TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Doido Barrido




J. Flávio Vieira

                                               O velho Clotário Libório, antigo funcionário da prefeitura de Matozinho, do alto dos seus trinta anos de experiência como fiscal da fazenda, desconfiou que alguma coisa andava errada na cidade. Clotário trabalhava na Cancela estrategicamente colocada   na rodagem de saída para Bertioga que, como uma aorta, ligava a cidade com o resto do mundo. De carro, tudo que entrasse ou saísse de Matozinho tinha que passar por ali. Arapuca armada, Libório caia de pau em cima dos recalcitrantes sonegadores. Pois bem, nos últimos dias, nosso fiscal começou a notar um êxodo pra lá de esquisito na Cancela. O balanço diário começou a mostrar mais imigração do que emigração. Em tempos de seca braba, como nos últimos anos, essa realidade não era de tudo inexplicável , mas o sexto sentido avisara Libório de que a coisa parecia incomum. Começaram  a sair caminhões e pau-de-araras carregados até a tampa e Libório resolveu dividir suas preocupações com o prefeito Sinderval Bandeira. A maior parte dos veículos era de frete. Pelo andar do carro de boi,  Matozinho corria o risco de se tornar uma cidade fantasma.
                                   Sinderval orientou o funcionário a cadastrar todos os veículos de porte que por acaso saíssem da cidade e preenchesse uma ficha simples: destino, motivo da viagem, tipo de carga transportada , quando retornaria.  Seu termostato político já disparara e Bandeira, ou Bandalheira como era conhecido, temeu a perda de eleitores e, consequentemente, maiores dificuldades em vencer a oposição nas eleições que já se aproximavam.
                                   --- Faça o levantamento, Libório, que a coisa é séria ! Depois de amanhã à tarde, me traga uma posição para que eu possa tomar as devidas providências !
                                   Clotário partiu,  investido de uma missão que lhe parecia salvadora. Tabuleta na mão, ainda naquele dia,   passou a registrar cuidadosamente os dados solicitados pelo chefe.  No dia seguinte, no horário combinado, dirigiu-se à Prefeitura, onde Sinderval e todo Secretariado Municipal o esperavam para a reunião emergencial. Antes de tudo,  Bandeira colocou todos a par do grave problema  imigratório e da conduta que tomara junto com Clotário, no sentido de buscar a origem da crise . Ajeitou-se  na cadeira e começou a sabatina.
                                   --- Quantos caminhões carregados saíram de Matozinho de ontem para hoje, Libório ?
                                   --- Quatro, seu prefeito, tudo abarrotado !
                                   --- Abarrotado de quê , seu Libório ? Que diabos que é que estamos exportando numa seca dessas?
                                   --- Uma Scania carregada de pequenas varas de marmeleiros aparelhadas. Outra  com uma ruma de mulher, acomodada prá tudo quanto é lado. Outro caminhão saiu apinhado  de mendigo e de “drome sujo”e  uma carreta saiu cheia de gari, acho que não ficou nenhum aqui em Matozinho, nem prá se fazer remédio!
                                   --- Foram a passeio ou ainda pensam em voltar ? –Quis saber Sinderval.
                                   --- A maioria vai ficar por lá mesmo, só a ruma de mulher disse que ainda volta.
                                   --- E tão se botando prá onde , seu Libório ?
                                   --- Tudo pro Juazeiro do Norte, seu prefeito!
                                   --- Mas como, por que esse monte de romeiro de uma vez só? Aconteceu algum outro milagre por lá? A hóstia sangrou de novo no beiço da beata?
                                   --- Aconteceu e dos grandes! A Câmara de Vereadores de lá comprou, de uma talagada só, duas toneladas e meia de sabão e quase cinco mil vassouras! O turco Abdu Abraão, aqui de Matozinho, resolveu levar uma carrada de marmeleiro prá lá, pensa enricar vendendo cabo de vassoura. Os garis daqui se reuniram tudo e partiram prá terra do meu Padim na certeza que lá , pela ruma de vassoura adquirida, não vai faltar emprego nos próximos cem anos. Os “drome-sujo” da região também partiram ligeiro em direção ao Cariri : num vai faltar sabão prá tirar o ceroto de cabra nenhum, a redor de duzentas léguas, no próximo milênio.
                                   --- E a récua de mulheres, Libório? Que que foi fazer no Juazeiro? Pagar promessa?
                                   --- Pelo que pesquisei, seu Sinderval, elas foram participar do  “IV Congresso Brasileiro de Sogras e  Ex-mulheres” que foi patrocinado pela Câmara de Vereadores de Juazeiro .
                                   --- Por que o patrocínio da Câmara , seu Libório ? Esse Congresso tem alguma coisa a ver com o Poder Legislativo?
                                   --- Pelo que apurei , o Congresso foi resolvido fazer  lá , porque, no frigir dos ovos,  ficou muito mais em conta. Com a quantidade de vassoura disponível, já está garantido o transporte de volta para todas  elas...


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

"Buquê de rosas" - José Nilton Mariano Saraiva

Qualquer manual de boas maneiras há de rezar que... “aos inimigos não se enviam buquê de rosas, mas, sim, bananas... de dinamite”. A reflexão acima é só pra mostrar quão hipócrita e maquiavélica é a batalha política arquitetada entre as quatro paredes dos gabinetes suntuosos da vida.

Aqui em Fortaleza, por exemplo, a polêmica da vez é o confronto entre a Prefeitura da cidade (também em poder da família Ferreira Gomes) e um grupo de ambientalistas/ecologistas, por conta da decisão do poder municipal de construir dois viadutos (um sobrepondo-se ao outro) no entroncamento das avenidas Antônio Sales com Engenheiro Santana Júnior (vizinho ao Iguatemi).

Fato é que, embora seja uma das áreas de trânsito mais caótica da capital, e que necessita, sim, de alguma intervenção (e com urgência), a construção dos tais viadutos esbarra numa questão por demais valorizada nos dias atuais: a agressão ao meio ambiente. É que, a fim de levar avante o projeto, as obras deverão avançar (cerca de 07 metros por 240 metros), sobre o Parque do Cocó, uma das poucas áreas de preservação ambiental ainda existente aqui na capital e responsável pelo pouco de ar puro que nos resta.

Como a coisa foi operacionalizada da noite pro dia, de forma abrupta e truculenta (tipo rolo compressor) sem que houvesse qualquer diálogo com quem quer que seja, não permitindo sequer a apresentação de projetos alternativos por parte dos que não concordam (e eles existem), eclodiu um desagradável clima de insatisfação e revolta que culminou com uma atitude inusitada: os ecologistas e ambientalistas simplesmente “acamparam” na área onde tratores e retro-escavadeiras já punham abaixo frondosas árvores; assim, barracas foram montadas, banheiros químicos instalados e por aí vai, de sorte que a turma ali “fixou residência”, literalmente: passam o dia todo em atividades culturais e ali mesmo dormem, no chão, à noite (e o frio na área é de rachar) e isso há mais de um mês.

Num primeiro momento, a Polícia Militar invadiu a área, de forma brutal, na tentativa de expulsar os revoltosos, oportunidade em que foram usadas balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, além das inevitáveis agressões físicas, o que repercutiu negativamente; tal desenlace provocou a entrada em cena de políticos (da situação e oposição), OAB, Ministério Público, Tribunal Federal e por aí vai.

Hoje, via prefeitura, os Ferreira Gomes mais uma vez jogaram sujo e pesado: resolveram, simples e coincidentemente, que o trecho entre o encontro das duas avenidas e o Iguatemi receberia nova camada de asfalto e que os serviços seriam realizados entre as 7,00 da manhã às 18,00 horas, reduzindo a via pela metade (por qual razão não fazê-lo entre a meia-noite e as 6,00 da manhã, quando inexiste trânsito na área ???). Dizem os entendidos que o inferno é pouco, em comparação com o pandemônio em que se transformou o trânsito no local. E, parece até que propositadamente, a autarquia municipal de trânsito não designou um só dos seus funcionários para ajudar na fluidez dos carros.  

Assim, sem se preocupar com o imenso transtorno causado (congestionamento, buzinaço, calor infernal, impropérios, fechamento do cruzamento, etc) claro que o objetivo final da prefeitura/governo do estado é fazer com que a população se revolte contra os ambientalistas/ecologistas, aderindo ao projeto existente e remetendo a questão ambiental às calendas gregas.


É o jeito de ser (e administrar) dos Ferreira Gomes.         

Toni C - O mano da Nação Hip-Hop


Artista multimídia, autor do romance "O Hip-Hop Está Morto!" e do documentário É Tudo Nosso!, organizador do Hip-Hop a Lápis. Membro da Nação Hip-Hop Brasil e editor audiovisual da TV Vermelho, Toni C é um dos expoentes que vem narrando a história de diversidade e complexidade do Movimento Hip-Hop Brasil.    


Alexandre Lucas - Quem é Toni C?

Toni C - É um cara, como qualquer outra pessoa, que é e faz muitas coisas. Pra facilitar pode ser classificado como multimédia, artista e ativista. Autor de alguns livros sobre Hip-Hop, o mais atual é a biografia de Sabotage, ou seja, sou mais um louco sonhador.


Alexandre Lucas - Como ocorreram os seus primeiros contatos com arte?

Toni C - Desde o nascimento, seguramente. Porém dessa época não tenho muitas lembranças.

Alexandre Lucas - Como surgiu o Hip-Hop na sua vida? 

Toni C - Na infância me lembro de ver o break nos programas Raul Gil,  Barros de Alencar também e na São Bento, bem pequeno passeando com meus pais via aqueles malucos...  Ouvia os balanços, que era como a gente chamava o Rap naquele tempo, na escola, com meus primos mais velhos e do som da escola de samba do bairro, a Mocidade Alegre.

Alexandre Lucas -  Fale da sua trajetória: 

Toni C - Estou ainda trilhando essa trajetória, feito à custa de muita sola de tênis, pedaladas de bike, passando por quebradas, escolas públicas, quadras de basquete, movimento estudantil e sem dúvidas o Hip-Hop.

Alexandre Lucas - Como você avalia o Movimento Hip-hop na atualidade? 

Toni C - Rapaz, é complexo essa questão. Tanto que escrevi um livro a respeito, chamado "O Hip-Hop está Morto!" está cultura está passando por uma transição, uma transformação grande com componentes que vão desde o mercado fonográfico até questões geracionais, passando pela discussão de gênero e o regionalismo. Enfim, quer saber mais, leia o livro.

Alexandre Lucas - Você foi um dos responsáveis pela criação da Nação Hip Hop Brasil. O que é mesmo essa Nação?

Toni C - Fui não, sou responsável, tenho orgulho em pertencer a esta organização desde sua fundação. A Nação Hip-Hop é uma rede formada por gente do Hip-Hop de todo o país que percebe dificuldades parecidas em produzir e difundir nossa cultura, ou seja, em Fortaleza ou aqui em São Paulo, e uma vez identificado problemas comuns, podemos encontrar soluções semelhantes. Hoje nossa organização é considerada a maior entidade de Hip-Hop da América Latina.

Alexandre Lucas -  A Nação Hip-Hop vive um processo de reconstrução? 

Toni C - Reconstrução permanente, de si própria, do movimento Hip-Hop e da sociedade. Quer somar nesta construção? Acesse o site da entidade (www.nacaohiphopbrasil.com.br) e venha fazer parte você também.

Alexandre Lucas - Você vem narrando nos últimos anos parte da história do Hip-Hop. Qual a importância desse trabalho? 

Toni C - A história oficial do Brasil não tem a participação dos negros, não tem participação dos verdadeiros brasileiros, que os "descobridores" chamaram de índios, afinal estavam descobrindo a Índia. Pois bem, parafraseando meu parceiro  Hot Black na música É Tudo Nosso:

"Onde está escrito que estou sujeito
a ser nota de rodapé
 
dos livros de história
sem glória"
Sairmos da nota de rodapé para as capas do livro, hoje somos os escritores, os personagens, as fontes, os pesquisadores... A história é sempre contada pelo ponto de vista dos vencedores. Taí duas coisas que precisamos fazer: vencer e escrever a nossa própria história.

Alexandre Lucas - Como você caracteriza o seu trabalho? 
Toni C - Luta. Luta política, luta ideológica e a batalha de ideias é a mãe de toas as batalhas.

Alexandre Lucas - Quais os seus próximos trabalhos?
Hoje meu trabalho é mostrar a todos meu novo filho recém nascido: A biografia de Sabotage: Um Bom Lugar. (www.literaRUA.com.br)




Saiba mais sobre o trabalho de Toni C:
Toni C. é autor do romance "O Hip-Hop Está Morto!" – A História do Hip-Hop no Brasil, organizador dos livros #PoucasPalavras de Renan_Inquérito, Um Sonho de Periferia, Hip-Hop a Lápis e Literatura do Oprimido e colaborador da revista Rap Nacional.

Social
Secretário de cultura da Nação Hip-Hop Brasil e da ORPAS - Obras Recreativas Profissionais, Artísticas e Sociais.

Audiovisual
Diretor do documentário É Tudo Nosso! O Hip-Hop Fazendo História. Editor da TV Vermelho e pesquisador do programa Estação Periferia - TV Brasil.

Prêmios
Ganhador do prêmio Cooperifa, recebeu Menção Honrosa pela Câmara de Marília. É reconhecido como uma das pessoas mais influentes da cultura brasileira, através dos prêmios Tuxáua e Escola Viva, pelo Ministério da Cultura. Foi congratulado pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul com a Medalha Comemorativa da 53ª Legislatura do Estado.

Bibliografia Completa:

Antologias
Hip-Hop a Lápis - O livro (2005)
Hip-Hop a Lápis 2 - Literatura do Oprimido (2010)
Um Sonho de Periferia (2011)

Romance
"O Hip-Hop Está Morto!" - A História do Hip-Hop no Brasil (2012)

Biografia
Um Bom Lugar - Biografia Oficial de Mauro Mateus dos Santos - Sabotage (2013)

Prefácio e comentários
Colecionador de Pedras - Sérgio Vaz (2006)
Trajetória de Um Guerreiro - DJ Raffa (2008)
Rap Dez - O Primeiro rapper dos Quadrinhos -Marcio Baraldi (2011)
Do Conto à Poesia - Alessandro Buzo (2011)
#PoucasPalavras - @RENAN_INQUERITO (2011)

Veja essa e outras entrevistas no Blog das Entrevistas: www.blogdasentrevistas.blogspot.com  


terça-feira, 20 de agosto de 2013

A ausência dos "nativos" - José Nilton Mariano Saraiva

Em sã consciência, os que a conheceram num passado não tão distante e que ainda hoje teimam em dar-lhe atenção, dúvidas não têm em constatar o óbvio ululante: coincidência ou não, a ”Exposição do Crato”, ao perder o nome de origem (recebido na “pia batismal”) metamorfoseando-se em “Expocrato”, mudou e mudou muito. Só que pra pior, muito pior.

Antes, um lugar aconchegante e aprazível, onde todos se encontravam sem maiores dificuldades para uma confraternização sadia e aguardada por meses, hoje, até em razão (por paradoxal que seja) do aumento da dimensão da área do evento, a coisa ficou “meio solta”, os encontros mais difíceis, a confraternização impossível, e o aconchego (então), mandou lembranças.

É que, se antigamente o “point” eram aquelas minúsculas e rústicas barracas (onde éramos servidos por garçons da estirpe de um “Fuínha”, “Cabeleira” e outros), erguidas às pressas à sombra daqueles enormes pés de eucaliptos, por trás do palco principal (onde se realizavam os shows), na atualidade as árvores foram criminosamente postas abaixo e o espaço ocupado por imensos stands de vendas de produtos diversos;  por conseqüência, as barracas foram deslocadas para uma área mais distante, ao tempo em que perderam a timidez, a virgindade e... se fizeram adultas (muito maiores, mais espaçosas), mas... lamentavelmente, menos aconchegantes. Um exemplo emblemático de tal época, o saboroso e disputadíssimo “cachorro quente” do Enoque (com carne moída, de primeira), sumiu do mapa, dando lugar a um tal “hot dog” (com salsicha vencida), comercializado em escala industrial e de gosto duvidoso.

Mas, o que mais chama a atenção na atual Expocrato, é a absoluta ausência dos “nativos” no seu recinto, assim compreendidos os cratenses que nunca saíram do Crato, mas que, durante a “Exposição” faziam questão de lá comparecer para saudar os cratenses que por uma ou outra razão por lá só aparecem no mês de julho. E como eram agradáveis tais encontros e reencontros.


Alfim, deixamos no ar a indagação: onde se metem os “nativos”, durante a semana de festa da Expocrato ??? Por qual razão nos deixam (cratenses-visitantes) literalmente órfãos durante o período ??? Por que não voltar a lá comparecer, a fim de, numa viagem de cunho sentimental-saudosista (vá lá que seja), nos transportarmos de volta ao passado, transformando a “Expocrato” na nossa “Exposição do Crato” ???

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

"Excelências" - José Nilton Mariano Saraiva

Segundo o site Transparência Brasil, nada menos que 59,1% (13 dos 22) Deputados Federais eleitos para representar o Estado do Ceará, na Câmara Federal, em Brasília, respondem por processos na Justiça ou nos Tribunais de Contas existentes no país.

Estendendo-se a pesquisa para o Congresso Nacional como um todo (Câmara Federal e Senado), foi constatado que 315 dos 594 parlamentares com assento naquelas casas legislativas também se acham na mesma situação.

Não é de estranhar, pois, que em todas as pesquisas feitas até aqui, a classe política tenha uma avaliação pra lá de negativa por parte da população, numa prova inconteste que SUAS EXCELÊNCIAS não estão nem aí para com os seus eleitores e, sim, preocupadas em legislar em causa própria, nem que para tanto incursionem por caminhos ilegais (as irregularidades vão desde crimes eleitorais até atos de improbidade administrativa).

Deplorável.   

sábado, 17 de agosto de 2013

Ô, "santa" cara, essa - José Nilton Mariano Saraiva

Não se sabe ao certo o quanto será gasto ao final da obra (se é que vão concluí-la algum dia), mas, se tomarmos por parâmetro o extravagante e milionário “rombo” (desvio de dinheiro) denunciado pelo Ministério Público – R$ 416.000,00 – ninguém tem dúvida que a estátua da tal “santa”, que está sendo construída no Crato, vai nos custar – ao contribuinte -  “os olhos da cara”. E convém atentar que essa dinheirama toda foi subtraída ainda quando da construção da primeira etapa do citado monumento.

Ainda de acordo com o Ministério Público, a construtora responsável, à época, denominava-se Projesul, cujo proprietário (em conluio com os engenheiros responsáveis), foi responsabilizado pela formação de um esquema fraudulento visando o desvio do dinheiro público, via medições falsas e pareceres técnicos fraudulentos (formação de quadrilha ???).

Fato é que, por conta de tal tramóia, duas ações já foram impetradas contra o dono da Projesul e engenheiros envolvidos; uma de natureza penal (prisão em regime fechado) e outra por improbidade administrativa (devolução da grana ao poder público e impedimento de realizar contratos com a administração pública e exercer cargos públicos, durante certo tempo). 

Estranhamente, os nomes dos envolvidos em tão escandaloso esquema não foram divulgados, a fim que todos tomássemos conhecimento de quem se trata, até mesmo como forma de precaução, se necessário abordá-los.


Alfim, restou uma triste constatação: ô, “santa” cara, essa. 

1.111 - José Nilton Mariano Saraiva

O rendimento máximo pago a um funcionário público, no Brasil, deveria ser da ordem de 24.000,00 e poucos reais, valor, hoje, percebido pelos privilegiados senhores ministros do Supremo Tribunal Federal-STF.

Mas, eis que, examinando os pagamentos efetuados pelo Governo aos seus funcionários, o insuspeito e eficiente Tribunal de Contas da União-TCU, descobriu que nada menos que 1.111 (hum mil cento e onze) felizes servidores do segundo escalão do governo, lotados nos gabinetes dos senhores Deputados Federais, em Brasília, percebem mensalmente mais de R$ 28.000,00.

Se existe a tal da “rachadinha” (com o patrão Deputado) não se sabe, mas o fato é que, descoberta a “maracutaia”, surge a possibilidade dos tais salários voltarem à “normalidade”, embora, estranhamente, os beneficiados não serão obrigados a devolver o recebido a mais, durante tanto tempo.


Por qual razão, se o que foi recebido não está dentro da legalidade ??? 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Exótico "rango" - José Nilton Mariano Saraiva

Vol-au-vent de maçãs com catupiry, bombinhas de escargot, pudim de lagosta ao molho de champignon, bombinhas de salmão com caviar e camarão ao sol nascente. Você, aí do outro lado da telinha, já teve pelo menos o prazer de “cheirar” alguns desses pratos ??? Sabe por acaso como se prepara algum deles, quais os ingredientes urilizados ??? Desconhece que se trata de “comida” servida aos privilegiados freqüentadores dos salões da alta sociedade, onde pobre não passa nem perto ??? Pois só lhe resta “babar” de inveja ou morrer de desgosto ao saber que...
Que aqui, em Fortaleza, para atendimento exclusivo do gabinete do governador e da residência oficial, o Governo do Estado do Ceará firmou contrato com o “buffet” Anira Serviços de Alimentos Ltda, com validade de um ano (agosto 2013 a julho 2014), no valor de “desprezíveis” R$ 3.444.000,00  (três milhões, quatrocentos e quarenta e quatro mil reais), ou o correspondente a R$ 287.000,00 (duzentos e oitenta e sete mil reais) por mês, ou ainda R$ 9.566,66 (nove mil, quinhentos e sessenta e seis reais e sessenta e seis centavos) por dia.
Além do mais, convém lembrar que no ano passado o contrato firmado com o mesmo “buffet” atingiu o montante de R$ 3.580.000,00 (três milhões, quinhentos e oitenta mil reais), e que essa mesma empresa tem contratos à parte com a vice-governadoria e secretarias de governo do Ceará. Segundo o jornal O POVO essa dinheirama toda é suficiente para mais de um evento por dia, durante um ano, em qualquer um dos grandes “buffets” da cidade.
Ante a falta de argumentos para justificar essa “farra com o dinheiro público”, denunciada pelo destemido Deputado Estadual Heitor Ferrer, o senhor Governador do Estado matreiramente tratou de tirar o foco da questão (ou o braço da seringa), ao investir de forma deselegante e grosseira contra o parlamentar e sua família, acusando-os de “desonestos”.

Agora, aqui pra nós: será que esse feliz proprietário de tal “buffet”, ao receber uma montanha de direito em troca de um “rango” tão exótico,  não sente nenhum tiquinho de remorso em saber que no restante do estado o povo passa fome e sede ???     

Meio ambiente X Desenvolvimento - José Nilton Mariano Saraiva

Geográfica e culturalmente multifacetado por conta da sua dimensão continental, o Brasil, além de uma população ordeira e trabalhadora, detém imensas áreas de terras agricultáveis (já somos o maior do mundo em certas culturas), de par com extensos e caudalosos rios que se prestam para produzir energia limpa e relativamente barata, desde que aproveitados de forma racional (além do que, também  poderão perenizar, através da irrigação, aquelas áreas mais necessitadas).

De outra parte, é sabido que qualquer país que almeje ingressar no seleto rol daqueles considerados desenvolvidos há de levar em conta dois insumos básicos para o atendimento de tal desiderato: a “educação”, como mola propulsora do adquirir e aplicar novos e imprescindíveis conhecimentos; e a geração de energia, absolutamente necessária como indutora da transformação possibilitada pelo agregar desses mesmos conhecimentos.

Temos, pois, sobejas condições de “chegar lá”, dentro de um prazo razoável, desde que haja uma política governamental que valorize essas duas importantes ferramentas.

E o primeiro passo já foi dado, com a decisão do governo brasileiro de destinar o dinheiro arrecado com o pré-sal para a educação integral, processo que exige um certo tempo de maturação a fim de alcançar os objetivos colimados; portanto, tenhamos um pouco de paciência, já que não se muda um “continente” da noite pra o dia, ao simples toque de uma varinha de condão.

Já com relação à geração de energia, via aproveitamento de rios da magnitude de um Amazonas, Tocantins, Madeira e por aí vai, a coisa caminha com certa dificuldade, já que esbarra na “questão ambiental”.

É que, açodados e sectários em relação ao tema, ecologistas de plantão tentam obstar a construção de hidroelétricas lá pro lado da região amazônica, sob a alegativa de que a floresta necessita ser preservada em sua integridade, por cima de pau e pedra; e aí falta um pouco de flexibilidade e tolerância, a fim de entender que a área a ser inundada para a formação do lago de uma grande hidroelétrica representa na realidade uma insignificância em relação ao todo, no tocante aos prejuízos à fauna e à flora.

E que, no desenvolvimento de uma nação se torna necessário avaliar a questão “custo X benefício” (aqui traduzidos por meio ambiente X desenvolvimento) de forma ponderada e racional, a fim de não sacrificar o próprio progresso do pais.

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(Observação: Existe uma diferença abissal entre tentar acabar com uma restrita área verde  no centro de uma "selva de pedra" - como o Parque do Cocó, em Fortaleza - e o sacrificar uma área insignificante de uma grande floresta, como o é a amazônica).

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Vou me ausentar até final de outubro. Em novembro retorno.

Eis um Sol que perde o brilho rapidamente - José do Vale Pinheiro Feitosa

Um jornalista, Sol W. Sanders, editor colaborador do World Tribune, soltou o verbo diante da venda do Washington Post para um empresário do meio digital. O discurso do jornalista ardeu como o Sol de pleno verão no sertão nordestino (para usar um trocadilho infame condenado por ele).

Ardeu de despeito e má vontade contra o corpo ainda jovem e crescendo da internet. Em síntese a morte do jornalismo em papel, feito pelos profissional da redação e dos filtros da notícia é o nascedouro de anátemas do tipo cacofonia da internet sem nenhum tipo de filtro.

“Qualquer pessoa, a qualquer hora, com qualquer falta de formação (ou talento) pode subir no seu próprio poleiro para esbravejar suas idiossincrasia.” Para Sol Sanders a realidade da malha de opiniões na internet é feita por “agregadores que coletam peças importantes de informação e opinião ou a baba constante de assuntos relevantes”. E segue explicitando qual seja esta baba: “Mentiras, exageros, preconceitos são, desde sempre o produto do dia.”

A visão conservadora deste Sol consumindo seus últimos litros de hélio é: “a verborragia, muitas vezes se transforma em muito modestas contribuições para a cultura popular. Além disso, torna-se ferramenta para tudo, desde a extorsão até o terrorismo muçulmano.

Sol Sanders, acusa o hábito das pessoas ouvirem mais músicas do que ler jornais e o Twitter de ser fonte de semianalfabetismos.  E termina em seu tom lastimoso de quem está prestes a perder o futuro: “não sabemos sequer se os jornais vão continuar oferecendo grandes benefícios para a nossa cultura, para a democracia e a governabilidade.

Enfim eis aqui o discurso da verticalidade na comunicação. A hierarquia que forma a narrativa e o discurso superior para dirigir as massas. Mas agora, outras estrelas brilham em intensidade cada vez maior: a horizontalidade de milhares de fontes, sem um poder de hierarquia que a filtre, que a interprete para as massas, não pode ser compreendida por quem se coloca no cimo ou na base da estrutura hierárquica da comunicação.


Agora vamos construir as sínteses na dispersão das ideias, das narrativas e dos discursos. Essa síntese é quase que própria de grupos e indivíduos, sempre em razão de sua história e de suas necessidades e contradições. Só na cabeça deste Sol Imperial o terrorismo muçulmano é apenas o terror, desprovido de lutas sociais, de exploração imperial e de crimes constantes de governos contra os povos oprimidos do Oriente.