seca para enfeitar. Depois, cabo da enxada outra vez, até a hora do café do meio dia. E novamente a enxada, quando não a foice ou o machado. A luta com a terra sempre foi brava. O mato não para nunca de crescer e é preciso derrubando as capoeiras e os capoeirões porque não há que se entregue tão depressa com as terras de plantação.

Na frente da casa, o terreirinho, o mastro de Santo Antônio. Nos fundos, o chiqueirinho com capadete engordando, a árvore onde dormem as galinhas e a "horta" - umas latas velhas num jirauzinho, com um pé de cebola, outro de arruda e mais remédios - hortelã, cidreira e etc.No jirau, por causa da formiga.

A gente da cidade _ como são cegas as gentes da cidades !... Esses doutores, esses escrevedores nos jornais, esses deputados, paravam ali e era só critica: vadio, indolente, sem ambição, imprestável... não havia o que não dissessem do Zé Brasil.

Por que, Zé ?

sábado, 29 de agosto de 2009

A questão da corrupção

Por - Marcos Damasceno
Não entendi ! Alguém censurou esta postagem. O que aconteceu?

Últimamente tenho acompanhado muitas críticas aos governantes, relacionadas principalmente a corrupção. Será que estes que tanto criticam têm moral, e um passado limpo para tais críticas ?
A palavra corrupção deriva do latim corruptus que, numa primeira acepção, significa quebrado em pedaços e numa segunda acepção, apodrecido, pútrido. Por conseguinte, o verbo corromper significa tornar pútrido, podre. No Brasil existem pessoas honestas, mas há também pessoas (um número muito maior) sem ética e sem respeito pelo próximo e pela Pátria. Que só pensam em si mesmas. Neste caso, o egocentrismo (egoísmo) e o individualismo andam lado a lado. Existe um sistema de corrupção tão forte, que a falta de cumprimentos de leis e de valores morais estão exterminando os valores éticos brasileiros. É um problema de colonização, que em algumas regiões se deu pela via da emancipação e em outras pela via da exploração. Toda essa complexidade traz uma herança boa e outra ruim, moralmente falando. Dessa formação social surgiu também a formação moral de cada povo.
Devido às mudanças e circunstâncias comuns à vida coletiva, o surgimento de uma autoridade deveria ser natural. Seria um líder sem qualquer direito superior aos demais, porém não deixava de ser uma autoridade, onde sua opinião definiria o destino do grupo. Eram várias as situações em que se viu a necessidade de um líder. A partir do momento em que se formalizou a organização da sociedade, surgiram as normas, sejam estas codificadas ou não. Com a organização da sociedade, surgiu a relação representante/representado. Isso pra todas as instituições, todas as agremiações. Automaticamente surgiu também o poder. O poder de representar. Podemos observar isso em todas as sociedades humanas, as civilizadas e as selvagens, apresentam-se já organizadas, com um poder representativo permanente, ainda que rudimentar. Desde a antiguidade, o homem já tinha em mente a necessidade da sociedade submeter a um poder. Sob essa ótica, os homens públicos, sábios da época, asseguravam que a sociedade para sua integridade moral e para a ordem social necessitava das normas de um poder advindo de um líder, de um regime. Com isso, veio o verdadeiro sentido do poder: não a submissão de uns homens a outros, mais sim, o de todos os homens às normas de um poder ou de um regime. A formação do poder surgiria de um contrato entre os homens. Porém, a relação representante/representado vai mais longe, também são representados os defeitos e as qualidades de cada parte. As mentalidades, as visões, os anseios, as demandas. Progressistas e não progressistas (reflexo do atraso). O representante tem o perfil do representado, e vice-versa. A regra é esta. Dificilmente foge disso.
Outro fato relevante foi a influência, tradicionalmente, do poder econômico na escolha do representante. O capital intelectual muitas vezes é desprezado, prevalecendo o capital financeiro. Isso caracteriza uma “democracia monetária”. Porém, nos últimos anos vimos muitos de casos em que a formação social do poder se deu de maneira social/intelectual. No entanto, ainda são casos isolados. A representatividade precisa, em regra, ser melhorada, o homem precisa rever seus conceitos, a sociedade necessita de uma nova arrumação social. Não é novidade para ninguém ver o poder econômico influir nas escolhas representativas. É a pura realidade dos fatos. É a definição realística da situação. Segundo Rodrigo Rocha Loures, Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, ‘a questão da corrupção no Brasil é algo que tem suas bases no período colonial, tempo em tudo era das famílias ou da burocracia estatal. Um problema advindo da nossa colonização. É uma decorrência trágica, mas natural, desse traço cultural’. Implica dizer que, a corrupção está no nosso ‘DNA’, às vezes “recessivo”, às vezes “dominante”. O fato é que o nosso sistema sócio-cultural é corruptor. Vale salientar que, a corrupção nos representantes é fruto da corrupção na sociedade (representados). Existe muita hipocrisia nisso. Existem muitas pessoas corruptas exigindo honestidade, ética e decência; muitos representados corruptos exigindo representantes honestos, éticos e decentes. Constantemente pratica-se a corrupção financeira, moral, religiosa etc. Quer um exemplo bem comum? Alguns quando estão numa agência bancária querem cortar a fila. Isso é corrupção. E depois querem condenar a corrupção. Os mesmos que praticam a corrupção, corrompem, são os que exigem (com muito moralismo) a ética, a decência e a honestidade. Aí é onde mora a hipocrisia. Tenho em mente que se existe um corrupto, existe também um corruptor. Luis Fernando Veríssimo, disse ironicamente: “Brasil: esse estranho país de corruptos sem corruptores”. Enfim, a representação é o espelho dos representados. No julgamento de Jesus Cristo por Pilatos, o povo foi consultado: “Jesus ou Barrabás?” E o povo escolheu Barrabás para ser absolvido e Jesus Cristo para ser condenado. E o arrependimento é histórico. É o povo e suas escolhas. No processo de escolha sempre tem representantes éticos, decentes e honestos. E muitas vezes, são escolhidos, pelos representados, representantes corruptos.
Não quero, portanto, dizer que a culpa toda é do representado que escolhe. Mas a maior parcela é da sua responsabilidade. Em regra, a sociedade aceita, e de certa forma até convalida com a situação. Assistir à corrupção faz com que o cidadão passe a descrer da capacidade da Legislação do nosso País de coibir erros. Daí, quem age certo começa a se questionar se vale a pena andar dentro da Lei. Muitos mesmo com as mãos sujas da corrupção, ainda querem negar ou jogar a culpa para os outros. Vejamos um exemplo: aquele bandido de rua (como é conhecido) quando é abordado pela polícia, pego no flagrante, ao cometer um assalto diz: “Rapaz não sei de nada não. Eu tava bem aqui assim. Eu ando com minha mãe, oh doido... Eu nem gosto de sair de casa!”. Isso só ocorre pela brecha da impunidade. Nossa Legislação é subjetiva e frouxa. A corrupção existe no mundo todo. A impunidade que é algo nosso e o grande agravante. A sociedade está corrompida, mas o maior corruptor é a ideologia vigente. Efetivamente isso se deve àquelas imperfeições inerentes aos seres humanos. Ideais de justiça, igualdade e liberdade são sempre esquecidos quando está em jogo privilégios e manutenção (ou detenção) de poder.
Outro inibidor que pode ser adotado, como regra, para redução e/ou combate da má representatividade é a avaliação da procedência daqueles que desejam o pôster de representante pela Justiça. Um “nada consta”. Puxar a ficha de todos seus atos. E adotar-se regras rígidas quanto a isso. Igualmente quando vamos fazer um crediário, em que nossa ficha (procedência comercial) é vistoriada. Ou vamos adquirir um automóvel, em que a sua ficha documental é vistoriada. Dependendo da procedência (se boa ou ruim), o postulante ao cargo de representante deveria ter o direito de representar assegurado ou negado, dependendo da sua ficha (procedência judicial). Isso pelo senso comum dos bons costumes e da integridade físico-moral da sociedade.
Na nossa região (Região Nordeste) a sociedade era representativamente desorganizada, sem poder de força, de mobilização. Tínhamos um sistema representativo machista (não tinha espaço para a mulher), personalista (não tinha espaço para o jovem) e capitalista (cooptação de forças e corrupção do processo de escolha dos representantes através do capital financeiro). E ainda existia uma resistência ao novo, à mudança. Mas esta realidade está mudando. Estão surgindo outros valores culturais, conceitos morais, princípios éticos, outras normas comportamentais, frutos da socialização de informações, das tecnologias, da consolidação de sistemas democráticos, da estrutura midiática moderna que adota uma agenda positiva. Vejamos o exemplo do Portal SRN. Vivemos na atualidade a liberdade e a prosperidade. Temos nossos direitos societários garantidos pelo menos no papel. O problema foi reconhecido. Várias campanhas de conscientização. Uma sociedade mais organizada em classes, mais esclarecida e mais ativa. Enfim, uma série de fatores que contribuíram para a redução da interferência e influência do poder econômico no poder representativo. Houve avanço, no entanto, há muito que melhorar.
Para Tizuka Yamasaki, consultora espiritual, ‘o que diferencia uma pessoa de outra é o seu imaginário, a interpretação que dá aos fatos da vida’. Para tanto, está faltando consciência, e sobrando paciência. E consciência só adquire através de um processo conscientizador contínuo. O debate não foi feito ainda na dimensão ideal. Não temos tempo a perder. É hora de mudar. Mas mudar com responsabilidade. Mudar em cima do que pode dar certo. É possível transformar a nossa sociedade. É possível mudar esta realidade. Está na Bíblia, em Romanos 12.1-2: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente”. Conclui-se, porém, que a mudança de perfil da relação representante/representado, para aqueles que condenam a corrupção, só ocorrerá com a mudança de atitude. Agindo de forma honesta e legal. Para exigirmos a parcela de responsabilidade dos outros, temos que, primeiro, cumprir a nossa. Penso assim. Senão, vai continuar a demagogia, o cinismo e o maquiavelismo ainda existentes. A mudança social só será possível com a mudança pessoal de cada pessoa. Lanço o bordão: “Somos o que escolhemos”. E isso tem conseqüências, dependendo da escolha do representante pelo representado. Boas e ruins. Já dizia um pensador: “As escolhas que fazemos ditam a vida que levamos”. É preciso almejar novos caminhos. Sem palavrório falso, sem discursos inconsistentes e sem idealismo vazio. Tenho a certeza de que ainda existe espaço para a esperança e o otimismo em nosso meio social.
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NOTA DA ADMINISTRAÇÃO DO BLOGUE:
O Cariricult foi criado com o objetivo de ser um espaço de construção coletiva dedicado à livre expressão, independente de ideologia política, credo religioso ou qualquer outra opção ou orientação de pensamento ou estilo de vida. A única restrição que se possa fazer aqui é no tocante ao ataque pessoal de forma desrespeitosa e injusta. Portanto, nunca se admitirá qualquer tipo de censura ou restrição que seja à manifestação de pensamento ou ponto de vista, desde que seja devidamente assinado ou indicado a fonte.
Desconheçemos, por fim, a causa que levou o autor desta postagem a indagar a possibilidade de que tenha havido censura. Mas, refutamos, peremptoriamente, a priori, qualquer ação tolhedora do livre pensamento ( 05:01 de 30/08/2009).

sábado, 8 de agosto de 2009

A visão dos políticos

Lula é Aderaldo!
FHC Estiver Wonder não encherga muito bem!
Tasso é vesgo!
Nós somos os olhos?
Açude do São Domingo em Lavras da Mangabeira
Saudações Geográficas!
João Ludgero

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Que é um pelego ?

Por - Roberto Silveira

Estamos vivendo tempos de greves no Cariri, no Crato e no Brasil. E uma figura reaparece, o famoso e odiado PELEGO! Segue então algumas “qualidades” dessas tristes figuras que está presente em quase todos os movimentos e partidos políticos. O que se segue não é de minha autoria, e sim de Roberto Silveira.
Pelego é aquele trabalhador que se deixa montar pelo patrão; é o que não consegue reagir frente à humilhação; é quem não luta por seus direitos, por medo das conseqüências; é o pusilânime que se esconde atrás de desculpas esfarrapadas para justificar a própria covardia; o que não tem coragem de lutar, o puxa-saco de pai e mãe, o rapa-pés; o que se abaixa tanto que acaba mostrando o traseiro; o homem ou mulher sem espinha dorsal e que se dobra às intempéries da vida, o sangue-de-barata, o COVARDE, enfim, que se esconde atrás daqueles que lutam, aproveitando da peleja alheia como um parasita. A imagem que me vem à mente quando vejo um pelego é a de um RATO, andando pelos cantos, assustado e medroso. Pelego é aquele trabalhador que não sabe o significado da palavra solidariedade, o egoísta que não consegue ver nada além de suas próprias e momentâneas necessidades; é aquele trabalhador que, terminada a greve, não consegue olhar nos olhos de seus companheiros, porque sabe que é uma sub-pessoa, pedaço de gente, pois lhe falta uma parte essencial de todo ser humano que se preze: o brio, a coragem, o amor próprio, a nobreza, enfim.
Não há dinheiro no mundo que pague a dignidade, o fato de se olhar no espelho ao acordar e ver uma PESSOA (e não um covarde, como vêem os pelegos). Troco qualquer reajuste, qualquer vantagem, qualquer coisa pelo direito de ser um HOMEM, íntegro, modelo para meu filho, alegria de meus amigos, orgulho de minha companheira. Ser pelego? Deus há de nos livrar dessa sina miserável. Afinal, como dizia a saudosa Elis Regina, corajosa e lutadora, inflexível na defesa do que julgava certo, ?a gente pode até morrer teso, mas nunca perderemos a pose?. Tudo me pode ser tirado, mas não se pode tirar a coragem de lutar de uma pessoa decidida. Recuso-me a ter medo de viver. Quando preciso, lutarei novamente, com tranqüilidade. Ser pelego? Jamais passarei por essa vergonha.
Saudações Geográficas!
João Ludgero

quarta-feira, 24 de junho de 2009

URCA: discurso e debate sobre a relação da economia com a ecologia, a respeito da possibilidade de exploração de hidrocarbonetos no Cariri

Por - Reno Feitosa Gondin
Coordenador do Curso de Direito da URCA

Nesta última sexta-feira (19/06) deflagrou-se no salão de atos da URCA (no Crato), durante a palestra sobre o ‘Os Projetos de Desenvolvimento do Brasil – Energia e Petróleo no Cariri’, um dos mais meritórios debates a serem travados doravante na região do Cariri, e que insere o contexto regional na problemática globalizada, sem, contudo, desqualificá-la em favor de argumentos idealistas totalitários, de parte a parte (‘mezzo a mezzo’).

Desde então, com a intervenção do qualificado público ali presente, levou-se em conta o início da inserção do Cariri (a partir da URCA – onde se deu o debate) num dos mais importantes contextos temáticos da sociedade globalizada da atualidade, e cujo vértice se assenta no ainda cientificamente indeterminado conceito de ‘desenvolvimento sustentável’; no problema da oposição ‘economia-ecologia’ e na possível conversão do debate acadêmico em discurso mitológico.

Na síntese do que se discutiu, as posições ecologistas giraram em torno da necessidade de proteção do manancial aqüífero da região, e as posturas desenvolvimentistas na possibilidade de soerguimento da economia regional em favor da redução dos problemas socioeconômicos pelos quais se passa. Com efeito, posta a oposição, ambas as perspectivas se mostraram deficitárias nos elementos subjacentes do discurso e, portanto, na sua validade, em face dos três motivos acima identificados.

Em primeiro lugar, a oposição ecologistas se desenvolveu no contexto de um debate anacrônico, tipicamente escolástico medieval, ao impugnar, de súbito, as possibilidades de exploração petrolífera no Cariri. Desta feita, ao se ignorar que a primeira fase do projeto é a realização de estudos geológicos para a verificação da possibilidade petrolífera, findou-se por olvidar, de modo inadvertido, que em qualquer resultado probabilístico de sucesso do empreendimento, já se estará garantindo o sucesso na aquisição ou aprimoramento do conhecimento a respeito dos elementos e níveis do solo caririense. Essa postura destoa de modo inexorável com a ambiência do debate, haja vista o espaço acadêmico, e ademais, a partir da negação da ambiência e sua instituição, desqualifica o próprio discurso, o sujeito que o profere e a sua incapacidade de aquisição da validade que pretende.

Portanto, essa oposição inopinada resultou no encaminhamento da questão para o conflito escolástico superado na idade moderna pela formação do seu ‘paradigma epistemológico’, desde a necessidade galileana de experimentar ao procedimento dubitável cartesiano, de forma que nada deve conter o conhecimento, quanto menos uma hipótese apriorística desta monta.

No segundo aspecto, subjacente a ambos os pontos de vista levantados, mas em decorrência da primeira questão acima esposada, reside no predicado da própria relação de oposição, contaminando-os indistintamente. Admitida a relação de oposição entre economia e ecologia, deve-se ter em conta que esse liame não é lógico-formal, de modo que se opte por um extremo em detrimento do outro. Pressupondo a ambiência histórica do presente como critério de sincronicidade, não se pode escolher pela economia ou pela ecologia de modo exclusivista, decorrendo então a necessidade de consciência da impossibilidade de resposta conclusiva sobre a contradição em análise, portanto, nem o discurso ecologista nem o desenvolvimentista ex radice, são capazes de adquirir legitimação perante a sociedade atual. Não se apresentam condizente à dignidade e à consciência da Região, nem um Cariri ‘verde e pobre’, nem um Cariri ‘rico e cinza’.

Decorre desse contexto ainda que ambos os opositores partem de pré-concepções discursivas ‘sistemáticas’, ‘razão-de-ser’ apriorístico mas também de se mostrar aporético, já que não se trata de uma relação lógico-formal, mas sim de ‘contradição dialética’. Ora, uma vez que economia e ecologia não podem se anular, impondo-se a convivência e a concorrência da oposição na formação de uma resposta satisfatória à questão, qualquer discurso a respeito da possibilidade de exploração de petróleo na região do Cariri precisa pressupor no seio da sua estrutura o caráter de negação da negação, ao modo dialético. Portanto, aqui no Cariri, respeitando ademais o presente processo de formação da sua ‘visão-de-mundo’ autêntica, economia e ecologia devem completar-se na sua própria contradição, convivendo e formando os mesmos juízos hipotéticos a respeito da sua realidade.

Em síntese, os discursos levantados naquela noite sobre esses elementos não pecaram apenas na sua estrutura lógica, mas também no seu ‘modo-de-ser’ sistemático. Ora, do conflito entre a necessidade de preservação do manancial aqüífero e a possibilidade de exploração de petróleo, nenhuma solução sistemática pode ser tomada nesse momento iniciático da discussão. As soluções haverão de ser apontadas ao modo problemático (tópica), devendo-se avaliar cada caso singularmente, haja vista que envolve e depende, dentre outros elementos indeterminados, do avanço tecnológico que, num juízo hipotético, poderá permitir uma possível exploração de petróleo no entremeio do manancial aqüífero.

Subjaz no resultado do debate travado naquela noite do dia 19 último, o drama hodierno da possibilidade de reconciliação do homem com a natureza, da economia com a ecologia, e é magnificente que a região do Cariri esteja inserida nesse contexto, notadamente quando as condições para a formação de uma solução, autêntica e autóctone, estão postas na academia regional exortada a partir daquela noite na URCA, para exercer o seu papel institucional.

Por último, já no final do debate, emergiu, de súbito, um inconsistente murmúrio de pessimismo por parte do discurso ecologista, que deveria ter sido mais prudente. Toda atividade econômica pressupõe a assunção de um risco e, embora a prudência recomende a verificação de que as atividades econômicas da atualidade exijam a ocorrência de riscos colossais, muitas vezes irreversíveis, o pessimismo não pode convolar o próprio discurso ecológico numa mitologia. O que se viu ao final daquele debate foi o pessimismo como discurso mitológico, fundado na obliteração da reflexão em face do terror gerado pelos riscos que se apresentam ao tamanho do desafio. Ao estilo de Vico, o ecologismo deve ter consciência da origem ab terrorem do discurso mitológico.

Como considerações finais desta breve análise do debate naquela oportunidade, deve-se compreender que a questão está posta para a região do Cariri, e que a Academia tem um papel fundamental no desdobramento do problema proposto e da sua solução, que não existe desenvolvimento sem risco, e que ambos os discursos (ecológico e econômico) necessitam tomar consciência das suas implicações e importância.

terça-feira, 26 de maio de 2009

A nossa FLONA está preocupada com a irmã Caatinga

Por - João Ludgero Sobreira Neto
Lendo recentemente um trabalho realizado por pesquisadores da UFPE, UFRJ e pela ONG Conservation International, onde resultou na obra Ecologia e Conservação da Caatinga, um livro de 800 páginas. Este trabalho despertou a necessidade da solidariedade entre os nossos BIOMAS, já que a nossa FLONA têm muitos defensores e sua irmã Caatinga anda meio esquecida, resolvi publicar este pequeno texto.

Acredito que para alguns, após a leitura ficará desfeito o mito de que a Caatinga é pobre em espé­cies e fenômenos exclusivos. Além de chegar à conclusão que a Caatinga é um bioma extremamente rico em biodversidade, cheguei também a triste realidade, que é o bioma menos protegido do Brasil, já que as unidades de conservação e de proteção integral cobrem menos de 2% de seu território.
Repasso agora algumas informações que reforçam a importância desse bioma, basta perceber que:
1 - Os diversos tipos de composição vegetal - das mais abertas e baixas, com árvores de 1 m de altura, até as mais fechadas, com árvores de até 20 m de altura - compõem um mosaico de paisagens em que são encontradas 932 espécies de plantas, das quais cerca de um terço são endêmicas (só existem lá);
2 - Somente de aves existem 510 espécies, o equivalente a um terço do total encontrado no país;·Nas dunas que se erguem às margens do rio São Francisco se concentram cerca de um terço das espécies do semi-árido, entre elas dezesseis de lagartos, oito de serpentes, uma de anfíbio e quatro de anfisbenas (répteis sem patas chamados de cobras-de-duas-cabe­ças), entre elas a Amphisbaena arda, que tem o corpo esbranquiçado, salpicado de manchas pretas;
3 - De mamíferos, existem 143 espécies, sendo 19 endêmicas. Aqui vivem o mocó (roedor que alcança 40 cm de comprimento), o rato-bico-de-Iacre e o tatu-bola, que enrola o corpo ao se sentir amea­çado), um morcego insetívoro, um marsupial e um macaco sauá, recentemente encontrado na Bahia;
4 - Neste bioma brasileiro e carirriense foram detectados alguns comportamentos surpreendentes: das 240 espécies de peixes identificadas, cerca de 25 conseguem adiar a postura dos ovos, aguardando as chuvas. Os ovos dessas espécies são resistentes, o desenvolvimento do embrião é lento (demora quase um ano) e, ao eclodirem, os peixes (que atingem cerca de 5 a 15 cm de comprimento) vivem em lagoas e poças de água temporárias. Nós sertanejos os chamamos de peixes-nuvem, por acreditarem que nascem das nuvens;
5 - Várias espécies de formigas atuam como dispersoras de sementes. Algumas se nutrem de alimen­tos existentes nos elaiossomos (estruturas das sementes que armazenam reservas nutritivas) e carregam as sementes por longas distâncias. Outras - saúvas, quenquéns, lava-pés e tocandiras ­comem as polpas dos frutos e limpam as sementes, o que favorece a sua germinação.
Lutemos pela conservação e preservação da nossa Floresta Nacional do Araripe, mas não podemos esquecer de lutar também em defesa de nossa Caatinga que vêm sendo bastante agredida pelo sertanejo, é bem verdade que muitas vezes sem alternativa de sobrevivência recorre aos recursos da mesma.
Para os que ainda acreditavam que a Caatinga é pobre, árida e desprovida de vida, os dados acima são reveladores da riqueza biológica nela presente. Um motivo a mais para continuarmos lutando pela preservação e uso sustentado desse bioma. A Biodversidade da nossa Chapada e do seu entorno agradece.
Saudações Geográficas!
João Ludgero
Geógrafo

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Barbara, que barbaridades...

Por - Hugo Esmeraldo Sobreira - Cratense

Por que lutavam os rebeldes de 1817 e 1824? Seriam realmente guerreiros da liberdade? Que liberdade era aquela? Que liberalismo era aquele? Tentemos.

A luta renhida entre o localismo e o centralismo atravessou o primeiro século do Brasil apartado. Senhores locais vindos das mais profundas raízes formadoras de nossa sociedade ansiavam por ter enfim, definitiva e legitimamente, as rédeas de seus terreiros. Eis os que se diziam liberais naqueles tempos. Mas o imperador lhes barrou o plano. Fez-lhes engolir o Quarto Poder: Moderador. Na prática, a absolutização da Pátria recém-nascida. Gritos liberais então tentaram não engasgar. Mas liberais o quanto? Suficientemente ao ponto de um Rousseau? Não! Jamais! Nunca a loucura de um sufrágio universal! Nem pensar em libertação de escravos! Nem imaginar a divisão da terra! A questão era bem mais simples: fatias de poder mais bem repartidas. E só. Piegas, simplória, lugar-comum a luta desses “heróis”: aferrar seu poder incontestável sobre pobres quinhões regionais nordestinos.

Mas a História também se faz de mitos. D. Bárbara de Alencar, legítima representante da aristocracia latifundiária escravista. Não! Perdoem-me! Legítima heroína da liberdade nacional! Uma cidade se faz com gente... gente que se reconhece num mesmo processo formador. É preciso ter História para se ter identidade. Ela, um dos fundamentos da identidade da elite intelectual cratense.

D. Bárbara foi muito mais uma mãe ciosa de suas crias do que mesmo uma lutadora consciente de sua prática política. Foi assim, uma matrona, “coronela”, sra. de escravos e de largas terras. Saiu à luta não como uma musa republicana de bandeira em punho, mas muito mais para proteger os interesses “liberais” da época, meramente localistas e particularistas. Na aventura em que se viu levada acabou caindo em desgraça, ela e sua família. Perderam terras, posição social, a própria vida até. Parentes foram perseguidos ainda por décadas. José de Alencar, pai do escritor, filho da mãe “heroína”, vergonhosamente se salva ao pedir perdão ao imperador. Verá os picos do poder no Império brasileiro: governador do Ceará, senador vitalício... Bem se vê tamanha a convicção política dos “heróis” liberais.

É com tristeza que ainda vejo se repetir, pleno século XXI, práticas culturais e intelectuais dignas dos salões aristocráticos. Tecem-se elogios, erguem-se memoriais, textos, imagens, sons... Tudo a fim de perpetuar uma grande mentira, a mentira dos heróis. Há muito sabemos que os heróis não existem, nada significam, em se tratando da verdade humana, a vida humana real. Se olhássemos o passado com os olhos de então, veríamos. Aqueles homens e mulheres não foram heróis, não poderiam sê-lo. Não foram além! Não foram verdeiramente revolucionários. Como seriam? Se eram latifundiários? Se eram escravocratas? Se eram da parcela proprietária detentora do poder? Não os acuso de nada. Não os julgo. Apenas tento aqui ser um pouco (ou um tanto?) iconoclasta, porque é preciso ser iconoclasta. Os ícones encobrem, mascaram, enganam. Personagens irreais criados e recriados em épocas e épocas. Chega de heróis. Precisamos de gente. Gente lúcida, livre, consciente.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

CONFLITO X MASSACRE

O que é um massacre?

Hoje, 07 de janeiro, a maioria dos jornais noticiam que Israel perdeu 07 soldados no “CONFLITO” da faixa de Gaza. Por outro lado, mais de 700 Palestinos foram mortos. Conflito? Então, o que diabo é um massacre?

Saudações Geográficas !
João Ludgero